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Tudo Sobre o Algodão: Características e Nome Científico

O algodão representa uma das maiores cadeias produtivas no Brasil e no mundo. O produto nada mais é do que uma fibra de cor branca que cresce ao redor das sementes de algumas espécies do gênero taxonômico Gossypium, contudo apenas 4 espécies são comercializadas em larga escala e utilizadas para produção de tecidos e até mesmo instrumentos médicos. Algumas estimativas apontam para o quantitativo mundial de 25 milhões de toneladas do produto produzidas anualmente.

O vegetal é encontrado nas porções subtropicais do México, Austrália e África; sendo nativo das porções tropicais da Ásia, África e América. Acredita-se que alguns tecidos já eram produzidos com a fibra deste vegetal desde o final da Era Glacial.

A palavra “algodão” deriva do termo em árabe “al-quTum”, o qual faz referência ao “cotão”, ou seja, pêlo ou felpa que se desprende de alguns tecidos. Inclusive foram os mercadores árabes que difundiram o vegetal pela Europa entre os séculos IX e XI. O termo “cotão” também serviu como inspiração em outros idiomas, como por exemplo cotton (em inglês), coton (em francês) e cotone (em italiano).

A origem da palavra na língua árabe remete à teoria de que estes teriam sido os primeiros a fabricar tecidos e papéis utilizando a fibra. No caso da Europa, o vegetal só foi utilizado para a confecção de tecidos durante as cruzadas, os tecidos para vestimenta anteriores a este período (principalmente para as classe mais baixas) eram principalmente lã, linho e juta.

A fibra de algodão também apresenta as suas vantagens sob o ponto de vista comercial, uma vez que é um material orgânico e leva pouco tempo para se decompor completamente após o descarte (aproximadamente 3 meses).

Neste artigo, você vai conferir outras informações e curiosidades sobre o vegetal.

Então venha conosco e boa leitura.

Tudo Sobre o Algodão: Família Taxonômica Malvaceae

Esta família botânica abriga um total de 765 espécies angiospermas estruturadas em 9 subfamílias. É possível encontrar representantes desta família em praticamente todos os estados brasileiros. As plantas ornamentais são famosas integrantes, especialmente as paineiras (gênero botânico Ceiba) e os hibuscus (gênero botânico Hibiscus). Também é possível encontrar plantas alimentícias, a exemplo do cacau (nome científico Theobroma cacao); e até mesmo plantas que fornecem madeira, a exemplo do pau de balsa (nome científico Ochroma pyramidale).

Algumas características físicas são comuns a todos os membros desta família. No caso das folhas, a maioria das espécies possui folhas alternas, simples (palmadas ou lobadas) ou compostas (palmadas), espiraladas ou dísticas.

Outras características comuns encontradas nas folhas incluem dentes malvoides, bordas serrilhadas, venação palmada e presença de estípulas (estruturas em formato de escama, existentes perto da bainha das folhas). Naturalmente, essas lâminas foliares serão dorsiventrais, podendo ser bifacial para alguns casos. Todas as superfícies da folha possuem estômatos (estruturas formadas a partir de um conjunto de células), e a epiderme pode contar ou não com a presença de mucilagem.

Considerando o grande quantitativo de espécies, a classificação dos frutos obedece a um vasto espectro, com classificações como drupa, cápsula, draga, sâmara e esquizocarpo (fruto seco derivado de um gineceu).

As flores destas espécies podem ser solitárias ou unidas. No caso das inflorescências, estas podem ser classificadas como cimosas ou racemosas. A maioria das flores é hermafrodita, todavia, algumas espécies podem contar com flores dioicas.

Em relação às flores hermafroditas, o androceu (porção masculina) possui grande quantidade de estames, livres ou unidos, os quais podem formar uma coluna laminar que envolve o gineceu (porção feminina). O gineceu conta com um ovário súpero (classificação de posição), contendo um ou muitos óvulos em cada um dos seus lóculos.

Para as flores desta família, a reprodução ocorre através de polinização realizada por insetos (ou seja, polinização entomófila).

Tudo Sobre o Algodão: Características e Nome Científico

Plantação de Algodão
Plantação de Algodão

O algodão pertence ao gênero taxonômico Gossypium, e uma das espécies mais famosas (o algodão Upland) possui Gossypium hirsutum como nome científico.

As fibras do algodão são na realidade “pêlos” originados das próprias sementes. Após a colheita, é possível observar a presença de pequenas sementes de formato triangular e coloração negra (as quais devem ser removidas antes que a fibra seja processada). Em relação às sementes, inclusive, alguns estudos apontam que o composto gossipol, extraído das mesmas pode atuar como contraceptivo masculino

Tal fibra possui uma porção mais externa (chamada de cutícula) que é fina e resistente e possui a função de proteção. Na fibra, estão presentes ceras, gomas, pectinas e óleos. A cera, em particular, é responsável por controlar a absorção da água.

Gossypium Hirsutum
Gossypium Hirsutum

A parede da fibra é composta por celulose, a qual está disposta em fibras microscópicas dispostas em posição transversal em relação ao comprimento da fibra, mas com formato de espirais em sentido dexto e levogiro. O sentido dessas espirais se mantém o mesmo ao longo da fibra. Além da celulose, na parede primária, é possível encontrar outras substâncias como as pectinas, açúcares e proteínas.

Abaixo da parede primária, está a parede secundária, a qual é formada por muitas camadas concêntricas de celulose quase pura, dispostas em fibrilas cristalizadas aglomeradas em espirais. Essas fibrilas mudam de sentido ao longo de uma mesma fibra, e possuem uma influência direta na resistência e na maturidade da fibra.

O canal central da fibra de algodão recebe o nome de lumem. Durante a sua formação, possui seção circular, a qual assume um contorno irregular após a desidratação (ou colapso, como é chamado). No lumem, há resíduo proteico do protoplasma que deu origem à fibra. Nas fibras maduras, o lumem está reduzido, essas fibras também se caracterizam por paredes mais espessas e com menos torção. Nas fibras imaturas, o lumem é amplo e estas também se caracterizam pelas suas paredes finas, contorcidas e achatadas.

Tudo Sobre o Algodão: Maturação Botânica

As principais fases de maturação destes vegetais são a fase de abertura da flor, fase de deposição de celulose, fase de abertura dos frutos e fase de formação das fibras maduras (as quais recebem o nome de capulho).

Há uma deposição intensa de celulose dos 21 aos 52/56 dias após a abertura da flor. Na realidade, nesta fase, 96 % da celulose total é depositada, contribuindo para o engrossamento das paredes secundárias (no caso, de fora para dentro da fibra). Os últimos 4% do total de celulose são depositados lentamente dos 61 aos 64 dias após o florescimento. A quantidade de celulose depositada é diretamente influenciada por fatores como a luminosidade e a temperatura.

Antes da deposição de celulose (no caso, nos 28 dias após a abertura da flor), as células destas flores crescem rapidamente até atingirem aproximadamente 91% do comprimento final. Os 9% restantes são completados de forma lenta, com velocidade estabilizada em torno dos 47-51 dias após o florescimento.

Antes da abertura dos frutos, a deposição de celulose costuma ser mais lenta. Esta abertura é proporcionada pela combinação da expansão da massa de fibras combinada ao aumento da pressão interna e ao processo gradual de desidratação da casca. O fruto aberto (no caso, a fibra madura) pode receber a denominação de capulho ou pulhoca.

É natural que na abertura do fruto ocorra rápida perda de água, a qual resulta em contração das fibras sobre si. Na secção transversal, há achatamento das fibras, possibilitando que assumam o formato de feijão.

Tudo Sobre o Algodão: Composição Química

A fibra de algodão possui 94% de celulose; 1,3% de proteínas; 1,2% de cinzas eventuais; 0,9% de substâncias pécticas; 0,8% de ácidos (tais como o ácido málico e o ácido cítrico); 0,6% de cera; 0,3% de açúcares totais; e o quantitativo restante (0,9%) de elementos não dosados.

A celulose em particular possui uma estrutura em cadeia formada por moléculas de glicose, as quais se dispõem na famosa celulose amorfa e cristalina. Praticamente o segundo elemento mais importante na fibra de algodão é a cera, a qual atua como lubrificante entre as fibras durante o processo de estiragem e fiação, e também auxilia no controle da absorção de água.

Tudo Sobre o Algodão: Biodegradabilidade

A fibra de algodão degrada no meio ambiente após 3 meses de descarte, além de ser considerada de dificuldade moderada no que diz respeito à reciclagem. Algumas empresas possuem máquinas desfibriladoras responsáveis pela reciclagem mecânica de tecidos de algodão, o material gerado recebe o nome de desfibrado. Caso esse tecido possua além do algodão outras fibras como o elastano, ele poderá ser aproveitado para preenchimento acústico, elaboração de cobertores ou enchimento de estofados. No caso do tecido possuir apenas algodão, este poderá ser entrelaçado a fibras virgens de poliéster ou mesmo algodão, tornando-se um fio. Quando a reciclagem química é possível, a fibra é diluída para se transformar em um fio.

Fibra De Algodão
Fibra De Algodão

Mesmo sendo um produto biodegradável, o cultivo de algodão pode implicar em considerável impacto ambiental em razão da utilização intensa de herbicidas, inseticidas e fungicidas (os chamados defensivos agrícolas) utilizados no controle das pragas.

Tudo Sobre o Algodão: Tipos Comerciais e Suas Características

O algodão pode ser macio ou áspero, grosso ou fino, assim como liso ou com textura. Podendo ser empregado tanto para fins comuns quanto para a composição de artigos de luxo (tais como jogos de cama bastante refinados).

Tipos diferenciados de algodão também possuem variações em fatores como versatilidade, força, desempenho e durabilidade, qualidades estas obtidas através de melhoramento genético.

Os principais tipos ou grupamentos de algodão são o Egípcio, Acala, Pima e Upland (também conhecido como Anual).

O tipo Egípcio possui fibras extralongas na cor branca. A resistência é alta (classificada com em +36 gf/ tex). O comprimento também é elevado, estando compreendido entre 36 milímetros a 42 milímetros. O algodão egípcio é produzido em países como o Egito e o Sudão, através de um sistema de irrigação elevada (uma vez que estas localidades contam com regiões desérticas). Este algodão é o ideal para a confecção de artigos de cama, mesa, assim como peças íntimas de alto valor, alguns inclusive são classificados de acordo com a quantidade dos fios mais finos existentes em cada seção transversal do fio que vai se transformar em tecido (a exemplo do conhecido algodão egípcio 110 fios). Nos países em que é cultivado recebe subsídios do governo, contudo o apoio financeiro vem diminuindo e, portanto, impactando também a produtividade.

Assim como o algodão Egípcio, o algodão Pima também possui fibras extra-longas. Seu plantio ocorre, sob específicas condições de irrigação, nos vales áridos da Califórnia e do Arizona, assim como no Peru. Possui muitas características físicas semelhantes ao algodão Egípcio, com a diferenciação da coloração creme. Pode ser empregado para a confecção de linhas de costura, assim como de tecidos finos, e conta com um melhoramento tecnológico para estes casos (envolvendo colheita mecanizada e escolha de sementes com produtividade elevada).

O algodão Acala é produzido no Peru e na Califórnia. É utilizado principalmente no setor de camisaria e malharias finas. As suas fibras são classificadas como media-longas, uma vez que possuem comprimento compreendido entre 32 a 34 milímetros. Também já foi produzido aqui no Brasil, em condições irrigadas dos vales semiáridos do Nordeste; assim como no Cerrado do Mato Grosso e Bahia. O padrão de fibras do algodão Acala vem sendo reproduzido através de um programa de melhoramento genético conduzido pela Embrapa e pela Fundação da Bahia, no qual existem 500 hectares plantados da variedade.

O algodão do tipo Upland (também chamado de Anual) possui fibras brancas com comprimento inferior a 32 milímetros. É produzido maciçamente em quase 60 países do mundo, dentre os quais, o Brasil se destaca como 5° maior produtor e o 4° maior exportador. Na realidade, este algodão abastece a nossa indústria têxtil nacional; e também gera um grande volume para exportação (no caso, quase 1 milhão de toneladas por ano). Suas aplicações são bastante versáteis, uma vez que pode ser utilizado para produção de fios para jeans, camisaria, malharia, assim como roupas de cama, mesa e banho. É bem mais barato do que os tipos de algodão que contam com fibras longas e extralongas.

Tudo Sobre o Algodão: Considerações Sobre o Plantio de Algodão

Plantio de Algodão
Plantio de Algodão

O algodão é considerado uma das culturas mais caras, demandando o investimento de quase R$ 8 mil reais por hectare. Os investimentos devem ser realizados desde o chamado pré-plantio, de modo a alcançar resultados satisfatórios. Uma dica importante neste processo é que o ciclo seguinte de algodão deve ser planejado ainda estando no meio de uma safra.

Assim como a pimenta, o tomate e outros vegetais, o algodão é naturalmente perene. Porém, no caso, só pode ser cultivado em áreas com condições específicas de crescimento. Na verdade, as sementes também devem ser frescas e cuidadosamente selecionadas.

As práticas de cotonicultura devem estar em acordo ao tipo de cultivo realizado na fazenda (o qual poderá ser considerado convencional ou através de plantio direto). Cada tipo de cultivo demanda técnicas e manejos diferenciados.

É importante planejar a atividade agrícola e incluir neste planejamento um processo de rotação de culturas, uma vez que esta auxilia a reduzir os custos no combate à pragas e doenças, tais como o Bicudo do Algodoeiro e a Helicoverpa. Dentre deste contexto, também é importante seguir o calendário de “vazio sanitário”, ou seja, uma estratégia para manter o campo livre de plantas vivas durante determinado período do ano. A finalidade desta estratégia é evitar o ataque de novas pragas a esta cultura, não fornecendo-as alimento e condições para a sobrevivência durante a entressafra.

As plantas de algodão são bastante sensíveis às ervas-daninhas, as quais competem com elas por água, nutrientes e luz solar. O plantio da cultura deve ocorrer em uma área sem a presença de ervas daninhas. Caso algumas ervas daninhas se estabeleçam posteriormente, a sugestão é aplicar herbicidas, porém estes devem ser aplicados em momentos específicos e com formulação específica. Os momentos específicos são o pré-plantio, pré-emergência de cultura, pós-emergência de cultura e pós-dessecção de plantas. É fundamental conhecer as plantas daninhas (ou realizar um planejamento com um consultor), de modo a utilizar o melhor herbicida para o caso.

A textura do solo também é um fator muito importante. Solos classificados como médios ou argilosos possibilitam maior desempenho da cultura, sobretudo em razão da boa umidade. Igualmente, é necessário observar e manter boas práticas para preservação do solo. Em hipótese alguma deve-se plantar em solos compactados e mal drenados, assim como em solos com certas limitações biológicas e químicas. Para alguns casos, recomenda-se a correção do solo 3 meses antes do plantio.

Antes do cultivo, a recomendação é fazer um levantamento do terreno de modo a avaliar as suas características. A amostragem do solo vai permitir identificar a necessidade de calagem, adubação ou gessagem.

A análise do solo possibilita averiguar sobre a necessidade de macro e micro nutrientes. Todavia, o quantitativo recomendado de Nitrogênio seria uma exceção, uma vez que é baseado na produtividade esperada. Para alguns casos, pode ser necessária a realização da adubação de cobertura (de forma parcelada ou única). No caso, as coberturas devem ser realizadas entre 30 a 35 dias após a emergência; e entre 20 a 30 dias depois da primeira cobertura. Para alguns casos, há aplicação de uma terceira cobertura 80 dias após a emergência, contudo, esta aplicação pode ser prejudicial à cultura.

As zonas de manejo da cultura devem ser definidas com base em critérios como a textura do solo, produtividade, relevo e taxa de fertilidade.

Em relação ao espaçamento, as recomendações para o plantio de algodão mais especificamente defendem que o espaçamento entre fileiras seja de 0,76 metros a 0,90 metros. No caso do cultivo adensado, esse mesmo espaçamento muda para de 0,45 a 0,50 metros. Também é necessário estabelecer qual o quantitativo de plantas por hectare, de modo a gerar maior uniformidade na distribuição das sementes (tanto em relação à linha, quanto em profundidade).

A população máxima recomendada de plantas por metro quadrado não deve superar o quantitativo de 8.

A época para realização do plantio também demanda planejamento, o qual poderá ser realizado por meio do zoneamento e regime de chuvas regionais. Esse plantio poderá ser realizado durante a chamada “época normal” (a qual geralmente ocorre 1 vez ao ano), ou na chamada “safrinha” (período após a colheita da soja, a qual normalmente se inicia em Fevereiro).

Cultura do Algodão
Cultura do Algodão

Além de todos esses tópicos, os agricultores costumam ter uma preocupação a mais relacionada ao plantio de algodão: no caso, o aumento crescente dos custos. Alguns fatores externos podem contribuir para o encarecimento dos custos, tal como a alta do dólar, as despesas, o aumento dos impostos sobre os macronutrientes e fungicidas, e o aumento no pagamento do trabalhador de mão de obra rural.

Convém lembrar que o algodão é considerado uma das culturas mais caras, logo é necessário ter total atenção em todos os processos, de modo a garantir a maior rentabilidade possível.

Tudo Sobre o Algodão: Valor Comercial e Produção no Brasil

Dentro do ramo comercial, o algodão é um produto com crescente adição de valor tecnológico. Fatores como o comprimento da fibra, aparência, limpeza, cor e beneficiamento estão inclusos neste valor tecnológico. Atualmente, outros fatores também são avaliados, tais como a tenacidade da fibra e o grau de maturidade da matéria-prima. Mesmo que a avaliação visual também seja utilizada, há um teste específico para avaliar a qualidade da fibra que recebe o nome de HVI (High Volume Instrument).

No Brasil, houve uma retração na produção doméstica de algodão desde o início dos anos 90, em razão de fatores como a abertura da economia (resultando na entrada de importações subsidiadas) e a infestação pela praga bicudo-do-algodoeiro. Esta retração na produção familiar deixou milhares de famílias desempregadas no Norte do Paraná. Posteriormente, o governo federal implementou algumas medidas de apoio à cotonicultura nacional, as quais, infelizmente, não conseguiram criar condições para competitividade com o algodão importado.

Produção de Algodão
Produção de Algodão

Mesmo com o cenário desanimador, existem alguns fatores favoráveis neste contexto como o fato de o algodão ser uma excelente opção para rotação de culturas, tais como a soja e o milho; e o fato de que á possível utilizar variedades mais produtivas. Alguns especialistas são otimistas em relação ao crescimento da produção nacional para os próximos anos. Estimativa que vem se confirmando desde os anos 2000, uma vez que o país está inclusive exportando o produto.

Os estados considerados os maiores produtores nacionais são o Mato Grosso, a Bahia, o Mato Grosso do Sul e Goiás. Apenas o Mato Grosso responde por aproximadamente 67% da produção nacional em pluma e em caroço. Para contextualizar/mensurar esta informação basta analisar alguns dados avaliados entre 2016 e 2017 pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), período em que foram produzidas 1,4 milhões de toneladas de algodão em pluma e 3,7 milhões de algodão em caroço (totalizando um quantitativo de 5,1 milhões de toneladas).

Além dos estados mencionados acima, outros também são considerados produtores de algodão, como é o caso de Minas Gerais, Piauí, Tocantins, Maranhão, Roraima, Tocantins e Piauí. Existem estados que possuem pouca expressividade na produção (no caso, 1%), como ocorre no Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Paraná.

Quase metade da produção nacional é exportada, principalmente para países como Coréia do Sul, Vietnã, Bangladesh, Indonésia, China, Malásia e Paquistão. O período do plantio é dentro da faixa de Outubro a Fevereiro, sendo que a colheita estende-se dos meses de Março a Agosto.

Grande parte das variedades produzidas no Brasil são geneticamente modificadas, de acordo com alguns dados do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Biotecnologia (ISAAA), respondendo por um percentual até mesmo superior ao da média global. A maioria dessas variedades possui resistência a pragas.

Tudo Sobre o Algodão: Participação na História do Brasil

Antes dos primeiros europeus chegarem ao Brasil, os índios já cultivavam o algodão e inclusive, transformavam-no em fios e tecidos rudimentares. Do ponto de vista comercial, esta cultura começou a ser explorada por aqui no ano de 1750 (no Nordeste). No caso, o ciclo do algodão se estendeu do século XVIII ao século XIX, período no qual o Brasil foi considerado o maior exportador mundial da fibra, inclusive fornecendo-a como matéria-prima para a indústrias de tecidos da Inglaterra.

O declínio da cultura do algodão por aqui ocorreu após o avanço da cultura do café (datando do início do século XIX).

Tudo Sobre o Algodão: Variedades Transgênicas

No ano de 1995, nos Estados Unidos, foi aprovado o primeiro algodão transgênico. Aqui no Brasil, este produto chegou uma década depois, sendo liberado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). No ano de 2016, nosso país já contava com um quantitativo de 15 tipos geneticamente modificados (cultivares).

Os países com maior quantidade de variedades transgênicas são os Estados Unidos, Índia, Argentina, Paquistão, China, África do Sul, Austrália, México e Mianmar.

Dentro deste contexto de variedades, um fato curioso é que há alguns exemplares naturalmente coloridos, geralmente com tonalidades variando entre o bege, o cáqui e o marrom. Contudo, também há o registro de variedades com cores roxa, verde, cinza, vermelha, rosa e azul. No caso da Austrália, existem espécies nativas com até 10 tonalidades. Quando o algodão é colorido, costuma apresentar a fibra mais curta e, com isso, não possui as condições ideais para fiação.

Produção De Algodão No Brasil Colonial
Produção De Algodão No Brasil Colonial

Os processos tradicionais de melhoramento genético para obtenção deste algodão no Brasil envolvem a seleção de plantas e a hibridação. Mesmo que alguns especialistas considerem certas desvantagens, a fibra colorida  possui seus benefícios econômicos, uma vez que não desbota com facilidade e dispensa o uso de corantes. Utilizando-se uma fibra de algodão colorida, a fase de tingimento não se torna mais necessária, o que resulta em uma economia de quase 150 litros de água por quilo de fibra. Outra vantagem do uso deste tipo de fibra é que os resíduos de tinta não serão mais despejados nos rios e córregos.

Tudo Sobre o Algodão: Países Produtores

O país com maior produção global de algodão é a Índia, onde foi contabilizado um quantitativo de 5,7 milhões de toneladas de pluma entre os anos de 2016 e 2017. Este quantitativo é o equivalente a aproximadamente ¼ do total colhido no planeta, segundo informaram o Comitê Consultivo Internacional de Algodão (ICAC) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

As próximas colocações no ranking ficam com a China, Estados Unidos, Paquistão e Brasil. Outros países que também se destacam na produção do vegetal, porém com menor expressividade são o Uzbequistão, Turquia, Austrália, Argentina, Turcomenistão, México e Mianmar.

Agora, em relação aos maiores exportadores do mundo, os Estados Unidos lideram a lista e a Índia assume a segunda colocação. Austrália e Brasil também se destacam neste ramo.

No caso dos maiores consumidores de algodão, a listagem na sequência é composta pela China, Índia, Paquistão, Turquia, Bangladesh, Estados Unidos e Brasil.

Tudo Sobre o Algodão: Funções Conhecidas e Desconhecidas

Além de ser a matéria-prima para a confecção de tecidos, o algodão também possui outras funções, algumas delas consideradas bastante peculiares.

O algodão considerado hidrófilo (ou seja, que passou por processos de esterilização, branqueamento e desengorduramento) detém maior capacidade de absorção e, portanto é bastante utilizado em curativos, tecidos cirúrgicos e até mesmo em produtos de higiene (dentre eles, absorvente e cotonete).

Muito sabe-se da funcionalidade da pluma de algodão, contudo, o caroço do vegetal também é um componente importante, e dá origem a óleo comestível, biodiesel e até mesmo mistura para adubo e ração para animais.

As possibilidades de emprego do óleo incluem o preparo de maionese, saladas, molhos e fritura, em geral. O óleo também pode ser aproveitado como lubrificante ou como ingrediente de biscoitos, margarinas, cosméticos, sabão, graxa e remédios. Possui uma coloração que varia do tom amarelo claro ao dourado. Ao provar este óleo, é possível notar que o mesmo possui um leve sabor de castanha, justificável pelo fato de ser extraído do caroço da planta.

Pluma de Algodão
Pluma de Algodão

Caso este caroço seja esmagado, o mesmo poderá ser aproveitado dentro da indústria de corantes e fertilizantes, ou na forma de farelo (conhecido como ração animal, principalmente para carneiros e bois). Inclusive, o farelo de algodão curiosamente é considerado um dos farelos mais proteicos do mundo, estando atrás apenas do farelo de soja e de canola.

Curiosamente, o algodão também pode ser utilizado na indústria bélica, tanto para o preparo de pólvora, quanto como componente de explosivos (tais como o TNT). Outro emprego bastante curioso do vegetal é para fabricação de papel-moeda, principalmente para as notas de dólar (as quais possuem quase 75% deste material).

Em relação à função têxtil e de confecção de papel, os primeiros a utilizarem o vegetal para este fim foram os árabes. Na Europa, esta função (no caso, a primeira) foi adotada apenas na época das Cruzadas. Até o período da Idade Média, as classes mais baixas utilizavam apenas roupas confeccionadas a partir de linho, juta e lã.

No entanto, a confecção de tecido teria tido a sua origem na China, mais ou menos por volta do ano de 2.200 a. C. A tecelagem desta fibra passou a dominar o mercado mundial de fios e tecidos por volta do século XVIII após o desenvolvimento das máquinas de fiação.

Conhecendo Outros Vegetais da Família Botânica Malvaceae

O cacaueiro (nome científico Theobroma cacao) é um vegetal de grande representatividade e importância econômica dentro da mesma família botânica do algodão. Seu fruto, o cacau, é a principal matéria-prima para a obtenção de chocolate, através de um processo que envolve torrar e moer as suas amêndoas (ou sementes) secas. Outras estruturas do fruto podem ser aproveitadas como subprodutos importantes, como é o caso da polpa, através da qual se obtém suco, geléia, sorvete e destilados finos. O vegetal em si é adaptado para regiões de clima quente e úmido, tendo preferência pelo solo arenoso-argiloso. Aqui no Brasil, o Sul da Bahia é o local com melhores condições de plantio, seja em relação ao clima, seja em relação ao solo. Em nível global, o país considerado o maior produtor de cacau é a Costa do Marfim, respondendo por até 41% do mercado mundial.

Família Botânica Malvaceae
Família Botânica Malvaceae

O hibisco também é um vegetal bastante famoso, porém, não corresponde a uma única espécie, mas a um gênero botânico formado por cerca de 300 espécies. O plantio pode ocorrer em regiões tropicais ou subtropicais, com a recomendação de evitar geadas e longos períodos de temperatura baixa. O chá das flores secas da espécie Hibiscus sabdariffa tem sido amplamente utilizado com a finalidade, principalmente, de perda de peso, todavia, outros benefícios também já foram observados, tais como a diminuição da pressão arterial, o controle do colesterol, a melhora da saúde hepática, e o alívio para retenção de líquidos. Existem outros benefícios ainda em análise, como é o caso da prevenção do Câncer e do envelhecimento precoce.

Hibisco
Hibisco

Os baobás (gênero botânico Adansonia) são, na verdade, 9 espécies, das quais 6 são restritas à Ilha de Madagascar (na África). No Senegal, este vegetal é considerado o emblema nacional. A copa é compacta e o tronco é massivo e em formato de garrafa, com muitos nós e diâmetro que varia entre 7 a 11 metros. Em relação à altura, esta pode atingir de 5 a 30 metros. As folhas normalmente caem durante a estação seca. A fase de maturidade é alcançada geralmente por volta dos 200 anos (período no qual o tronco assume formato cilíndrico), contudo o vegetal pode viver entre 800 a 1.000 anos, sendo que alguns exemplares são conhecidos pelos seus milhares de anos. Um fato curioso é que a identificação da idade é realizada através de uma técnica denominada datação por radiocarbono. Possui flores hermafroditas e frutos classificados como bagas secas ou cápsulas engrossadas. As sementes possuem formato de rim.

Baobás
Baobás

O Durião

Outro famoso gênero desta família taxonômico é o do vegetal Malva, composto por aproximadamente 30 espécies distribuídas pelas zonas tropicais, subtropicais e temperadas de localidades como a Europa, Ásia e África. Grande parte das espécies é cultivada como planta ornamental, contudo, também existem espécies comestíveis, embora cultivadas em escala limitada. Como caracterização estrutural, as folhas são palmadas, lobadas e alternadas; e as flores costumam medir de 0,5 a 5 centímetros, e possuem um total de 5 pétalas, as quais podem ser de cor rosa ou branca.

O cupuaçu (nome científico Theobroma grandiflorum) é um fruto regional típico da região Norte do Brasil, e também pertence a esta família botânica. O vegetal como um todo mede entre 10 a 15 metros de altura, sendo que alguns exemplares podem chegar a até 20 metros. Os frutos medem aproximadamente 25 centímetros de comprimento e possuem formato que pode ser descrito como esférico ou ovóide. A casca dos frutos é dura e possui coloração castanho-escura. Em relação à polpa, esta é branca, ácida e aromárica, e forma um envoltório em torno das sementes. O vegetal demora entre 7 a 8 anos para gerar os primeiros frutos, e estes apresentam uma grande diversidade de vitaminas (incluindo a vitamina C e as vitaminas do Complexo B).

Cupuaçu
Cupuaçu

O durião (nome científico Durio zibethinus) é um fruto espinhoso muito comum no Oriente. É muito parecido com a jaca, embora o aroma seja bem diferente, e até mesmo considerado repugnante para muitos (sobretudo, ocidentais). O fruto é bastante apreciado na Tailândia, China e Malásia. Quando torradas, as sementes podem ser consumidas como castanhas.

Durião
Durião

O gênero botânico Brachynchiton engloba um total de 31 espécies (entre pequenas árvores a grandes arbustos), sendo muitas empregadas como árvores ornamentais. Os troncos costumam ser espessos e curtos. O comprimento pode variar entre 4 a 30 metros de altura. As folhas possuem comprimento variando entre 4 a 20 centímetros. Para todas as espécies, é possível encontrar flores masculinas e femininas presentes separadamente em um mesmo vegetal.

O gênero botânico Abutilon abriga um total de 150 espécies entre arbustos e árvores medindo desde 1 metro até 10 metros de altura. Estes vegetais possuem flores de 5 pétalas com coloração que varia entre o vermelho, rosa, laranja, amarelo e branco. Algumas espécies possuem grande importância econômica no fornecimento de fibras têxtil.

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Agora que você já conhece muitas informações sobre o algodão, características físicas, valor econômico e principais tipos (além de conhecer informações sobre outras espécies da mesma família); nosso convite é para que continue aqui conosco e visite também outros artigos do site.

Aqui há muito material de qualidade nos campos da botânica, zoologia e ecologia de um modo geral.

Sinta-se à vontade para digitar um tema de sua escolha em nossa lupa de pesquisa (localizada no canto superior esquerdo). Caso não encontre o tema desejado, você poderá sugeri-lo na caixa de comentário abaixo deste texto.

Até as próximas leituras.

 

REFERÊNCIAS

Abapa. Conheça os principais tipos de algodão do mundo. Disponível em: < https://abapa.com.br/mais-noticias/conheca-os-principais-tipos-de-algodao-do-mundo/>;

AQUARONE, Eugênio. et al. Biotecnologia Industrial. vol.IV. São Paulo: Blucher, 2001;

Australian Government. Departament of Healthy and Ageing Office of the Gene Technology Regulator. The Biology of Gossypium hirsutum L. and Gossypium barbadense L. (cotton). Disponível em: <https://web.archive.org/web/20080625045134/http://www.ogtr.gov.au/pdf/ir/biologycotton08.pdf>;

Boas Práticas Agronômicas. 10 curiosidades sobre o algodão. Disponível em: <https://boaspraticasagronomicas.com.br/noticias/o-algodao/>;

Canal Rural. Quer plantar algodão? Saiba como preparar a área para o melhor desempenho da cultura. Disponível em: <https://blogs.canalrural.com.br/canalruralmatogrosso/2019/05/08/quer-plantar-algodao-saiba-como-preparar-a-area-para-o-melhor-desempenho-da-cultura/>;

GUYMER, G.P. (1988) A taxonomic revision of Brachychiton (Sterculiaceae)Australian Systematic Botany 1: 199-323;

SANTOS, F. R. Lavoura 10. 5 Dicas Para o Plantio de Algodão de Alta Produtividade. Disponível em: <https://blog.aegro.com.br/plantio-de-algodao/>;

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