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Tudo Sobre a Pulga: Características, Nome Científico e Fotos

Pulga é um termo não taxonômico utilizado para referir-se a um grupo de mais de 3.000 espécies de parasitas ou ectoparasitas (parasitas externos), não voadores, com uma coloração entre o castanho e o negro, cuja alimentação (na fase adulta) consiste, basicamente, do sangue de mamíferos e aves.

Dentre as principais características dessa ordem de animais, está o fato de podermos encontrar na natureza um tipo de pulga para cada espécie ou gênero.

Existem pulgas que só parasitam cães, outras que preferem mesmo é um bom banquete à base de sangue de gatos e existem as pulgas que preferem as aves, morcegos, roedores, entre outras espécies da natureza.

E sobre esses últimos (os roedores), tornou-se lendária a contaminação e morte de 30% da população europeia pela peste bubônica; uma moléstia resultante da ação de uma pulga típica dos ratos, e que é infectada por uma bactéria (a Yersinia pestis) que realizou um verdadeiro extermínio da população do continente nos idos do séc. XIV.

Mas isso não é tudo o que se pode dizer sobre as características mais marcantes dessas pulgas. Elas possuem várias singularidades!

Basta saber que estes é um animal que não possui mais do que 2 ou 3 mm, mas pode realizar verdadeiros extermínios de animais domésticos e silvestres de milhares de gêneros e famílias.

Na verdade quase não há família de animais que não possam ser brindados com a sua companhia. Isso porque elas são adaptadas (em suas estruturas tegumentosas) para a locomoção em quase todo o tipo de hospedeiro.

A pele humana, penas das aves, pelos dos animais, estruturas lisas, rugosas, grossas, delgadas…Não importa qual seja o ambiente!

Elas simplesmente irão fixar-se nas estruturas desses animais com garras poderosíssimas (para o seu tamanho), enquanto as suas pernas traseiras lhes possibilitam saltar como poucas espécies na natureza – algo que torna a inexistência de asas nessas pulgas um dos seus menores problema quando o assunto é locomoção.

Na verdade essa é uma das principais dificuldades na luta pelo extermínio desses animais, pois, além de possuírem todas essas características – e ainda completadas por uma estrutura que as torna sugadoras inigualáveis – , essas pulgas ainda são capazes de mudar de ambiente (e de hospedeiro) com uma facilidade verdadeiramente impressionante.

Uma Comunidade Sem Igual Na Natureza

Suspeita-se que as pulgas estejam entre nós há pelo menos 60 milhões de anos em uma constante evolução a partir do Eoceno, segundo as descobertas mais recentes.

E essas descobertas nos revelaram uma espécie encontrada na região do mar Báltico, e que, supostamente, é o exemplar mais antigo dessa ordem Siphonaptera.

No Brasil, estima-se que existam não mais do que 60 ou 70 espécies. No entanto, essa modesta comunidade é suficiente para tornar-se uma das mais terríveis pragas urbanas do país; capazes de abrigar diversos tipos de bactérias, como a Yersinia pestis (da Peste Bubônica), a Rickettsia typhilar (causadora do Tifo), o Dipylidium caninum (as larvas de um tipo de verme), entre diversas outras espécies não menos terríveis.

Imagem Ilustrativa de uma Pulga
Imagem Ilustrativa de uma Pulga

Uma variedade de pulgas bastante conhecida é a Pulex irritans; e ela é famosa, também, por ser uma das variedades que mais apreciam o homem como hospedeiro.

A mordida desse animal pode causar desde uma simples vermelhidão, passando por dores e coceiras intensas, a até mesmo infecções e gangrenas.

Enquanto isso, o famosíssimo “Bicho-de-pé” (o Tunga penetrans) prefere mesmo é penetrar por debaixo da pele dos pés (também de seres humanos), para ali começar a sugar-lhes o sangue – o que, da mesma forma, pode resultar em um terrível processo infeccioso caso não seja combatido a tempo.

Tudo Sobre a Morfologia Das Pulgas

Morfologicamente, podemos descrever as pulgas como tendo cabeça, tórax, abdômen, patas, garras terríveis e um bico sugador dos mais eficientes da natureza.

Elas não possuem asas, mas possuem, em suas estruturas, um conjunto de espinhos (ou pentes) que facilitam o seu caminhar por entre a pelagem de diversos tipos de animais; isso sem contar o fato de também possuírem cerdas bastante robustas, que as ajudam a fixarem-se no ambiente de certa forma hostil das estruturas dos seus hospedeiros.

É uma estrutura toda ela formada para ajudá-las a fixarem-se adequadamente na pele deles; e ainda lhes permitem a máxima desenvoltura num ambiente que, para outras espécies, seria extremamente desafiador.

As pulgas ainda possuem um par de antenas bastante discretas, 6 pernas extremamente ágeis (e ainda com as posteriores curiosamente longas), um conjunto de “lâminas” que fazem as vezes de dentes, além de um dimorfismo sexual em que as fêmeas apresentam-se sensivelmente maiores que os machos.

Morfologia Das Pulgas
Morfologia Das Pulgas

E tudo o mais que se sabe sobre a morfologia das pulgas é que elas possuem crânios segmentados, divididos em occipídio e fronte (posterior e anterior, respectivamente); e, nesses crânios, um par de antenas formadas por um pedicelo, escapo, gena e clava.

E uma curiosidade acerca dessa morfologia diz respeito ao fato de que a maioria absoluta das espécies não possuem olhos; e quando os têm são geralmente na forma de “manchas oculares” que em muito pouco podem auxiliá-las em suas lutas pela sobrevivência.

Taxonomia E Filoginia Da Pulgas

À parte os seus nomes científicos, aspectos biológicos, singularidades genéticas, entre outras características que podem ser observadas nas pulgas e por meio dessas fotos, estamos falando de um dos insetos mais exóticos e repletos de controvérsias da natureza.

Não precisa nem lembrar de que estamos falando de um dos principais vetores de micro-organismos patológicos entre os insetos, além de ser um parasita (um ectoparasita) capaz de realizar verdadeiros extermínios em praticamente todas as espécies animais conhecidas.

Uma coisa interessante a respeito dessa comunidade é que, apesar de distribuir-se em milhares de espécies, curiosamente, elas possuem características muito semelhantes – inclusive a de serem todas ectoparasitas –; o que configura-se como uma das razões para essa dificuldade de descrever taxonomicamente esses animais.

Só o que se sabe mesmo é que as pulgas podem ser encontradas em todos os continentes desde eras remotíssimas! E não importa se o clima é temperado, subtropical, tropical, mediterrâneo, equatorial…Não importa!

Se houver, nessas regiões, mamíferos e aves suficientes para elas parasitarem, esteja certo de que, caso não sejam contidas, irão alastrar-se como uma das pragas naturais mais devastadoras da natureza.

Mas para que se pudesse fazer algo como uma descrição taxonômica das pulgas foi necessário construir a sua árvore filogenética a partir de dados moleculares, análise celular (mitocondrial e DNA), observação das suas morfologias, além das características dos seus processos reprodutivos.

Foi necessário observar características como a variedade e estrutura das cerdas occipitais, a estrutura das suas gônadas, a divisão entre a parte posterior e anterior da cabeça (o flax), as características do seu aparelho bucal, linhas de fraturas das mesocoxas, extensão dos tarsômeros, entre outras características da mesma forma originais.

E o resultado foi a conclusão de que as pulgas são animais pertencentes à ordem Siphonaptera, com algum parentesco com a comunidade Mecoptera, e dentro das subordens Endopterygota e Holometabolos.

O que faz das pulgas parentes bastante próximas das moscas-escorpiões, do Bicho-de-pé, da mosca-do-leste, do Bittacus femoralis, da Austromerope brasiliensis, entre milhares e milhares de outras espécies impossíveis de serem descritas nesse artigo.

As Singularidades Dessa Descrição

São espécies que distribuem-se em uma variedade impressionante de gêneros. Desde aqueles que compõem a comunidade Pulicidae (as pulgas que conhecemos), passando pela Mecoptera, Ancistropsyllidae, Ceratophylidae, Tungidae, Coptopsyllidae, entre diversas outras comunidades de ectoparasitas do planeta.

Mas ao que tudo indica as famílias Ceratophyllidae, Tungidae, Stephanocircidae e Pygiosillidae estão entre as que recebem as maiores confirmações como pertencentes à ordem Siphonaptera.

Ordem Siphonaptera - Pulgas
Ordem Siphonaptera – Pulgas

E tudo o mais que se sabe sobre a filoginia das pulgas, à parte os seus incontáveis nomes científicos, características físicas e genéticas, como podemos observar nessas fotos, é que descrevê-las é uma das missões mais espinhosas entre as que um estudioso pode entregar-se no seio da natureza selvagem.

Tanto é assim, que, no Brasil, até o presente momento, outras famílias continuam sendo incorporadas às existentes em nossos ecossistemas, entre elas, a Pygiopsyllidae e a Malacopsyllidae; ambas também possivelmente encontradas na Venezuela, Colômbia, Equador e Peru.

E todas elas caracterizadas por desenvolverem-se em vários estágios: fase de ovos, larvas, crisálidas e imaginais; como uma característica dos animais holometabólicos, que realizam uma metamorfose complexa e elaborada, e que só mesmo a partir da fase imaginal tornam-se reprodutivos.

A partir da fase de crisálidas (pupas) as pulgas começam a ingerir doses cada vez maiores de sangue, a fim de que os machos tenham os seus testículos suficientemente desenvolvidos para a cópula.

Enquanto, por sua vez, é essa ingestão vigorosa de sangue que permite aos ovos das fêmeas tornarem-se maduros; o que configura-se como uma das inúmeras singularidades que podem ser observadas nesse universo das Siphonapteras.

Tudo Sobre O Ciclo De Desenvolvimento Das Pulgas

Como se vê, o que não faltam são singularidades no seio dessa comunidade que convencionou-se chamar de “pulgas”.

Uma delas, por exemplo, diz que elas podem realizar os seus respectivos processos reprodutivos de acordo com os processos reprodutivos de cada ave ou mamífero que estejam parasitando.

Isso é verdadeiramente uma excentricidade no que tange aos processos reprodutivos dos seres vivos, a ponto de fazer com que não mais do que 5% do total de pulgas em atividade sejam adultas; e o restante, 95%, ainda na forma de larvas, ovos e pupas; o que configura-se como uma das principais curiosidades acerca dessa comunidade.

Justamente pelo fato de ser essa uma ordem com uma infinidade de gêneros, os processos reprodutivos das pulgas também são difíceis de serem caracterizados ou padronizados.

A depender da espécie, uma fêmea poderá pôr não mais do que 2 ou 3 unidades de ovos em cada postura, enquanto outras, algumas dezenas, centenas ou até milhares de posturas ao longo das suas vidas.

O Ctenocephalides canis (a pulga do cão – a “estrela” dessa comunidade) geralmente põe entre 15 e 20 ovos de uma só vez; e esses ovos, após eclodirem (entre 2 e 14 dias), se transformarão em larvas, aproveitando-se dos restos, fezes e sangue das espécies adultas que infestam os seus hospedeiros.

Após adultas, essas pulgas poderão viver por até 180 ou 200 dias, com um tamanho que varia entre 1 e 3 mm e uma incrível capacidade de resistir a longos jejuns de até 9 meses!

E sempre saltando de um animal para outro (inclusive para os humanos), enquanto tornam-se vetores importantíssimos para os mais diversos tipos de micro-organismos patológicos, em especial as bactérias, com as quais essas pulgas fazem uma parceria devastadora.

Ctenocephalides Canis - Pulga Cão 
Ctenocephalides Canis – Pulga Cão 

As Características De Cada Estágio

Como dissemos, o desenvolvimento de uma pulga deve, necessariamente, seguir o roteiro de quatro estágios bem definidos: ovos, larvas, pupas e imago.

No primeiro caso, esses ovos são depositados em buracos, fendas, frestas ou no próprio corpo do animal – o que faz com que todos os locais por onde eles passem tornem-se um verdadeiro foco de ovos de pulgas.

Curiosamente, diversos estudos apontam uma preferência dessas espécies por acomodar os seus ovos em animais com acentuada queda nas suas imunidades – uma característica ainda não suficientemente explicada pela ciência.

Ilustração dos Ovos De Pulgas
Ilustração dos Ovos De Pulgas

Após essa fase, os ovos darão origem a larvas de pulgas extremamente famintas e dispostas a devorar tudo o que for de fezes, restos orgânicos, sangue, entre outros materiais que possam encontrar na pele dos animais – de onde retiram, já como adultas, todo o sangue necessário para as suas sobrevivências nas melhores condições possíveis.

Independentemente do nome científico e das características biológicas das pulgas em questão, como podemos perceber por essas fotos, todas elas guardam as mesmas características de ectoparasitas (parasitas externos) sugadores.

Por meio de um tubo ou sifão (daí o seu nome, “Siphonaptera”) essas larvas são capazes de ingerir quantidades exorbitantes de sangue e de restos orgânicos – inclusive ovos de pulgas que não se desenvolveram – ; um alimento, para elas, rico e nutritivo; e que é o suficiente para que atravessem uma fase à qual só mesmo as mais fortes sobrevivem.

As Pupas E as Pulgas Adultas

E caso consigam atravessá-la, o que teremos é uma espécie constituída como uma pupa ou crisálida, que será, durante algum tempo, modificada (ou metamorfoseada) internamente, até que, após 4, 5 ou até 7 dias, possam, finalmente, atingir a fasea adulta.

Mas, até lá, elas terão que manter-se como “pulgas pré-emergentes”, pois ainda dependerão de condições ideais de clima e ambiente para que possam desenvolver-se adequadamente.

Já outras podem ser despertadas por certas vibrações ou pela presença de CO2 no ar. E quando então surgem, nas suas proximidades, outros belíssimos hospedeiros às suas disposições, aí é que, verdadeiramente, elas terão tudo de que precisam para atingir a fase adulta nas melhores condições.

Pupas
Foto Ilustrativa da Pupas 

E elas atingirão! Sem dúvida! E chegarão a essa fase ainda mais famintas! Com todos as características físicas e morfológicas de exímias saltadoras; capazes de passar de um hospedeiro a outro, e ainda permanecer sob longos períodos em jejum.

Enquanto, obviamente, transmitem toda a sorte de bactérias ao animal, e até mesmo aos humanos, a depender do gênero ao qual estivermos nos referindo.

A partir daí, algumas espécies poderão viver 60 ou 90 dias. Enquanto outras até mais de 200 dias!

E se encontrarem temperaturas entre 20 e 30 graus centígrados, umidade relativa do ar entre 60 e 70%, bons hospedeiros por perto, entre outras condições que elas tanto apreciam, o que teremos é uma infestação que pode tornar-se dramática, principalmente se não for contida a tempo.

Ecologia

De tudo o que falamos até aqui sobre as pulgas, é importante ressaltar o fato de que não mais do que 5% desses ovos chegam a tornar-se animais adultos.

Isso nos leva a pensar sobre a inacreditável capacidade de reprodução dessa comunidade; pois, mesmo com essa baixíssima taxa de sobrevivência que apresentam, ainda são capazes de promover infestações simplesmente incontroláveis.

Na verdade é justamente essa sua característica de reproduzir-se de foma abundante que faz com que a ordem Siphonaptera, mesmo não conseguindo fazer prosperar quase 95% dos seus ovos, consiga garantir a sua perpetuação – ainda ajudada por condições ambientais e pela qualidade dos seus hospedeiros.

Já com relação às interações ecológicas das pulgas, o que podemos dizer é que elas parecem ter uma preferência toda especial por canídeos e roedores; talvez por algumas características genéticas bastante específicas dessas comunidades.

O que sabemos é que esses animais precisam, desesperadamente, encontrar hospedeiros “qualificados” quando atingem a fase de pupas.

E, enquanto não encontram, é possível que elas permaneçam nesse estágio por ainda um bom tempo, com uma sensível desaceleração dos seus metabolismos, diminuição da quantidade de alimentos ingeridos, entre outras estratégias que possam garantir que permaneçam firmes e vigorosas até que percebam a presença de algum animal.

E quando os identificam, elas atacam! Em pulos impressionantes (uma das suas principais características)! Muitas vezes escolhendo hospedeiros específicos, como a família Mallophaga, que abriga espécies como o Piolho de cabeça (o Cuclotogaster heterographa).

Ou mesmo como o Piolho das asas (Lipeurus caponis), o Piolho de pomba (Columbicola columbae), entre diversas outras espécies que só apreciam o ambiente rico e acolhedor da superfície das aves.

Enquanto isso, o gênero Ctenocephalides parece ser menos seletivo quando o assunto é a sua sobrevivência.

A prova disso é o Ctenocephalides felis felis (a Pulga do gato), o Ctenocephalides canis (a Pulga do cão), o Ctenocephalides connatus, o Ctenocephalides orientis, entre diversas outras que podem atacar cães, gatos, roedores, cervídeos e até mesmo os humanos.

As Interações Ecológicas Das Pulgas

Pulgas no Cachorro
Pulgas no Cachorro

Mas isso não é tudo o que se pode falar sobre a ecologia das pulgas. Ela possui ainda outras diversas características.

Como o fato de algumas serem mais conhecidas pelos seus hábitos sedentários, enquanto outras podem viver, aqui e ali, numa corrida desabalada de hospedeiro em hospedeiro; e destes para os humanos; ou até mesmo em um completo jejum por até 6, 7 ou 9 meses!

As que parasitam aves costumam ser as mais sedentárias. Talvez pelo fato de saberem que a vítima sempre irá voltar para o seu ninho; e por isso elas simplesmente esperam, calma e sossegadamente, até que o infeliz tenha que voltar e servir de fonte de alimento para elas e para as suas crias.

Já outras espécies fazem verdadeiros tours em busca de hospedeiros. Elas seguem por onde quer que roedores, canídeos, cervídeos e outros animais andem dentro dos seus respectivos ecossistemas. E se precisar saltar para alcançar outro hospedeiro, não tem problema!

Elas simplesmente saltarão a alturas que podem chegar a 34 cm (mais de 100 vezes a sua própria altura!).

O que faz com que o combate a essas variedades torne-se ainda mais problemática, já que, além de milhares de ovos prontos para eclodir nos mais diversos esconderijos de um compartimento, elas dificilmente mantêm-se fixas no corpo de um único hospedeiro.

Uma Comunidade E as Suas Peculiaridades

As pulgas, como dissemos, são saltadoras natas. Essa é uma característica que em muito se deve ao tamanho das suas patas posteriores (significativamente maiores), que ainda possuem algo como uma reserva proteica de energia, suficiente para que, segundos antes do salto, uma dose considerável de força seja acrescida aos seus movimentos.

Mas na verdade o segredo do “pulo das pulgas”, à parte os seus diversos nomes científicos e características físicas, como podemos observar nessas fotos, vai além, muito além disso!

E quem garante isso são os pesquisadores da Universidade de Cambridge, Inglaterra, que descobriram que o seu par de pernas posteriores funcionam como verdadeiras alavancas repletas de articulações.

E descobriram, também, que elas possuem, em seu interior, uma espécie de resina com características elásticas, capazes de conferir à sua estrutura a semelhança de uma mola.

Enfim, um mistério que já vinha consumindo quase 5 décadas de pesquisas, finalmente foi solucionado! Agora, ao menos em tese, já se sabe como as pulgas são capazes de saltar até 100 ou 200 vezes a sua própria altura, mesmo não possuindo quase nenhuma força muscular capaz de contribuir para esse magnífico fenômeno.

Por meio de uma ferramenta capaz de realizar gravações com velocidades altíssimas, os pesquisadores conseguiram observar o impressionante movimento artístico das pulgas na hora de realizarem os seus não menos impressionantes saltos quase ornamentais.

E o que se descobriu é que elas também utilizam-se da delicadeza dos dedos das patas posteriores como um impulso inicial, beneficiado por um conjunto de pernas articuladas que fazem com que os joelhos toquem o solo, os dedos o pressionem na medida certa, e tudo isso com a ajuda dessa proteína elástica de que se constitui o interior das suas pernas.

Um mecanismo verdadeiramente magnífico! Uma estrutura não encontrada em nenhum outro animal na natureza! Pelo menos não com essas características encontradas nas pulgas.

Pulgas, Homens E Hospedeiros

Como já dissemos, o desenvolvimento das pulgas dependem, necessariamente, das características ambientais, especialmente no que diz respeito à temperatura, umidade relativa do ar, diferenças de latitude, entre outras variáveis.

Tudo isso é capaz de interferir na rotina da produção de ovos, na quantidade distribuída, na constância dessa convivência com o hospedeiro, além de outras consequências que acabam tornando o combate a esse tipo de praga ainda mais difícil e problemático.

Na verdade há na natureza uma espécie diferente para cada condição ambiental e para todos os tipos de climas e umidades; uma situação que torna esse tipo de manifestação extremamente difícil de ser evitada; e o máximo que se consegue mesmo é combatê-la quando surge.

Pulga na Pele de Um Homem
Pulga na Pele de Um Homem

O resultado é que para cada animal equivale uma espécie de Siphonaptera diferente; quase não havendo, portanto, espécie de roedor, canídeo, ave, entre diversos outros mamíferos, que não sejam contemplados, vez ou outra, com algum nível de manifestação de pulgas ao longo das suas vidas.

E o que elas causam são transtornos que até já se tornaram parte da personalidade dos cães e gatos, como a dermatite alérgica, com os quais ambos os animais precisam conviver, e que geralmente manifesta-se por meio de sintomas como: coceira, vermelhidão, descamação, feridas, entre outros sintomas que podem tornar-se dramáticos caso a infecção não seja tratada a tempo.

E a razão para essas reações é que a dermatite canina é o resultado da inoculação de fungos ou bactérias com substâncias antigenas capazes de estimular as células de defesa do organismo dos animais a produzirem repostas para esse tipo de invasão.

Mas o problema é que, muitas vezes, tal é a intensidade dessa agressão, que o animal acaba apresentando uma evolução desses sintomas na forma de uma anemia gravíssima, que pode matá-lo em questão de semanas, como uma das ocorrências mais comuns entre cães e gatos de todas as partes do mundo.

A Relação Com O Homem

Mas a relação entre as pulgas e o homem não é menos problemática. E tudo o que se sabe sobre ela é que uma das espécies que mais participam desse convívio é a famigerada Pulex irritans.

Essa é uma variedade com características cosmopolitas, também conhecida como a “pulga-humana”, famosa por ser uma das que são capazes de manifestarem-se nas mais diversas e improváveis espécies de hospedeiros.

A Pulex irritans é aquela também facilmente encontrada no campo, a manifestar-se em roedores, canídeos, primatas e em diversos outros mamíferos criados em cativeiro; e acredita-se que essa espécie seja responsável por cerca de 97% dos ataques a humanos.

Pulex Irritans
Pulex Irritans Artificial

E esses ataques costumam resultar em coceira, vermelhidão, inchaço, irritação, e até mesmo em dermatites (no caso de indivíduos com predisposição ao transtorno).

É curioso observar, microscopicamente, como essa espécie salta de cães para os gatos; desses para os humanos; e desses para outras espécies que porventura pareçam apetitosas; em uma rotina frenética e em muito potencializada pela característica da Pulex irritans de atravessar longos períodos de jejuns.

Por isso, quando ataca, é quase certo que elas estejam há 6, 7 ou até 10 meses sem uma gota de sangue! E por isso mesmo, os humanos, com toda a sua abundância do néctar precioso, tornam-se vítimas apreciadíssimas, e que elas devoram impiedosamente, como uma das pragas mais detestáveis da natureza.

Uma Praga Urbana

Tudo o que foi dito até aqui sobre essa relação entre homens e pulgas nos revela uma relação bastante controversa. Isso porque poucas são as medidas que verdadeiramente podem contribuir para a prevenção desse tipo de acometimento.

Por mais limpa que esteja a casa, por mais saneadas que estejam as acomodações dos cães e por mais bem cuidados que esses animais estejam, não tem jeito! Elas até parecem estar sempre à espreita! Esperando talvez as condições ideais de temperatura e umidade para manifestarem-se independentemente dos cuidados aos quais os animais sejam submetidos.

O problema aqui está no fato de as pulgas serem capazes de depositar milhares e milhares de ovos espalhados por frestas, fendas, buracos, escavações, e onde quer que elas encontrem um ambiente adequado.

Dessa forma, por mais cuidados que você dispense a um ambiente, sempre haverá, aqui e ali, um foco de ovos de pulgas comodamente acondicionados, esperando apenas o momento certo para eclodirem em um exército de larvas extremamente famintas e ansiosas por um belo hospedeiro para fazerem a festa.

Uma dessas, digamos, visitas indesejadas para os humanos, é o Tunga penetrans (o Bicho-de-pé); uma das incontáveis espécies da família Siphonaptera, que age introduzindo-se na pele de animais e humanos, geralmente nos pés – e daí o seu apelido.

Após essa penetração, as consequências podem vir na forma de edemas, lesões na pele, vermelhidão, dor intensa, coceira, etc. E caso não seja tratada a tempo, a infecção pode resultar em gangrena, septicemia, infecção generalizada, entre outros transtornos não menos graves.

Isso sem falar da Rickettsia typhi, causadora do Tifo; da Yersinia pestis, da Peste bubônica; entre outras bactérias com menor potencial de agressividade, mas que, da mesma forma, apresentam riscos à saúde – e até podem ser letais.

Tudo Sobre Os Principais Riscos Do Contato Com Pulgas

Uma das espécies de pulgas mais agressivas da natureza é a Xenopsylla cheopis. Essa é aquelas mesma, hospedeira da bactéria causadora da Peste bubônica. E o problema com essa espécie é a sua preferência por hospedar-se em ratos e ratazanas.

E é por isso mesmo que ela também é capaz de transmitir o terrível Tifo murino, além de outras moléstias; o que, sem dúvida, a coloca entre as principais inimigas do homem dentro dessa controversa comunidade Siphonaptera.

Mas não há como duvidar que essa relação entre homens e pulgas está diretamente ligada às relações que elas desenvolvem com os animais domésticos, em especial os cães e gatos, que acabam sendo vítimas fáceis dessa comunidade sempre que chega a hora de sair da fase pupar para a fase adulta.

E é justamente cães e gatos, por habitarem sempre as mesmas acomodações, que acabam sendo as principais vítimas, pois, como já dissemos, as pulgas costumam pôr seus ovos em verdadeiras colônias no ambiente onde esses animais dormem; nos seus colchonetes e cobertores; e sempre escondidas nos lugares mais difíceis de serem detectadas.

Cuidando de um Cachorro Com Pulga
Cuidando de um Cachorro Com Pulga

E vem daí as razões para que elas simplesmente apareçam, “magicamente”, mesmo após uma maratona de limpeza de tudo o que é utilizado pelo animal; como um dos transtornos mais difíceis de serem controlados (juntamente com os carrapatos) na rotina de cães e gatos domésticos de todos os tipos e raças.

E a prevenção continua sendo a prática mais eficaz e recomendada para esses e diversos outros casos que dizem respeito à saúde humana e animal.

Ao perceber que o seu bichinho passa a se coçar e a agitar-se com bem mais frequência, não descuide! Certamente temos aí o começo de uma infestação por pulgas ou carrapatos! Uma afecção que pode tornar-se dramática caso as medidas de controle não sejam postas em prática o mais rapidamente possível.

E O Que Fazer?

É necessário manter-se atento, especialmente durante os meses mais quentes, pois é quando então essas espécies tornam-se mais vigorosas, reproduzem-se com bem mais facilidade e podem acumular milhares de ovos em criadouros, canis, gatis e onde quer que animais domésticos sejam criados.

E caso sejam atacados, os animais logo manifestarão esse ataque por meio de coceiras vigorosas, agito e irritação, além passarem a arrastar-se pelo chão como forma de aliviar essa sensação.

A partir daí a sua missão será observar a superfície da pele do animal, entre os pelos, a fim de detectar manchas avermelhadas e pontinhos pretos centralizados.

Caso os encontre, isso será o sinal de que aí estão elas! Sugando a vida do animal! A sua essência! E ainda, possivelmente, infectando-os com uma série de fungos e bactérias causadoras das mais diversas e agressivas moléstias.

Mas a identificação do transtorno não acaba, de forma alguma, com o problema. Longe disso!

Infestação de Pulga no Gato
Infestação de Pulga no Gato

Na verdade estamos falando de uma das manifestações mais difíceis de serem combatidas, muito por conta do fato, já mencionado, de esses animais caracterizarem-se por depositar os seus ovos nos lugares mais escondidos e improváveis da casa; para permanecerem ali, totalmente seguros, mesmo quando uma vigorosa faxina na casa foi executada.

Logo, o primeiro passo para o seu combate começa pelo banho do animal, que deverá ser vigoroso, e sempre com muita água e sabão neutro.

Um antipulgas é o próximo passo; só que ele deverá ser prescrito por um veterinário, ou mesmo por um vendedor habilitado para tal.

Soluções caseiras também podem mostrar-se bastante eficazes. Em uma delas, você poderá utilizar frutas cítricas, como o limão, laranja e lima. E basta esfregá-los com cuidado por todo o corpo do animal (em caso de infestações vigorosas), deixar agir por uns 15 minutos e logo após enxaguar com bastante água corrente e sabão neutro.

O limão também pode ser utilizado como uma espécie de infusão. E para tal, basta ferver 2 litros de água, acrescentar uns 2 ou 3 limões em rodela, deixar descansar por 7 ou 8 horas e banhar o animal com essa solução.

Passados 15 ou 20 minutos, enxague adequadamente e observe os resultados.

Mas o alecrim também é outra dessas espécies da natureza que se prestam bem para o combate de pulgas e carrapatos. Isso porque o alecrim, como se sabe, é um dos bactericidas, cicatrizantes e antimicrobianos naturais mais potentes da natureza.

E para utilizá-lo basta ferver 1 litro de água, acrescentar alguns ramos de alecrim, abafar por 15 ou 20 minutos e banhar o animal com o produto pelo menos 3 vezes ao dia.

E para melhores resultados, recomenda-se a combinação dessas técnicas, em concomitância com a limpeza do ambiente com esse mesmo material em borrifadas vigorosas; além de evitar que o animal sofra uma queda brusca da sua imunidade, mantendo-o adequadamente nutrido com todas as vitaminas e sais minerais recomendados para cães e gatos.

Sem esquecer de abastecê-los, também, com todo o amor e carinho necessários para que mantenham robustecidas as defesas do seu organismo contra todo o tipo de ataque aos quais esses animais costumam ser submetidos ao longo de suas vidas.

Tudo Sobre O Combate a Infestação Por Pulgas

E seguem os cuidados para a manutenção dos seus animaizinhos de estimação nas melhores condições possíveis.

Após uma consulta veterinária, siga as instruções do especialista para o combate a esse tipo de acometimento em animais.

No entanto, caso eles não se mostrem eficazes, você poderá continuar lançando mão de expedientes caseiros, como o vinagre – um dos inimigos mortais de fungos, bactérias, parasitas, entre outras pragas e micro-organismos patológicos de baixa agressividade encontrados na natureza.

O vinagre nada mais é do que ácido acético. E essa é uma das fórmulas presentes na “Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde”; e que pode ser utilizada para o combate a uma série de transtornos uterinos, do aparelho urinário, caspas, lêndeas, piolhos, entre diversas outras afecções por fungos ou bactérias sensíveis a essa substância.

E as pulgas estão entre essas espécies que não conseguem opor a menor resistência a uma solução contendo 150 ml de vinagre e 150 ml de detergente líquido neutro.

E você poderá aplicar essa solução em borrifadas no animal, ou simplesmente banhar o seu pelo previamente umedecido.

Logo após, deixe agir por 20 ou 30 minutos, utilize um pente fino para retirar as pulgas mortas ou combalidas, e depois banhe o cachorro com água corrente e sabão neutro para retirar todo o excesso.

Repita essa operação pelo menos 3 vezes na semana e ela deixará o animal como novo! Pois, além de eliminar pulgas, o vinagre ainda confere um brilho todo especial ao pelo, configurando-se como um dos produtos da cesta básica mais versáteis à disposição de quem quer que se veja às voltas com ataque de micro-organismos patológicos.

Outros remédios caseiros para o combate a pulgas podem ser produzidos a partir do absinto.

Plantados num jardim, eles funcionam como um surpreendente repelente de pulgas e carrapatos; além de, por tabela, manter bem longe alguns dos principais parasitas de espécies florais.

O sal também é outra desas soluções caseiras que, espalhado nos criadouros, faz um verdadeiro extermínio de parasitas.

Além da lavanda, o eucalipto, o próprio absinto (na forma de essência), entre outras substâncias que, aplicadas na coleira, almofadas, cobertores, entre outros objetos pertencentes ao animal, costumam produzir magníficos resultados no combate a uma das pragas urbanas mais detestáveis e difíceis de combater da natureza.

Fontes:

https://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/pulgas-caracteristicas-ciclo-de-vida-e-ameacas-a-saude.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Siphonaptera

https://canaldopet.ig.com.br/cuidados/dicas/2016-08-03/pulgas.html

https://www.petz.com.br/blog/bem-estar/pulgas/

https://www.rentokil.com.br/pulgas/especies-de-pulgas/

https://www.boehringer-ingelheim.com.br/press-release/pulgas-e-carrapatos-as-ameacas-que-eles-trazem-a-saude-de-caes-e-gatos-e-como-evitar

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