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Lagosta Gigante da Tasmânia, do Chile e do Recife

As lagostas, apesar de concordarmos com o fato de que isso não é exatamente um mérito, figuram entre as iguarias consideradas de luxo e apreciadas em praticamente todos os continentes – símbolos de status e de alta gastronomia nos quatro cantos do mundo.

Elas são alguns dos membros ilustres desse filo dos artrópodes, da família dos crustáceos, e que, de acordo com as últimas investigações científicas, habitam os oceanos há pelo menos 540 milhões de anos.

Mas o objetivo desse artigo é tentar esclarecer algumas dúvidas acerca da possível existência de lagostas gigantes em regiões como o Chile, Recife e na distante e misteriosa Ilha da Tasmânia.

Regiões famosas como atrações turísticas, mas que, da mesma forma, destacam-se por uma culinária baseada, essencialmente, em frutos do mar.

A Lagosta-Gigante Da Tasmânia

Nas distantes, e para nós, insondáveis regiões do litoral do sudeste australiano, especialmente em ecossistemas de água doce, esconde-se um dos maiores crustáceos do planeta: a lagosta-gigante da Tasmânia.

Assim como os supostos exemplares que podem ser encontrados no Recife e no Chile, essa espécie tornou-se, devido às suas características, quase que um patrimônio cultural do lugar.

Lagosta-Gigante Da Tasmânia
Lagosta-Gigante Da Tasmânia

A lagosta-gigante da Tasmânia, que obviamente vive na não menos insondável e misteriosa Ilha da Tasmânia, é capaz de atingir os vertiginosos 12 kg de peso e até 80 cm de uma perna a outra.

E como se isso não bastasse, segundo os habitantes locais, possui a capacidade de regenerar uma parte do seu corpo (especialmente as suas pernas), semelhantemente ao que ocorre com a Hemidactylus mabouia (as lagartixas, nossas conhecidas).

Hoje, a lagosta-gigante da Tasmânia, apesar de poder viver facilmente até os 30 ou 40 anos, é uma espécie “em risco de extinção”, de acordo com a lista vermelha da IUCN (União Internacional Para a Conservação da Natureza); e como não poderia ser diferente, isso ocorre devido à caça indiscriminada desse animal, que já atinge níveis ameaçadores para a espécie.

O Pseudocarcinus gigas (seu nome científico) também pode ser encontrado com o significativo apelido de “caranguejo-rainha”, talvez pelo seu aspecto majestoso – mas, certamente, por ser, até o momento, o maior crustáceo a habitar águas doces no planeta.

O curioso é que, com relação ao seu dimorfismo sexual, os machos são capazes de apresentar até o dobro do tamanho de uma fêmea; o que, visivelmente, torna a espécie ainda mais característica.

E outras curiosidades dizem respeito aos seus hábitos alimentares e reprodutivos. No primeiro caso, chama a atenção o fato de elas serem espécies essencialmente detritívoras, ou seja, alimentam-se de restos de pequenos animais mortos – geralmente vermes, larvas, pequenos peixes, e até outros crustáceos que encontram em profundidades entre 150 e 280m.

No segundo caso, chama a atenção a capacidade que tem a fêmea de carregar em seu abdômen até meio milhão de ovos, que serão devidamente lançados na correnteza no momento certo, para que apenas alguns poucos escolhidos consigam sobreviver à saga da luta pela sobrevivência.

Lagosta-Gigante do Chile

Não é nenhuma novidade, para os apreciadores da culinária chilena, que o país tem nos frutos do mar a sua grande “arma secreta”.

Mas a surpresa fica para os não menos afeitos à culinária desse típico país andino, que tem o seu litoral voltado para o exuberante Oceano Pacífico, e que de lá oferece ao mundo o seu original e extravagante caranguejo (ou lagosta)-gigante do Chile.

Uma exuberância que, assim como as lagostas (ou caranguejos) gigantes da Tasmânia e do Recife, é encontrada em profundidades abaixo de 200 m – nesse caso, na costa chilena.

São cerca de 5 quilos de um crustáceo com patas que podem atingir 15, 20 e até 25 cm, com um sabor mais intenso do que os nossos caranguejos, além de ser muito mais fácil de destrinchar-lhes as carnes.

O caranguejo é conhecido como o “centolla”; e uma curiosidade é o fato de que ele só consegue ser encontrado com facilidade no não menos tradicional Mercado Central do Chile, onde é vendido pela bagatela de até R$ 190,00, para ser degustado de acordo com o que manda a tradição local: de forma simples, desfiado e com o mínimo de condimento possível.

Mas os apreciadores da iguaria – geralmente pescada nas frias e terríveis águas geladas da região sul do Chile – garantem que vale a pena o investimento, já que, além de consumir um produto que pode muito bem ser hoje considerado um patrimônio nacional, ainda irão certamente fartar-se com a abundância de carne que ela oferece.

O que se diz é que a lagosta (ou caranguejo, como pode ser melhor definido) vale por uma refeição completa para até 3 pessoas! E todas saem satisfeitíssimas, principalmente pelo fato de que, diferentemente do que ocorre com outras espécies de caranguejos, este dispensa as marteladas necessárias para a sua degustação.

Mas Será Que Também Existe Uma Lagosta-Gigante Do Recife?

A Tasmânia e o Chile possuem as suas lagostas (ou caranguejos) gigantes e tradicionais. E no Brasil, onde estão essas exuberâncias?

Infelizmente o país não consegue, nem de longe, competir com regiões como a Tasmânia, Chile e Alasca em termos de tamanho dessas espécies. E por isso não é uma empreitada comum encontrar lagostas gigantes cá por essas bandas.

No Recife, como em praticamente toda a região nordeste (e norte) do país, a pesca da lagosta, mais do que uma tradição, é um dos pilares da economia da região, especialmente a pesca das espécies lagosta-vermelha (Panulirus argus) e lagosta-verde (Panulirus laevicauda).

O Palinurus argus, por exemplo, não tem nada de gigante! Com não mais do que 40 cm de comprimento, ele faz parte dessa singular fauna de crustáceos que podem ser encontrada na costa do Recife, em profundidades que variam de 90 a 100 m, até o sudeste do país.

Palinurus Argus
Palinurus Argus

Mas é somente à noite que eles saem, em verdadeiras caravanas, em busca de restos de pequenos crustáceos, larvas, vermes, entre outras variedades apreciadas por animais detritívoros – como eles são.

Já o Palinurus laevicauda é outra espécie encontrada no litoral da capital pernambucana, e apesar de não ser uma lagosta-gigante, como o da Tasmânia ou do Chile, é considerada um dos patrimônios da região.

Ela é bastante apreciada pelo seu sabor intenso e marcante; e talvez por isso mesmo também sofra com a pesca predatória, o que faz com que, vez ou outra, a sua pesca tenha que ser suspensa por meio de decreto.

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