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Urso-do-Atlas: Características, Peso, Tamanho, Habitat e Fotos

Damnatio ad bestias (“condenação a feras”) era uma das forma de execução da pena de morte na antiga Roma, onde o condenado amarrado a um poste ou jogado indefeso numa arena cheia de animais famintos era dilacerada por um animal selvagem, geralmente um leão ou outro grande felino. Essa forma de execução foi instituída na Roma antiga por volta do século II a.C., e fazia parte das atrações dos espetáculo sangrentos, chamados Bestiarii .

Os animais mais populares dos espetáculos eram os leões , importados para Roma em grande números, especificamente para o Damnatio ad bestias. Os ursos, trazidos da Gália, Alemanha e até do norte da África, eram menos populares. Esta descrição feita na enciclopédia Histórias Naturais vol. VII  (Plínio, o Velho – ano 79 d.C) e mosaicos romanos que retratam figuras alusivas ao nosso personagem, nos ajudam a identificar o urso-de-atlas, nosso tema deste artigo.

Urso do Atlas: Habitat e Fotos

O urso-de-atlas tem este nome porque habitava as montanhas da Cordilheira de Atlas, uma cadeia de montanhas do noroeste da África com mais de 2.000 km. de extensão, que atravessa os territórios do Marrocos, Tunísia e Argélia, cujo ponto mais alto encontra-se a 4.000 mts. de altura no sul de Marrocos (Jbel Toubkal), que separa a Costa do Oceano Atlântico e do Mar Mediterrâneo do Deserto do Saara. É uma região habitadas por pessoas de várias etnias e que tem em comum se comunicarem em bérbere, um grupo linguístico norte africano.

O urso-de-atlas é conhecido como o único urso nativo do continente africano que sobreviveu até os tempos modernos, tendo sido descrito consoante com os jogos romanos, tanto na qualidade de executor de penas contra criminosos e desafetos do regime romano, como  vítima de caçadas nas batalhas contra gladiadores.

Durante a Idade Média o contato humano, quando grandes extensões das florestas norte africanas foram derrubadas para a extração de madeiras, o número de ursos decresceu rapidamente, vitimado por armadilhas e caças, enquanto seu habitat entre o deserto e o mar diminuía, até seu último exemplar registrado fosse abatido por caçadores em 1870, nas montanhas de Tetouan, no Marrocos

Vamos pois conhecê-lo melhor.

Urso do Atlas: Características, Peso e Tamanho

A descrição do urso-de-atlas nos apresenta um animal de pelos desgrenhados na coloração marrom escura, quase preta no topo da cabeça, com uma mancha branca no focinho. Supõe-se que a pelagem das patas, tórax e abdômen eram vermelho-alaranjadas e que os pelos tinham cerca de 10 cm. de comprimento. Especula-se que sua expectativa de vida girava em torno de 25 anos.

Em comparação ao urso-negro (Ursus americanus), o mais popular entre as oito raças conhecidas, o urso-de-atlas  tinha o focinho e as garras menores, porém mais robustas. O urso-de-atlas era maior e mais pesado do que o urso-negro medindo até 2,70 mts. de altura e pesando até 450 kg. Alimentava-se de raízes, nozes e bolotas, que são o fruto do carvalho, azinheira e pelo sobreiro, uma dieta típica de animal herbívoro, entretanto seu histórico de ataque a humanos durante os jogos romanos, sugerem que também alimentavam-se de carne, pequenos mamíferos e carniça.

Urso-de-atlas: Origem

Nome científico: Ursus arctos crowtheri

Após um estudo genético constatou-se uma semelhança fraca, mas significativa, de DNA mitocondrial entre o urso-do-atlas e o urso polar. Entretanto não foi possível estabelecer-se sua orígem. Sua semelhança aparente com o urso pardo não foi comprovada geneticamente.

O DNA mitocondrial é um composto orgânico, constante nas mitocôndrias que são herdadas da mãe biológica, origina-se dos óvulos fecundados após a fertilização da maioria dos seres vivos, curiosamente  as mitocôndrias do gameta masculino são degradadas após a fecundação, sendo as células do novo ser em formação geradas apenas com a carga genética da mãe.

Esta origem e parentesco com o urso polar encontra apoio em mais uma evidência, além da estabelecida semelhança no DNA mitocondrial. Pinturas rupestres em cavernas da Andaluzia, na Espanha, registram a presença de ursos polares naquela região em períodos anteriores a Era Glacial. Considerando que a região da Andaluzia e a Cordilheira do Atlas são separados por uma pequena faixa de mar, e que em seus deslocamentos o urso polar se locomove por distâncias acima de 1.000 km., a possibilidade desta ser a origem do urso de atlas se reforça, entretanto o urso-de-atlas é considerado uma sub-espécie extinta do urso-pardo (ursus actus). As teorias apontam como supostos antepassados:

Agriotherium

Ilustração do Agriotherium
Ilustração do Agriotherium

O agriotherium viveu na África há cerca 2 a 9 milhões de anos, era uma evolução do Indarctos, é um urso descrito como gigante de face curta, media um pouco menos de 3 mts. de altura e tinha uma dentição primitiva, semelhante a dos cães, capazes de esmagar os ossos. Suas mandíbulas são incomparáveis em termos de força desde os tempos primitivos, até hoje, entretanto também se alimentava de vegetais.

As mais de dez espécies de agriotherium tinham uma ampla distribuição geográfica no mundo antigo, incluindo a África, onde ingressaram da Eurásia há cerca de 6 milhões de anos. Acredita-se que o agriotherium tenha se extinguido devido à competição com outras criaturas carnívoras quando vários mamíferos da América do Norte morreram em decorrência de mudanças climáticas.

Indactus Arctoides

Acredita-se que este urso tenha vivido entre 7 e 12 milhões de anos, era a menor das espécies de Indarctos, que viveram na pré-história. Seus fósseis tem sido documentados em uma ampla faixa da Europa Ocidental e Central. Acredita-se que tenha sido ancestral do Indarctos atticus, único até então conhecido por ter habitado o continente africano.

Urso-de-Atlas: Extinção

Urso de Atlas - Uma Espécie de Urso Pardo
Urso de Atlas – Uma Espécie de Urso Pardo

Moradores das regiões abrangidas pela Cordilheira de Atlas tem relatado numa ou outra ocasião aparições de ursos semelhantes ao urso-de-atlas alimentando a especulação em torno de sua extinção. O último registro fidedigno relata que o rei do Marrocos em 1830 doou para o Zoológico de Marselha um exemplar de urso-de-atlas que mantivera em cativeiro, sendo o relato sobre o abate de um indivíduo em 1870 desprovido de documentação.

Tal qual se dá com as misteriosas aparições do “urso nandi”, nenhuma evidência como pelos, palha, covas ou pegadas foram encontradas autenticando as afirmações, supondo-se que, ainda que verídicas, tais visualizações são frutos de identificação equivocada.

by [email protected]

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