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Lagosta Boxeadora ou Lagosta Arco Íris: Características e Nome Científico

Alguns animais são tão exóticos, quanto inusitados, seja nos seus hábitos cotidianos, seja em seus visuais extravagantes. É o caso, por exemplo, da inusitada lagosta boxeadora, animal extramente interessante (e estranho) que vamos abordar no texto a seguir.

Características Básicas da Lagosta Boxeadora

Também chamada de camarão-louva-a-deus-palhaço, e de nome científico Odontodactylus scyllarus, esse animal é uma espécie de tamarutaca, uma ordem de crustáceos marinhos que agrupam cerca de 400 espécies diferentes. Sendo uma espécie nativa do Indo-Pacífico, esse animal pode ser encontrado em uma vasta região do oceano Pacífico, e até mesmo da África Oriental.

Em termos de tamanho, esse crustáceo pode chegar a 18 cm de comprimento. Mas, o que chama mesmo a atenção é sua coloração, com pernas alaranjadas e uma carapaça extremamente colorida (não é à toa que o outro nome popular dessa lagosta é arco-íris). No entanto, não é somente o seu corpo que tem relação com as cores, mas também os seus olhos, já que a sua visão é incrível, possuindo três pontos focais, com a capacidade de enxergar do espectro ultravioleta ao infravermelho sem maiores dificuldades.

Porém, existe uma característica nos olhos desse crustáceo que é mais fantástica ainda. Pra exemplificar, nós, seres humanos, possuímos milhões de células fotorreceptoras que permite com que vejamos as cores. Temos três tipos de receptores, o que faz com que enxerguemos o azul, o verde e o vermelho. Já as lagostas boxeadoras possuem mais de 10 tipos diferentes de células fotorreceptoras!

Além disso, em termos de habitat, elas vivem em tocas que constroem no fundo dos corais, ou mesmo através de buracos deixados por outros animais, sejam em rochas, sejam em substratos próximos aos recifes de corais, preferencialmente, a cerca de 40 m de profundidade.

Visão Extremamente Apurada

Como já dito antes, a lagosta boxeadora possui uma visão tão desenvolvida que consegue enxergar o ultravioleta e o infravermelho com facilidade. Não é à toa, por exemplo, que os olhos dela possuem mais de 10 tipos diferentes de cones (receptores) de luz, enquanto nós, por exemplo, temos apenas três.

Com tantos receptores de luz, é de se imaginar que esse animal possua uma visão que enxergue vários tipos de cores possíveis e imagináveis. Porém, não é bem assim que funciona. Pesquisas recentes de cientistas australianos comprovaram que, nesse aspecto, é justamente o contrário, visto que o método para diferenciar cores que os crustáceos possuem não são iguais aos nossos.

Na verdade, o sistema visual da lagosta boxeadora é tão complexo que é mais parecido com uma espécie de sensor de satélite. Isso faz com que, ao invés de usarem apenas alguns receptores, esses crustáceos utilizem todos eles para reconhecerem o ambiente ao seu redor. Fazem, portanto, uma “varredura” com os seus olhos no local onde estão, construindo uma “imagem” a partir disso.
Com essas informações em mãos, os pesquisadores pretendem descobrir métodos para a construção de satélites e câmeras mais potentes.

Lagosta Boxeadora: o “Pesadelo” dos Oceanos

O nome popular “lagosta boxeadora” não é à toa. Ela tem a capacidade de desferir um dos mais rápidos e violentos golpes do reino animal, praticamente como um “soco”. Pra se ter uma ideia, uma vez foi registrado que a velocidade do seu golpe pode chegar a inacreditáveis 80 km/h, que é o equivalente a uma aceleração semelhante a uma arma de calibre 22.

Mas, não só. A pressão do “soco” desse animal é de 60 kg/cm2, o que, acreditem, é bem forte! Tal capacidade é extremamente útil, por exemplo, para quebrar a carapaça de caranguejos e de conchas duras e calcificadas de gastrópodes. Isso sem contar que ela também pode ser capaz de quebrar o vidro de um aquário.

Lagosta Boxeadora
Lagosta Boxeadora

Esses “socos” poderosos são desferidos por duas musculosas patas dianteiras, e que se movem tão depressa, que as águas mais próximas chegam a “ferver”, num fenômeno chamado de supercavitação, onde a onda de choque provocada pode matar a vítima, mesmo que a lagosta erre o golpe, despedaçando a sua presa, mesmo com carapaças protetoras.

Mas, como Esse Animal Consegue Desferir um Golpe tão Forte?

Por muito tempo, cientistas ficaram intrigados com a capacidade da lagosta boxeadora de dar “socos” tão fortes e certeiros. Só que, em 2018, encontrou-se uma explicação plausível. Em um artigo publicado na revista iScience, pesquisadores conseguiram explicar o que acontece com o organismo desse animal, além de mostrarem com funcionam os seus poderosos apêndices.

Os golpes dessa lagosta funcionam devido a uma estrutura específica que armazena e libera energia. Acabam sendo duas camadas que funcionam de maneiras distintas: uma que é superior, feita de biocerâmica (ou seja, bicarbonato de cálcio amorfo), e uma que é inferior, feita basicamente de biopolímero (formado por quitina e proteínas).

E, é aí que está o grande truque de seu golpe mortal: essa estrutura é carregada elasticamente pela flexão, com a camada superior sendo comprimida, e a inferior, esticada. Assim, as possibilidades mecânicas dessa estrutura são perfeitamente aproveitadas, pois, em termos de compressão, as partes de cerâmica são bem fortes, e têm a capacidade de armazenar quantidades incríveis de energia.

Só que se essa estrutura fosse apenas feita de biocerâmica, talvez a parte inferior se quebrasse, e é nesse aspecto que entra a utilidade do polímero, que é mais forte em tensão, possibilitando que a parte inferior se estique sem ser danificada.

Mais Algumas Curiosidades Sobre a Lagosta Boxeadora

Como já dito antes a estrutura dessa lagosta é extremamente forte, em espacial, dos membros que ela utiliza para desferir os seus golpes, não é verdade? Pois bem. Não satisfeitos em saber agora como funciona todo esse mecanismo desses animais, cientistas estão estudando a possibilidade de fabricar armadura para tropas de combate tão poderosas quanto a estrutura das lagostas boxeadoras.

Mas, não somente isso. A Força Aérea Norte-Americana também encomendou uma pesquisa para o desenvolvimento de aeronaves militares com sejam mais resistentes, e cuja base de seu revestimento seriam as substâncias que compõem as patas da lagosta boxeadora.

Pra completar, existem vários estudos que tentam decodificar a visão extremamente aguçada desse crustáceo com o intuito de melhorarem os componentes ópticos que usamos com frequência, como, por exemplo, os leitores de CD/DVD.

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