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Efeitos do Veneno do Sapo Cururu

Se o assunto são animais da nossa flora, o que não faltam são histórias que, de tão impressionantes, parecem fantasiosas. Por exemplo: há muito folclore envolvendo o famoso sapo cururu, e uma das histórias que mais se contam por aí é que o seu veneno seria fatal para nós, seres humanos.

Mas, será mesmo? O que é mito e lenda nessa história?

A seguir, esclareceremos melhor isso?

Primeiro de Tudo: os Sapos Cururus Possuem Veneno, sim!

A espécie Rhinella marina é o sapo mais comum da fauna brasileira, e também o mais envolto em folclores e histórias em geral. Mas, uma coisa é certa: trata-se de um anfíbio venenoso, que geralmente não apresenta grande riscos para as pessoas, mas, que pode causa certos inconvenientes.

Esse sapo têm glândulas com uma boa quantidade de veneno, e tanto os adultos quando os girinos são bastante tóxicos, caso sejam ingeridos. Essas glândulas são chamadas de parotóides, e estão localizadas em duas partes do sapo: atrás de seus olhos e na extensão de suas costas.

Quando são pressionados, esses órgãos secretam um líquido branco e leitoso, que possui substâncias chamadas de bufotoxinas, e que são tóxicas para muitos animais. O odor desse veneno, inclusive, é bem característico, lembrando o cheiro de algumas plantas. Por sinal, há muitos relatos de mortes no reino animal devido a esse veneno, envolvendo até mesmo seres humanos (neste caso, crianças, que são, evidentemente, mais vulneráveis a essas toxinas).

Importante destacar que uma das substâncias secretadas por esse anfíbio, a bufotenina, é classificada como uma droga de classe 1 pelas leis australianas, a mesma classificação dada à heroína e à cocaína, por exemplo. Ainda não se sabe muito a respeito, mas, acredita-se que o envenenamento por bufotenina provoque alucinações que duram em torno de 1 hora, mais ou menos.

Mecanismo de Ataque

Bom destacar que o sapo cururu, ao contrário da maioria das espécies de sapos, possui um comportamento predatório, o que influencia no uso de seu veneno. Enquanto que a grande maioria desses anfíbios expele seu veneno para se defenderem de predadores, o cururu consegue fazer isso de forma “voluntária”.

O mecanismo é bem simples. Movimentações corporais causam a compressão das glândulas parotóides, fazendo o sapo esguichar o seu veneno a uma distância de até 2 metros (o suficiente para atingir o peito de um ser humano adulto).

Ressaltando ainda que a toxina desse animal possui propriedades inflamatórias, sendo capaz de causar os seguintes efeitos: complicações neurotóxicas, cardiotóxicas, edemas pulmonares, problemas no sistema digestivo e (em casos extremos) levar a óbito.

Principais Sintomas da Intoxicação pelo Veneno do Sapo Cururu

Quando alguém sofre uma intoxicação pelo veneno de qualquer tipo de sapo (e não somente o cururu), alguns sintomas são mais perceptíveis.

Entre os mais usuais estão a salivação intensa, uma mucosa avermelhada no local do ataque, taquicardia, incontinência tanto urinária, quanto fecal, pupilas dilatadas, convulsões e, chegando em casos extremos, a morte.

Claro, como dito anteriormente, tudo vai depender de uma série de fatores: a idade da vítima, se ela já está debilitada fisicamente, se a toxina foi ingerida, caiu em alguma ferida aberta ou se apenas tocou em uma pele totalmente saudável, e por aí vai.

Rhinella Marina
Rhinella Marina

Até mesmo porque, e isso é importante salientar, não há registrados confiáveis de óbitos por veneno de sapo cururu, apenas casos de algumas poucas complicações de saúde que, no máximo, podem deixar alguém convalescente, mas, não em estado grave.

E, isso tudo sem contar o fato de que os sapos mais venenosos que existem (e estes, sim, são bem perigosos) estão enfurnados em florestas tropicais, e são bem pequenos e coloridos (ao contrário do cururu). Estes são tão venenosos que podem, sim, matar uma pessoa, tanto é que os indígenas residentes desses locais usavam a toxina desse animal na ponta de suas flechas!

Conclusão: ao avistar um sapo cururu, não entre em pânico, mas, também não perturbe o animal. Acuado, ele pode secretar a sua toxina, e mesmo que ela não mate você, isso pode causar problemas de saúde bem indesejáveis.

A Urina do Sapo Cururu (e de Outros Sapos) Pode Cegar uma Pessoa?

Uma história muito contada por aí é que a urina dos sapos (especialmente, o cururu) pode chagar a cegar uma pessoa adulta. Mas, isso é folclore.

Realmente, esses anfíbios, às vezes, urinam como uma forma de defesa, porém, o líquido, em si, não possui nenhuma substância realmente tóxica. Até porque o verdadeiro veneno deles está localizado nas glândulas parotóides que ficam em sua pele. Veneno esse que se for ingerido, ou atingir mucosas e feridas abertas, pode ser altamente tóxico. E, claro, atingir os olhos de uma pessoa, essa substância, sim, pode cegar uma pessoa.

Intoxicação de Cães por Veneno de Sapo Cururu

Um acidente muito comum que pode acontecer com seus bichinhos de estimação (em especial, os cães) é eles serem intoxicados pelo veneno de sapos, principalmente, os cururus, que vivem mais em brejos, matas e jardins próximos de residências.

Um dos principais sintomas desse tipo de envenenamento nos cães é uma salivação contínua, bem como o aparecimento de uma área hiperêmica na mucosa bucal do animal, causada pelo aumento do fluxo sanguíneo.

Após a absorção do veneno, o animal pode apresentar os seguintes sintomas: inquietação, taquicardia e taquipnéia (que é o aumento da respiração). O cão também pode apresentar incontinência fecal e urinária, da mesma forma que pupilas dilatadas e severas convulsões.Em casos extremos, ocorre a morte do animal.

E, quais os primeiros socorros? Bem, primeiro de tudo, se você souber exatamente quando foi o momento do contato entre o cão e o sapo, a primeira recomendação é pegar uma mangueira e lavar bem a bica do seu animal de estimação. Se depois desse procedimento, você perceber qualquer tipo de anormalidade, o recomendável é procurar um veterinário imediatamente.

É bom ficar ciente de que esses acidentes, geralmente, ocorrem em períodos chuvosos, que é quando esses sapos mais aparecem nas proximidades das residências, ainda mais se o local for próximo a lugares com mata fechada.

No geral, o ideal mesmo é evitar esse “encontro” desastroso, vigiando sempre o seu pet.

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