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Estrela-do-Mar Morde? Ela é Perigosa? Como Ela se Defende?

A alta temporada de férias, que compreende os meses do verão, constituem uma oportunidade maravilhosa de entretenimentos a beira mar. A maioria dos veranistas, que migram para o litoral, para curtir a praia, nem se dão conta das ameaças encontradas na beira do mar. Entre conchas, estrelas do mar e mariscos, algumas espécies podem causar incômodos para os banhistas, sem que estes se deem conta de suas  presença. Além disso, fatores como as temperaturas do verão, o aquecimento global e o acúmulo de lixo nas praias são fatores que aumentam a frequência de acidentes com estes animais.

O ouriço-do-mar (Echinoidea) é o recordista de eventos envolvendo acidentes com humanos nas prais de nosso inteiro litoral. São encontrados em rochas, costões, entre pedra e areia e nas beiradas das praias. O bichinho é uma bolinha espinhenta, que quando espeta a pele humana  provoca dor intensa, principalmente se o espinho penetrar profundamente, quebrar dentro do corpo ou liberar substâncias irritantes, como venenos inoculados por algumas espécies.

Após um acidente, envolvendo o ouriço do mar, o banhista precisa retirar os espinhos do corpo e aplicar compressa quente, para amenizar a dor e então buscar assistência médica para sedar o local e evitar infecções. Esta breve introdução serve para alertar aqueles que imaginam que no litoral não existem animais venenosos, que só existem ameaças em águas profundas.

Estrela-Do-Mar Morde?

Ás vezes a questão que torna perigoso um acidente com um animal, nem é a mordida. Embora na introdução o animal mencionado tenha sido o ouriço do mar, outros animais em nosso litoral também produzem acidentes bem incômodos, como: o bagre, a água viva e a caravela portuguesa, entre outros. Interessante que nenhum deles morde, mas produzem ferimentos bastante dolorido, que demandam atendimento médico urgente.

A estrela-do-mar não mete medo em ninguém, muitos a julgam uma criatura acéfala, cega, surda e sem cabeça que vivem relaxadas no fundo do mar ou a beira das praias. No quesito intimidação recebe nota 0. O que quase ninguém imagina é que esta letargia faz parte do seu cruel plano de ataque, inofensivo aos humanos.

Características Da Estrela-Do-Mar

A fisiologia das estrelas-do-mar é bem estranha, pois trata-se de uma miscelânea de formas, cores, tamanho e comportamento em suas aproximadamente 1.600 espécies, espalhadas por todos os mares do planeta,  desde mares profundos até as praias.

As estrelas-do-mar pertencem ao grupo Equinodermos, que são animais que possuem espinhos pelo corpo, assim como o ouriço-do-mar, a bolacha-do-mar e o pepino-do-mar,  são do  filo Echinodermata, da classe Asteroides. Possuem um endoesqueleto, formado por calcário,  contendo cinco  ou mais braços.

Embora não morda, a estrela do mar é um  animal que possui um complexo sistema digestório, composto por: boca, esôfago, estômago, intestino e ânus. Com uma característica inusitada e estranha, a estrela-do-mar consegue, digamos vomitar seu sistema digestivo.

Estrelas-Do-Mar São Perigosas?

Não representam perigo algum pra humanos, por causa do tamanho, mas comem carnes e são vorazes. Com seu jeitinho de quem não quer nada, elas comem tudo que conseguem capturar: ostras, peixes, caracóis e humanos, se fossem pequenos o suficiente, se tornariam também banquete. Aqui entra o aspecto inusitado e estranho destes bichinhos inofensivos. Como não tem dentes, nem mandíbula e nenhuma estrutura cortante ela vomita seu  gosmento estômago, capturam sua presa e lentamente a digere, fora do corpo, durante horas e até dias, até se saciar.

Algumas espécies acrescentam requintes de crueldade a esta macabra degustação. A espécie Stegnaster inflatus mimetiza um pequeno e aconchegante refúgio, quando a presa, para se esconder de predadores, penetra nesta tenda,  é ironicamente abatida, sendo digerida de forma horrível.

A espécie Labidiaster annulatus, tem uma habilidade que remete ao radar de rodovias que fotografam veículos que ultrapassam a velocidade permitida, elas parecem uma enorme aranha marinha e captura os animais que passam velozmente por ela, com incrível habilidade. Esta espécie de estrela-do-mar tem, diríamos  dentes nas pernas, verdadeiras armadilhas chamadas pedicelos, assim se uma garra não deter a presa, milhões de outras são ativadas para não deixá-lo escapar.

Estrela-do-Mar: Como se Defende

A estrela-do-mar possui uma inigualável capacidade regenerativa, regenerando membros amputados e em algumas espécies regenerar o seu corpo inteiro.  A estrela-do-mar é acéfala e os seus órgãos vitais e sistema nervoso encontram-se nos braços. Algumas espécies, até precisam que o núcleo do corpo esteja intacto para que se regenerem, enquanto outras conseguem regeneram o seu corpo inteiro a partir de um membro cortado.

Os predadores naturais das estrelas-do-mar são os peixes maiores, gaivotas, caranguejos, tritões, lontras-marinhas e outras estrelas-do-mar maiores, sua principal defesa é sua pele calcificada e dura, que as protege de ataques. Também podem adotar cores que proporcionam camuflagem ou exibir mimetismo com potencial de inibir predadores.

Estrela-Do-Mar: Benefícios

Em virtude da infinita quantidade de microrganismo presentes na água do mar, qualquer estrutura em contato com sua superfície torna-se imediatamente contaminada, por estes indivíduos oportunistas, entretanto observou-se que estrelas-do-mar conseguem manter sua superfície completamente livre destes organismos, embora vivendo num caldo de cultura contendo bactérias, larvas, vírus e toda sorte de indivíduos buscando uma relação simbiótica.

A substância viscosa que reveste o corpo da estrelas-do-mar, da espécie Marthasteriasglacialis, pode ser a chave para o tratamento contra doenças doenças inflamatórias, como asma e artrite, esta substância age como o “teflon” impedindo a aderência destes micro organismos nas estruturas do animal.

Nos eventos inflamatórios os leucócitos, por conta de um descontrole do sistema imunológico, deixam de navegar livremente na corrente sanguínea, se acumulam e grudam nas paredes das artérias e veias, provocando dano aos tecidos.

A intenção é criar um tratamento baseado na fisiologia deste muco de proteção da estrela-do-mar. As artérias seriam protegidos por uma camada desta substância que impediria que os leucócitos grudasse ao tecido arterial.

Atualmente são utilizados tratamentos em geral a base de esteroides e corticoides nos quadros clínicos envolvendo inflamações, entretanto a utilização destas medicações apresentam efeitos colaterais, que inviabilizam sua utilização, por um mal menor. Os pesquisadores teorizam que as estrelas-do-mar possam produzir uma solução melhor, e por isso estão analisando as substâncias químicas presentes no muco que cobre o corpo destes animais.

Desejamos sucesso a estes pesquisadores!

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