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Cervo do Pantanal: Curiosidades, Nome Científico e Filhotes

O gênero Blastocerus possui apenas uma espécie: o Blastocerus dichotomus – nome científico do Cervo-do-pantanal, cujas principais curiosidades têm a ver com o fato de ser hoje uma espécie pantaneira, gerar filhotes já com as mesmas características dos seus pais, além de já ter sido um verdadeiro troféu nas mãos dos afamados caçadores de animais silvestres.

O Cervo-do-pantanal já foi uma espécie abundante nas regiões de várzeas, matas ciliares, beiras de rios, entre outras vegetações semelhantes, desde o estado do Amazonas até o sul da Argentina, onde recebia os sugestivos apelidos de suaçuapara, suaçuetê, suaçupu, guaçupuçu, entre outras várias denominações.

Mas hoje, somente as regiões da Ilha do Bananal, Rio Guaporé e as áreas próximas aos Rios Araugaias e Javaés, no Pantanal Matogrossense, podem contemplar essa espécie – o maior cervídeo sul-americano – , capaz de atingir os desconcertantes 126kg e até 1,3m de altura.

Os Cervos do pantanal possuem um belo porte altivo, chifres que se espalham em forma de ramos, cascos compridos, largos e resistentes, além de possuírem hábitos tipicamente solitários e diurnos.

Eles são ruminantes, no entanto, não possuem um aparelho digestivo que se assemelhe ao de um bovino ou ao de um camelo, por exemplo.

E por isso mesmo são mais afeitos a uma dieta à base de plantas marinhas, como algumas “uliginosas”, Scrophulariceaes, Alismataceaes, Eriocaulaceaes, entre várias outras espécies encontradas em regiões inundadas.

Eles são animais atualmente listados como “vulneráveis” pela IUCN (União Para a Conservação da Natureza). Mas não são os seus principais predadores, como a onça-pintada e a onça-parda, os flagelos dos Cervos-do-pantanal.

A introdução de determinadas espécies domésticas no seu habitat natural (que lhes transmitem novas doenças), a devastação das suas moradas (para a construção de hidrelétricas), além da caça ilegal de animais silvestres (para a exposição das suas belas galhadas), estão entre os principais tormentos para essa espécie.

Cervo-do-Pantanal: Curiosidades, Nome Científico e Filhotes

1.É um excelente “podador” natural

Por ser um ruminante, herbívoro e afeito a uma boa pastagem, o Cervo-do-pantanal – semelhantemente aos bovinos, equinos e demais cervídeos – , é considerado um “podador” natural, capaz de alimentar-se de grandes quantidades de gramíneas, e, com isso, poupar grandes investimentos com a limpeza de terrenos.

Com capacidade de alimentar-se em todos os três turnos do dia, cerca de 10 indivíduos são capazes de ingerir até 100kg de plantas aquáticas diariamente – um número bastante considerável se levarmos em conta os “custos” com essa mão de obra.

Cervo do Pantanal Comendo
Cervo do Pantanal Comendo

2.É o Maior Cervídeo da América Latina!

Não há dúvidas de que os alces (representantes típicos do norte da Europa) são os maiores cervídeos do planeta. Com os seus quase 2 m de altura e estonteantes 600 ou 700kg, eles configuram-se como uma “força da natureza”, que necessita de até 10.000 calorias diárias para sobreviverem adequadamente.

No entanto, nós, os latino-americanos, também temos o nosso “monumento”: o Blastocerus dichotomus. E do alto dos seus quase 1,3 m e 126 kg, ele representa bem essa exótica e original família dos cervídeos aqui por essas bandas.

3.São Grandes Metabolizadores de Sódio

Uma outra curiosidade sobre o Cervo-do-pantanal – além do seu nome científico e as características particulares do seus filhotes – , é que ele necessita de grandes quantidades de sódio para sobreviver.

Isso leva a uma outra curiosidade: os alces, por não conseguirem, a partir das suas dietas, absorver essa substância, lançam mão do expediente de adotar as plantas aquáticas (a dieta dos Cervos-do-pantanal) como uma das suas fontes de nutrientes – contrariamente ao que seria o natural.

4.Filhotes

Outra das principais curiosidades acerca do Cervo do pantanal está relacionada com os seus filhotes. Curiosamente, eles já nascem com as mesmas características dos seus genitores, diferentemente do que ocorre com outras espécies de cervídeos, que nascem com algumas manchas claras espalhadas pelo corpo – como é o caso de algumas variedades de veados, alces, caribus, entre outras espécies.

5. Já Foi Cobiçado Pela Sua Beleza

De acordo com dados da IUCN (União Internacional Para a Conservação da Natueza), obter um exemplar de um Cervo-do-pantanal já foi considerado um símbolo de distinção entre os caçadores de animais silvestres no início do séc. XX.

Isso graças à beleza e extravagância da sua bela galhada, que distribui-se em vários ramos que, afixados nas paredes dos fazendeiros – e demais donos de terras – , indicavam a sua importância e prestígio.

6.Está há Várias Eras Entre Nós!

Os estudos realizados pelo entomólogo e zoólogo alemão, Johann karl Illiger, determinaram o nome científico dos cervos do pantanal, as características dos seus filhotes, os seus hábitos alimentares, entre outras especificidades.

Mas também concluíram que eles habitam a região hoje conhecida como o Pantanal Matogrossense desde o “Pleistoceno” – entre 2,6 milhões e 12 mil anos atrás.

A partir da Ásia, eles teriam partido, em bandos, até atingir a América do Sul (durante o Piloceno) pelo estreito de Bering.

Eles ali permaneceram, devidamente estabelecidos, entre as regiões do Amazonas e do norte da Argentina, até que alterações climáticas, o avanço do progresso, entre outros fatores, os levaram a estabelecerem-se nas regiões que melhor lhes oferecessem condições de subsistência – justamente as áreas alagadiças do Complexo do Pantanal.

7.O Simbolismo dos Cervos

Na mitologia grega, os cervos eram considerados símbolos de fecundidade, força e beleza. Eles também eram considerados símbolos da virilidade masculina, geralmente associada aos aspectos físicos do animal, como o seu porte esbelto e, principalmente, o aspecto da sua vistosa e exuberante galhada.

A deusa Artemísia, por exemplo, era guiada por algumas dessas espécies, que puxavam a bela carruagem de ouro que a transportava entre a terra e o Olimpo. Diana – a poderosa Diana –, deusa da caça e da lua, também utilizava-se dessa espécie para percorrer as distâncias.

E alguns estudos apontam para o fato de que tais lendas estejam ligadas à mitologia nórdica, pois, como se sabe, algumas espécies de cervídeos – como os alces, por exemplo – são animais típicos do norte da Europa (Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca, basicamente), de onde, supostamente, tais mitos espalharam-se como um “rastros de fogo”, eternizando-se no imaginário popular.

Os cervos do pantanal são algumas da inúmeras espécies tipicamente brasileiras, que gozam do total desconhecimento da maioria absoluta dos indivíduos. Mas, e você, qual a sua familiaridade com essa espécie? Conte-nos, por meio de um comentário. E aguarde as próximas publicações do blog.

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