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Abelha Jandaíra Tem Ferrão?

As abelhas jandaíras não têm ferrão. Elas são espécies melíponas, consideradas endêmicas da Caatinga, e, como tal, apresentam-se como variedades rústicas, resistentes, excelentes produtoras de mel, sociáveis (apesar de defensivas), entre outras características.

Elas são facilmente encontradas em trechos dos estados do Maranhão, Bahia, Alagoas, Sergipe, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

E em todos esses estados elas possuem uma constituição física em que destaca-se a sua coloração castanho-escuro, cabeça na cor negra, umas espécies de penugens sobre o corpo, além de produzirem um mel extremamente rico e nutritivo.

Esse mel possui um inconfundível sabor leve e textura macia, cor entre o dourado e o amarelo-ouro (nada enjoativo), e ainda com propriedades cicatrizantes e estimulantes do sistema imunológico.

As diversas variedades da flora da Caatinga beneficiam-se, e muito, da sua capacidade de polinização, principalmente espécies como os umbuzeiros, cajueiros, licurizeiros, as originalíssimas violetas-da-caatinga, algumas variedades de bromélias, a aroeira-vermelha e a enigmática flor de jitirana.

Na verdade não há espécie que não caia na tentação de lhes ceder, com toda a alegria possível, os seus pólens para que contribuam com a perpetuação de diversas espécies da região.

Como dissemos, as abelhas jandaíras não possuem ferrão – ou melhor, os têm atrofiados -, o que as torna seres totalmente inofensivos; capazes de serem criadas em setores urbanos, chácaras, sítios, fazendas, entre outros locais urbanizados.

Para se ter uma ideia da facilidade de criação das abelhas jandaíras, o que se diz é que nem mesmo equipamentos sofisticados são necessários para a manipulação dessas espécies.

E se isso não bastasse, criá-las é um empreendimento lucrativo, dos mais prazerosos, não agride o meio ambiente, e em determinadas regiões é quase como um atividade cultural, repleta de nuances e singularidades que só mesmo os mais experientes conseguem captar.

Enfim, possibilidades de lucros, uma associação entre trabalho e lazer, garantia de proteção desse bioma da Caatinga, entre outras características, fazem com que essa atividade seja cada dia mais valorizada (em diversos biomas do país) e tratada como um verdadeiro empreendimento com o status de uma atividade essencial para a natureza.

Principais Características das Abelhas Sem Ferrão Jandaíras

Enquanto alguns “flagelos da natureza”, como as temidas “abelhas-irapuãs”, vivem de saquear, matar e destruir colmeias e plantações, na sanha descontrolada de produzir as suas colmeias, as jandaíras limitam-se, apenas, a extrair o pólen e o néctar, com os quais irão alimentar-se, produzir mel e ainda contribuir para a polinização de inúmeras espécies vegetais por esse Brasil afora.

Abelha Jandaíra na Mão de um Homem
Abelha Jandaíra na Mão de um Homem

As abelhas jandaíras pertencem à família Apídae e da subfamília Meliponíneos – uma comunidade que caracteriza-se pela sua impressionante sociabilidade, capaz de permitir, por exemplo, a criação de espécies até mesmo nos quintais das casas.

Mas essas qualidades das jandaíras também são observadas pelas suas parentes mais distantes, como as que habitam as ilhas do Pacífico, das Américas Central e do Sul, a Nova Guiné, o norte da África, entre outras regiões do planeta.

Diferença das Abelhas com Ferrão

As abelhas com ferrão também pertencem à família Apidae, só que com a diferença de enquadrarem-se na família Apínea. Essas são grandes produtoras de mel (melíferas), com as características de um corpo negro, com quase nenhuma daquelas tradicionais listras amarelas, facilmente adaptáveis e com grande capacidade de polinização.

As suas principais representantes são as abelhas do gênero Apis melífera, que caracterizam-se por possuírem ferrão e um comportamento bastante agressivo.

Elas são alguns dos principais exemplos vivos de organização (tanto para ataque quanto para defesa), pois o que se diz é que, quando têm o seu espaço invadido, poucas apresentam tamanha capacidade para defender-se quanto as abelhas dessa espécie.

Em conjunto, elas não dão a menor chance para o invasor, ao qual apenas resta tentar escapar, de todo o jeito, das insistentes e certeiras ferroadas, geralmente dirigidas ao rosto.

Elas também possuem uma estrutura especial para a proteção contra chuvas, ventos, geadas, nevoeiros e demais intempéries. As colmeias são projetadas de forma a não serem alvos fáceis desse tipo de ação.

Diferentemente das jandaíras – que por não terem ferrão podem ser manipuladas até mesmo com trajes simples -, as Apis melíferas, como as temidas abelhas-europeias e as africanas, exigem uma série de cuidados ao iniciar uma criação, que envolvem a utilização de um conjunto de equipamentos de segurança, sem os quais, o projeto torna-se inviável.

Durante o ataque, o ferrão dessa variedade de abelha acaba desprendendo-se dela e fixando-se na vítima. E como ele leva junto consigo a substância venenosa, enquanto não for retirado permanecerá grudado, injetando a toxina, que, a depender da demora no atendimento, poderá ser fatal.

As Melíponas e o Gênero Apis

Duas Abelhas Melíponas
Duas Abelhas Melíponas

Como vimos, as abelhas jandaíras não têm ferrão. Elas são conhecidas como “abelhas melíponas”, ao contrário das “abelhas apíneas”, que o possui e costumam ser bem mais agressivas.

Na verdade, a última coisa que se quer é estar próximo delas, já que os números revelam um contingente de quase 60 mortes anuais devido às consequências das suas picadas.

Além disso, as Apis melíferas têm um jeito todo especial de organizar as suas colmeias. Os favos, por exemplo, são encaixados de cima para baixo, com as suas respectivas células que receberão o pólen, que por sua vez servirão de alimento para os filhotes ao nascerem.

Abelha-européia (Apis mellifera)
Abelha-européia (Apis mellifera)

Já com as melíponas o processo não é tão diferente, só difere mesmo na composição dos potes (lado a lado) e não de favos, de forma a abrigar, corretamente, as quantidades necessárias de néctar e pólen.

Quanto à organização das colmeias, a coisa se passa mais ou menos do mesmo modo. Uma comunidade de algumas dezenas de milhares de abelhas convivem em uma organização e harmonia de fazerem inveja a qualquer comunidade no planeta.

Lá estão as operárias que, nos seus não mais do que 50 dias de vida, tratam de cuidar do espaço, limpar, abastecer, montar guarda, entre outras funções consideradas vitais para a sobrevivência da espécie.

A rainha será responsável pela fecundação e por “colocar alguma ordem na casa”, num vai e vem constante (sem voar) por entre os favos, garantindo que não haverá ali nenhum membro disposto a causar perturbações ou passar os seus dias em uma completa ociosidade.

Já os machos, como sabemos, têm a “dura” responsabilidade de fecundar a fêmea ( e ser morto por ela depois) – um trabalho que, apesar de não ser assim tão respeitado, segundo eles, é uma função para poucos.

E o resultado de tamanha organização, é a perpetuação de uma espécie que é considerada “a mais importante na natureza”, graças à sua capacidade de polinização, que é responsável pelo desenvolvimento de pelo menos 70% de todas as espécies vegetais do planeta.

Enquanto nós ficamos com “néctar dos deuses”, a “substância preciosa”, o mel, uma das substâncias mais ricas, deliciosas e nutritivas produzidas quase que de forma espontânea pela natureza.

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