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Ecossistema Brasileiro: Caatinga

O ecossistema brasileiro da Caatinga é um fenômeno! Apesar de localizar-se numa das regiões mais secas e áridas do país, ele possui o status de ser o mais original dentre todas as manifestações naturais do Brasil.

O nome Caatinga: Ka’a (mata) + tinga (branca), foi a forma que os indígenas encontraram para denominar esse inexplicável trecho do pais, em uma alusão à característica da sua vegetação de tornar-se esbranquiçada e sem vida durante os mais terríveis períodos de seca.

 

São cerca de 844.453km2 (11% do território nacional), que abrangem estados como Piauí, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Bahia e trecho do estado de Minas Gerais.

Para se ter uma ideia da importância do ecossistema brasileiro da Caatinga, ele é considerado o principal patrimônio biológico do país, devido ao fato de que boa parte da fauna e da flora local só pode ser encontrada naquela região – em nenhuma outra parte do mundo.

Algo que, sem dúvida, concede à Caatinga a condição de um organismo quase mítico e cercado pelas mais curiosas e singulares lendas e mistérios que a mente nativa pode produzir.

O retrato atual da Caatinga costuma esconder o fato de que ela já teve os seus momentos áureos!

Conta-se que nos sécs. XVII e XVIII desenvolvia-se na região uma pecuária relativamente pujante (bovino e caprino, basicamente). No entanto, ela foi uma das responsáveis pela destruição de boa parte do verde que ocupava o seu território, já que todo ele era consumido pelo gado.

As plantações de mandioca, feijão, algodão, milho, além do extrativismo mineral também tiveram o seus grandes momentos.

Mas a falta de investimento, o abandono dos governantes, combinado com um extrativismo predatório, assoreamento das nascentes, mau uso do solo, a quase completa destruição da lendária floresta de galeria da Caatinga, entre outras ações, contribuiram para, aos poucos, construir uma nova história para esse importante trecho do Brasil.

Ameaça ao Ecossistema Brasileiro da Caatinga

A Caatinga é hoje um território ameaçado. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), ele é um dos mais degradados do país, com apenas 8% sob algum tipo de proteção ambiental.

Ele é um dos biomas brasileiros que mais sofrem com o flagelo do desmatamento.

A extração de recursos vegetais, na forma de lenha para o consumo domiciliar e industrial, está entre as suas principais causas, e, de acordo com levantamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (2010), foi responsável por dizimar, até esse ano, cerca de 44% de todos os recursos vegetais da região.

Um dos problemas imediatos dessa prática é justamente a perda dos habitats naturais de determinadas espécies, que são obrigadas a realizar migrações forçadas – devido à fragmentação desses desmatamentos -, quando não invadem o espaço dos homens, para serem dizimadas em um conflito brutal.

Agora espécies quase míticas, como os famosos umbuzeiros, juazeiros, marmeleiros, as singulares juremas-pretas, o mofunbo, os cactos, as bromélias, entre outros vegetais extremamente resistentes, ajudam a compor uma espécie de “frente de resistência” desse ecossistema brasileiro da Caatinga, insistindo em permanecerem vivas como verdadeiros símbolos da riqueza vegetal do lugar.

Algumas das Principais Características da Caatinga

Se já não bastassem todas as dificuldades enfrentadas por esse ecossistema, em decorrência das características particulares da região, O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que as mais recentes alterações climáticas atingirão com força esse bioma brasileiro.

Elas deverão aumentar, ainda mais, os períodos de seca, reduzir os índices pluviométricos, devastar a água do subsolo, comprometer a saúde dos mananciais, entre outras consequências que, de acordo com a organização, em algumas décadas irão transformar todo esse bioma em uma outra realidade ainda desconhecida.

Mas o curioso disso tudo é que, apesar de tanta adversidade, o clima semiárido da Caatinga é um dos que mais favorecem o cultivo de frutas doces e suculentas, como a goiaba, umbu, caju, banana, cajá, entre outras espécies, que hoje representam uma das principais fontes de renda do homem do semiárido.

Um “semiárido quente”, caracterizado por baixos índices pluviométricos (entre 260 e 600mm de chuvas por ano), pouco ou quase nenhum acúmulo de nuvens, longos períodos de insolação, altas temperaturas durante boa parte do ano, baixa umidade, além de taxas de evaporação consideradas quase trágicas para a região.

E para completar, chuvas irregulares, responsáveis por quae surreais eventos de enchentes – mas também de secas – impedem qualquer tipo de projeto de cultivo para períodos superiores a 1 ano.

Enquanto, por outro lado, elas dão as características típicas do solo da região: uma combinação de terrenos pobres, repletos de escolhos, com vegetação rala e agreste, trechos arenosos e desérticos, entremeados por algumas áreas extremamente férteis e profundas – com a mesma característica de irregularidade, que é a marca desse ecossistema brasileiro da Caatinga.

A Biodiversidade da Caatinga

Mas, apesar disso, o ecossistema brasileiro da Caatinga é considerado um dos mais originais e singulares do planeta, composto por inúmeros exemplares que só podem ser encontrados nesse trecho do território do país.

O clima quente, seco e desolado, onde “o meio dia é mais lúgubre e silencioso do que a meia noite”, segundo Euclides da Cunha, acabou por produzir algumas das espécies mais exóticas do mundo, como os singulares veados-catingueiros, ou como a exuberante ararinha-azul, ou mesmo como a famosa “asa-branca”, que hoje gaba-se do seu status de “celebridade da Caatinga”, por ter sido imortalizada na voz de do saudoso Luiz Gonzaga.

O jacu-verdadeiro também está lá, arisco e cismado; mas não tão arisco e cismado quanto os saguis-de-tufos-brancos ou como o curioso tatupeba, que percorrem, distraídos, as vegetações pobres e rasteiras da região – mas também alguns trechos de solos férteis e vigorosos.

Eles muitas vezes surgem em meio à vegetação dura e espinhosa típica do semiárido, onde dominam os cactus, xique-xiques e mandacarus; que, por sua vez, precisam, mesmo a contragosto, render-se, obrigatoriamente, à delicadeza das bromélias e das violetas-da-caatinga.

Na luta contra as condições climáticas mais desumanas do país, cerca de 4.506 espécies de plantas, mais de 500 aves, em torno de 184 espécies de peixes, além de 153 de mamíferos, entre outras riquezas naturais, mantêm-se firmes!

E apesar dos riscos de extinção que pairam como uma nuvem negra também sobre esse imenso bioma brasileiro, a Caatinga continua de pé, como uma das mais belas expressões naturais do Brasil.

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