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A Ariranha Está Em Extinção? E Qual Seu Habitat?

Maior mamífero semiaquático aqui da América do Sul, a ariranha é um animal bem interessante, e cujo ciclo de vida é bem mais longo do que imagina para um ser tão pequeno. E é sobre isso que falaremos a seguir.

Ariranha: algumas características básicas

Da família Mustelidae, as ariranhas são mamíferos carnívoros, cujos hábitos são semiaquáticos, ou seja, frequentam locais com água, mas, também vivem em terra firme. Também são chamadas muitas vezes de onças d’água ou lontras-gigantes. Por sinal, a ariranha é a maior espécie de sua família, podendo medir cerca de 1,8 m de comprimento, e a pesar quase 30 kg.

Ariranha Características Físicas
Ariranha Características Físicas

De corpo longilíneo e cauda achatada, as ariranhas possuem uma coloração marrom-escura, tendo orelhas pequenas e arredondadas. Suas patas têm o que chamamos de membrana interdigital, além de apresentarem também uma mancha clara, localizada em seus pescoços e que servem para identificar cada um dos indivíduos de um grupo.

São animais carnívoros e que possuem uma grande capacidade de natação, devido ao formato de seus corpos e de sua cauda, alimentando-se de peixes, mas também de mamíferos pequenos, aves, répteis e invertebrados em geral.

Como é o ciclo de vida da ariranha?

A ariranha é um animal que se torna maduro um pouco tarde em comparação a outros mamíferos (cerca dos 2 anos de idade). Pelo menos, na natureza, as fêmeas conseguem procriar até os 11 anos de idade, enquanto que os machos podem continuar procriando até os 15 anos de idade. Ah, e qual a expectativa de vida da ariranha? Cerca de 20 anos, no máximo.

Por sinal, a reprodução delas é um tanto difícil de ser observada na natureza, tanto é que as informações disponíveis, na maior parte das vezes, é obtida através de observações em cativeiro. São nessas observações, inclusive, que se comprovou que as fêmeas, na época do acasalamento, ficam mais agressivas, e menos propensas a se alimentarem.

Ariranha Filhote

Lembrando, por sinal, que elas entram no cio apenas uma vez por ano. Porém, caso perca os filhotes por qualquer motivo, pode entrar no cio novamente naquele mesmo ano. Sua gestação, em geral, dura uns 60 dias, nascendo aproximadamente 5 filhotes em cada ninhada.

Esses filhotes nascem nas tocas construídas pelas ariranhas adultas, e só saem delas após pumas 3 semanas de vida. Interessante notar que nesse período, as pequenas ariranhas ainda não entram na água para nadar, preferindo ficar em terra firme. Apenas após uns 2 ou 3 meses de idade que esses filhotes começam a tentar pescar os próprios peixes e a se arriscarem nos rios e lagos das redondezas.

O desmame só acontece com cerca de 9 meses de idade, e aos 10, eles passam a caçar com os pais. Ariranhas jovens podem permanecer em grupos até os 2 ou 3 anos de idade. Somente após esses período de suas vidas que saem de onde estão, e vão formar novos grupos, com ariranhas mais ou menos da mesma idade.

Extinção da ariranha: riscos ao seu ciclo de vida normal

Devido à caça comercial, quase que as ariranhas foram completamente extintas nos últimos anos. Porém, indícios recentes mostram que esses animais estão voltando aos seus habitas naturais em número maior, especialmente em rios na Amazônia.

Pra se ter uma ideia de como esses animais, de fato, quase desapareceram da natureza, estima-se que cerca de 23 milhões de exemplares de ariranhas foram caçados na Amazônia Ocidental entre os anos de 1904 e 1969. O intuito? Extrair suas peles, que eram (e ainda são) bastante valiosas no mercado clandestino.

O couro do animal era normalmente exportado ou para a Europa ou para os EUA, onde virava simplesmente chapéus, casacos e echarpes. Os próprios membros que viviam nas comidades próximas aos habitats naturais desses animais caçavam as ariranhas para trocar suas peles, entre outras coisas, por armas.

Importante frisar ainda que a modernização das técnicas de caça só fez aumentar ainda mais o extermínio gradativo das ariranhas. Somente no ano de 1975 que o Brasil aderiu a um tratado internacional que proibia o comércio de espécies ameaçadas. Só então que esses animais puderam se reproduzir um pouco mais, seguindo o seu ciclo de vida habitual, e aumentando um pouco mais a quantidade de animais soltos na natureza.

O habitat das ariranhas e sua relação com o seu ciclo de vida

Saliente-se que o habitat da ariranha influencia muito em seu ciclo de vida longo, pois é através dos lugares onde reside que elas podem se alimentar de animais que garantem reservas nutricionais adequadas, bem como espaços suficientes para construírem suas tocas e se protegerem de predadores.

São, portanto, encontradas em rios, lagos, córregos e florestas inundadas em épocas de cheias. Ou seja, onde tem água, a ariranha gosta, especialmente, pela fartura de alimentos nesses lugares. Preferem também ambiente onde as águas sejam mais calmas e menos agitadas.

Endêmica da América do Sul, a ariranha pode ser encontrada nos seguintes países:Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Venezuela, Argentina e Uruguai. Inclusive, aqui no Brasil, trata-se de animal presente em nossos principais ecossistemas: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal.

Só que por conta da caça que façamos a pouco, o contingente populacional desses animais diminuiu bastante e populações consideradas viáveis da espécie podem ser melhor localizadas em lugares como na Bacia Amazônica e no Pantanal, apenas. Já em outros lugares, o mais comum é encontrar ariranhas isoladas ou em grupos bem pequenos.

Conclusão

O ciclo de vida da ariranha é um dos maiores entre os mamíferos daqui, podendo alcançar quase 20 anos de idade em condições minimamente ideais. Contudo, é de se notar que devido à caça (que até pouco tempo atrás, era permitida) e à perda de seus habitats naturais, não somente esses animais desapareceram bastante, como a própria expectativa de vida delas diminuiu muito.

Por isso, ações ecológicas se fazem necessárias para a preservação dessa espécie, que, mesmo com um pequeno aumento populacional observado nos últimos anos, continua sendo um animal ameaçado de extinção, especialmente por viver em áreas que vêm se degradando nos últimos tempos, como a Amazônia e o Pantanal, por exemplo.

Um animal que, dentre tantos outros, merece viver (muito).

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