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O Que é Solo Argiloso?

A definição do que é um solo argiloso deve passar, necessariamente, pelo conhecimento das suas propriedades físico-químicas.

Isso porque ele caracteriza-se por ser constituído, basicamente, por argila – um mineral formado por grãos minúsculos (microporos), que não ultrapassam os 2 µm, e ainda apresentam-se bastante unidos, conferindo ao solo um caráter de impermeabilidade.

Ele também contém água, ferro e alumínio – uma mistura que totaliza cerca de 1/3 da sua composição e lhe dá a característica de um solo macio, denso, pastoso, levemente ácido, bastante nutritivo, resistente à erosão, impermeável, entre outras características.

À primeira vista, esse tipo de solo não é dos mais indicados para a agricultura, principalmente se a proporção de argila na composição for extremamente desigual.

Além disso, ele é um tipo de terreno que costuma encharcar após longos períodos de chuvas, o que dificulta a “respiração do solo” e, obviamente, a sobrevivência de uma cultura.

Mas esse não é o caso da Terra-Roxa, por exemplo – um solo argiloso, um dos símbolos da riqueza natural do país e responsável pela pujança das plantações de café entre o final do séc. XIX e início do séc. XX, especialmente nos estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A Terra-Roxa – que ganhou esse nome devido à sua coloração roxo-avermelhada – difere de boa parte dos solos argilosos pela característica de ser um “Latossolo”, que é uma variedade cujos grãos aglomeram-se de forma a permitir que haja mais espaço para a penetração de água e respiração do solo.

Terra-Roxa
Terra-Roxa

O resultado é um terreno rico em nutrientes, repleto de minerais e capaz de ser utilizado para determinadas culturas, em especial para o cultivo de café.

Principais Características do Solo Argiloso

Agora que já sabemos o que é um solo argiloso, cabe aqui definir algumas das suas características básicas.

Em primeiro lugar, é preciso saber que, para que seja um solo argiloso, o terreno deve ser composto por pelo menos 1/3 de argila. Mas não é só isso! Ele também deverá apresentar grandes quantidades de nutrientes na forma de material orgânico (restos de vegetais e animais).

Este conteúdo é o resultado dessa capacidade do solo argiloso de reter materiais – inclusive água – e dar ao terreno a característica de uma grande massa compacta, naturalmente úmida, pastosa, de cor roxo-avermelhada (devido à presença de ferro) e repleta dos mais diversos tipos de minerais primários em sua composição.

O que é definido como um solo argiloso geralmente é aquele que se presta mais facilmente à manipulação industrial, na forma de pisos, tijolos, cerâmicas, etc., devido à sua capacidade de, em períodos mais secos, tornar-se de uma resistência e impermeabilidade incomparáveis.

Um solo argiloso é extremamente compacto e nada poroso. E o que lhe dá essa característica é justamente a sua composição, formada por grãos tão minúsculos que acabam aglomerando-se e praticamente impedindo que haja espaços que possam ser ocupados pela água ou ar entre eles.

Mas um solo argiloso também é altamente nutritivo! Apesar de, curiosamente, a sua composição dificultar o desenvolvimento de uma cultura agrícola, alguns solos como o massapê e a terra-roxa caracterizam-se por estarem entre os melhores terrenos para a produção de café, cana-de-açúcar, trigo, entre outras culturas.

Obviamente, todas essas características dão aos solos argilosos a capacidade de resistirem mais que os outros à erosão, e por isso as águas da chuva, nesse caso, não representam um grande transtorno. Eles simplesmente permanecem, durante milhões de anos, concedendo ao homem as suas características físicas e a sua incrível fertilidade.

As plantações, casas e demais empreendimentos podem conviver relativamente bem com os regimes de chuvas e inundações que, no final, acabam lhe conferindo mais resistência e riqueza nutritiva, do que necessariamente algum tipo de prejuízo.

Para que Serve um Solo Argiloso?

1.Cerâmica

Como vimos na definição do que é um solo argiloso, esse tipo de terreno possui uma qualidade que, na indústria da cerâmica, por exemplo, caiu como uma verdadeira luva.

Seja na cerâmica artística, industrial ou tradicional, só o que profissional precisará ter é a habilidade para trabalhar esse material com a quantidade correta de água e com o auxílio de um forno com temperaturas em torno de 600°C.

Achados arqueológicos apontam que essa arte já era executada no período conhecido como o Neolítico (por volta de 8.000 anos), e chegou até os nossos dias com a capacidade de produzir desde pisos e azulejos, até potes, vasos, panelas e belíssimas obras de arte.

2.Tijolos

De acordo com especialistas em arqueologia, o uso dos tijolos na construção civil já comemora os 5.000 anos. Essas conclusões foram feitas com base em restos de artefatos encontrados em sítios arqueológicos da Ásia Menor, Egito, Palestina, China, Turquia, entre outras regiões do planeta.

Já nessa época, o solo argiloso era recolhido da beira dos rios, de florestas inundadas ou de outras regiões úmidas que pudessem oferecer esse material.

Os passos seguintes envolvem a limpeza do produto recolhido (a fim de eliminar restos de palhas, fibras, pedras, cascalhos, etc), o amassamento (aglutinação) da argila, modelagem e secagem ao sol (por pelo menos 2 dias), para finalizar com o cozimento do material em um forno a lenha (pelo mesmo período).

3.Adobes

Para que se possa ter a real dimensão do que é um solo argiloso, basta lembrar que os adobes (espécies de blocos de argila especialmente fabricados para alvenaria) foram os “avôs” dos tijolos que conhecemos hoje.

Investigações científicas apontam que há pelo menos 6.000 anos eles já eram utilizados como fundações de templos religiosos, catacumbas, túmulos de faraós, residências particulares, entre outras construções onde a sua incomparável resistência e impermeabilidade pudessem ser aproveitadas.

4.Telhas

As telhas de argila são consideradas uma das melhores formas de conceder um aspecto artístico a uma construção.

Por serem resistentes, impermeáveis, duráveis, absorverem pouco os raios solares, e ainda oferecerem à obra uma beleza rústica sem igual, elas acabaram caindo nas graças das mais diversas sociedades, em praticamente todos os tempos.

A técnica é praticamente a mesma utilizada na confecção de tijolos: um profissional deverá saber realizar a correta mistura entre o solo argiloso, a água e outros materiais. O produto deverá ser modelado em formas, exposto ao sol e cozido em um forno a lenha por algumas horas.

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