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Gongolo: Compostagem – Alternativa Eficaz para Compostos Orgânicos

Provavelmente, você já viu um monte de gongolos próximos à sua residência, não? Se não está ligando o “nome à pessoa”, eles são os famosos piolhos de cobra, ou embuás. Pois bem, além de serem aqueles bichinhos estranhos que se enrolam em espiral quando ameaçados, você sabia que eles podem ser bem úteis para o processo de compostagem?

Pois é isso o que vamos abordar a seguir.

Gongocompostagem: Alternativa Eficaz para Compostos Orgânicos

Cada vez mais as pessoas estão tentando arrumar maneiras de manipular o meio ambiente da melhor forma possível, sem degradá-lo. É o que temos, por exemplo, com relação à compostagem, um método que visa estimular a decomposição de materiais orgânicos para que se tenha um composto que possibilite a fertilidade do solo para as plantações.

Nesse aspecto, há uma técnica chamada de gongocompostagem, que se utiliza justamente dos gongolos para ajudar na preparação desse composto.

Mas, como isso é feito?

Simples: os gongolos são ótimos trituradores de resíduos sólidos. Dessa forma, eles acabam produzindo um adubo orgânico de qualidade semelhante ao que é feito pelas minhocas. Interessante que essa possibilidade foi descoberta por pesquisadores brasileiros, mais especificamente, pelos da Embrapa Agrobiologia, no Rio de Janeiro.

A gongocompostagem é, em linhas gerais, uma espécie de “parceria” entre o gongolo e os microrganismos que estão ativamente presentes no solo e em seus resíduos. Após triturarem os materiais necessários, facilitando a decomposição por esses mesmos microrganismos, os gongolos permitem que os resíduos sejam transformados em adubo.

Trata-se de um processo que pode durar de 90 a 120 dias. Vai depender bastante do tipo de material utilizado, bem como da umidade presente no local. Se os gongolos ficarem mais tempo em contato com os resíduos, a qualidade do adubo orgânico gerado será melhor. Inclusive, não é preciso revirar o material durante o processo; isso não impede os gongolos de “trabalharem”.

Principais Benefícios

Como deu pra notar, uma das principais vantagens de se aplicar a gongocompostagem é em relação à qualidade do produto final gerado. Além disso, o húmus do gongolo não necessita ser misturado com nenhum outro material, podendo ser aplicado diretamente para a produção tanto de mudas, quanto em hortas. Algo que não acontece, por exemplo, com o composto produzido por minhocas, onde se recomenda misturar com palha de arroz carbonizado, ou mesmo pó de carvão, com o intuito de melhorar a textura do material.

Existe também a vantagem de que o gongolo é abundante na natureza, podendo ser facilmente encontrado por aí, seja debaixo de folhas, galhos ou troncos. Ou seja, a “oferta” deles é imensa. São cerca de 12 mil espécies diferentes que podem ser encontradas no meio ambiente. Já na compostagem feita por minhocas, o produtor precisa conseguir espécimes específicas para a produção de adubo, como, por exemplo, a vermelha-da-califórnia ou a gigante-africana, o que acaba saindo caro, no final das contas.

Gongocompostagem
Gongocompostagem

Também podemos citar o fato de que os gongolos possuem menos predadores naturais do que as minhocas, que são atacadas por insetos e pássaros a todo o momento. Em suma, ao usar os gongolos, a perda para o produtor é menor, e ele ganha em qualidade. Por sinal, a gongocompostagem reduz os resíduos em até 70%, o que poderia ser bem eficiente para os chamados lixões.

A única questão da qual você precisa ficar atento é que as minhocas são ótimas para triturarem compostos de origem animal, ao passo que os gongolos são especialistas em resíduos vegetais.

Usando os Gongolos na Prática

O local onde esses animais irão ficar é o que chamamos de “gongolário”, e a construção desse espaço é relativamente simples, não exigindo muito esforço.

Um grande recipiente para comportar os gongolos pode ser feito com madeiras, porém, um dos composteiros mais eficazes é feito a partir de uma caixa d’água de concreto. Só que, neste caso, o ideal é usar uma chapa de aço galvanizado em volta da caixa, na parte de dentro, para evitar a saída dos gongolos. Na base da caixa, o recomendado é colocar uma cobertura de sombrite, e abaixo dela, algumas pedras, pois isso irá drenar a água usada para umedecer o material, evitando, assim, que o local fique com excesso de umidade, provocando a morte dos gongolos.

Depois, basta começar a pegar o material que os gongolos irão triturar. Só que não é qualquer coisa que pode ser usada para isso; é preciso que se tenha certo critério. Uma parte desse material deverá, por exemplo, ser rica em nitrogênio, como folhas de leguminosas arbóreas (que são as mais indicadas nesse caso). Como exemplo desses folhas, podemos citar a famosa pata de vaca. Outros materiais usados nesse processo de compostagem podem ser o papelão e as cascas de vagens, bem como palha de grama e capim colonial.

Com os materiais necessários para a realização do processo, a missão agora é “caçar” o gongolo, o que não é, necessariamente, uma tarefa difícil, já que são bichinhos que se encontram em abundância onde há compostos orgânicos espalhados pelo chão.

Lembrando ainda que outros recipientes podem ser usados, porém, se forem com fundo liso, precisarão ter furos para que a água escoe com facilidade.

Últimas Dicas

Quanto mais diversos forem os materiais para os gongolos triturarem, melhor será o resultado, gerando um composto orgânico com uma qualidade superior. Só que fique atento para a proporção: precisa ser 40% de materiais ricos em nitrogênio, 50% de outros resíduos vegetais e 10% de materiais mais lenhosos ou celulósicos, como podas de árvores e papelão.

É necessário também umedecer essa mistura para facilitar o trabalho dos gongolos. Depois disso, mais uma proporção é importante: para cada 500 litros de resíduos, 2 kg de gongolos são suficientes para darem conta do recado. Essa quantidade equivale a, mais ou menos, 3600 gongolos adultos (com comprimento de 5 cm em média).

É bom destacar ainda que a manutenção do “gongolário” precisa ser feita semanalmente, ou, pelo menos, quando você achar que é necessário. E, claro, é importante proteger o “gongolário” em um local que seja coberto, especialmente, por causa da chuva.

Depois de pronto, o gongocomposto deve ser peneirado para ser usado.

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