Quais Animais São Mais Afetados pelas Mudanças Climáticas? 10 Espécies

Os animais mais afetados pelas mudanças climáticas são aqueles que dependem de habitats específicos ou de condições precisas de temperatura para sobreviver e reproduzir. No Brasil, anfíbios, tartarugas-marinhas, mico-leão-dourado e lobo-guará estão entre os mais vulneráveis.

Por que as mudanças climáticas ameaçam os animais?

O aquecimento global altera quatro pilares que os animais precisam para sobreviver:

  • Temperatura: espécies ectotérmicas perdem equilíbrio fisiológico com variações mínimas
  • Disponibilidade de água: secas e enchentes extremas destroem habitats úmidos
  • Fenologia: o sincronismo entre floração, insetos e aves se rompe
  • Habitat: o deslocamento das zonas climáticas força migração ou extinção local

A WWF Brasil estima que até metade das espécies nos habitats naturais mais importantes do mundo pode ser afetada pelas mudanças climáticas.

10 animais mais afetados pelas mudanças climáticas

1. Anfíbios (sapos, rãs e pererecas)

São os vertebrados mais vulneráveis globalmente. A pele altamente permeável absorve calor e toxinas diretamente do ambiente. No Brasil, 189 espécies de anfíbios estão em situação preocupante — e outras 26 possivelmente já se extinguiram desde a década de 1980, segundo pesquisa da Universidade de Brasília. O calor favorece ainda o fungo Batrachochytrium dendrobatidis, que mata anfíbios em massa. Saiba mais sobre as diferenças entre sapos, rãs e pererecas.

2. Tartaruga-marinha

Cinco espécies de tartarugas-marinhas desovam no litoral brasileiro, acompanhadas pelo Projeto TAMAR. O problema: a temperatura da areia determina o sexo dos filhotes. Com o aquecimento, praias mais quentes produzem quase exclusivamente fêmeas — desequilíbrio que ameaça a reprodução da espécie a longo prazo.

3. Corais

O branqueamento ocorre quando a temperatura da água sobe mais de 1°C acima da média histórica por períodos prolongados. Os corais expulsam as algas simbióticas que lhes fornecem cor e energia. O fenômeno já afetou o Arquipélago dos Abrolhos, no sul da Bahia, o maior recife de coral do Atlântico Sul. Veja mais sobre a fauna do oceano em nossa lista de animais marinhos.

4. Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia)

Símbolo da Mata Atlântica, ainda consta como em perigo no ICMBio. As mudanças climáticas agravam a fragmentação do habitat: extremos de temperatura e secas prolongadas reduzem a oferta de frutos de que o animal depende. A espécie já perdeu mais de 90% de sua distribuição original.

5. Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

O maior canídeo das Américas vive no Cerrado — bioma que perdeu mais de 50% de cobertura original. Secas cada vez mais longas e incêndios frequentes reduzem a disponibilidade de presas e o território de forrageio. Veja também felinos ameaçados pelo desmatamento.

6. Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus)

Habita o Pantanal e enfrenta a combinação de tráfico, perda de habitat e incêndios. As queimadas recordes de 2020 e 2024 no Pantanal destruíram ninhos e fontes de alimento. O Projeto Arara-Azul atua na conservação da espécie há mais de três décadas.

7. Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus)

Migra ao litoral sul do Brasil no inverno. O aquecimento do oceano desloca cardumes de anchovas e sardinhas — as principais presas — durante a migração. Filhotes chegam às praias brasileiras desnutridos em número crescente, registrado pelos centros de reabilitação de fauna.

8. Urso-polar (Ursus maritimus)

Depende inteiramente do gelo do Ártico para caçar foca, sua principal presa. Com o derretimento acelerado do gelo marinho, o período de caça diminui e os ursos chegam ao verão abaixo do peso necessário para a reprodução e a sobrevivência do inverno seguinte.

9. Baleia-franca-austral (Eubalaena australis)

Migra ao litoral de Santa Catarina no inverno para reprodução. O aquecimento do Atlântico Sul altera a distribuição do zooplâncton — alimento base da espécie — comprometendo o acúmulo de energia antes da longa migração.

10. Onça-pintada (Panthera onca)

O maior felino das Américas sofre com a combinação de desmatamento e mudanças climáticas. As secas extremas na Amazônia e no Pantanal reduzem a disponibilidade de presas e forçam as onças a se aproximar de áreas habitadas, aumentando conflitos com pecuaristas.

animais afetados pelas mudanças climáticas

Animais ectotérmicos: os mais vulneráveis

Anfíbios, répteis e peixes são ectotérmicos — regulam a temperatura corporal pelo ambiente. Uma mudança de 2°C pode alterar completamente seu metabolismo, digestão, reprodução e imunidade. Por isso, são considerados os indicadores mais sensíveis das mudanças climáticas nos ecossistemas.

Tartarugas e crocodilianos enfrentam ainda a determinação sexual por temperatura: o aquecimento pode distorcer a proporção entre machos e fêmeas ao longo de gerações.

O que é possível fazer?

  • Conservar habitats — áreas preservadas permitem que as espécies migrem conforme o clima muda
  • Reduzir emissões de gases de efeito estufa — ação mais urgente e de maior impacto
  • Apoiar projetos de conservação — como o Projeto TAMAR, Projeto Arara-Azul e o ICMBio
  • Fiscalizar o desmatamento — a perda de habitat soma-se aos efeitos climáticos

Perguntas frequentes

Quais animais do Brasil correm mais risco com as mudanças climáticas?
Anfíbios (189 espécies em situação preocupante), tartarugas-marinhas, corais do Abrolhos, mico-leão-dourado e onça-pintada estão entre os mais vulneráveis no território brasileiro.

Por que os anfíbios são tão sensíveis ao aquecimento global?
Sua pele permeável absorve calor e poluentes diretamente do ambiente. Alterações de temperatura afetam a fisiologia, a reprodução e facilitam a proliferação de fungos patogênicos como o Batrachochytrium dendrobatidis.

As mudanças climáticas afetam só animais de regiões polares?
Não. No Brasil, espécies de cerrado, mata atlântica, amazônia e litoral já sofrem impactos documentados. Secas, incêndios e alteração de chuvas afetam diretamente espécies tropicais.

Como as mudanças climáticas se relacionam com a extinção de espécies?
A mudança climática fragmenta habitats, altera cadeias alimentares e favorece espécies invasoras. Combinada com o desmatamento, acelera extinções que levariam séculos em condições naturais.