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É Verdade que a Orca é um Golfinho? Quais as Suas Diferenças?

Se você foi criança ou jovem nos anos noventa, ou mesmo se gosta de assistir as eternas reprises da Sessão da Tarde, certamente lembra-se da simpática baleia Willy, personagem principal de “Free Willy”, filme que se tornou um verdadeiro clássico.

O que você não sabe é que a simpática baleia não é, na verdade, uma baleia. Trata-se, sim, do maior tipo de golfinho existente, a orca.

A Classificação

Baleias e golfinhos possuem muitas coisas em comum. Pertencem ao mesmo reino (Animalia), ao mesmo filo (Chordata), à mesma classe (Mamalia) e à mesma ordem (Cetacea). Em outras palavras, são animais mamíferos, aquáticos e “monstruosos”. Isso porque “cetáceo” vem do grego “ketos”, que significa “monstro marinho”. Aliás, a palavra “orca” vem do deus da morte para os romanos, Orcus.

As baleias só se afastam dos golfinhos na subordem da classificação zoológica. Baleias pertencem à subordem Mysticeti, enquanto os golfinhos estão na subordem Odontoceti.

Odontoceti não parece como odontologia por acaso. Como você já deve ter imaginado, o termo refere-se à dentição. Enquanto as baleias possuem cerdas bucais, os golfinhos possuem dentes.

Essa diferenciação dá-se pela natureza da alimentação das duas espécies. Enquanto as baleias usam suas cerdas bucais para filtrar o plâncton e pequenos animais marinhos que as alimentam, os golfinhos são, por natureza, caçadores. Predadores muito eficientes.

Nem Sempre Bem Faladas

É justamente pelo fato de serem predadoras, caçadoras, que as orcas nem sempre foram representadas no cinema como animais simpáticos e gentis.

Em 1977 o premiado ator Richard Harris protagonizou uma produção norte-americana chamada “Orca”, que mostrava a vingança de uma orca contra o pescador que matou sua companheira que estava gestante. O filme foi exibido no Brasil como “Orca – A baleia assassina”, mostrando claramente a notória confusão sobre a qual estamos tratando.

Orca Características

Orcas são, de fato, predadores muito eficientes. E como todos os golfinhos, são muito inteligentes e gregárias. Caçam um pouco de tudo: peixes, moluscos, tartarugas, focas e até tubarões. Quando em bandos podem caçar suas primas baleias, muito maiores que elas próprias.

Os Animais Mais Inteligentes?

Em seu divertidíssimo livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias” o escritor britânico Douglas Adams diz que os humanos acreditam que os golfinhos ficam logo atrás dos seres humanos em inteligência. Isso porque, apesar de terem um cérebro muito desenvolvido e um sistema de comunicação que os cientistas acreditam ser muito mais sofisticado que o nosso, os golfinhos nunca construíram grandes cidades ou fizeram armas atômicas, querendo apenas brincar e ser felizes. Segundo Adams, os golfinhos sabem que são mais inteligentes que nós justamente pelos mesmos motivos.

Golfinhos possuem um sistema de orientação muito similar aos sonares, mas muito superior a qualquer equipamento desse tipo que nós conseguimos produzir. Conseguem orientar-se com notável precisão através do eco dos sons altíssimos que emitem. Este sistema permite que cacem na mais completa escuridão, seja durante a noite ou nas profundezas, onde a luz solar não chega com muita intensidade. Essa característica, aliada com a cor negra das orcas, que permite um mimetismo com as águas escuras, torna-as predadores de tempo integral.

Embora ainda não tenhamos compreendido completamente o sistema de comunicação dos golfinhos em geral, estima-se que eles tenham um número de sons (fonemas) muito maior que os que nós humanos utilizamos. Isso, pelo menos em tese, permitiria uma maior riqueza semântica, ou seja, a possibilidade de representar um número muito maior de ideias e significados.

As orcas são facilmente treináveis e, quando em cativeiro, podem aprender truques e comportamentos complexos. E os cientistas acreditam que suas interações sociais sejam também bastante complexas, com a formação de bandos e uniões duradouras.

Grandes, Muito Grandes, mas não Tão Perigosas

Como já foi dito, as orcas são os maiores de todos os golfinhos. Enquanto os golfinhos comuns têm entre dois e quatro metros, as orcas podem atingir entre seis e oito metros, pesando entre seis e oito toneladas, embora haja relatos de machos chegando a dez toneladas.

As fêmeas da espécie costumam ser menores e distinguem-se dos machos pela nadadeira dorsal que é mais curva nas fêmeas e mais triangular nos machos.

Apesar de todo esse tamanho, que as fez ganharem fama de baleias, as orcas praticamente não representam perigo para os seres humanos. Apesar de serem vistas como “baleias assassinas” graças a Hollywood, não são conhecidos casos de ataques a seres humanos em mar aberto.

Ainda assim, não é bom facilitar. Em 2010 a treinadora Dawn Brancheau (40) foi morta pela orca Tilikum após um show em um parque aquático de Orlando, na Flórida. Segundo o relatório da polícia a treinadora foi agarrada pelos cabelos e arrastada para o fundo da piscina, depois que o animal rebelou-se e por diversas vezes lançou-se sobre ela em uma clara tentativa de afogá-la. Não se tem ideia do motivo do ataque que vitimou a experiente treinadora. A orca Tilikum faleceu em 2017, com 36 anos.

Keiko

Apesar de ter ficado conhecida como Willy, a orca que protagonizou o clássico do cinema chamava-se Keiko. Ela faleceu em dezembro de 2003, de pneumonia, após uma série de polêmicas.

Primeiro constatou-se que Keiko vivia em más condições, em um aquário pequeno e de péssima qualidade. Foi então iniciado um projeto para reconduzir o animal à liberdade. Com esse objetivo foram angariados fundos da ordem de vinte milhões de dólares.

O projeto, no entanto, ignorou um fator essencial: Keiko havia sido capturada ainda criança e nunca havia convivido com outras orcas ou sobrevivido em condições naturais.

Mark Simmons, ex-treinador de Keiko, escreveu o livro “Matando Keiko: a verdadeira história do retorno de Free Willy à vida selvagem”. Segundo ele a orca nunca se adaptou completamente ao ambiente natural e procurava constantemente a companhia de humanos, evitando as outras orcas e tornando-se solitária e assustada. Foi um final triste para esse animal que alegrou tantas gerações de crianças.

Embora seja melhor lembrar-se daquele glorioso salto sobre o cais e da libertadora ida para o por do sol, a história de Keiko não deve também ser esquecida, para que outros desses gigantes e gentis golfinhos não tenham um destino similar.

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