Alimentação do Pinguim: O Que Comem e Como Caçam (2026)
A alimentação do pinguim é mais variada do que parece à primeira vista. Apesar de todas as espécies serem carnívoras e dependerem do mar, cada uma combina peixes, krill (um pequeno crustáceo parecido com um camarão) e lulas em proporções diferentes. Este guia explica, em linguagem simples e com dados de fontes oficiais, o que os pinguins comem, quanto comem por dia, como caçam e por que essa dieta hoje preocupa cientistas no mundo todo.
Resposta direta: os pinguins são aves marinhas carnívoras que se alimentam principalmente de peixes pequenos, krill e lulas. A dieta exata muda conforme a espécie e a região: o pinguim-imperador, na Antártida, depende muito do krill antártico; o pinguim-de-Magalhães, que aparece no litoral brasileiro no inverno, prefere anchovas e sardinhas.

Atualizado em abril de 2026 com a nova classificação da IUCN para o pinguim-imperador, dados do Programa Antártico Brasileiro (Proantar) e o canal oficial de resgate da Rede Brasileira de Encalhes de Pinguins (Repin/ICMBio).
O que os pinguins comem?
A alimentação do pinguim tem como base, em praticamente todas as 18 espécies reconhecidas hoje, a mesma matéria-prima: vida marinha pequena que ele consegue capturar nadando. Em ordem de importância, o cardápio é:
- Peixes pequenos — anchovas, sardinhas, peixe-lanterna e o peixe-diabo-antártico (Pleuragramma antarcticum).
- Krill — minicrustáceo que forma cardumes enormes em águas frias, especialmente o krill antártico (Euphausia superba).
- Lulas e polvos pequenos — chamados pelos biólogos de cefalópodes (moluscos com tentáculos ligados à cabeça).
- Outros invertebrados — copépodes, anfípodes e até medusas, em menor quantidade.
Pinguins não bebem água doce no dia a dia. Junto com o alimento, eles engolem água salgada e eliminam o excesso de sal por uma glândula localizada acima dos olhos, comum a várias aves marinhas. Pense nela como um “rim externo” feito sob medida para a vida no mar.
Pinguim é carnívoro?
Sim. Toda espécie de pinguim é classificada como carnívora porque sua dieta vem inteiramente de outros animais — nunca de plantas. Algumas listas escolares falam em “piscívoro” (que come peixe) para os que se alimentam quase só de peixe, mas essa é uma subclassificação dentro do grupo carnívoro.
Não existem pinguins onívoros nem herbívoros. Mesmo as espécies que pegam mais krill ou plâncton continuam comendo só seres vivos do reino animal — só que muito pequenos.
Alimentação do pinguim: quanto come por dia
O consumo diário muda com o tamanho da ave, a temperatura do mar e a fase da vida (período de muda, reprodução ou criação de filhotes exige mais energia). Em média:
- Espécies pequenas, como o pinguim-azul (cerca de 1 kg), comem em torno de 250 g de alimento por dia.
- Espécies médias, como o pinguim-de-Magalhães, podem ingerir entre 0,5 e 1 kg de peixe e crustáceos por dia.
- O pinguim-imperador, o maior de todos (até 1,2 m e 40 kg), pode passar de 2 kg de comida em dias de pesca intensa.
Em sessões de mergulho produtivas, um pinguim adulto consegue capturar mais de 240 krills e algumas dezenas de peixes pequenos em cerca de uma hora e meia, segundo registros publicados pela National Geographic.
A dieta varia bastante de espécie para espécie
Embora a base da alimentação do pinguim seja semelhante em todas as espécies, cada uma tem preferências marcantes ligadas à região onde vive. Veja um resumo das cinco mais conhecidas:
| Espécie | Onde vive | Dieta principal |
|---|---|---|
| Pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri) | Antártida continental | Krill antártico, peixe-diabo-antártico, lulas |
| Pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus) | Ilhas subantárticas | Peixes pelágicos (peixe-lanterna), lulas |
| Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) | Sul da Argentina, Chile e Malvinas; aparece no Brasil no inverno | Anchovas, sardinhas, lulas, krill |
| Pinguim-de-Adélia (Pygoscelis adeliae) | Costa antártica | Krill antártico, peixes pequenos, anfípodes |
| Pinguim-de-Galápagos (Spheniscus mendiculus) | Ilhas Galápagos (Equador) | Peixes tropicais pequenos (sardinha, anchoveta) |
Quem quiser entender por que algumas espécies vivem em regiões tão diferentes pode conferir nosso guia sobre as espécies de pinguins da Antártida e o panorama dos animais que vivem na Antártida.
Como os pinguins caçam
Os pinguins não voam no ar, mas “voam” debaixo d’água. As asas viraram nadadeiras curtas e rígidas, e os ossos são densos (não ocos como em aves voadoras), o que ajuda a afundar. Tudo isso é otimizado para perseguir presas.
Um pinguim médio nada entre 6 e 12 km/h. Em fugas rápidas, o pinguim-de-Adélia pode passar dos 30 km/h. Já o pinguim-imperador é o campeão de mergulho: registros confirmados pelo Programa Antártico Brasileiro e por estudos internacionais mostram mergulhos de até 500 metros de profundidade, com fôlego acima de 20 minutos. É como descer um prédio de 150 andares prendendo a respiração.
Toda essa engenharia explica por que a alimentação do pinguim é eficiente mesmo em águas profundas. Para capturar krill e peixes pequenos, eles usam o bico em formato de pinça e a língua áspera, coberta de “espinhos” voltados para trás que impedem a presa de escapar. Boa parte da caça acontece em grupo, o que aumenta a chance de encurralar cardumes.
Quanto tempo o pinguim fica sem comer
Em condições normais, um pinguim adulto pode passar um ou dois dias sem se alimentar sem grandes problemas — a camada de gordura sob a pele funciona como uma “despensa”. Mas algumas espécies fazem jejuns muito mais longos por causa da reprodução.
O caso mais extremo é o do pinguim-imperador. Durante o inverno antártico, o macho fica em pé sobre os próprios pés, com o ovo apoiado em uma dobra de pele, encarando temperaturas próximas de -40 °C e ventos fortes. Ele permanece assim por cerca de 65 dias seguidos sem comer, vivendo só da gordura acumulada antes do início da reprodução, até a fêmea voltar do mar com alimento.
Esse é, provavelmente, o jejum voluntário mais longo entre as aves do planeta. Para entender as adaptações que tornam isso possível, vale ler também sobre como os pinguins vivem no gelo e resistem ao frio.
Como os pinguins alimentam os filhotes
Logo depois que o filhote nasce, os pais saem para o mar, comem o quanto conseguem e voltam ao ninho. A comida é regurgitada — ou seja, devolvida pela boca já meio digerida — direto no bico do filhote. Esse “papinha” é rico em proteína e gordura, o que faz o filhote crescer rápido.
Nas primeiras semanas, em quase todas as espécies, os dois pais se revezam: enquanto um aquece o filhote, o outro pesca. Isso é diferente da imagem popular de que “só o pai cuida”: o macho dominante na incubação é uma característica do pinguim-imperador, não uma regra geral. Em todas as espécies, porém, a alimentação do pinguim filhote depende inteiramente do que os adultos trazem do mar.

Krill, mudanças climáticas e o alerta de 2026
O krill antártico é a base alimentar de várias espécies de pinguim e também de baleias e focas. Acontece que ele depende do gelo marinho — sob esse gelo crescem as algas que o krill come. Conforme o oceano esquenta e o gelo diminui, o krill também recua.
Em 2026, a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) atualizou sua Lista Vermelha e elevou o pinguim-imperador da categoria “quase ameaçado” para “em perigo”. A mudança está diretamente ligada à perda de gelo marinho na Antártida, que afeta tanto a reprodução quanto a oferta de alimento. Modelos científicos estimam queda de até 50% da população até a década de 2080 se o aquecimento seguir no ritmo atual. Em outras palavras, a alimentação do pinguim hoje é também um termômetro do clima global.
Para o leitor que quer ir mais fundo no tema, vale conferir quais animais são mais afetados pelas mudanças climáticas.
Pinguim na praia do Brasil: o que fazer
De junho a setembro, é comum aparecerem pinguins-de-Magalhães encalhados no litoral do Sul e Sudeste do Brasil — geralmente jovens que se afastaram do bando seguindo cardumes ou foram arrastados por correntes. Quase sempre estão cansados, com fome e enroscados em fios ou óleo.
O ICMBio coordena a Rede Brasileira de Encalhes de Pinguins (Repin), ligada ao Cemave/ICMBio, justamente para atender esses casos. Se você encontrar um pinguim na praia, siga este passo a passo:
- Mantenha distância de pelo menos 5 metros e segure cães longe do animal.
- Não jogue água, não dê comida e não tente devolvê-lo ao mar — todos esses gestos costumam matar.
- Cubra-o com uma toalha ou improvise sombra com uma caixa de papelão furada para entrar ar.
- Acione o serviço oficial pelo telefone gratuito da rede de resgate marinho: 0800 079 3434, ou procure imediatamente o posto do Corpo de Bombeiros mais próximo.
Mais detalhes sobre essa espécie estão no nosso artigo dedicado ao pinguim-de-Magalhães. Para conhecer os principais predadores naturais que enfrentam no mar, vale a leitura sobre foca-leopardo vs. orca, os dois maiores caçadores de pinguim adulto.
Ficha científica do pinguim
- Reino: Animalia
- Filo: Chordata
- Classe: Aves
- Ordem: Sphenisciformes
- Família: Spheniscidae
- Espécies reconhecidas: 18 (varia entre 17 e 20 conforme o autor)
- Distribuição: Hemisfério Sul, do Equador (Galápagos) até a Antártida
Observação: o post anterior listava a ordem como “Ciconiiformes”, o que estava incorreto. A ordem correta dos pinguins é Sphenisciformes, conforme o consenso taxonômico atual e a classificação adotada pela WikiAves e pela IUCN.
Perguntas frequentes sobre a alimentação do pinguim
Pinguim é mamífero?
Não. Pinguins são aves — botam ovos, têm penas e bico. A confusão acontece porque eles não voam e parecem peludos, mas o que cobre o corpo é uma pelagem densa de penas curtas. Saiba mais em pinguim é mamífero ou ave?
Pinguins bebem água do mar?
Sim. Eles têm uma glândula acima dos olhos que filtra o sal e o elimina pelo bico, em forma de gotinhas concentradas. Por isso conseguem viver longe de água doce.
Quantas espécies de pinguins existem?
O número mais aceito hoje é 18, divididas em 6 gêneros. Algumas classificações chegam a 17 ou 20, dependendo de como tratam subespécies do pinguim-azul e do pinguim-de-rockhopper.
Pinguins comem outros pinguins?
Não. Não há registros consistentes de canibalismo entre pinguins adultos saudáveis. Em colônias muito grandes, ovos abandonados podem ser comidos por aves rapinantes, como skuas, mas não por outros pinguins.
Pinguins comem em terra?
Praticamente não. Toda a alimentação é capturada no mar. Em terra, os adultos só regurgitam comida para os filhotes — não há caça nem ingestão de plantas ou insetos.
Quanto tempo um pinguim consegue ficar sem comer?
De 1 a 2 dias em situação normal. O macho do pinguim-imperador é o caso extremo: chega a passar cerca de 65 dias sem se alimentar enquanto choca o ovo durante o inverno antártico.
Fontes consultadas
- ICMBio — Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (coordena a Repin)
- Programa Antártico Brasileiro (Proantar) — Marinha do Brasil/CIRM
- IUCN Red List of Threatened Species
