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Tudo Sobre o Arminho: Características, Nome Científico e Fotos

O arminho (nome científico Mustela erminea) é um pequeno mamífero pertencente ao mesmo gênero taxonômico das doninhas (Mustela spp.). Possui 37 subespécies distribuídas na América do Norte, Ásia e Europa, em hábitats como florestas temperadas, árticas e sub-árticas. A expectativa de vida é estimada entre 7 a 10 anos, embora alguns indivíduos consigam atingir os 14 anos de idade.

Na Idade Média, a pele do animal era considerada bastante valiosa para confecção de casacos de pele a serem usados durante o inverno, a partir de seus pêlos. A pele do arminho também era aproveitada e utilizada em itens como golas ou bordaduras de casacos ou mantos. Mantos de arminho eram símbolo de realeza na França. A União Soviética chegou a responder por até metade das capturas de arminho em todo mundo, visto que mantinha o comércio de peles bastante ativo, no entanto, tal colheita nunca foi uma especialidade desta nação, a qual capturava a maioria dos arminhos de forma acidental nas proximidades das aldeias.

Alguns povos indígenas da América do Norte, mais precisamente da costa noroeste do Pacífico, entre eles os Tlingit, também valorizavam em demasia a pele deste mamífero. Era um hábito comum transformar a pele em camisas ou prendê-la a chapéus com casca de cedro, de modo a simbolizar status.

Esta espécie possui ampla distribuição, logo é classificada como de pouca preocupação para extinção, de acordo com a IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais). Uma curiosidade é que a denominação “arminho” provém de Armênia. Na Irlanda, o arminho é chamado pelo nome de seu parente taxonômico “doninha”, ao passo que na América do Norte, pode ser chamado de “doninha de cauda curta”, termo que pode gerar confusão entre as espécies.

Neste artigo, você conhecerá outras características referentes ao mamífero.

Então continue conosco e boa leitura.

Tudo Sobre o Arminho: Classificação Taxonômica

A classificação científica para o arminho obedece à seguinte estruturação:

Reino: Animalia;

Filo: Chordata;

Classe: Mammalia;

Ordem: Carnivora;

Família: Mustelidae;

Gênero: Mustela;

Espécie: Mustela erminea.

Mustela Erminea

Tudo Sobre o Arminho: Classe dos Mamíferos

A classe Mammalia constitui a classificação superior na qual está inserido o arminho. Ao todo, são 5.416 espécies (incluindo os seres humanos), as quais estão agrupadas em 1.200 gêneros, 152 famílias e 46 ordens. Acredita-se que os primeiros representantes da classe teriam surgido no período Jurássico, durante a era dos dinossauros.

Mesmo com a incrível diversidade de espécies e enorme diferenciação entre elas, principalmente entre ordens e famílias distintas, existem determinadas características pontuais consideradas como padrão. Todos os mamíferos possuem glândulas mamárias, presença de pêlos, diafragma muscular, nariz ou focinho, pulmões com alvéolos, órgão vocal na laringe, derivações intertegumentárias (na forma de unhas, cascos, garras, chifres, espinhos, placas dérmicas…), dentes bem estruturado (com variação no formato e função), sistema circulatório completo (no caso, coração com 4 câmaras e arco aórtico esquerdo), crânio crescendo ao redor de todo o encéfalo (e fechando completamente a calota craniana), mandíbula formada por um único osso, músculos de expressão facial, entre outras particularidades da classe.

Mesmo com o quantitativo de 5.416 espécies, os mamíferos estão longe de representar a classe mais abundante do planeta. Os crustáceos e insetos, por exemplo, possuem quantitativo exorbitante de 10.000.000 de espécies. Na classe do moluscos, estão distribuídos 100.000 representantes. Peixes e aves correspondem aos quantitativos de 35.000 e 9.600 espécies, respectivamente.

O tamanho das espécies possui uma enorme variedade entre si. O maior mamífero de todos, por exemplo, é um animal marinho: a baleia-azul (nome científico Balaenoptera musculus), com seus incríveis 30 metros de comprimento e peso de até 190 toneladas. Em compensação, também existem mamíferos pequeniníssimos, como é o caso do morcego nariz de porco de kitti (nome científico Craseonycteris thonglogyai), com comprimento de 3 a 4 centímetros e peso de apenas 2 gramas.

A distribuição dos mamíferos no planeta envolve praticamente todas as áreas, incluindo a Antártida. O curioso é que os mamíferos marinhos podem ser encontrados em profundidades de até 3.000 metros, ao passo que mamíferos terrestres estão presentes ao nível do mar, em elevações de até 6.500 metros. Também é importante considerar a existência dos mamíferos subterrâneos e escavadores, assim como os mamíferos presentes nos céus pelo voo (como é o caso dos morcegos).

Quase todos os mamíferos possuem 7 vértebras cervicais, existindo espécies com 9.  As duas primeiras vértebras cervicais contam com um complexo atlas-áxis especializado.

A ordem dos carnívoros, mais precisamente é aquela na qual os arminhos estão inseridos. Os representantes desta ordem caracterizam-se pela presença de 4 ou 5 dedos nos pés nas patas, garras e dentes adaptados para cortar. Os dentes caninos costumam ser pontiagudos, fortes e cônicos. O mustelídeo doninha (nome científico Mustela nivalis) é considerado o menor carnívoros de todos, uma vez que possui o peso de 25 gramas e aproximadamente 11 centímetros de comprimento; ao passo que o maior carnívoro é o elefante-marinho-do-sul (nome científico Mirounga leonina), com comprimento de até 6,7 metros; e peso de até 5.000 quilos. O cão foi o primeiro carnívoro a ser domesticada, sendo que tal processo iniciou-se a 10 ou 12.000 anos atrás e hoje já é possível encontrar mais de 400 raças, em razão da criação de forma seletiva para executar uma variedade de tarefas.

Tudo Sobre o Arminho: Família Taxonômica Mustelidae

Os mustelídeos possuem como características em comum a alimentação carnívora, as garras afiadas (não-retráteis) e o corpo alongado. Algumas espécies são consideradas caçadores ativos, enquanto outras recebem a classificação de carniceiros. Não há espécies herbívoras. A família conta com um quantitativo de 55 espécies.

Características corporais em comum incluem as pernas curta, o corpo alongado, assim como a pelagem brilhante e abundante (a qual assume tons marrons para a maioria dos casos). O nariz alongado também é uma marca registrada, assim como as orelhas pequenas e arredondadas.

Os mustelídeos possuem glândulas odoríferas utilizadas tanto para se comunicar uns com os outros, quanto para afastar ameaças. Estão presentes em praticamente todos os continentes do mundo, com exceção da Austrália e Antártida. Da mesma forma, estão distribuídos por uma grande variedade de ecossistemas, uma vez que algumas espécies são adaptadas para a vida na floresta, enquanto outras são adaptadas à neve ou até mesmo a ambientes aquáticos; existindo ainda aquelas que podem ser encontradas à margem de rios ou oceanos.

Pteronura Brasiliensis

O furão é sem dúvida o mustelídeo mais famoso, uma vez que se adaptou à condição de animal de estimação.

Embora não seja do mesmo gênero taxonômico do arminho, o texugo também é um mustelídeo bastante conhecido. Não corresponde a uma única espécie, mas está distribuído em 6 gêneros e 3 subfamílias (as quais dizem respeito principalmente à localização geográfica). Os texugos considerados típicos são caracterizados pelo corpo ligeiramente robusto, assim como pelas pernas curtas.

O maior mustelídeo terrestre é o glutão (nome científico Gulo gulo), o qual pode pesar até 30 quilos e medir entre 70 a 110 centímetros de comprimento, sendo que a cauda corresponde a mais 20 centímetros adicionais. Sua aparência física, no entanto, lembra mais um urso do que um mustelídeo, todavia, alguns detalhes anatômicos (quando olhados mais atentamente) possibilitam que o mesmo seja reconhecido como um mustelídeo. Essa espécie tem o hábito de atacar animais presos em armadilhas e também é conhecida pela prática de roubar presas de matilhas de lobos, e até mesmo ursos pardos e polares. Algumas literaturas podem considerar o glutão como um animal onívoro. Sua distribuição geográfica envolve o Hemisfério Norte (mais precisamente as zonas frias do Alaska, Canadá, Sibéria e Escandinávia). O animal é o símbolo oficial do estado norte-americano de Michigan.

Existem mustelídeos que dependem quase que exclusivamente dos ambientes aquáticos e mistos, como é o caso das lontras (subfamília Lutrinae), as quais estão distribuídas em 7 gêneros e 13 espécies. As lontras são encontradas em quase toda a Ásia e Europa, assim como no Norte da África, sul da América do Norte e em alguns países da América Latina (dentre os quais, Brasil e Argentina). A pelagem é formada por duas camadas, uma externa impermeável e outra interna utilizada para isolamento térmico. O corpo é hidrodinâmico e projetado para nadar em grandes velocidades. Os dedos são unidos por membranas interdigitais. Possui a média de comprimento entre 55 a 120 centímetros, porém existe uma espécie em particular chamada de lontra gigante (nome científico Pteronura brasiliensis), a qual é considerada o maior mustelídeo de todos (ultrapassando até mesmo o glutão), uma vez que pode alcançar até 2 metros de comprimento, chegando a pesar quase 40 quilos.

Tudo Sobre o Arminho: Gênero Taxonômico Mustela

O gênero Mustela é formado por 17 espécies, dentre elas as doninhas, o arminho e o furão. Estas espécies compartilham a característica de serem predadores que se alimentam de outros mamíferos, no caso, menores (geralmente roedores). Todavia, quando há escassez na oferta de alimentos, estes podem atacar até mesmo animais domésticos ou animais criados em cativeiro.

A doninha-amazônica (nome científico Mustela africana), por exemplo, é frequentemente mencionada pelo nome de furão. Possui comprimento corporal compreendido entre 40 a 51 centímetros, e costuma ser maior do que as demais espécies de doninha sul-americana. Convém lembrar que é endêmica no Norte do Brasil, assim como nos países do Peru e Equador. O corpo é em formato fusiforme. A pelagem possui coloração castanha (às vezes levemente avermelhado) em tom uniforme no dorso, lateral e posterior dos membros; já o ventre é de cor bege amarelado. Como é um animal semiaquático, apresenta membranas interdigitais entre os dedos das patas.

Mustela africana

No caso da doninha das montanhas (nome científico Mustela altaica), a distribuição geográfica envolve as regiões montanhosas da Ásia. O comprimento corporal está compreendido entre 22 a 28 centímetros, com adicional de 10 a 15 centímetros para a cauda. A pelagem assume cloração castanho-claro no inverno, sendo substituído por tons mais escuros (no caso, na escala de cinza) no inverno.

Mustela altaica

O visão-europeu (nome científico Mustela lutreola) também pode ser chamado de doninha europeia e é encontrado em algumas regiões da França, Romênia, Espanha, Estônia, Ucrânia e Rússia. É uma espécie considerada em perigo crítico de extinção.

Mustela lutreola

O visão-americano (nome científico Neovison vison) é encontrado no Canadá, Alasca e parte dos Estados Unidos. Possui corpo longo e esguio com pelagem grossa de cor castanho-escura, sendo que, abaixo do queixo há uma madeixa branca. As pernas são curtas e possuem membranas parciais, as quais favorecem o nado. Algumas pessoas dedicam-se à criação da forma doméstica da espécie, bastante apreciada pelas suas peles lustrosas, as quais, através de manipulação genética, podem chegar à uma ampla variedade de cores do preto ao branco. Na natureza, seu hábitat são as zonas florestais  e campos próximos a riachos e lagos.

Neovison vison

O visão-marinho (nome científico Neovison macrodon) está extinto desde o ano 1870, sendo que o último exemplar foi encontrado no ano de 1894.

Neovison macrodon

A doninha-de-patas-pretas (nome científico Mustela nigripes) é uma espécie nativa da porção central da América do Norte, e também pode ser conhecida pelo nome furão-do-pé-preto. Está classificada em perigo crítico de extinção de acordo com a IUCN (União Internacional para Conservação da natureza e dos Recursos Naturais).

Mustela nigripes

A doninha-anã (nome científico Mustela nivalis) é uma espécie com apenas 23 centímetros de comprimento, sendo considerada o menor carnívoro vivo. Possui patas curtas, corpo alongado e ágil, assim como grande capacidade de penetrar na toca dos roedores. Sua dieta é basicamente formada por roedores, coelhos e outros mamíferos de pequeno porte. Pode ser encontrada na Europa, Ásia e América do Norte (embora alguns exemplares também já tenham sido encontrados ao Norte da África). Assim como os arminhos, é capaz de trocar a sua pelagem em condições de clima frio.

Mustela nivalis

O furão (nome científico Mustela putoris furo), na realidade é uma subespécie do mamífero conhecido como tourão ou toirão (nome científico Mustela putoris). Espécie cuja distribuição geográfica envolve parte da Europa, Ásia Ocidental e o Norte da África.

Mustela putoris furo

A doninha siberiana (nome científico Mustela sibirica) mede entre 25 a 40 centímetros de comprimento, com extensão adicional entre 12 a 20 centímetros de cauda. Na natureza, possui expectativa de vida estimada entre 2 a 5 anos. Sua distribuição geográfica envolve grande parte da Rússia, estendendo-se até o Tibet.

Mustela sibirica

Tudo Sobre o Arminho: Características, Nome Científico e Fotos

O arminho (nome científico Mustela erminea) é considerado um dos menores carnívoros do planeta. Os machos medem aproximadamente 33 centímetros de comprimento e pesam quase 120 gramas. As fêmeas possuem quase a metade do tamanho dos machos, sendo o dimorfismo sexual bastante pronunciado.

Em quesitos como as proporções corporais, movimento e postura, os arminhos são incrivelmente semelhantes às doninhas, embora haja uma grande diferença em relação ao comprimento da cauda. O crânio dos arminhos também é bastante semelhante ao das doninhas, com a peculiaridade de ser um pouco mais longo e contar com uma caixa cerebral mais estreita.

O formato do corpo é longilíneo, contando com algumas patas curtas. O pescoço é longo, e a cabeça, pequena e triangular, posicionada logo à frente dos ombros. As orelhas são curtas e de formato arredondado, e dispõem-se de modo ‘achatado’ contra o crânio. Os crânios e dentes são projetados levemente. Os olhos se projetam também e estes são redondos e de coloração preta.

Possui bigodes bem longos nas cores marrom e branca. A cauda pode atingir até mesmo 40% do comprimento corporal. Cada pé apresenta 5 dedos. Este animal também detém 4 pares de mamilos, os quais estão visíveis apenas nas fêmeas. A gordura corporal fica distribuída ou é depositada (conforme variações entre literaturas) ao longo da coluna vertebral e dos rins; os locais secundários para a sua deposição são os mesentérios intestinais, sobre os membros e ao redor dos ombros.

As glândulas anais responsáveis pela liberação de odor são maiores nos machos do que nas fêmeas. Uma curiosidade relevante é que também é possível encontrar essas glândulas de odor em áreas como os flancos, barriga e bochecha, no entanto, a secreção liberada por essas glândulas é quimicamente diferenciada, detendo uma menor concentração de substâncias voláteis.

Os machos possuem o báculo (osso do pênis) curvado, com um botão proximal cujo peso aumenta à medida em que o animal envelhece.

A pelagem corporal varia de acordo com a estação do ano. No Verão e na Primavera, por exemplo, os pêlos do dorso são de tom castanho chocolate, ao passo que na barriga, a coloração é branco-amarelada. Já no Inverno e Outono, é comum que os pêlos fiquem mais grossos, e até mesmo completamente brancos. Uma curiosidade dentre deste tópico é que a pelagem da ponta da cauda nunca muda de coloração, permanecendo sempre preta.

Tudo Sobre o Arminho: Comportamento

É um animal carnívoro que prefere caçar sozinho, durante a noite ou durante o crepúsculo. Costuma matar as presas com uma dentada no pescoço. É comum que durante a caça se mova em ziguezague. Ao todo, em uma única noite, é capaz de percorrer até 15 quilômetros. Além disso, possuem exímia habilidade para nadar e subir em árvores, assim como para perseguir presas no interior das tocas (em razão do seu diminuto tamanho). Como possui um metabolismo rápido, pode comer várias vezes ao dia. Um hábito comum e até mesmo curioso é guardar os restos das refeições em tocas ou buracos de árvores, de modo a consumi-los mais tarde.

A dieta é composta principalmente por roedores, insetos, aves pequenas e anfíbios. Eventualmente, peixes e crustáceos podem ser inclusos (no caso, quando as refeições favoritas não estão disponíveis). Mas o cardápio favorito sem dúvida são os roedores, tal como camundongos. Pássaros, peixes e mussaranhos (animais semelhantes à toupeiras) desempenham importância secundária como fonte alimentar. Na Grã-Betanha, os coelhos também são facilmente atacados por arminhos, sendo que os machos atacam com maior frequência. Na Irlanda, os musaranhos e ratos podem ser considerados os alvos mais comuns. Na Europa Continental, as ratazanas de água são os alvos.

O arminho é um exímio predador de pequenos mamíferos. Este fato chamou a atenção de muitos nobres na Idade Média, que sugeriram que o animal fosse utilizado para auxiliar no controle da população de coelhos, na Nova Zelândia (os quais estavam destruindo as plantações e o ecossistema). Idéia que, infelizmente foi malsucedida, já que o arminho começou a atacar o ninho de algumas aves nativas.

Muitos consideram o arminho como um predador oportunista, uma vez que se move rapidamente para checar tocas ou fendas à procura de comida, no caso, de possíveis presas. As fêmeas costumam ter maior sucesso na procura de roedores no interior dos túneis, uma vez que são menores do que os machos. Muitas vezes, o arminho pode escalar árvores para procurar ninhos de pássaros. Presas grandes, tal como os coelhos, são imobilizadas através de uma mordida na coluna vertebral, mais precisamente na parte de trás do pescoço. Presas pequenas costumam morrer instantaneamente através de uma mordida na parte de trás do pescoço. A morte das presas grandes não é instantânea e tem como causa o choque hipovolêmico, em razão da grande perda de sangue.

Em relação aos fatores reprodutivos, a época de acasalamento é uma vez ao ano, geralmente no final da Primavera e comecinho do Verão (no Hemisfério Norte, este período corresponde de Abril a Junho), podendo ocorrer vários acasalamentos neste período. No mês de Dezembro ocorre a espermatogênese, e os machos são considerados férteis de Maio a Agosto, no caso, após seus testículos regredirem. A cópula pode dura até 1 hora.

A gestação dura 9 meses. Após nascidos, os filhotes são colocados em ninhos construídos em buracos de árvores ou tocas. Cada gestação dá origem à média de 4 a 9 filhotes, os quais nascem cegos, surdos, sem dentes e revestidos por uma camada branca e rosada.

Uma característica bem peculiar em relação à gestação, é que em alguns casos, como os invernos severos, as fêmeas podem reabsorver os embriões, sendo possível encontrar situações nas quais toda ninhada é absorvida.

Os dentes de leite aparecem 3 semanas após o nascimento, sendo que o consumo de alimentos sólidos ocorre após 4 semanas. Com 5 a 6 semanas, os olhos se abrem, sendo que uma semana depois, a ponta da cauda já fica preta. O término da lactação ocorre após 12 semanas. As fêmeas alcançam a maturidade sexual entre 2 a 3 semanas, mesmo ainda sendo cegas, surdas e sem pêlos. No caso dos machos, a maturidade sexual é alcançada entre 10 a 11 meses.

Em relação à comunicação, os arminhos são considerados bastante silenciosos, todavia, pode emitir uma variedade de sons, alguns semelhantes aos emitidos pela doninha. Antes do acasalamento, os adultos costumam vibrar com entusiasmo, assim como emitir gemidos, guinchos e até mesmo trinados silenciosos como indicação de submissão. Quando esses animais estão nervosos costumam assobiar, e intercalar esse som com latidos ou gritos agudos, e às vezes, até mesmo guinchos prolongados (quando está agressivo).

Padrões de comportamento agressivo podem ser manifestados de muitas maneiras, em algumas delas apenas exibindo-se em tom de ameaça a outro indivíduo. Por vezes, pode ocorrer emissão de gritos e impulso para frente; ou até mesmo ocupação do ninho do indivíduo considerado oponente.

O arminho é bastante territorialista. Sua dinâmica estabelece territórios masculinos abrangendo territórios femininos de tamanho menor, os quais o arminho defende contra a invasão de outros machos. Não é possível definir o tamanho deste território, nem mesmo o comportamento de seus ocupantes, uma vez que estes fatores variam sazonalmente, e dependem de elementos como a quantidade de parceiros e a oferta de alimentos. Todavia, a informação que se tem disponível é que os machos mais velhos, considerados dominantes, possuem território 50 vezes maior do que os machos mais novos.

Machos e fêmeas marcam o território com fezes, urina e até mesmo arranhões provocados pelo ânus.

Os arminhos não cavam as próprias tocas, mas utilizam as tocas ou câmaras de roedores aos quais mata. Neste contexto, o mais curioso é que, após alimentarem-se da carne do roedores, aproveitam também a pele e as presas destes para revestir as paredes do ninho. Este ninho nem sempre está posicionado em um lugar favorável, podendo estar presente em troncos empilhados. Por vezes, o arminho também pode não habitar um tronco já construído, mas estabelecer-se em tocos velhos e podres, no matagal, palheiro, pântano, pilhas de rochas ou rachaduras de prédio.

Tudo Sobre o Arminho: Evolução e Ancestralidade

A espécie Mustela palermineo é considerada o ancestral direto do arminho atual. Tal ancestral esteve presente durante o Pleistoceno Médio na Europa Oriental e Ocidental, tendo se espalhado para a América do Norte posteriormente.

A espécie atual teria se estabelecido em um processo de 5 a 7 milhões de anos atrás, período no qual as florestas do Norte foram substituídas por pastagens abertas. A espécie ancestral era maior, porém foi diminuindo de tamanho em razão da necessidade de exploração de novas fontes de alimento.

Mustela Espécies

Na Eurásia, o arminho surgiu logo após o aparecimento da doninha de cauda longa na América do Norte. O arminho, aliás, se deu muito bem durante o período inóspito conhecido como Era do Gelo, uma vez que seu corpo esguio e tamanho reduzido proporcionaram melhor locomoção sob a neve. As espécies arminho e doninha de cauda longa se encontraram após a queda do nível do mar e exposição da ponte intercontinental conhecida como estreito de Bering, a aproximadamente 500.000 anos atrás.

Tudo Sobre o Arminho: Subespécies

Dentre as subespécies, estão presentes o conhecido arbusto do norte (nome científico Mustela erminea erminea), encontrado na Península de Kola (extremo noroeste da Rússia), assim como na Escandinávia. Esta subespécie possui área facial curta e ampla, e porte físico compreendido entre pequeno a médio.

Mustela erminea erminea

Na Europa Central e Ocidental, incluindo a porção europeia da Rússia (com exceção da província de Kola), a subespécie arminho russo médio (nome científico Mustela erminia aestiva) pode ser encontrada. Seu tamanho é médio e os pêlos em tom escuro, nas cores castanho ou marrom.

Mustela erminia aestiva

A subespécie arminho Tobolsk nome científico Mustela erminea tobolica) possui pêlos longos e densos e distribuição geográfica na Sibéria Ocidental (mais precisamente a leste das montanhas Yenisei e Altai), assim como no Cazaquistão.

Mustela erminea tobolica

O arminho tundra (nome científico Mustela erminea arctica) é subespécie encontrada no arquipélago do Ártico (com exceção da Ilha Baffin), noroeste do Canadá e Alasca. Possui uma pelagem característica descrita como casaco de verão marrom-amarelado escuro, assim como um ventre em cor amarelo intenso e um crânio muito grande.

Mustela erminea arctica

A subespécie arenito caucasiano (nome científico Mustela erminea teberdina) é encontra na costa norte da parte do meio da principal cordilheira de Cáucaso. Seu ‘casaco de verão’ possui coloração vermelho-amarelada. O Cáucaso é uma área situada entre o Mar Negro e o Mar Cáspio; e envolve os países Geórgia, Rússia, Armênia e Azerbaijão.

Mustela erminea teberdina

O arminho da Sibéria Oriental (nome científico Mustela erminea kaneii) possui algumas semelhanças em relação ao arminho tundra, porém o seu ‘casaco de verão’ é um pouco mais claro, com variações de tonalidades amareladas. No Japão, a subespécie também pode ser conhecida pelo nome de arminho Enzo. Sua distribuição geográfica inclui a Sibéria Oriental e Extremo Oriente Russo.

Mustela erminea kaneii

Talvez a subespécie com o nome mais curioso de todos seja a estatueta de Bonaparte (nome científico Mustela erminea cigognanii), a qual pode ser encontrada nas porções leste e norte dos grandes lagos (área na fronteira do Canadá com os Estados Unidos, que possui um conjunto de lagos de água doce conectados entre si). As características físicas envolvem casaco de verão na cor marrom-escuro.

Mustela erminea cigognanii

A subespécie arminho fergana (nome científico Mustela erminea ferghanae) está presente no Afeganistão, Índia, Oeste do Tibete; assim como nos sistemas montanhos de Tien Chan (na China) e Pamir-Alaisk (Uzbequistão, Quirguistão e Tajiquistão). Possui pelagem bastante clara, curta e macia, com tonalidade cinza ou marrom-castanho.

Mustela erminea ferghanae

Na Irlanda e ilha de Man (pequena ilha no mar da Irlanda considerada dependência autônoma da coroa britânica), está presente o arminho irlandês (nome científico Mustela erminea hibérnica), o qual possui uma divisória de pêlos escuros e pálidos nas áreas dos flancos.

Mustela erminea hibérnica

No Canadá, mais precisamente nas áreas de Terra Nova e Labrador, é possível encontrar a subespécie arminho de Richardson (nome científico Mustela erminea richardsonii), o qual conta com um casaco de verão com tonalidade entre chocolate a marrom opaco.

Mustela erminea richardsonii

Tudo Sobre o Arminho: Parasitas e Doenças Comuns

Ocorrência de tuberculose foi verificada em muitos indivíduos mantidos em cativeiro na Nova Zelândia e antiga União Soviética. Esses mesmos indivíduos são naturalmente suscetível ao quadro viral de cinomose canina (a qual também pode resultar em infecções bacterianas secundárias). Todavia, nestes mesmos indivíduos foi observada resistência à Tularemia ou febre do coelho (doença infecciosa bacteriana).

Em relação aos ectoparasitas, há suscetibilidade ao piolho Trichodectes erminea (de acordo com o que foi observado no Canadá, Nova Zelândia e Irlanda). No entanto, a suscetibilidade também se estende para pulgas e carrapatos. Na Europa Continental, por exemplo, foram registradas 26 pulgas capazes de infectar os arminhos. Em relação aos ácaros, as espécies são Eulaelaps stabulans, Listrophorus mustelae, Hypoaspis nidicorva, Demodex erminae e Neotrombicula autumnalis; e estas são conhecidas por infestar as fezes do mamífero.

Os nematoides também são ectoparasitas relevantes. Entre as espécies famosas estão o Mesocestoides lineatus, Taenia tenuicollis, Molineus patens, Strongyloides martes, Capillari putorii e Skrjabingylus nasicola. Esta última espécie em particular são capazes de corroer os ossos nasais dos arminhos, assim como reduzir a taxas de fertilidade.

Tudo Sobre o Arminho: Representatividade Cultural

No Japão, este animal tem um forte simbolismo relacionado à boa sorte. Na Europa, mais precisamente no período histórico medieval e renascentista, a simbologia deste animal estava ligada à pureza. Na mitologia irlandesa, o arminho era representado como animal com comportamentos humanos e que realizava ritual para seus mortos, e curiosamente também eram vistos como animais nocivos, cuja saliva era capaz de envenenar um ser humano adulto; assim como possuidores das almas de crianças que ainda não haviam sido batizadas.

Ainda em relação às representações mitológicas e culturais do animal um grupo étnico russo, chamado de komi, que habitava os montes Urais, o arminho tem como costume utilizar estatuetas de arminho para simbolizar as jovens bonitas e cobiçadas. A idéia de pureza também era reproduzida no Zoroastrismo (considerada uma das religiões mais antigas praticadas no mundo), provavelmente devido á pelagem branca de inverno. No cristianismo, Maria Madalena, após sua conversão, já foi retratada utilizando o casaco de inverno do arminho. Os membros do alto escalão do clero utilizam até hoje roupas confeccionadas com pele de arminho, de modo a simbolizar nobreza. O mesmo cenário ocorria com as vestes cerimoniais dos membros da Câmara dos Lordes no Reino Unido, assim como os capuzes acadêmicos de Oxford e Cambridge.

Mustelídeos Como Animais de Estimação: O Furão

O furão é um mustelídeo que vem ganhando cada vez mais popularidade como animal de estimação, principalmente em razão de sua personalidade brincalhona e fofa, ele é ideal para pessoas que possuam bastante tempo para interação. Todavia, é importante considerar algumas características do mamífero antes de adotá-lo ou compra-lo.

Os furões podem causar um verdadeiro estrago dentro de casa, uma vez que adoram mastigar, cavar e até esconder alguns objetos. Logo, sempre que o animal estiver fora da gaiola (principalmente quando mais novinho) deve ser supervisionado. Neste contexto, há um grande risco que o animal engula certos objetos, os quais podem se instalar no trato gastrintestinal e causar obstruções.

Estes animais possuem naturalmente altos níveis de energia, logo durante boa parte do dia precisam ficar fora da gaiola para se exercitar. A ausência de atividade física contribui para quadros de ansiedade e depressão. Uma das atividades favoritas dos furões mais jovens é perseguir brinquedos e correr de um lado para o outro.

É comum que as pessoas optem por adotar ou comprar 2 furões de uma vez, visto que muitas vezes o dono não tem tanto tempo livre e o animal precisa de certa companhia. No entanto, antes de deixar os furões sozinhos pela primeira vez, é recomendável vigiá-los, de modo a garantir que cada um terá acesso igual aos brinquedos, comida e local para dormir.

Mesmo que o animal viva somente em casa, deverá ser vacinado, uma vez que o seu dono pode ter contato com agentes contaminantes na rua e transmiti-los ao furão. Tal como cachorros e gatos, furões também são suscetíveis a doenças como a raiva e cionomose. Da mesma forma, é importante realizar o acompanhamento regular com o veterinário, uma vez que os furões possuem certas suscetibilidades e predisposições.

Em relação à suscetibilidade a certas doenças, convém lembrar que os furões, assim como os cachorros e gatos, são submetidos a cruzamentos com parentes próximos impedindo, desta forma, uma boa troca genética entre as gerações. Neste contexto, são maiores as chances de tumores pancreáticos e em glândulas adrenais, assim como problemas cardíacos.

Os furões não possuem um cheiro muito agradável e talvez este seja um tópico a ser considerado antes de adquiri-lo para criação. O odor é produzido pelas glândulas peianais na base do rabo. Porém, a boa notícia é que estas podem ser retiradas pelo veterinário nos primeiros meses de vida, contudo, o odor pode persistir em outras partes do corpo. Outras dicas para aliviar o mau cheiro é realizar a higiene semanal da orelha, assim como limpar, quase que diariamente, a gaiola.

Como os furões são animais carnívoros, no ambiente doméstico devem receber comidas ou rações com bastante proteína, porém pequena concentração de gordura e carboidratos. Muitos costumam alimentá-los com ração para gato, todavia, é importante selecionar uma mais específica para suas necessidades nutricionais. Não é recomendado incluir carne crua na dieta, considerando os riscos para o desenvolvimento de salmonela.

Mustelídeos Como Animais de Estimação

Tal como os gatos, os furões podem perde muito pêlo, e ingeri-lo enquanto se lambem, porém o pêlo em excesso no trato gastrointestinal pode ser fatal para o mamífero. Uma sugestão para evitar este problema é escovar o pêlo do furão algumas vezes por semana.

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Agora que você já conhece bastante sobre o arminho e até mesmo outros mustelídeos, nosso convite é para que continue conosco e visite também outros artigos do site. Aqui há muito material de qualidade nos campos da zoologia, botânica e ecologia de um modo geral, com artigos especialmente elaborados pela nossa equipe de redatores.

Sinta-se à vontade para digitar um tema de sua escolha em nossa lupa de pesquisa no canto superior direito, caso não ache o tema por aqui, você pode sugeri-lo abaixo em nossa caixa de comentários.

Até as próximas leituras.

REFERÊNCIAS

  1. Canal do Pet. 8 coisas que você precisa saber antes de comprar um furão. Disponível em: < https://canaldopet.ig.com.br/cuidados/dicas/2017-11-13/furao-adotar-dicas.html>;

HARRIS, S.; YALDEN, D. (2008). Mammals of the British Isles (4th Revised ed.). Mammal Society;

HEPTNER, V. G.; SLUDSKII, A. A. (2002). Mammals of the Soviet Union. Vol. II, part 1b, Carnivores (Mustelidae and Procyonidae). Washington, D.C.: Smithsonian Institution Libraries and National Science Foundation;

Merriam, Clinton Hart (1896). Synopsis of the weasels of North America. Washington, D.C.: Govt. Print. Off;

Meus animais. O que são mustelídeos? Saiba aqui! Disponível em: < https://meusanimais.com.br/o-que-sao-os-mustelideos-saiba-aqui/#:~:text=O% 20que%20s%C3%A3o%20os,Saiba%20aqui!&text=As%20esp%C3%A9cies%20de%20mustel%C3%ADdeos%20t%C3%AAm,tamb%C3%A9m%20com%20costumes%20muito%20variados.>;

PURDEY, D. C.; KING, C. M.; LAWRENCE, B. (2004). Age structure, dispersion and diet of a population of stoats (Mustela erminea) in southern Fiordland during the decline phase of the beechmast cycle (PDF). New Zealand Journal of Zoology. The Royal Society of New Zealand. 31 (3): 205–225;

Wikipedia in English. Stoat. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Stoat>.

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