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Quilópodes: Representantes

As lacraias são os mais conhecidos e populares representantes dos Quilópodes. E os Quilópodes são membros do filo dos Artrópodes, que compreende quase 3.000 espécies de seres entre os mais repulsivos e repugnantes da natureza.

Estes animais possuem uma espécie exoesqueleto, que prolonga-se em segmentos (até 170) – que até parecem independentes – compostos por um par de patas em cada um deles.

Além disso, elas possuem na cabeça um par de pernas que, além de funcionarem como um eficiente sensor para a detecção de presas e inimigos, ainda servem como canal para a emissão da sua toxina.

Os Quilópodes, e seus representantes, costumam medir entre 4 e 26cm e podem ser encontrados em pelo menos 5 continentes, com exceção da Antártida.

Em quase todos eles, possui a característica de viverem em ambientes úmidos, escuros e apertados – na verdade parece até que, em alguns casos, elas dão preferência por esconderem-se, propositalmente, dentro de roupas e sapatos.

As suas glândulas de veneno produzem uma substância que, para as suas principais presas, funciona de forma devastadora.

Por isso mesmo, uma diversidade de invertebrados costumam ser as suas principais vítimas, os quais aprisionam com as suas pernas, enquanto injeta o veneno paralisante, que deixa a vítima pronta para ser digerida em pedaços.

Mas o objetivo desse artigo é fazer uma lista com alguns dos principais representantes dessa assustadora classe dos Quilópodes. Espécies que, se não fossem tão repugnantes, até poderiam cair nas graças dos seres humanos, tal a singularidade e originalidade das suas constituições.

1.Lacraias

As lacraias são as principais representantes da classe dos Quilópodes. É a temida Scolopendra spp., uma espécie com as características de uma animal noturno e famoso pelo seu hábito – não muito correto – de abrigar-se em roupas, calçados, fendas, escavações, entre outros locais semelhantes.

Quando elas aparecem – ágeis e rastejantes -, é o sinal de que a umidade e a sujeira já extrapolam o aceitável. E de que é hora de observar pias, ralos, redes de esgotos, entre outras entradas e saídas de detritos, que são os locais onde elas sentem-se verdadeiramente em casa.

2.Lithobiomorpha

Essa é outra representante bastante comum da classe dos Quilópodes. Elas possuem o corpo um pouco mais robusto, e com um tom avermelhado e intenso. O seu dorso é formado por placas mais resistentes, o que lhes concede melhores condições de habitarem ambientes menos úmidos.

As suas antenas também funcionam como excelentes sensores, e é por meio delas que conseguem encontrar as suas principais presas, entre as quais, pequenos insetos, larvas, rãs; além de outras espécies que, sem a ajuda desses sensores, passariam completamente despercebidas.

Assim como as lacraias comuns, o seu veneno não é letal para seres humanos – no máximo resulta em inchaço, dor intensa, isquemia, edema, entre outras manifestações cutâneas.

3.Scutigeromorpha

A ordem Scutigeromorpha é formada por espécies que caracterizam-se por serem mais ágeis, possuírem um corpo bem mais fino, cerca de 15 pares de pernas também finas, além da dificuldade de serem encontradas.

Elas assemelham-se bastante aos insetos comuns, especialmente a algumas espécies de aracnídeos. Cada placa dorsal ou tegum de um Scutigeromorpha apresenta um único espiráculo na parte de trás, ao contrário das lacraias comuns, que podem ser melhor caracterizadas como pertencentes ao taxon Pleurostigomorpha.

A Scutigera Lamarck é um exemplo dessa ordem. Ela é uma espécie bastante afeita aos ambientes domésticos – inclusive apartamentos -, onde podem esconder-se facilmente em vasos de plantas, ralos, pias, entre outros locais semelhantes.

4.Geophilomorpha

Estas são as representantes da classe dos Quilópodes que mais assemelham-se a vermes, devido ao seu corpo mais alongado, roliço e mole.

Elas costumam possuir entre 30 e 170 pares de patas curtas e frágeis, mas o suficiente para que transitem adequadamente por solos argilosos, humosos, em meio à matéria orgânica e demais substâncias residuais.

Assim como as suas patas, as suas mandíbulas são pouco resistentes, por isso mesmo alimentam-se de animais com estruturas bem menos complexas, como caramujos, minhocas, lesmas, larvas, entre outras espécies mais simples.

Da sua região pleural surgem espiráculos, a partir dos quais elas respiram e realizam determinadas trocas gasosas.

Mas o curioso mesmo é que não é possível notar nelas a presença de olhos, o que leva a crer que sem as suas antenas – semelhantes a sensores – elas não seriam capazes de sobreviver por muito tempo.

Uma Espécie com Formidáveis Substâncias Farmacológicas

Apesar de serem tão temidas e vistas com certa reserva – ao menos pelas pessoas “normais” -, algumas das principais representantes dos Quilópodes (juntamente com algumas espécies de escorpiões, serpentes, aranhas entre outras espécies) pertencem ao seleto grupo dos animais secretores de substâncias com magníficas qualidades farmacológicas.

Seja por meio de glândulas ou por outros órgãos do seu corpo, elas são capazes de produzir toxinas que, corretamente manipuladas, podem transformar-se em excelentes substâncias anestésicas, estimulantes, relaxantes, cicatrizantes, anti-hipertensivas, entre outras infinitas qualidades.

É o caso, por exemplo, da Nav 1.7 – uma substância extraída da Scolopendra spp., que, de acordo com os mais recentes estudos, possui um poder analgésico que em muito supera o da morfina, inclusive para os casos de pacientes com doenças crônicas em fase terminal.

As últimas descobertas sobre essas propriedades extraídas do veneno das lacraias são frutos do trabalho de pesquisadores da Universidade de Queensland, Austrália.

Após anos de pesquisa, os especialistas descobriram que, a partir da toxina extraída da centopeia-chinesa-de-cabeça-vermelha, é possível isolar uma proteína capaz de substituir – e com louvor – substâncias como a morfina e outros opioides.

Lacraia Andando no Pé de uma Pessoa
Lacraia Andando no Pé de uma Pessoa

Tal descoberta ainda encontra-se em fase de estudos. Mas o que se sabe é que, mais uma vez, a ciência demonstra o quão surpreendentes podem ser as características da natureza selvagem.

Que é capaz de fazer de uma relativamente poderosa toxina a cura e a solução para o alívio da dor de milhares e milhares de indivíduos terminais ao redor do mundo.

As lacraias pertencem ao curioso grupo das espécies mais repugnantes e assustadoras da natureza. Mas o que se sabe é que elas possuem uma importância vital para a medicina. Mas gostaríamos que nos contasse sobre as suas experiências com essa terrível espécie, por meio de um comentário, logo abaixo. E não deixem de compartilhar e acompanhar os nossos conteúdos.

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