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História do Urso: Origem e Evolução do Animal

Até que se chegasse ao estágio atual, quando existem cerca de oito espécies habitando diferentes ecossistemas, em algumas regiões do mundo, a evolução dos ursos, da família Ursidae, desde os primórdios, enfrentou muitos desafios.

O mais terrível dos desafios a evolução dos ursos, que inclusive é apontada como causa do desaparecimento de sua maior espécie, foi e continua sendo o homem. As enormes matilhas de canídeos (raposas, lobos, chacal, coiotes, hienas e cães selvagens), os leões e tigres-dentes-de-sabre,  constituíram-se em seus primeiros desafios, em virtude do período em que viveram e por compartilhar dos mesmos hábitos alimentares.

História do Urso: Origem e Evolução do Animal

A competição por alimentos dentro de uma mesma faixa de preferências, pavimentou o caminho para a evolução dos cães urso (Cephalogale). A descoberta de fósseis destes cães ursos, nos ajudam a cronometrar estes estágios evolutivos:

Ysengrinia Ginsburg  (Cephalogale)

Viviam na Europa e América do Norte no início do Mioceno ( há 23 milhões de anos atrás) – Estes fósseis constituem o esboço do que se tornariam os ursos modernos. Aparentemente em detrimento da agilidade, grupos deste gênero se tornaram mais fortes e mais robustos (Ursavus). Partilhava características com os canídeos e com os ursídeos.

Ysengrinia Ginsburg

Cynelos Jourdan (Ursavus)

Viveram 6 milhões de anos entre a América do Norte, Ásia e África, desde o Mioceno inferior até o Superior (há 19 milhões de anos atrás) – Estes fósseis sugerem que um ramo da família Ursavus caminhou para uma alimentação onívora (Protursus simpsoni), tornando suas patas mais articuladas, para manipular objetos e escalar árvores e paredes rochosas.

Ao longo de milhões de anos, a maioria destes cães urso, desenvolveram o hábito de comer de tudo (carne, frutas, peixes, mel, insetos, plantas e etc.), embora já se registrasse a presença de espécies menores (Indarctos)  de hábitos exclusivamente herbívoro, e espécies maiores (Agrioterium) de hábitos ainda totalmente carnívoros. Habitavam todo o planeta em variedades de tamanhos e comportamento. A subfamília Agriotherium de hábitos carnívoros supõe-se que tenha se extinguido devido a competição com outros grandes mamíferos carnívoros no início do Plioceno.

História do Urso: Origem e Evolução do Animal

Influência da Alimentação

Neste período de sua história evolutiva, a temperatura do planeta era mais quente e recoberto de florestas e os Ursavus (urso da alvorada) que tinha o tamanho e a aparência de um lobo, a fim de evitar a predação e a competição com outros grandes carnívoros adaptaram-se a viver em árvores. Esta adaptação dotou, os ancestrais dos ursos modernos, da capacidade de se alimentarem, tanto de carnes, como de vegetais, graças a sua recém adquirida dentição maleável. Iniciando a jornada para a evolução do urso moderno.

As constantes mudanças climáticas e o encurtamento das florestas, dando lugar a savanas e campos abertos, forçou os Ursavus a se readaptarem a estas condições renovadas, originando os ursos pardos que conhecemos hoje. Na última Era do gelo, quando houve uma diminuição do nível das águas dos mares, indivíduos  migraram para a Eurásia, via Estreito de Bhering, tornado então uma ponte natural entre a Asia e as Américas,  de onde divergiram em dois grupos, em virtude da falta de alimentos.

Nestes novos ambientes se adaptaram a novos hábitos alimentares. Na China encontraram fartura de bambu, e desenvolveram um dedo oposto as cinco garras, para segurar e quebrar o bambu (urso panda). Ao sul da Ìndia encontraram fartura de formigas e cupins e desenvolveram focinho e língua semelhantes ao do tamanduá (urso beiçudo). Os ursos que não migraram, com menos concorrentes, tornaram-se  carniceiros de grande porte (3 mts. de altura), temidos e intimidantes, porém lentos para a caça (urso gigante de focinho curto [Arctodus])

O Estreito de Bhering, com o derretimento das geleiras, se desfez, após nova mudança climática na terra, desfazendo o elo entre as espécies, agora evoluindo de forma independente. O urso gigante, menos adaptado, se tornou extinto, tanto pela ausência de presas, como pelo início das atividades humanas de caça. Veja abaixo algumas particularidades destes animais magníficos, ancestrais do urso moderno:

Urso da Madrugada (Ursavus Elmensis)

O último estágio evolutivo do gênero Ursavus, viveu a mais de 20 milhões de anos atrás, originador do Protursus simpsoni, do qual o gênero Ursus evoluiu. Era do tamanho de um fox-terrier, alimentava-se de vegetação e insetos. Se tornou extinto em virtude da alta das temperaturas que transformou florestas em desertos.

Urso da Madrugada ou Ursavus Elmensis

Protursus Simpsoni

Deu origem ao gênero Ursus através da subfamília Ursus minimus há seis milhões de anos. O fóssil existente, um dente, mostrou ser mais moderno do que o Ursavus e menos evoluído do que o Ursus. O panda vermelho é seu único herdeiro conhecido. Era do tamanho de um cão, com molares quadrados, membros maciços e cauda curta.

Urso de Cara Achatada (Arctodus Simus)

Este gigante chegava a pesar até uma tonelada e medir até quatro mts. de altura, comendo até 15 kg. de carne numa única refeição, acredita-se que até mamutes eram abatidos por este gigante. Seu nome alude ao seu focinho curto em comparação com sua cabeça que lhe possibilitava uma mordida poderosa capaz de  quebrar ossos. Suas patas eram maiores do que a cabeça de um humano, suas garras afiadíssimas chegavam a 20 cm. de comprimento e sua força lhe possibilitava erguer um bisão do chão.

Urso das Cavernas (Ursus Spaelaeus)

Era um urso que media acima de dois metros de altura, ou seja ele era 30 % maior do que os ursos atuais. Teoriza-se que a competição humana por suas cavernas e a degradação do seu ambiente também causada pelos homens, foram a causa de sua extinção. O urso das cavernas viveram na Europa durante a Era Cenozoica, período Neógeno, época Pleistocena e sua musculatura e agressividade era muito mais acentuada do que a dos ursos modernos. O seu nome, urso das cavernas, alude ao fato de que seus fósseis são frequentemente encontrados dentro de cavernas, o que sugere que por conta do período em que viveu, chamada “era do gelo”, esta espécie se via obrigada a hibernar por mais tempo.

Theodore Roosevelt, ex-presidente americano, durante uma caçada negou-se a matar um filhote de urso ferido e doente, as charges da época, imortalizaram a cena e popularizaram o Teddy’s bear, inspirador dos ursinhos de pelúcia, famosos até hoje.

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