Espécies Invasoras no Brasil: O Que São, 10 Exemplos e Como Controlar
Espécies invasoras são organismos introduzidos fora de seu habitat natural que se proliferam de forma descontrolada, prejudicando espécies nativas e ecossistemas inteiros. No Brasil, o problema é grave: estudos estimam prejuízo de até US$ 3 bilhões por ano, segundo levantamento publicado no Mongabay em 2024.
O que é uma espécie invasora?
Uma espécie é considerada exótica invasora quando reúne três condições:
- Foi introduzida em um ambiente fora de sua distribuição natural
- Estabeleceu população reprodutiva no novo local
- Causa impacto negativo sobre espécies nativas, ecossistemas ou a economia
Nem toda espécie exótica se torna invasora. Muitas não conseguem se estabelecer no novo ambiente. O problema ocorre quando a espécie encontra condições favoráveis sem predadores que controlem seu crescimento.
Para entender melhor os mecanismos envolvidos, consulte nosso artigo sobre biosfera e ecossistemas.
Como uma espécie chega a um novo ambiente?
As principais vias de introdução são:
- Água de lastro de navios — veículo mais frequente de espécies aquáticas
- Comércio de animais e plantas exóticos — pets liberados ou escapados na natureza
- Introdução proposital — para pesca, aquicultura ou paisagismo mal planejado
- Transporte de produtos agrícolas — sementes e insetos viajam junto com a carga
10 espécies invasoras no Brasil
1. Mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei)
Originário da Ásia, chegou ao Brasil na água de lastro de navios nos anos 1990. Hoje infesta rios, reservatórios e tubulações. O custo de limpeza pode alcançar R$ 5 milhões por dia em grandes usinas como Itaipu, segundo o IBAMA.
2. Peixe-leão (Pterois volitans)
Predador do Indo-Pacífico que se estabeleceu no litoral brasileiro. Sem predadores naturais no Atlântico, diezma a fauna dos recifes. Seus espinhos são venenosos e representam risco a mergulhadores. Saiba mais em nosso artigo sobre o peixe-leão.
3. Tilápia (Oreochromis niloticus)
Introduzida para aquicultura, já alcança o litoral do Maranhão ao Rio Grande do Sul. Compete diretamente com espécies nativas de peixes, alterando a composição das comunidades aquáticas.
4. Capim-colonião (Megathyrsus maximus)
Gramínea africana introduzida para pastagens que invade o Cerrado. Aumenta a frequência e a intensidade de incêndios, impedindo a regeneração da vegetação nativa.
5. Jiboia exótica em Fernando de Noronha
A jiboia (Boa constrictor) foi introduzida no arquipélago e não encontrou predadores. Depreda aves nativas e seus ovos, desequilibrando a fauna local — um caso emblemático de invasão insular no Brasil.
6. Jacinto-d’água (Eichhornia crassipes)
Planta aquática que cobre a superfície de lagos e represas, bloqueando a luz, consumindo oxigênio e inviabilizando pesca e navegação em diversas regiões do país.
7. Caramujo-gigante-africano (Achatina fulica)
Introduzido para consumo e abandonado. Destrói hortas e lavouras. É hospedeiro de larvas de Angiostrongylus cantonensis, causador de meningite eosinofílica. Não deve ser tocado sem luvas.
8. Carpas (Cyprinus carpio)
Introduzidas na piscicultura, escavam o fundo de lagos, aumentam a turbidez da água e prejudicam plantas aquáticas e peixes nativos — especialmente nas bacias do Sul e Sudeste.
9. Capim-braquiária (Urochloa brizantha)
Presente em mais de 100 milhões de hectares no Brasil, compete com espécies nativas do Cerrado e da Mata Atlântica. Altera o regime de fogo e impede a regeneração natural das florestas.
10. Lagosta-americana (Procambarus clarkii)
Encontrada em rios do Sul e Sudeste. Escava margens, devasta macrófitas aquáticas e compete diretamente com anfíbios nativos por habitat e alimento.

Impactos das espécies invasoras
Os danos vão além da biodiversidade:
- Extinção de espécies nativas — competição direta por nicho ecológico
- Prejuízo econômico — até US$ 3 bilhões/ano no Brasil (Mongabay, 2024)
- Transmissão de doenças — caramujo africano e mosquito da dengue
- Comprometimento de infraestrutura — mexilhão-dourado em usinas hidrelétricas
- Impacto no turismo — peixe-leão afugenta mergulhadores e destrói recifes
Veja mais sobre animais invasores e seus impactos nos ecossistemas nativos e os casos documentados em espécies invasoras e seus impactos locais.
Legislação brasileira
A Lei n.º 9.985/2000 (SNUC) e resoluções do CONAMA estabelecem obrigações de controle de espécies invasoras em unidades de conservação. O ICMBio e o IBAMA coordenam o monitoramento e os planos de manejo.
Soltar ou abandonar animais exóticos na natureza é crime ambiental previsto na Lei n.º 9.605/1998.
Como prevenir e controlar
Prevenção:
- Inspeção e tratamento da água de lastro em portos
- Fiscalização rigorosa do comércio de espécies exóticas
- Não soltar animais domésticos ou exóticos na natureza
- Controle sanitário nas fronteiras para mudas e sementes
Controle quando a invasão já ocorreu:
- Remoção mecânica — como a caçada do peixe-leão por voluntários capacitados em Fernando de Noronha
- Controle biológico planejado com estudo prévio de impacto
- Erradicação química pontual em áreas isoladas com monitoramento
Perguntas frequentes
Qual a espécie invasora mais prejudicial economicamente no Brasil?
O mexilhão-dourado é uma das mais custosas, podendo inviabilizar usinas hidrelétricas. O capim-braquiária tem o maior impacto territorial, cobrindo mais de 100 milhões de hectares.
Como sei se uma espécie é exótica ou nativa?
Consulte a Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, disponível no portal do Ministério do Meio Ambiente, ou o portal do IBAMA.
Por que é ilegal soltar animais exóticos na natureza?
Porque a espécie pode se tornar invasora, eliminando predadores e presas nativas. É crime ambiental com pena de detenção e multa, previsto na Lei n.º 9.605/1998.
Espécies invasoras afetam a saúde humana?
Sim. O caramujo africano carrega larvas causadoras de meningite. O mosquito Aedes aegypti, introduzido nas Américas, transmite dengue, Zika e chikungunya. Para saber mais, veja nossa lista de animais marinhos que incluem invasores do oceano.






