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Importância Econômica dos Quilópodes e Diplópodes

Seleção Natural: a Mão (Invisível) da Natureza

Desde as classes de ciências e biologia no ensino fundamental e médio (não religioso) até nas salas de aulas das faculdades e dos centros de pesquisas, a evolução e a seleção natural são temas corriqueiramente abordados e estudados – mesmo ainda por diferentes didáticas e estágios de complexidade, conforme a idade dos alunos participantes.

Resumidamente, a seleção natural é uma grande “peneira”, uma mão invisível (cuja sua existência pode ser provada, diferentemente de outras mãos invisíveis, como a do mercado) que seleciona seres vivos mais aptos, estes que possuem características biológicas que os permitem sobreviver sob as condições e os recursos do ambiente em questão, consequentemente conseguindo passar os seus genes adiante, perpetuando-se através de gerações futuras.

Lembremos que quando Charles Darwin (e o seu contemporâneo Alfred Wallace) declamaram a seleção natural (e que os seres vivos possuíam ancestrais comuns) no século XIX, fizeram-na utilizando apenas metodologias restritas à época, como a paleontologia e a anatomia comparada, sem nenhum conhecimento de uma das peças chaves deste quebra-cabeça em contínua construção: a molécula de DNA.

Se Darwin e Wallace conseguissem de alguma maneira acessar todo esse arcabouço de informação de como se comporta o DNA, eles constatariam que este “modelo” de macromolécula cairia perfeitamente em seus estudos, e assim saberiam que os animais e os vegetais (os seres macroscópicos estudados por eles) possuíam um fenótipo correspondente aos seus respectivos genótipos, e que o DNA (material que compõem o genótipo) muda constantemente através do tempo – por mecanismos próprios como mutação e permutação, consequentemente mudando as características biológicas dos seres, permitindo uns se adaptarem e outros não (claro, sempre referente aos aspectos do ambiente, que resultará na pressão seletiva).

A Seleção não Necessariamente Seleciona o Mais “Forte”

Primeiro, devemos pensar que seleção por meios evolutivos não significa selecionar o melhor ou o mais forte dentre os indivíduos e suas populações: o termo mais correto é “a seleção do mais apto”, ou seja: aquele que tem um perfil que não sofrerá malefícios sob o regime de uma determinada pressão ambiental.

Um exemplo bastante didático se dá com populações humanas na África e na América Central, mais especificamente em áreas endêmicas para a malária: é sabido que existe uma doença hereditária bastante recorrente nestas duas regiões do globo, chamada anemia falciforme, a qual o indivíduo produz células sanguíneas vermelhas (as hemácias) em forma de “foice”, sendo que essa alteração morfológica compromete a função de transporte de oxigênio, deixando assim o portador desta enfermidade anêmico.

Ocorre que o protozoário da malária (mais especificamente a espécie Plasmodium falcilparum, um dos causadores da forma mais letal de malária) não consegue parasitar as células sanguíneas dos indivíduos com anemias falciforme, deixando-os imune a esta doença infeciosa.

Ou seja, quem nesse cenário de transmissão de malária esta mais apto a sobreviver: indivíduos saudáveis não portadores da anemia falciforme (os “fortes”); ou os indivíduos com anemia falciforme (os fracos)?

Claro, nesse cenário de transmissão de malária os indivíduos com anemia falciforme têm menor probabilidade de morrerem, consequentemente maior probabilidade de sobreviverem e deixarem descentes.

Posto isso, entende-se a necessidade de conhecer os organismos que estão envolvidos na no fenômeno da seleção, suas características biológicas, e os fatores ambientais associados, estabelecendo assim o vetor (direção e sentido) do respectivo fenômeno abordado.

Seleção Artificial: a Mão (Visível) Humana

Quando se fala em seleção artificial, no contexto evolutivo, considera-se a mesma mecânica da seleção natural: a seleção do mais apto.

Entretanto, enquanto a seleção natural aborda os 3,5 bilhões de anos desde o surgimento da vida, a artificial aborda – no máximo – os 10.000 últimos anos contemporâneos, desde que a nossa espécie deu início à contínua modificação ambiental resultante da Revolução Agrícola (quando deixamos de ser caçadores e coletores, e passamos a domesticar animais e plantas selvagens).

O homem, ao modificar o ambiente, acaba levando à extinção um grande número de espécies de seres vivos (em taxas muito maiores do que as que ocorriam em épocas anteriores a sua existência), ao mesmo tempo que seleciona outras espécies (estas usualmente parasitas a ele).

Lógico: se existem espécies de organismos que fazem uso do corpo humano para se alimentar e obter energia (o famoso parasitismo), com cada vez mais humano no mundo cada vez mais existirá uma maior oferta de alimento para estas espécies parasitarem.

E quando o homem tenta controlar estas espécies, de novo, vemos a seleção artificial em ação: é sabido que atualmente uma das prioridades de todas as agências de saúde do mundo diz a respeito das superbactérias, as quais foram constantemente selecionadas desde a produção em larga escala do antibiótico, a partir do pós-guerra (década 1950), hoje em dia sendo cada vez mais difícil sintetizar novos químicos para vence-las.

Cita-se que os antibióticos que chegam aos nossos organismos não são apenas por via medicinal (quando estamos doentes com uma febre e o médico manda aplicar Benzetacil), mas principalmente por carnes bovinas, suínas e de frangos, já que o modo de criação dos grandes frigoríficos acarreta em animais confinados, o que facilita a propagação de infecções bacterianas, por isso o uso irrestrito e perigoso dos antibióticos.

Quilópodes e Diplópodes de Importância Econômica

A seleção artificial não fica restrita apenas a microrganismos ultra resistentes que estão nos levando à beira de um colapso apocalíptico infeccioso: animais bem visíveis ao olho nu também são importantes exemplos do resultado do homem modificando o ambiente, e selecionando espécies.

Dentre toda uma gama de animais (e vegetais, e fungos também) que se comportam como pragas aos seres humanos, essas espécies podem ser classificadas em diferentes categorias, conforme área de ocorrência (urbana ou rural), tipo de parasitismo (diretamente em nosso organismo ou sem algum insumo produzido, como gafanhotos em uma plantação ou cupins em móveis de madeira), além das características biológicas da própria espécie, como o grupo taxonômico o qual pertence, sua ecologia e comportamento.

Por exemplo, os artrópodes abrangem um enorme grupo de espécies que, selecionadas pela modificação ambiental humana, tornaram-se pragas urbanas e rurais, assim como importantes parasitas humanos, que causam tanto injúrias devido as suas peçonhas, como transmissores (vetores) de doenças infecciosas.

Quilópodes E Diplópodes
Quilópodes E Diplópodes

Lembrando que os artrópodes são divididos nos insetos (mosquitos, formigas, vespas); aracnídeos (aranhas, escorpiões, ácaros), crustáceos (lagostas, caranguejos, siris), quilópodes (lacraias) e diplópodes (piolhos-de-cobra).

Os dois últimos grupos, apesar de serem continuamente confundidos por pertencem ao subfilo dos Miriápodes, sendo assim caracterizados por apresentarem corpo alongado, subdivido em cabeça e tronco seguimentado por muitas pernas (centopeias), ambos possuem diferenças em suas anatomias e biologia, acarretando assim diferença em suas importâncias como pragas.

E tudo que pode trazer prejuízo – seja econômico, seja físico – envolve a temática financeira, já que tomam o nosso tempo e o nosso dinheiro.

Para os diplópodes que envolvem as espécies de piolhos de cobra, podem significar um enorme prejuízo quando se encontram em explosão populacional, em especial em áreas agrícolas e de produção agronômica, já que estes artrópodes tem hábitos alimentares que focam grandes plantações de hortaliças e vegetais para consumo humano.

Já os quilópodes (apesar de também poderem apresentar um papel de praga rural quando em grandes quantidades, conforme a área localizada) devido a sua anatomia e fisiologia (presença de peçonha inoculadora de veneno), esta espécie é considerada uma importante praga urbana, que causa injúrias e traumas físicos (semelhante ao escorpião) e, apesar de não matar uma pessoa em idade adulta, pode trazer bastante problemas para vizinhanças onde se apresentam em grande infestação, principalmente para crianças e animais domésticos.

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