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Tudo Sobre a Anta: Características, Nome Cientifico e Fotos

As antas podem ser descritas como animais perissodáctilos, pertencentes ao gênero Tapirus, membros ilustres da família Tapiridae, com ocorrência desde a Venezuela até a região norte da Argentina.

E tudo o mais que podemos dizer sobre as antas, à parte o seu nome científico, características, além de fotos, imagens e outras particularidades, é que, no Brasil, o tipo considerado endêmico é a “Anta-brasileira” ou “Tapirus terrestris”, o maior mamífero do nosso território e um dos dois maiores da América do Sul.

O animal é simplesmente formidável! Uma montanha de músculos capaz de pesar até 300kg e entre 2,2 e 2,4 m de comprimento!

Anta
Anta

O seu habitat favorito são as florestas, áreas abertas, matas ciliares, entre outras vegetações com exuberância de água e de espécies vegetais da família Arecaceae (as palmeiras), que funcionam bem como excelentes fontes de alimentação para esses animais.

Dentre as principais características das antas-brasileiras, podemos destacar o seu probóscide (tromba) bastante razoável, e que costuma servir como um importante instrumento para a caça de alimentos, além de uma crina e uma crista que são alguns dos detalhes físicos que as diferenciam das outras quatro espécies.

Representante da Fauna

E quanto à sua posição de representante da fauna do Brasil, chamamos a atenção para o fato de que elas são os últimos remanescentes da megafauna da região amazônica; uma comunidade que abrigava monumentos como os mastodontes, os gliptodontes, as preguiças gigantes, entre outras espécies que seriam como as “substitutas” dos dinossauros na terra.

A Cabeça de Uma Anta
A Cabeça de Uma Anta

Mas, apesar dessa característica, eles eram animais que, de certa forma, podiam conviver razoavelmente bem com os humanos, em uma luta por sobrevivência que ultrapassou os milhões de anos, para fazer parte do imaginário popular em todos os períodos da nossa história.

As antas brasileiras são animais solitários, bastante conhecidos por serem excelentes dispersores das sementes que ingerem aos milhares durante o dia.

Eles só precisam mesmo é tomar cuidado com alguns dos seus principais predadores, entre os quais, a onça-parda, a onça-pintada, a sucuri, o Jacaré-açu, entre outras espécies com as quais elas podem cruzar num raio de cerca de 5 ou 6 km2 – que é o território onde essas antas costumam viver até o fim dos seus dias.

A Evolução da Anta-Brasileira

Até não muito tempo as antas eram consideradas animais do gênero Hippopotamus. Essa foi a descrição dada por Linnaeus (1758) a um animal que já se sabia ser um membro da comunidade Tapiridae e da ordem Perissodactyla.

Só mais tarde esse animal foi corretamente descrito como pertencente ao gênero Tapirus, e em quatro subespécies: T.t.colombianus, um animal típico das florestas abertas e matas ciliares do norte da Colômbia. T.t.terrestris, a nossa espécie conhecida, habitante das florestas da Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Brasil e norte da Argentina.

Anta na Beira do Lago
Anta na Beira do Lago

Também o T.t. Aenigmaticus, só encontrado no leste equatoriano, nordeste do Peru e sudeste da Colômbia. E o T.t. Spegazzinii, membro da fauna do Mato Grosso, Paraguai, leste boliviano e norte da Argentina.

E tudo o mais que se sabe acerca da evolução desses animais é que alguns estudos mais aprofundados no campo da filogenia apontam as suas origens ligadas a um ancestral que provavelmente atravessou o istmo panamenho e adentrou na América do Sul por volta de 2 ou 3 milhões de anos.

Um ancestral que também é o parente mais antigo do Tapirus pinchaque – espécie que junta-se ao Tapirus terrestris para formar um núcleo familiar bastante próximo.

Uma Origem Distante

Em todo o caso, o que essas investigações concluíram é que a Argentina é o berço do gênero Tapirus aqui na América do Sul. Foi lá que em algo como 2,5 milhões de anos esse gênero foi verdadeiramente separado do seu ancestral comum.

Enquanto isso, no distante período conhecido como “Plistoceno”, estão os fósseis mais antigos; os mais antigos ancestrais dessa comunidade das antas; no Brasil encontrados no território do Acre, mais especificamente na região dos rios Jacupiranga e Juruá.

Anta Caminhando no Parque
Anta Caminhando no Parque

Hoje, todas as espécies (ou subespécies) de antas são de alguma forma ameaçadas de desaparecerem da natureza. Na verdade podemos caracterizá-las como “Vulneráveis”, pois é assim que as considera a IUCN (União Internacional Para a Conservação da Natureza).

Mas o que os técnicos da entidade garantem é que esse estado pode (e deve) variar de país para país. Na Argentina, nos Llanos da Colômbia e na Mata Atlântica brasileira, por exemplo, o animal é gravemente ameaçado de extinção. Já na região dos Andes, as antas praticamente desapareceram, muito por causa da caça ilegal de animais silvestres, mas também do avanço da agricultura sobre os seus habitats.

Anta Caminhando
Anta Caminhando

E tudo isso ainda potencializado por um ciclo de reprodução bastante vagaroso, o que não permite que esse gênero Tapirus se reproduza com a mesma velocidade com a qual é exterminado no meio ambiente.

Ao que tudo indica, a saída para esses animais será mesmo o empenho dos Poderes Públicos e Ongs em criar reservas naturais que possam abrigar essas e outras espécies ameaçadas dentro desse ecossistema Sul-americano.

Algo nos padrões da Reserva Biológica de Sooretama, no Espírito Santo. Ou como a Reserva Ecológica de Guapiaçu, no Rio de Janeiro. Iniciativas que, no caso do Rio de janeiro, vêm ajudando a reintroduzir esses animais já completamente extintos no estado, como uma das iniciativas mais importantes para a conservação da fauna do país.

Além de Fotos, Características e Nomes Científicos, Tudo o Mais Sobre a Distribuição e Habitat das Antas

Como dissemos, as antas são espécies típicas da América do Sul. É no ambiente úmido e rico da Floresta Amazônica, do Pantanal, das matas ciliares e dos campos abertos do Brasil, Chaco Paraguaio, norte da Argentina e do sul da Venezuela que elas podem ser encontradas em maior quantidade.

Mas um problema para esse animal é a caça predatória, que vem aos poucos dizimando populações inteiras no norte da Argentina. E foi justamente ela uma das responsáveis por eliminá-las por completo da Caatinga, restando apenas alguns poucos indivíduos em zonas de transição entre ela e a Mata Atlântica.

Anta na Floresta
Anta na Floresta

O ambiente que o Tapirus terrestris mais aprecia são as áreas de florestas, ou mesmo campos abertos onde haja algum tipo de manancial de água bem próximo e permanente; e de preferência constituída por uma zona ribeirinha, a fim de que elas possam garantir as suas sobrevivências nesse tão desafiador e implacável Reino Animal.

Mas o que o Tapirus terrestris gosta mesmo é de comida! é de forragear durante o dia inteiro!, geralmente nas regiões um pouco mais abertas, em campos ricos em espécies das Arecaceaes; preferindo deixar o restante do tempo para abrigar-se nas regiões mais densas das florestas, onde podem proteger-se do apetite insaciável dos seus principais predadores.

E o comum é que essas regiões não ultrapassem os 1700m; e menos ainda em algumas regiões do Equador; onde dificilmente conseguiremos observar o exemplar de uma anta em altitudes superiores a 1500 m, como uma das principais características desse típico representante da fauna brasileira.

Ainda com relação aos seus hábitos alimentares, chama bastante a atenção a sua curiosa preferência pelas espécies da família Arecaceae, em especial a Euterpe edulis (palmito-juçara), o Syagrus romanzoffiana (o Jerivá), além da Allagoptera arenari, algumas variedades dos gêneros Astrocaryum e Attalea, entre outras espécies que elas tanto apreciam e colhem avidamente a partir do crepúsculo.

Demais Espécies

Outras espécies bastante apreciadas são a Syagrus coronata, Scheelea phalerata (o bacuri), Bactris gasipaes (a pupunha), Mautriria flexuosa (o buriti), entre outras variedades mais facilmente encontradas nas regiões do nordeste do Pantanal, do Cerrado, da Floresta Amazônica, entre outras regiões que fazem parte do habitat natural desses animais.

Anta na Grama
Anta na Grama

Em menor quantidade, é possível encontrar as antas-brasileiras em uma convivência relativamente próxima do homem, especialmente em áreas cultivadas, plantações de Eucalyptus, lavouras, entre outros ambientes antrópicos – que essas antas geralmente utilizam como regiões de passagem em direção às florestas.

Mas elas também podem utilizá-las para a caça de algumas iguarias, principalmente nos períodos de escassez das suas refeições favoritas; quando então é possível surpreender-se com a visão próxima de um desses animais – o que torna-se um dos eventos mais singulares e possíveis de serem contemplados em regiões modificadas pelo homem.

Descrição

Eles são animais magníficos! E tudo o mais que se sabe sobre as características físicas das antas é que elas são formidáveis!

Basta saber, por exemplo, que estamos falando do maior mamífero brasileiro, capaz de pesar inacreditáveis 300 kg e atingir até 2,2 metros de comprimento!

Isso é uma enormidade, principalmente quando se leva em consideração outras espécies que costumamos considerar como as mais imponentes, como a Onça-pintada (com os seus “modestos” 97kg) e a onça-parda (que não ultrapassa os 105kg).

São duas exuberâncias da natureza, mas que, perto da imponência do Tapirus terrestris, são quase como “brinquedinhos” de criança nesse monumental e vigoroso ambiente da Floresta Amazônica.

A nossa Anta-brasileira, como dissemos, distingue-se das outras espécies por desenvolver uma inconfundível crina que surge no seu pescoço e segue até o topo da cabeça.

Filhote de Anta Rajado
Filhote de Anta Rajado

Além disso, ela apresenta uma crista sagital; uma protuberância que distribui-se pela linha média da parte superior do crânio, e que lhe confere uma força mandibular poucas vezes igualada em outros animais selvagens.

O desenvolvimento dessa crista está diretamente relacionada com o volume do seu músculo temporal, que é bastante exuberante desde o nascimento dessas antas, como uma característica que as torna espécies únicas dentro do gênero Tapirus.

Quanto à coloração desses animais, sabemos que ela geralmente se apresenta em um tom marrom-escuro, enquanto os jovens possuem um inusitado aspecto amarronzado com listras brancas horizontais – uma combinação que em nada sugere que estamos tratando do mesmo animal quando adulto.

Tudo Sobre a Ecologia e o Comportamento das Antas-Brasileiras

A anta-brasileira pode ser definida como um animal mamífero, frugívoro, ruminante, único membro vivo da antiga megafauna amazônica, famoso por ser um excelente dispersor de sementes (em especial das variedades de Arecaceaes ou palmeiras), entre outras características não igualadas por nenhum outro animal na natureza.

Na verdade elas entram aqui como uma das mais importantes parceiras da flora brasileira, muito por causa da sua capacidade de contribuir para a distribuição de espécies como os bacuris e buritis por quase todos os territórios da Floresta Amazônica, Mata Atlântica e Cerrado.

Filhote de Anta Brasileira
Filhote de Anta Brasileira

Esse é uma animal crepuscular, com hábitos solitários, e que só é visto mesmo em algum tipo de reunião no período de acasalamento, quando então essas antas são avistadas em casais, ou mesmo em grupos familiares compostos por uma ou duas fêmeas e alguns filhotes.

Sabe-se, também, que o Tapirus terrestris é um excelente nadador. Ele é capaz de singrar com razoável facilidade o seio de rios do porte de um Amazonas, Juruá, Javari, Uatumã, entre tantos outros – e como se até fora um vento corriqueiro.

Mãe Anta Com seu Filhote
Mãe Anta Com seu Filhote

O seu andar, lento e arrastado, é uma marca registrada! Mas não se engane! Caso sinta-se ameaçada, essas antas poderão disparar em uma corrida desabalada a velocidades que podem aproximar-se de 30km/h, com a sua cabeça imponentemente levantada e ameaçadora; em uma cena considerada um dos eventos mais curiosos dentro desse bioma amazônico.

Uma outra curiosidade acerca desse animal é a sua aversão aos ambientes muito próximos dos humanos; algo que até costuma fazer com que as antas desenvolvam características de animais essencialmente noturnos; reservando esse período do dia para a caça das suas refeições favoritas.

Dieta do Tapirus Terrestris

Tudo o que se sabe sobre as características da dieta e dos processos reprodutivos das antas-brasileiras (Tapirus terrestris, seu nome científico), é que esses são animais essencialmente frugívoros, especialmente afeitos a uma dieta à base dos mais diversos tipos de palmeiras.

Estudos recentes identificaram alguns comportamentos interessantes desses animais durante o forrageamento; como, por exemplo, a sua preferência por forragear em áreas abertas, florestas secundárias, regiões de clareiras, entre outras vegetações que lhes forneçam espécies com características menos complexas, sem a presença de espinhos, veneno e outras toxinas.

Anta Comendo Galhos
Anta Comendo Galhos

Além das variedades das Arecaceaes, sabe-se que as antas também podem alimentar-se com outras espécies vegetais, como as pertencentes às famílias Rubiaceae, Fabaceae, Anacardiaceae, entre outras iguarias mais facilmente encontradas na Amazônia brasileira, totalizando mais de 40 variedades diferentes.

Também é possível, especialmente em zonas de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, que esses animais consigam incorporar às suas dietas algumas espécies de folhas, flores, brotos, frutos e leguminosas.

E no Pantanal até mesmo algumas plantas aquáticas e uliginosas, como a Eichornia, a Pontederia, algumas espécies de nenúfares, entre outras variedades, podem muito bem garantir a sobrevivência dessas antas, principalmente quando há escassez dos seus principais alimentos.

O Comportamento das Antas-Brasileiras

As antas distribuem-se com baixa densidade nos habitats onde vivem. Talvez por serem animais solitários, com um ciclo de reprodução extremamente lento e por dificilmente habitarem uma faixa superior a 5km2 – o que contribui para tornar essa comunidade dos Tapirus terrestris uma das mais ameaçadas de desaparecerem da fauna brasileira.

Na verdade a esperança de sobrevivência desses animais está na criação de reservas ambientais onde eles possam ser reintroduzidos, principalmente em áreas de Caatinga (onde estão extintas) e de Mata Atlântica (onde correm sérios riscos de extinção).

Anta Caminhando na Grama
Anta Caminhando na Grama

Mas tudo o que se sabe sobre o comportamento das antas são apenas relatos incompletos e superficiais; e como podemos observar nessas fotos, o Tapirus terrestris (seu nome científico) possui as características de um animal solitário, pouco agressivo, e que costuma exibir algumas vocalizações bastante características, a depender de cada situação.

Como quando buscam recolher alimentos ou fuçar aqui e ali para fins de reconhecimento do local; e aí então passam a emitir uns guinchos curtos, com frequência baixa. Diferentemente do que acontece quando elas sentem-se ameaçadas, pois aí o que se pode ouvir é o mesmo som, só que agora bastante agudo e estridente, e que distribui-se pelo ar de forma lenta e melancólica.

Uma anta que porventura sofra com dores intensas deverá manifestar essa condição por meio de urros violentíssimos! Mas quando por acaso reúnem-se em torno de um pequeno grupo familiar, aí as vocalizações mais comuns serão pequenos estalidos inconfundíveis, como um dos eventos mais curiosos dentro desse gênero.

Mas assim como ocorre com inúmeras espécies da natureza, as antas também possuem como hábito demarcar os seus territórios por meio de fezes, urina e secreções.

Expedientes que também podem funcionar como um método de comunicação bastante eficaz entre elas, assim como uma forma de mostrar que aquele território tem dono, ou atrair o futuro parceiro quando chega o período de reprodução, entre outros objetivos ainda não devidamente relatados pela ciência.

Tudo Sobre a Reprodução das Antas

Também com relação aos processos reprodutivos das antas-brasileiras pouco se sabe. O que se sabe mesmo é que, ao que tudo indica, esses animais apresentam um comportamento poligínico (de Poliginia), em que um único macho demarca uma faixa ou território habitado por inúmeras fêmeas, com as quais só ele irá copular a partir da escolha de algumas privilegiadas.

Ao final, o que poderemos observar é a formação de um único par naquele trecho demarcado; e que agora deverá apresentar as características de um par monogâmico; uma situação que geralmente ocorre durante o primeiro estro das fêmeas – um evento que não atende a nenhuma sazonalidade e pode ocorrer em qualquer período do ano.

Mãe Anta com seu Filhote
Mãe Anta com seu Filhote

Na verdade é curioso notar como uma fêmea da anta-brasileira consegue atingir o estro durante quase todos os 12 meses; e em intervalos de 2 ou 3 meses.

E tal ocorrência estende-se por não mais do que 48 horas, para resultar numa cópula que, por sua vez, resultará num período de gestação de cerca de 12 ou 15 meses, a depender de onde ela ocorra – em cativeiro ou em ambiente natural.

E com relação à aproximação inicial entre ambos, esta ocorre da forma como é natural entre os mamíferos ungulados: O macho iniciará uma aproximação da fêmea, irá cheirar e lamber a sua vulva, erguerá o lábio superior como forma de melhor apreciar os ferormônios e outros cheiros e aromas sexuais, até então iniciar uma perseguição como forma de demonstrar que é o “macho mais forte”.

E engana-se quem pensa que esse é um evento rápido. Longe disso! Uma corte entre essas antas pode durar até longas e quase intermináveis 3 ou 4 horas! Para resultar numa cópula “vigorosa”, por cerca de 1 minuto. E que, por fim, resultará num período de gestação de até 440 dias.

Dessa gestação surge não mais do que um único filhote, que nasce com um peso entre 3 e 5 kg e com um curioso e inusitado aspecto todo listrado horizontalmente.

E esses filhotes já nascerão com uma certa desenvoltura; capazes de alimentarem-se com brotos e ervas já nos primeiros dias de vida; para serem desmamados por volta dos 9 ou 10 meses, quando então poderão seguir as suas respectivas lutas pela sobrevivência.

Anta no Meio da Floresta
Anta no Meio da Floresta

Mas esses filhotes só atingirão a maturidade sexual por volta dos 2 ou 3 anos (fêmeas e machos, respectivamente). E caso sejam mantidos em cativeiro, poderão viver a até longos 30 ou 35 anos, com idade fértil até os 28, como uma das espécies mais singulares da fauna da América do Sul.

Só que há um problema relacionado com esses processos reprodutivos das antas-brasileiras; e esse problema diz respeito justamente ao fato de elas necessitarem de quase 15 meses para darem à luz um único filhote.

O que contribui, ainda mais, para o já bastante acentuado processo de extinção dessa espécie no meio ambiente – algo que, mais uma vez, torna a criação de reservas ambientais e o incentivo à pesquisa no campo da genética as principais armas contra essa triste realidade.

A Conservação

Dentro do item II da Convenção Sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestre Ameaçadas de Extinção, o Tapirus terrestris consta como uma espécie “Vulnerável”, muito por conta do avanço do progresso sobre os seus habitats naturais.

Mas também devido à caça ilegal de animais silvestres, que todo o ano negocia milhares de espécies da fauna do território brasileiro, mesmo apesar do fato de essa prática ser um crime, de acordo com a Lei de Proteção à Fauna Brasileira 5.197/67, que pune com até 5 anos de prisão quem for pego com a posse de um desses animais.

Anta no Lago
Anta no Lago

Esses e outros inconvenientes foram os responsáveis pela extinção da espécie em cerca de 14 % do seu território original; e acredita-se que esse animal esteja totalmente extinto na região da Caatinga, em trechos do Llanos colombiano, entre outros biomas outrora abundantes desse gênero.

Atualmente, para que se possa ter um contato mais frequente com a anta-brasileira, será necessário enveredar-se pelas florestas, matas ciliares, áreas de restingas, campos abertos, entre outras vegetações semelhantes da região Amazônica.

Mas sabe-se que elas também apresentam-se em boa quantidade no Pantanal, onde sobrevivem às custas de uma razoável variação de plantas aquáticas e oleaginosas, que podem garantir a vida e a perpetuação dessa importante espécie por ainda longos anos.

E tudo o mais que se sabe sobre a conservação das antas-brasileiras (o Tapirus terrestris, seu nome científico), com todas as características que podemos observar nessas fotos e imagens, é que nos estados de Minas gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por exemplo, esse animal é descrito como “Crítico”. Enquanto no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná eles assumem a condição de “Em perigo”.

E a coisa só melhora mesmo na região Amazônica, onde o Tapirus terrestris pode ser classificado como “De baixo risco”; situações que fazem com que eles devam ser enquadrados nacionalmente como “Vulneráveis”, de acordo com os principais órgãos de controle de espécies da fauna do país.

Características, Nome Científico, Fotos e Tudo o Mais Sobre as Principais Espécies de Antas

1.Anta Asiática

Mas o Tapirus terrestris, como dissemos, não é a única espécie desse gênero a abrilhantar com a sua exoticidade essa cada vez mais surpreendente fauna do planeta.

Existem outras, como a Anta-asiática, a maior dentre todas elas, única representante desse gênero no continente asiático, e que ainda apresenta um padrão de pelagem originalíssimo, no qual praticamente todo o seu dorso compõe-se de uma pelagem branca, enquanto as extremidades do seu comprimento apresentam um tom escuro.

A anta-asiática pode atingir um peso de até 500kg e até 2,5 metros de comprimento; é e mais facilmente encontrada nos países do Sudeste Asiático, em especial na Tailândia, Laos, Myanmar, Singapura, Vietnã, entre outros.

2.Anta da Montanha

A anta-da-montanha é a “Tapirus-pinchaque”, uma espécie habitante das florestas tropicais da Colômbia, Peru e Equador – regiões mais frias, com altas altitudes, geralmente acima dos 2.000 e 4.000 metros, e que por isso mesmo apresentam temperaturas baixíssimas.

Podemos dizer que essa é um típico animal de clima frio, bastante afeito a uma dieta à base de folhas, brotos, frutas, entre outras variedades que costumam colher durante o crepúsculo.

O Tapirus pinchaque talvez seja a variedade com os caracteres mais próximos dos seus ancestrais primitivos, não tendo sido tão visivelmente modificado desde o Mioceno.

Eles inclusive apresentam uma pelagem bem mais abundante do que a dos seus parentes, o que certamente foi o fator primordial para que, por meio de uma excelente adaptação, ultrapassassem essa seleção natural decisiva para a extinção de outras espécies naquela região.

Quanto aos seus caracteres físicos, chamam a atenção a sua pelagem mais densa e de um marrom bastante escuro, uma coloração branca dos seus lábios e orelhas, um peso que não ultrapassa os 150 kg e um comprimento entre 1,4 e 1,8 m; medidas que o tornam a segunda menor espécie do gênero, atrás apenas do Tapirus kabomani.

3. Anta Centro-Americana

Tapirus bairdii é o nome científico da Anta-centro-americana; e como podemos observar nessas fotos, ela têm como principal característica o fato de ser a maior desse gênero no continente americano; sendo capaz de atingir os impressionantes 400 kg de peso e até 2,6 m de comprimento!

Essa espécie tem também como característica habitar algumas regiões da América Central, bem como o norte da Colômbia, Equador e Venezuela; sempre em regiões alagadas, como a espécie que mais aprecia o ambiente aquático dentro dessa comunidade dos Tapirus.

A sua coloração varia de um castanho-escuro para um acinzentado, com detalhes mais claros no pescoço e no rosto; e ainda com algumas marcas mais escuras nas laterais dos olhos e nas bochechas.

Esse animal também caracteriza-se por ser o que mais aprecia todos os horários do dia; podendo ser encontrado tanto pela manhã quanto pela tarde e noite; sempre forrageando brotos, ervas, folhas, flores, frutos, entre outras iguarias que compõem a sua dieta básica.

4.Anta Kabomani

Essa é a “Anta-pretinha”. Uma singularidade! Uma espécie recentemente encontrada na região da Amazônia, e que agora tornou-se o mais novo membro desse original e singular gênero Tapirus.

O animal tem como principal característica ser o menor dentre todas as cinco espécies conhecidas nessa comunidade – ele dificilmente ultrapassa os 110 kg e 1,3 m de comprimento.

Dentre as principais características do Tapirus kabomani podemos destacar a coloração da sua pelagem, entre o marrom e o cinza-escuro; além de uma faixa branca que distribui-se ao longo do seu pescoço.

E neles chama a atenção também o fato de que o macho apresenta-se com um tamanho visivelmente menor do que as fêmeas.

Habitat

E o seu habitat de origem são as áreas alagadas, matas ciliares, florestas secundárias, trechos de restingas, entre outras vegetações como estas na América do Sul, mais especificamente nos territórios de Rondônia, Roraima, Amapá e Mato Grosso.

Mas também é possível encontrar exemplares da Anta-pretinha nos territórios da Guiana Francesa, Suriname e Colômbia; e sempre como um típico animal frugívoro e com hábitos tipicamente noturnos.

Anta e Filhote
Anta e Filhote

Na verdade esse é o período do dia escolhido por esses animais para saírem à caça de folhas, flores, brotos, ervas e principalmente os frutos das espécies de Arecaceaes, Astrocaryum, Attalea, entre outras variedades típicas do bioma da Floresta Amazônica.

Foi somente no ano de 2013 que esse exemplar do gênero Tapirus foi finalmente descrito, apesar do fato de que desde meados dos anos 20 ele já era conhecido como supostamente uma espécie distinta das que até então haviam sido catalogadas dentro desse gênero.

E tal descoberta só foi possível mesmo graças ao que há de mais moderno em engenharia genética; que foi o que possibilitou que o seu cabedal cromossômico fosse investigado com maior profundidade.

Principais Curiosidades Sobre as Antas-Brasileiras

Sem dúvida, uma das principais curiosidades sobre as antas-brasileiras é o fato de que não há herbívoro ou mamífero no Brasil que se lhes comparem quando o assunto é tamanho! – algo que costuma ser uma surpresa, especialmente em se tratando de uma animal tão pouco valorizado.

E como uma excelente nadadora, a anta-brasileira é capaz de percorrer quilômetros a fio sem descanso; e não terá dificuldade alguma em fazer longas travessias para buscar as iguarias que mais aprecia.

Anta na Grama
Anta na Grama

Outra coisa que chama a atenção nessa espécie é o seu gosto por percorrer sempre os mesmos caminhos ou trilhas em busca de alimento ou para executar os seus respectivos processos reprodutivos.

Mas isso, infelizmente, é algo que também contribui, como diversos outros fatores, para acelerar o processo de extinção desses animais, que se veem em dificuldade sempre que algum trecho dos seus habitats naturais é engolido pelo progresso.

O que se diz é que uma onça-parda ou uma pintada quando se veem na necessidade de atacar uma dessa antas em ambiente aquático – apesar da reconhecida habilidade dessas espécies dentro d’água – , acabam entrando em apuros; e geralmente tendo que desistir da empreitada.

E para se ter uma ideia da importância desse animal e do seu nicho ecológico, basta saber que ela é conhecida pelos nativos como “a jardineira das florestas”, muito por causa do excelente papel que executa como dispersora de sementes na natureza.

As antas são capazes de atuar em benefícios dos mais diversos tipos de variedades; isso porque, ao frequentarem com igual desenvoltura os ambientes terrestre e aquático (além do seu apetite insaciável), essas sementes acabam encontrado diversos canais por meio dos quais possam seguir distribuindo espécies vegetais por praticamente todos os ecossistemas da região amazônica.

Mas Será que Elas São Realmente Sinônimos de Estupidez?

A resposta é não! Longe disso! Na verdade esse gênero Tapirus é considerado um dos principais guardiões do meio ambiente.

Isso porque sabe-se, por exemplo, que esse seu hábito de circular por diversos ecossistemas, florestas secundárias, matas ciliares, trechos de restingas, campos abertos, além de possuírem uma intensa relação com o ambiente aquático, contribui para que diversos ecossistemas sejam de alguma forma conhecidos apenas pela investigação dos seus hábitos.

E tudo o mais que possamos relatar sobre as principais curiosidades acerca das antas dizem respeito, por exemplo, ao fato de elas serem excelentes aliadas da ciência.

Através do exames de amostras das suas fezes, urina, tecidos, pelos, entre outros materiais, é possível até mesmo determinar a quantas anda o ecossistema onde elas habitam – nível de agrotóxicos, qualidade do ar, escassez de determinadas presas, entre outras alterações que precisam ser descobertas a tempo.

Mas, se tudo isso ainda não for o suficiente para não deixar dúvidas sobre a importância das antas no meio ambiente, saiba que essa é uma das espécies selvagens que podem ser adestradas – e até com uma certa facilidade!

Close na Anta
Close na Anta

Uma anta criada como uma animal de estimação poderá ser treinada para pegar objetos, avisar sobre as suas necessidades fisiológicas, abrir a porta para alguém que estiver impossibilitado, entre outras ações não menos impressionantes.

Isso sem contar o fato de essas antas possuírem uma capacidade de memorização semelhante à dos elefantes, além de uma razoavelmente complexa estrutura neuronal, entre outras características que fazem cair por terra essa tão ingrata associação entre as antas e a estupidez humana.

O Dia Mundial das Antas

Sim, isso mesmo que vocês acabaram de ler! Elas, as antas, também possuem o seu dia – e com todo o mérito! E é o dia 27 de abril. O dia em que o mundo todo “para” pra comemorar uma data que celebra a existência de uma das espécies Sul-americanas que estão há mais tempo entre nós – com as últimas investigações apontando para mais de 2,5 milhões de anos de convivência.

O dia foi sugerido pelo chefe de recursos humanos Anthony Long, no ano de 2008, como uma forma de alertar para o fato de que uma espécie tão essencial para o meio ambiente não pode ser assim tão ignorada – inclusive no seu habitat natural, a América do Sul.

Filhote de Anta
Filhote de Anta

Ignorada a ponto de ter sido extinta em vários ecossistemas; e em risco de desaparecer na maioria dos seus habitats naturais; como uma das mais curiosas singularidades que podem ser observadas na natureza selvagem.

Na opinião do criador do projeto, é incrível como o maior mamífero de um país (no caso Brasil), uma das espécies mais importantes dentro do seu ecossistema e que pertence a um dos gêneros que há mais tempo estão presentes nas Américas seja completamente ignorado.

As antas, por exemplo, não fazem parte do “imaginário popular”, não aparecem em filmes, séries, desenhos e nem nas demais produções cinematográficas que tratam desse universo do Reino Animal. Talvez pelo seu aspecto, convenhamos, um tanto quanto bizarro; em uma mistura de porco, cavalo e elefante que realmente é difícil de cativar.

No começo a iniciativa de criar o “Dia Mundial da Anta” foi tomado quase como uma brincadeira, com algumas atividades online, concursos, premiações, perguntas e respostas; até que, no final 2008, a coisa simplesmente “pegasse!”.

E aí então cerca de 25 países aderiram ao projeto e começaram a realizar eventos todo o dia 27 de abril de cada ano; sendo a data, inclusive, incorporada ao calendário anual de festas de países como Belize, Malásia, entre outras nações que têm esse animal como um dos caros representantes das suas faunas.

27 de Abril: Uma Data Especial para o Gênero Tapirus

Mas engana-se quem pensa que a escolha do dia 27 de abril foi aleatória. Longe disso! A data foi cuidadosamente escolhida, levando-se em consideração a possibilidade de conflito com outros festejos, a necessidade de fazer com que ela caísse em uma estação não muito fria ou chuvosa na maioria dos países, além do fato de que 27 de abril é o aniversário da anta April, que desde 1983 vivia em um zoológico em Belize, para onde foi enviada doente e quase desenganada.

Duas Antas Sentadas
Duas Antas Sentadas

Antes da sua morte, April foi finalmente retirada do zoológico de Belize e transportada para uma reserva ambiental; e também por isso, todos os anos, essa é uma oportunidade de lembrar, segundo os membros do movimento, a importância de manter os animais silvestres nos seus habitats naturais.

Ainda segundo os idealizadores do Dia Mundial da Anta, é importante que as pessoas tenham a plena consciência da necessidade da preservação das espécies da flora e da fauna do planeta, pois são estas as principais responsáveis por garantir (de forma natural) a dispersão de sementes e de pólen por todo o meio ambiente – duas ações que garantem o cultivo espontâneo de quase 80% das espécies vegetais da natureza.

Filhote de Anta Deitada
Filhote de Anta Deitada

Por isso, os conselhos são sempre no sentido de que os indivíduos passem a apoiar mais as organizações não governamentais de proteção às espécies da flora e da fauna.

Além de adquirir hábitos considerados sustentáveis, respeitar os limites que separam o homem desses animais silvestres e evitar o consumo de produtos fabricados com as espécies que servem de dieta básica para esses animais.

Entre outras formas de garantir um convívio harmônico e saudável com a natureza; se não por amor, ao menos pela certeza de que a fauna do planeta é indispensável para a nossa própria sobrevivência.

Fontes:

https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/3998/1/273272.pdf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tapirus_terrestris

https://www.infoescola.com/mamiferos/anta-brasileira/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/fauna/noticia/2016/10/anta-e-o-maior-mamifero-herbivoro-do-brasil-e-chega-pesar-250-quilos.html

https://www.ipe.org.br/ultimas-noticias/1639-a-origem-do-dia-mundial-da-anta-e-o-que-isso-ajuda-na-conservacao-da-especie

https://www.azab.org.br/arquivos/Campanha%20ANTA%20-%202013/Antas%20do%20Mundo.pdf

https://veja.abril.com.br/ciencia/megafauna-foi-crucial-para-fertilizar-a-amazonia/

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