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Como Fazer Muda de Caju Com a Castanha?

Sim, é possível fazer mudas de caju a partir das suas castanhas. E, para tal, você poderá utilizar-se de instrumentos simples, como uma garrafa pet divida ao meio e transformada em um recipiente. Ou mesmo com um outro recipiente qualquer de plástico, a fim de que funcione como uma espécie de estufa.

Separe castanhas de caju aparentemente saudáveis, firmes, vigorosas e que afundem ao ser colocadas na água. Essas castanhas deverão ser recolhidas de frutas totalmente maduras – prestes a cair mesmo – , e logo após, mantidas em um ambiente seco, fresco, com sombra e bastante ventilado, a fim de secá-las, e com isso evitar que apodreçam no substrato.

A castanha poderá ser acomodada em pé ou deitada, a no máximo 3 cm de profundidade, num recipiente contendo um bom substrato, drenável, à base de fibra de coco, casca de arroz carbonizada, solo hidromórfico, palha de carnaúba, entre outras composições que garantam boa umidade sem o risco de encharcar a semente.

Efetue regas diárias, pelo menos duas por dia durante 30 dias, a fim de garantir a umidade necessário para o período mais dramático do desenvolvimento das espécies vegetais, que é justamente o período de germinação até que elas atinjam uma altura entre 40 e 60 cm – fase da vida em que água e nutrientes deverão ser oferecidos de forma generosa.

Colhendo Os Resultados Das Mudas De Caju Feitas a Partir Das Castanhas

Se tudo ocorrer bem, entre 3 e 4 meses você já terá feito as suas mudas de caju a partir das castanhas. Lembrando, porém, que esse processo produz mudas de cajueiro conhecidas com o sugestivo nome de “Cavalo” ou “porta-enxerto”; uma muda especialmente produzida para enxertar outra muda.

Portanto, o recomendado, para melhores resultados, é que você adquira um exemplar já enxertado, ou então utilize essa muda produzida a partir da castanha sem, obviamente, a garantia de sucesso que uma muda enxertada pode oferecer.

Não sendo demais lembrar, também, que o cajueiro é uma planta típica do ambiente árido, seco e quente do semiárido nordestino. Ele costuma não responder bem ao clima tipicamente “subtropical”, “tropical úmido” e “tropical de altitude” das regiões Sudeste e Sul do país.

E por isso mesmo, para que se obtenha bons resultados, certifique-se de que poderá oferecer a essa muda um ambiente ensolarado, com ventos moderados, boa luminosidade, temperaturas nunca inferior a 15°C e superior a 40°C, entre outras condições típicas do seu habitat de origem.

A Viabilidade Econômica Das Mudas De Caju Produzidas a Partir Das Suas Castanhas

A importância do caju, aqui em nossas terras, está para além de fatores econômicos. A espécie é símbolo do semiárido nordestino. É a que permanece firme, exuberante e vigorosa, com o seu verdor característico, mesmo quando a “sombra negra” da seca se abate sobre o sertanejo.

Da sua polpa extrai-se um suco com sabor e refrescância inconfundível! Dela também produz-se um vinho e um licor dos mais originais. É possível aproveitar a sua madeira para a produção de móveis e artefatos. E uma resina produzida pela espécie agora se sabe que pode servir como matéria-prima para a produção de um excelente plástico biodegradável.

Isso sem falar da sua castanha! A sua riqueza! Na verdade o seu verdadeiro fruto – por mais difícil que seja acreditar – , um manancial de gorduras poli-insaturadas e monoinsaturadas que, entre outros benefícios, tem o de aumentar o chamado “colesterol bom” (o HDL) e diminuir o odiado “colesterol ruim”, conhecido simplesmente como LDL.

O Ceará é atualmente considerado o principal produtor de caju do Brasil, observado bem de perto – quase nos seus calcanhares – pelo estado do Piauí, que, juntamente com a terra da arara-vermelha e do periquito-de-bochecha-parda, abocanham uma fatia de mais de 80% da produção de caju do país.

E que é o que ainda mantém o Brasil como um dos 5 maiores produtores de caju do mundo (apesar de amargar a 10º posição nos últimos anos), sempre ali, disputando ferrenhamente com a Índia, Costa do Marfim, Vietnã, Nigéria e Indonésia, o posto de maior representante da cajucultura mundial.

As Principais Técnicas Para a Produção De Mudas De Caju

Além de produzir ou fazer mudas de caju com a castanha, é possível também utilizar-se de outras técnicas, como as da enxertia e da clonagem, por exemplo, que geralmente diferenciam-se pelo tempo de espera para que a espécie dê frutos, além da velocidade do seu desenvolvimento, que pode ser reduzida ou aumentada em pelo menos 50%.

A técnica da enxertia, por exemplo, consiste na fixação de um ramo ou galho de uma planta em outra (o porta-enxerto), com o objetivo de fazer com que ambas tornem-se, após o seu desenvolvimento, uma única planta, com todas as suas principais características, com exceção de algumas relacionadas com o seu sequenciamento genético.

Já a produção de mudas por sementes ou castanhas de caju é considerada a técnica mais tradicional. No entanto, devido ao tempo necessário para que a planta comece a dar frutos (geralmente 5, 6 ou até 7 anos!), essa técnica, apesar de tradicional, hoje restringe-se apenas à produção de “cavalos” ou porta-enxertos.

Mas há também a técnica de produção de mudas de caju por meio de clones. Essa é uma técnica relativamente nova (ao menos no Brasil), que não deve ter mais do que 35 ou 40 anos, e que consiste na seleção de mudas por meio da manipulação genética de uma planta, a fim de que o resultado seja a criação de uma espécie com as mesmas características genéticas – algo impossível por meio da enxertia.

A estaquia é outra das principais técnicas recomendadas para quem quer que deseje saber como produzir mudas de caju por outra técnica que não seja a do plantio das castanhas.

E para levá-la a bom termo utilize ramos fortes e vigorosos de uma planta já desenvolvida – geralmente a sua parte basal – , com cerca de 8 ou 10 cm de comprimento, para serem fincados em um bom substrato.

Castanhas
Castanhas

Mas não se deve esquecer, porém, que a parte enterrada deverá ser totalmente desfolhada, já que tudo o que estiver sob o solo, que não seja a própria estaca, certamente irá apodrecer por completo.

Lembrando, por fim, que somente um profissional será capaz de definir qual a melhor técnica para a produção de mudas, sejam elas quais forem. Já que inúmeras variáveis costumam estar envolvidas no sucesso de uma empreitada como essas; e a espécie utilizada é uma das que fazem toda a diferença no cultivo.

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