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Manual de Identificação de Fungos: Guia Prático

Eles estão por toda a parte. Nos organismos vegetais, animais e minerais. Eles podem ser introduzidos no organismo humano na forma de esporos que circulam livremente no ar, ou mesmo como mitosporos que constituem-se como esporos localizados nas extremidades das hifas – e capazes de dar origem a novos fungos de forma assexuada.

Nesse manual de identificação de fungos iremos tratar de uma das comunidades mais controversas da natureza; organismos capazes de demonstrar uma grande utilidade na decomposição de restos orgânicos e para a produção de alimentos, mas também constituirem-se como terríveis parasitas, a utilizarem o organismo humano e de outros seres vivos como simples hospedeiros.

É verdadeiramente uma comunidade das mais polêmicas, que pode atuar como uma das principais parceiras do meio ambiente na medida em que alivia a biosfera terrestre de praticamente todos os resíduos existentes, mas que também contribui sobremaneira para a manutenção de vários segmentos da atividade humana, como a da biotecnologia, nutrição, veterinária, agricultura, fármácia e, obviamente, a medicina humana.

O curioso é que até recentemente a ciência se via à volta com inúmeras dificuldades para catergorizar essa comunidade dos fungos. Até o final dos anos 60 eles costumavam ser categorizados, uma ora como animais, outra como vegetais, até que finalmente fossem separados como um reino à parte, o singular e original “Reino Fungi”.

Uma comunidade que abriga algo em torno de 1,5 milhão de espécies, com características que explicam um pouco a dificuldade que até pouco tempo se tinha para classificá-los adequadamente; como por exemplo, um núcleo limitado por membranas, estrutura cromossômica bem definida, a característica de seres heterotróficos, a presença de paredes celulares, vacúolos, entre outras características compartilhadas com os outros reinos.

Mas também algumas característica únicas, como um desenvolvimento na forma de hifas ou leveduras, uma reprodução por fissão binária ou gemulação, além de não possuírem celulose (uma diferença essencial das plantas) em sua parede celular.

Identificação de Leveduras e Fungos Filamentosos na Água

Para a identificação de fungos e leveduras em ambiente aquático geralmente utiliza-se de um meio não seletivo onde esses fungos (prejudiciais ou não prejudiciais à saúde) possam ser mantidos para a sua correta descrição.

São meios como o Sabouraud Dextrose Agar, Dichloran Rose-Bengal Chloramphenicol aAR, dIchloran Glycerol, entre outros capazes de isolar, descrever e numeras esses micro-organismos, sejam eles dermatófitos (causadores de doenças em homens e animais), Penicilium, Geotrichum, Aspergillus, entre diversos outros tipos.

A esses meios para a cultua de fungos, também podem ser acrescentados uma quantidade entre 100 e 150mg de clorafenicol, cujo objetivo é impedir que outros micro-organismos (em especial as bactérias) desenvolvam-se no meio onde esses fungos são mantidos, a fim de que todo o trabalho não seja comprometido muitas vezes de forma irreversível.

Leveduras e Fungos Filamentosos na Água

Mas também é possível utilizar-se do método de filtração por membrana para a identificação de diversos tipos de fungos presentes na água.

Nesse caso, mais uma vez, os fungos filamentosos e leveduras são os que melhor respondem a essa técnica, que consiste, basicamente, na prévia esterilização do equipamento, com consequente filtração até que os micro-organismos possam ser colocados em um meio de cultura apropriado, para serem incubados em placas com temperaturas de 15, 25 ou 37 graus centígrados.

Esses fungos deverão ser mantidos por um período entre 8 e 10 dias, até que se perceba o desenvolvimento de novas colônias, agora com as suas características desenvolvidas o suficiente para que possam ser analisadas, coletadas, descritas e identificadas.

A identificação de Fungos de Importância Médica

O objetivo desse manual de identificação de fungos é esmiuçar, de forma definitiva, esse universo que contempla cerca de 250 mil espécies, sendo que, desse total, não mais do que 150 são descritas como micro-organismos prejudicais à saúde humana; o que nos leva à conclusão de que estamos falando aqui de uma comunidade com uma importância capital para o equilíbrio da biosfera terrestre.

Eles estão no ar, no organismo dos seres vivos, presentes no solo, na água, nos vegetais; e sempre com funções relativamente complexas.

Como os patógenos, por exemplo, que atuam numa complexa relação parasita x hospedeiro, em que este último configura-se como um excelente abrigo, numa relação desvantajosa, em que só recebe dos parasitas graves danos à sua saúde.

Já os micro-organismos filamentosos, como os mofos, bolores, entre outros micro-organismos patológicos, são mais afeitos ao ambiente vegetal, onde transformam-se em parte essencial da sua microbiota, como manifestações provenientes de várias causas, entre elas, o excesso de umidade.

Mas, tratando especificamente dos fungos prejudiciais à saúde humana, uma das suas principais características é a sua preferência por introduzir-se no organismo dos seres vivos por meio das vias respiratórias, ou então aproveitando-se de lesões, machucados ou ferimentos que possam lhes servir como uma excelente via de acesso.

Um desses exemplos são os já bastante conhecidos de todos nós como talvez o tipo de fungo mais comum nos seres humanos: as espécies da comunidade Candida. Os maiores empecilhos para a manutenção de um ambiente hospitalar saudável e uma das quatro comunidades de fungos mais responsáveis por processos de septicemia em ambiente hospitalar.

Uma Comunidade com Características Bastante Complexas

A candidíase é uma infecção por micro-organismos patológicos da comunidade das Candidas.

No ambiente hospitalar eles costumam ser notados por meio de uma febre com uma intensidade relativamente preocupante, geralmente quando há uma infecção por duas ou três culturas diagnosticadas como positivas e pertencentes a uma mesmo gênero.

Os primeiros passos para a identificação do patógeno começa com a realização de exames micológcos de sangue, ponta de catéteres intravasculares, escarro, exame de urina, entre outros procedimentos que possam indicar uma cultura positiva de leveduras já em processo de colonização ou numa fase mais invasiva e consideraa crítica.

Essa análise, para a sua melhor eficácia, deverá ser realizada diariamente, durante no mínimo 72 horas, a partir de 3 ou 4 amostras que deverão ser coletadas de uma mesma região ou de outros locais do organismo do apciente, de acordco com o que preconizam os manuais com as melhores práticas para a identificação de fungos patológicos com desenvolvimento no organismo humano.

Dentre as principais espécies de fungos do grupo das Candidas, que podem atacar pacientes submetidos a tratamentos em ambiente hospitalar, estão a Candida tropicalis, Candida glabrata,Candida lusitaniae, Candida krusei, Candida parapsilosis, entre diversas outras com maior ou menor grau de agressividade.

Porém devemos dar aqui um especial destaque para a C.glabrata; o verdadeiro terror dos paciente internados; a maior responsável pelos casos de morte, e que parece ter uma preferência toda especial por indivíduos com idade mais avançada e com doenças de maior gravidade.

Outras Ameaças ao Ambiente Hospitalar

Mas, nem de longe, as espécies do grupo Candida podem ser consideradas, aqui nesse manual para a identificação de fungos, como os principais transtornos aos quais os pacientes são submetidos em ambiente hospitalar.

Existem vários outros capazes de infestar o ambiente hospitalar e agredir, terrivelmente, o organismo já suficientemente combalido dos pacientes.

E dentre os tipos mais comuns, podemos destacar as espécies do gênero Rhodotorula sp., Pichia sp., Trichosporon sp., Aspergillus sp., Penicilium, entre outras que geralmente aproveitam-se de situações atípicas nos hospitais, como péssimas condições de higiene, reformas das instalações, entre outras condições anormais que possam fazer com que tais micro-organismos sejam introduzidos por inalação.

Candidíase

Indivíduos submetidos a transplantes, outros com a imunidade abalada, pacientes que passam por tratamentos de quimioterapia intensiva, alguns deles com infecções anteriores por outros micro-organismos ou com outras condições prévias, parecem ser os mais suscetíveis ao ataque.

E em muitos casos, tais ataques acabam resultado no desenvolvimento de endocardites, infecções respiratórias, septicemia, ceratites, além de várias outras infecções outrora atribuídas à condição de debilidade do paciente, mas que agora já se sabe que têm como principais causas o ataque de micro-organismos patológicos, em especial os fungos, que estão entre as principais ameaças a paciente em internação hospitalar.

As Formas de Isolamento dos Fungos Identificados em Ambiente Hospitalar

A correta identificação de um fungo patológico depende, essencialmente, da qualidade da amostra que é submetida ao laboratória para análise e comprovação da sua identidade nesse universo dos fungos filamentosos e não-filamentosos que acomentem pacientes submetidos a internação hospitalar.

O próximo passo será a observação da sua estrutura por meio de um microscópio, secundada por uma cultura para o isolamento e identificação do agente etiológico de forma precisa e acurada, como forma de de diminuir consideravelmente a margem de erro.

Mas não podemos esquecer que o ambiente para o acondicionamento do fungo deverá ser submetido aos procedimentos de assepsia recomendados pelos principais manuais de identificação de fungos, além da necessidade de acondicionar o micro-organismo em um recipiente hermeticamente fechado e estéril.

Outra coisa importante a saber sobre a coleta de amostras de fungos em pacientes submetidos a internação, é que, no caso de recolhimento na região dos ouvidos, boca, narinas, olhos, região vaginal, nasofaringe, entre outros locais, este deverá ser feito em swabs, que serão corretamente acondicionados em recipientes contendo salina estéril, de modo a que possam ser transportados sem o risco de que acabem secando durante a viagem.

Como Identificar o Mofo nas Plantas e na Terra

Uma vez que uma espécie de fungo é identificada, ela deverá ser corretamente descrita para que de imediato sejam tomadas medidas para retirá-la com segurança do solo.

A maioria dos fungos não prejudiciais à saúde humana são mais fácil de remover; bastará, por exemplo, substituir parte do solo atacado pelo fungo por outra composição saudável.

É provável que os esporos de fungos permaneçam no solo, mas com mais luz solar sobre ele, e com o uso de alguns agentes antifúngicos naturais (como canela moída, fermento químico em pó, alho, óleo de coco, etc), é provável que você consiga resolver o problema adequadamente.

Mofo nas Plantas

Para fungos que podem ser retirados das folhas por raspagem, o produtor poderá escolher um dia ensolarado e usar uma toalha de papel umedecida para remover o mofo, e até mesmo cortar as folhas afetadas.

Para estes mofos foliares, muitas vezes é necessário também utilizar um frasco de spray com uma solução antifúngica. E para não perder a produção se o fungo afetar as plantas durante a cura alguns produtores costumam usar também estratégias como o uma mistura de butanol e álcool para aproveitar-se dos seus ingredientes ativos.

Mas, atenção: esses métodos não são comprovados pela ciência, devem ser utilizados essencialmente por profissionais, já que certamente serão arriscado para pessoas que não possuem a experiência técnica necessária.

Por que as Plantações Desenvolvem Mofo?

O mofo não passa de uma infecção por fungos filamentosos (sem atingirem a condição de cogumelos). E esse é um problema comum entre os produtores, porque em 100% dos casos ocorre em um ambiente úmido, escuro abafado, devido à disseminação de esporos que podem atingir o crescimento de inúmeras maneiras.

O crescimento de mofo ocorre quando o meio possui uma abundante fonte de nutrientes para o desenvolvimento desses corpos. Isso significa que, além dos nutrientes essenciais, o ambiente deve estar suficientemente úmido.

Por exemplo, o solo é um substrato ideal para vários grupos de fungos. No entanto, existem outros grupos especializados e adaptados para se instalarem em outros lugares, como folhas, flores e caules.

Em suma, a receita ideal para a constituição de mofo é altas temperaturas e umidade, má circulação de ar, excesso de água e falta de luz solar.

Mas o Cultivo de Mofo é Sempre um Problema?

De forma alguma. Os fungos nem sempre são um problema. Eles às vezes participam de várias interações com as plantas, e algumas são benéficas para ambos os lados, enquanto outras são prejudiciais apenas para os fungos, ou mesmo terrivelmente danosa para as plantas.

Nesse manual para identificação de fungos chamamos a atenção para as diversas associações que podem ocorrer entre fungos e as chamadas micorrizas, por exemplo; e aqui temos uma relação conhecida em biologia como simbiose; um tipo de reciprocidade em que ambas as partes (fungo e a raiz da planta) beneficiam-se com o relacionamento

O problema com esses fungos está frequentemente associado a microorganismos ou agentes patogênicos, pois são patógenos que podem causar doenças em plantas, nos seres humanos ou em ambos.

Um exemplo deles é o Aspergillus, que é um gênero que contém organismos comuns em cultivares plantadas em ambientes internos e externos; e além de ressecarem as plantas atacadas, esses fungos podem até causar doenças respiratórias graves quando os esporos são inalados pelos seres humanos.

Basicamente, o mofo nas culturas é responsável pelo seu enfraquecimento e interfere, drasticamente, no crescimento das plantas.

Nos estágios iniciais, os fungos são ainda mais danosos, porque a competição com a planta por nutrientes e substrato pode impedir a formação de raízes fortes e a absorção dos elementos necessários para o seu pronto desenvolvimento. Além disso, é bastante comum que o fungo apareça após a colheita, durante a cura ou a secagem dos produtos.

A depender do tipo de fungo e da sua toxicidade relacionada ao consumo humano, pode até ser necessário descartar toda a produção, pois mesmo em flores onde o mofo não pode ser observado, esporos de fungos podem ocorrer e causar problemas graves à saúde, como pneumonia, micoses, dores de cabeça, vômitos, entre outras afecções.

Como Identificá-los para Prevenir um Futuro Surgimento

Identificar esse problema do surgimento do mofo em uma plantação é tarefa relativamente simples, porque esses micro-organismos geralmente apresentam um conjunto de hifas (fibras celulares) facilmente identificáveis, e que podem ser vistas a olho nu durante a fase de crescimento da planta.

No entanto, para uma melhor análise, recomenda-se que o produtor utilize uma lupa como ferramenta ou luz negra para fornecer contraste. Isso porque os fungos podem apresentar cores diferentes, como um amarronzado, amarelo, branco ou acinzentado.

Cultivo de Mofo é Sempre um Problema

A área plantada irá parecer que está repleta de pequenos fios de cabelos que assemelham-se a “algodão”; às vezes dispostos em uma camada mais fina ou mais grossa; e essas serão as características dos mofos encontrados nas plantas – apesar de que manchas enegrecidas também poderão denunciar a presença de fungos em um ataque severo sobre as espécies vegetais.

Em fim, em se tratando de fungos, não há muitos segredos para evitar o seu surgimento. O importante será sempre evitar que eles encontrem as condições que mais apreciam, entre as quais, excesso de água e pouca incidência de luz solar.

Proteção e Prevenção

A primeira coisa a considerar quando se trata da prevenção de fungos é o controle da umidade.

Os bolores aparecem em áreas úmidas; logo, as plantações constituídas em locais muito secos geralmente não sofrem com esse tipo de problema.

Além da umidade atmosférica, a umidade da terra também merece uma atenção toda especial; e a prevenção do acúmulo de água no solo (devido a problemas estruturais do terreno) e a sua correta impermeabilidade à água, são também sugestões para outros problemas de cultivo – apesar de também impedir o crescimento de fungos prejudiciais.

Outra coisa importante a saber nesse manual de identificação de fungos é que essas espécies costumam prosperar em locais quentes com baixa circulação de ar. Portanto, o controle de temperatura e um bom sistema de ventilação podem impedir esse tipo de ataque ao longo de um ano inteiro.

E todas essas medidas preventivas destinam-se a proporcionar um ambiente hostil para os fungos, apesar de sabermos que é muito difícil impedir que esporos atinjam a área de cultivo, já que essas unidades de dispersão de fungos (os esporos) são organismos microscópicas.

Logo, o cultivador poderá usar filtros nos canos de ar e se esforçar para acessar a área cultivada apenas com equipamentos e roupas adequadamente desinfetadas e limpas.

E poderá, também, impedir o crescimento de fungos nas plantas curadas com a ajuda de vários produtos que mantenham a umidade baixa, como a Boveda, que deverá ser utilizada em concomitância com um trabalho de regeneração frequente do ar nos vasos.

Outros produtos que podem ser usados são pesticidas e fungicidas à disposição no mercado; e que deverão ser utilizados de acordo com a prescrição de um especialista.

Principais Características dos Fungos

Antes da aplicação das técnicas moleculares para a observação da filogenese dos fungos, os taxonomistas acreditavam que o Reino Plantae era quem abrigava essa comunidade, muito por conta das similaridades encontradas em suas formas de desenvolvimento: tanto os fungos quanto as plantas são imóveis e apresentam similaridades quanto às suas estruturas morfológicas e também quanto aos locais onde podem ser encontrados no meio ambiente.

Assim como as espécies vegetais, os fungos quase sempre desenvolvem-se na região do solo; e tratando especificamente dos fungos, o que podemos observar é um singular desenvolvimento na forma de estruturas frutíferas bastante visíveis, e muitas vezes também como plantas da comunidade dos musgos.

Mas os fungos hoje são descritos como pertencentes a um reino em separado; eles estão separados das plantas e dos animais; e o que tudo indica é que que essa separação já comemora cerca de 1 bilhão de anos.

No entanto, sabemos que os fungos apresentam funções que são comuns a outros eucariotos. Por exemplo: os núcleos das células fúngicas são cobertos por membranas e contêm cromossomos com DNA formado por regiões codificadoras e não codificadoras.

Características dos Fungos

Ademais, os fungos possuem nas suas constituições espécies de organelas citoplasmáticas delimitadas por membranas, como as mitocôndrias – com as suas membranas contendo esteróides, ribossomos e outras organelas.

Eles também possuem um conjunto característico de aminoácidos e substâncias acondicionadas e solúveis contendo dissacarídeos, polióis e polissacarídeos (em especial o glicogênio também identificado no organismo dos animais).

E com relação aos animais, essa comunidade Fungi diferencia-se justamente por não apresentarem cloroplastos e por serem organismos heterotróficos que requerem compostos orgânicos pré-formados como fontes de alimentação básica.

E semelhantemente ao que ocorre com os vegetais, os fungos também desenvolvem vacúolos e parede celular, reproduzem-se sexualmente e assexuadamente, e assim como os principais grupos de plantas (como samambaias e algas), produzem esporos que podem ser facilmente inaláveis.

E assim também como ocorre com as bactérias e com os estrolenóides, os fungos mais avançados (eugenolitos e algumas bactérias) sintetizam o carboidrato L-lisina nos estágios específicos da biossíntese no caminho do alfa-aminoadipato.

Uma Comunidade das mais Singulares

Nesse manual para a identificação de fungos chamamos a atenção para as estruturas celulares da maior parte dos fungos, que desenvolvem-se como organismos em forma de túbulos longos e filiformes chamados hifas, que podem conter um grande número de núcleos que estendem-se pelas suas extremidades.

Cada hifa contém uma série de vesículas – construções celulares formadas por um conteúdo proteico, além de lipídios e algumas variedades de moléculas orgânicas -, e tanto os fungos quanto os Oomycetes crescem como células filamentosas. Mas é justamente o que não ocorre, por exemplo, com alguns organismos de aparência semelhante, como as algas verdes filamentosas, que crescem através da divisão celular repetida em toda a cadeia celular.

E uma curiosidade acerca dessa comunidade de fungos, é que mais de 60 espécies são capazes de exibir  uma curiosa bioluminescência, assim como ocorre com algumas espécies de plantas e animais. E essa bioluminescência pode apresentar-se em tons esverdeados, esbranquiçados e em outras colorações tão ou mais singulares.

Alguns Recursos Exclusivos Dessa Comunidade dos Fungos

Existem variedades de fungos que desenvolvem-se na forma de leveduras unicelulares para uma reprodução por brotamento ou fissão dupla. E estes, quando são dimórficos, podem variar entre uma fase de levedura e hifal, dependendo das condições do meio onde vivem.

Glicano e quitina são substâncias formadoras da parede celular fúngica. E enquanto o primeiro é encontrado nas plantas, o segundo no exoesqueleto dos artrópodes.

Os fungos são as únicas estruturas vivas que acoplam essas duas moléculas da sua estrutura às suas paredes celulares, e, ao contrário do que ocorre com as plantas e Oomycetes, eles não apresentam celulose em suas paredes celulares.

Comunidade dos Fungos

Outra coisa interessantes a saber nesse manual de identificação de fungos, é que a maioria deles não possui um sistema eficaz para transportar água e nutrientes por longas distâncias, como o xilema e o floema de muitas espécies vegetais.

Para superar essas dificuldades, alguns fungos, a exemplo das espécies do gênero Armillaria, constituem-se por rizomas que são morfologicamente e funcionalmente similares às raízes das plantas.

Outra característica em comum com as plantas é a maneira bioquímica utilizada pelos fungos para produzir terpenos, em que o ácido melavônico e o pirofosfato são utilizados como precursores. No entanto, as plantas têm um caminho bioquímico para a produção de terpenos em cloroplastos, e essa estrutura está ausente nos fungos.

Por fim, sabe-se que os fungos produzem vários metabólitos secundários estruturalmente semelhantes ou idênticos aos produzidos pelas plantas. E muitas enzimas vegetais e fúngicas que produzem esses compostos diferem-se na sequência de aminoácidos e em outras propriedades, indicando origem e evolução distintas dessas enzimas em fungos e plantas.

A Diversidade Dessa Comunidade dos Fungos

Os fungos podem desenvolver-se em praticamente todos os quatro cantos do mundo, em uma ampla variedade de habitats, incluindo desertos, áreas com altas concentrações de sal, ou mesmo ambientes extremos com radiação ionizante e sedimentos – como os do fundo do mar.

Já outros podem até fazer frente aos raios ultravioletas e cósmicos intensos durante viagens espaciais; e boa parte deles crescem em ecossistemas terrestres, apesar de algumas espécies viverem parcial ou completamente na água, como o quitrídio Batrachochytrium dendrobatidis, por exemplo; um micro-organismo que contribui, positivamente, para que a população de anfíbios apresente uma queda tão acentuada no planeta.

Esse organismo atravessa um ciclo de vida com a constituição de um zoósporo em movimento; o que permite que ele mova-se na água e entre no organismo dos anfíbios.

Outros fungos aquáticos fazem parte de uma comunidade que vive em oceanos hidrotermais. Os taxonomistas identificaram oficialmente mais de 100.000 dessas variedades de fungos, mas a diversidade biológica global do Reino Fungi não é compreendida em sua totalidade.

Com base na observação da divisão entre a quantidade de espécies da comunidade dos fungos, e a quantidade de variedades da comunidade das plantas em regiões selecionadas, calcula-se que o Reino Fungi abrigue algo entre 1,5 e 1,7 milhões de espécies; e historicamente, elas foram distinguidas na micologia por diferentes métodos e conceitos.

A classificação feita com base em características das suas morfologias, como o tamanho e o formato dos esporos ou do conjunto estrutural dos corpos frutíferos, tradicionalmente domina a constituição taxonômica dos fungos.

Mas essas espécies também podem ser distinguidas por suas propriedades fisiológicas e bioquímicas, como a sua característica de transformar ou manipular determinadas composições bioquímicas, ou mesmo pela sua resposta a testes químicos.

Diversidade dos Fungos

O conceito de espécies, devidamente consagrado em biologia, também os discrimina pelas suas habilidades de acasalamento.

E o uso de um instrumental para a análise das suas moléculas, como sequenciamento de DNA e análises filogenéticas em testes de diversidade, aumentou significativamente a resolução e melhorou a confiabilidade das estimativas de diversidade genética em vários grupos de táxons.

A Reprodução dos Fungos

A reprodução de fungos é complexa, reflete as diferenças marcantes no estilo de vida de cada um, mas também a composição genética que existe neste reino.

Estima-se que um terço de todos os fungos possa reproduzir-se utilizando mais de um método; e a reprodução e o ciclo de vida das espécies têm na teleomorfia e na anamorfia os seus dois estágios básicos –  apesar de bastante diferentes.

Isso sem contar o fato de que as condições de determinados ambientes causam níveis de desenvolvimento baseadas nas suas propriedades genéticas, que levam ao desenvolvimento de organizações especializadas para fins de reprodução de forma assexual ou sexual; estruturas que atuam positivamente para a reprodução das espécies de fungos ao distribuírem, eficazmente, os seus esporos ou estojos contendo esporos.

Já a reprodução de forma assexuada é comum com conídios (esporos) vegetativos ou com a degradação dos seus micélios; o que torna possível a existência de comunidades clonais totalmente adaptadas a um papel ecológico determinado, além de propiciar uma disseminação mais rápida que a reprodução sexual.

Enquanto isso, os chamados “fungos defeituosos” ou Deuteromycota (fungos sem estágio sexual) abrangem a totalidade das espécies sem um ciclo reprodutivo que possa ser claramente identificado.

A Reprodução Sexual dos Fungos

A reprodução sexual por meiose ocorre em todos os tipos de fungos, exceto os da comunidade Glomeromycota. Sem contar o fato de que ela difere, imensamente, da reprodução sexual de animais e de plantas.

Também existem discrepâncias entre comunidades de fungos que se prestam bem a uma utilização para o diferenciamento de espécies, devido a diferenças morfológicas e estratégias reprodutivas nas estruturas sexuais.

As principais comunidades de fungos foram agrupadas, inicialmente, tendo como base as suas estruturas morfológicas e os seus esporos sexuais; por exemplo, estruturas contendo esporos, ascos e basidios que são facilmente utilizáveis para a identificação dos ascomicetes e basidiomicetos, respectivamente.

O interessante é que entre algumas espécies só é possível o acasalamento entre indivíduos do tipo reprodutivo oposto, enquanto outras podem relacionar-se e reproduzir-se sexualmente com qualquer outro tipo – e até mesmo entre si – ; no primeiro caso, o que temos é uma relação heterotálica, e no segundo, homotálico.

Cabe chamar a atenção aqui também para o fato de que a maioria dos fungos apresenta um estágio haploide e diplóide no seu ciclo de vida.

No caso de fungos que se reproduzem sexualmente, indivíduos compatíveis podem ligar-se ao conectar as suas hifas a uma rede interligada; e esse processo, conhecido como anastomose, é necessário no início do ciclo sexual.

Tudo Sobre a Dispersão dos Esporos de Fungos

Tanto os esporos assexuados quanto os sexuados são geralmente distribuídos quando ejetados de maneira forçada a partir das suas estruturas reprodutivas. E este lançamento garante que os esporos deixem as estruturas reprodutivas e se movam no ar por longas distâncias.

Além de mecanismos especiais da fisiologia e da mecânica, as organizações estruturais da superfície dos esporos (como as hidrofobinas, por exemplo) permitem que eles sejam ejetados eficazmente.

É o caso da estrutura das células que transportam os esporos de algumas variedades de ascomicetes; o acúmulo de substâncias que prejudicam o volume celular e a constituição equilibrada dos fluidos são tais, que acabam permitindo descargas explosivas de esporos no ar.

O descarregamento forçado de esporos simples (os balistósporos) contribui para a formação de uma gotícula de água (queda de Buller), e quando em contato com o esporo, libera-o com uma velocidade inicial bem acima dos 10.000g. E como resultado, o esporo é lançado a uma distância de 0,01 a 0,02 cm, para que possa cair das lamelas ou dos poros para o ar abaixo.

Mas outras variedades devem constar aqui nesse manual de identificação de fungos, como os da comunidade Lycoperdon, que necessitam de instrumentos diferenciados para fazer com que os seus esporos sejam lançados como forças mecânicas externas. O “fungo do ninho de pássaro”, por exemplo, utiliza-se do poder das gotas de água que caem para liberar esporos dos corpos em forma de frutíferos.

E outra estratégia interessante pode ser observada na comunidade das Phallaceae, um conjunto de fungos com cores vibrantes e com um odor podre, que atrai insetos justamente com esse odor pra a dispersão dos seus esporos.

Mas além da reproduzirem-se sexuadamente e de forma natural com meiose, existem fungos, como Penicillium e o Aspergillus, que conseguem compartilhar material genético por meio de procedimentos parassexuais que começam pela fusão da hifa e pela plasmogamia de células fúngicas.

E a periodicidade e o significado relativo de eventos parciais são incertos e podem ocorrer em quantidades menores que outros processos sexuais. Mas eles são conhecidos por desempenhar um papel importantíssimo no cruzamento entre espécies, além de possivelmente necessário para a hibridização entre espécies associadas a eventos importantes no desenvolvimento dos fungos.

Utilização dos Fungos no Cotidiano dos Seres Humanos

O uso de fungos para a preparação e armazenagem de alimentos por seres humanos e para outros fins possui uma história que remonta há milênios.

A colheita e o cultivo de fungos estão entre as principais indústrias em muitos países ao redor do mundo. E o estudo da sua utilização através dos tempos, além dos seus efeitos sociológicos, é conhecido como etnomicologia.

Devido à capacidade desse grupo de produzir uma ampla gama de produtos naturais com efeitos antimicrobianos ou outros, muitas espécies são utilizadas há muito tempo, ou vêm sendo pesquisadas com o objetivo de se produzir a partir delas antibióticos, complexos vitamínicos, anticancerígenos e medicamentos para baixar o colesterol.

Utilização dos Fungos no Cotidiano dos Seres Humanos

Há pouco tempo, alguns métodos foram desenvolvidos com a ajuda da engenharia genética para o beneficiamento de fungos, que potencializam a indústria da engenharia dos metabolismos realizados pelas espécies dos tipos mais complexos, até os mais simples.

E um exemplo disso são as transformações genéticas de alguns tipos de leveduras que são facilmente cultivadas com taxas altíssimas de crescimento em imensos vasos de fermentação para que se crie novas possibilidades para a produção farmacêutica, potencialmente mais eficazes do que a produção por organismos de origem primária.

Os Fungos Como Antibióticos

Muitas espécies de fungos produzem metabólitos, uma importante fonte de medicamentos farmacologicamente ativos. Os antibióticos, em especial as penicilinas, uma comunidade que relaciona-se de forma estrutural na forma de antibióticos beta-lactâmicos sintetizados a partir de peptídeos com tamanhos reduzidos, são particularmente importantes na medicina.

Apesar do fato de que as penicilinas que ocorrem naturalmente, como a penicilina G (sintetizada pela P. chrysogenum), tenham um espectro relativamente estreito de atuação biológica, uma gama relativamente grande de outras penicilinas pode ser produzida por transformações químicas a partir da penicilina natural.

As que são atualmente utilizadas são produtos semi-sintéticos que foram originalmente obtidos de culturas de fermentação, mas posteriormente modificados estruturalmente para alcançar algumas propriedades desejadas.

Outros tipos de antibióticos que esses fungos são capazes de produzir incluem a penicillium griseofulvin, usada para tratar infecções de pele, cabelos e unhas, como o resultado do ataque de dermatófitos.

Temos também a cilosporina, usada em cirurgias de transplantes como um eficiente imunossupressor, e o ácido fusídico, utilizado no controle de infecções por bactérias (como a Staphylococcus aureus) resistentes à meticilina.

O uso disseminado desses antibióticos para o combate a afecções de origem bacteriana, como sífilis, tuberculose, hanseníase e outras doenças, começou no início do século XX e continua a desempenhar um papel importantíssimo no tratamento quimioterápico antibacteriano.

Na ambiente natural, fungos ou antibióticos bacterianos realizam um trabalho duplo: em altas concentrações, atuam como protetores químicos contra o assédio de outros fungos em locais onde há grande concentração de outras espécies, como a rizosfera; e concentrações muito pequenas funcionam também como moléculas para a detecção de núcleos que determinam  fatores intra e interespecíficos.

Aplicações Alimentares

Nesse manual de identificação de fungos, o Saccharomyces cerevisiae aparece como uma levedura ou um fungo unicelular, utilizado para a fabricação de pães e demais produtos que possuem no trigo a sua principal matéria-prima.

As variedades de leveduras da comunidade Saccharomyces também são bastante utilizadas na indústria de bebidas para a fabricação de alcoólicos e fermentados. O shoyu koji (um mofo de nome Aspergillus oryzae) é um ingrediente básico para o fabrico de saquê, missôhoyu e do molho de soja; enquanto as variedades de Rhizopus são as escolhidas para a produção de iguarias como o singular tempê.

E boa parte desses fungos são tipos domesticados e selecionadas para serem capazes de atuar na fermentação de alimentos sem produzir micotoxinas prejudiciais à saúde – como é tão comum ocorrer entre as variedades do Aspergillus.

Outro fungo bastante singular é o quorn; um substituto da carne feito com o Fusarium venenatum. Mas existem outros que são utilizados na medicina para a produção de medicamentos bastante populares, como ocorre na medicina tradicional chinesa.

Saccharomyces Cerevisiae

Os fungos medicinais, conhecidos com um histórico de uso bem documentado, incluem Agaricus blazei, Ophiocordyceps sinensis, o G.lucidum e os “fungos mágicos” contendo psilosibina e psilosina. E estudos bastante sérios identificaram a morte de vírus pela ação contundente de substâncias produzidas por esses e outros fungos, que apresentam notáveis efeitos inibitórios biológicos contra o avanço das células cancerígenas.

Metabólitos com utilidades específicas, como a ergotamina, os polissacarídeos K e os antibióticos beta-lactâmicos são rotineiramente utilizados na medicina clínica.

Enquanto o shiitake tem demonstrado ser uma fonte importante de lentinan, um medicamento clínico aprovado para uso no tratamento do câncer em muitos países, incluindo o Japão. Assim como também os polissacarídeo-K, substâncias químicas extraídas da variedade Trametes versicolor, que na Europa e no Japão tornaram-se poderosos adjuvantes aprovados no tratamento oncológico.

Fontes:

http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/microbiologia/mod_7_2004.pdf

http://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/cap4.pdf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fungi

https://pt.slideshare.net/marcosnala/identificao-convencional-de-fungos-filamentosos1

https://www.unimedlab.com.br/2017/02/14/exame-para-identificar-fungos-causadores-de-micoses-pode-ser-feito-na-unimed-laboratorio/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fungi

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4153296/mod_resource/content/1/Identifica%C3%A7%C3%A3o%20polif%C3%A1sica%20de%20fungos.pdf

https://casa.umcomo.com.br/artigo/como-eliminar-fungos-das-plantas-cuidados-simples-27945.html

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