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Sapo Cururu Transmite Doença?

Muitos animais na natureza possuem características muito próprias, algumas boas, outras, nem tanto. Alguns desses seres podem nos transmitir inúmeras doenças, e, por isso, precisam ser evitados a todo custo.

Um desses animais que suscita dúvidas a respeito da sua periculosidade é o sapo, e um deles, em específico é o que chamamos de cururu. Mas, afinal, um sapo cururu transmite doença, realmente?

É o que vamos descobrir a seguir.

Sapo Cururu: Características

Também conhecido como sapo-boi, o cururu é um anfíbio nativo das Américas Central e do Sul, pertencente ao gênero Rhinella, e que inclui aí inúmeras espécies de sapos (aproximadamente 40) espalhados por todo o território brasileiro, e em algumas localidades das Américas.

Trata-se de um animal bastante fértil, cuja fêmea deposita uma grande quantidade de ovos. Essa grande reprodutividade se muito ao fato do sapo cururu ter uma enorme variedade de alimentos à sua disposição, com uma dieta que inclui desde materiais vivos, até mortos.

Esse é um grupo de sapos que apresenta o chamado órgão de Bidder, que não mais é do que ovários rudimentares presentes em machos para a “troca de sexo”. Inclusive, os cururus apresentam dimorfismo sexual, ou seja, os machos são bem diferentes das fêmeas (essas, em geral, são maiores em se tratando de tamanho).

E por falar em tamanho, o cururu surpreende: podem atingir de 10 a 15 cm de comprimento, sendo um dos maiores sapos existentes. O maior exemplar desse anfíbio media cerca de 38 cm do focinho à cloaca, e pesava mais de 2 kg (impressionante, não?).

Em geral, esses animais vivem de 10 a 15 anos na natureza, podendo chegar a 20 anos se estiverem em cativeiro. Já a sua pele é seca e enverrugada, possuindo protuberâncias acima dos olhos, e que vão até o focinho.

Ao se sentir ameaçado, esse animal possui um comportamento que é típicos de todos os sapos: eles inflam os pulmões, emitindo sons abafados e ainda inclinam o corpo em direção à ameaça, fazendo com que fiquem à mostra algumas de suas bolsas de veneno.

Então, o Sapo Cururu Transmite Doença?

Como já dito anteriormente, os sapos cururus possuem, sim, bolsas de veneno, que são chamadas de glândulas paratóides. É bom frisar, no entanto, que a maioria dos jatos disparados de veneno são involuntários, muito em decorrência do fato de haver algum tipo de pressão em cima dessas glândulas (como alguém pegar nesse sapo, e, sem querer, apertar o local, por exemplo).

Esses jatos podem alcançar a incrível marca de dois metros, atingindo facilmente o peito de um homem adulto. O tal veneno, por sinal, é viscoso e amarelado, e possui um odor todo característico, muito semelhante ao odor exalado por algumas plantas, pra se ter uma ideia.

Sapo Cururu - Veneno
Sapo Cururu – Veneno

Há registro de mortes de animais e até mesmo de humanos (crianças) após a ingestão desse veneno. Inclusive, tanto os adultos quanto os girinos do cururu são bem tóxicos se ingeridos na forma de alimentos. Até os ovos desse avo possuem certo grau de toxidade.

Importante frisar também que uma das substâncias excretadas pelo veneno do cururu, a bufotenina, é classificada como uma droga de “classe 1” pelas leis australianas, o equivalente à heroína ou cocaína. Os efeitos dessa toxina são semelhantes a um envenenamento, com efeito estimulante e leves alucinações. Em suma: uma lambida acidental desse sapo não é nem um agradável (em nenhum sentido).

Mas, o Cururu é um Vilão?

Na verdade, essas toxinas excretadas pelo sapo cururu são apenas um mecanismo de defesa do animal, assim como existem outros mecanismo de defesa ainda mais mortais para o ser humano espalhados pela natureza, e é normal que haja isso. Do contrário, muitos animais estariam completamente indefesos em relação aos seus predadores naturais (inclusive, o homem).

Por sinal, o sapo cururu pode ser uma espécie de “aliado” nosso. Como? Por causa do seu apetite voraz, ele foi introduzido em diversas localidades do Oceano Pacífico e dos arquipélagos caribenhos com o intuito de serem uma espécie de “controle biológico de pragas”, principalmente, na década de 30 na Austrália. O problema é que, com o passar do tempo, e com a reprodução desenfreada desse animal, e também se tornou uma praga. Porém, mais uma vez, devido à intervenção do homem.

E, é bom ainda salientar algo: por não possuir uma enorme defesa a não ser essas glândulas de veneno, estima-se que apenas 0,5% desses sapos chegam, de fato, à vida adulta, o que prova mais ainda de que o sapo cururu não é o vilão que se pinta nas histórias populares por aí. Até mesmo porque o cururu possui predadores bem vorazes, como o jacaré-de-papo-amarelo e a serpente-olho-de-gato-anelada.

O Que é Lenda e o Que é Realidade?

Pesquisa da UFPI diz que Veneno tem Substância que Combatem Células Cancerígenas
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De acordo com a crendice popular, o sapo cururu é altamente perigoso, inclusive, com relatos de que o seu veneno pode causar cegueira imediata e a morte em poucos minutos em caso de ingestão, ou até mesmo provocar verrugas se a pele entrar em contato com a sua urina. Será verdade isso?

O que se sabe, cientificamente falando, é que a intoxicação do veneno do sapo cururu só faz mal de verdade se entrar em contato direto com mucosas ou ferimentos, podendo, sim, causar graves efeitos em seus olhos ou até mesmo causar a morte de crianças muito pequenas, mas, isso só ocorre, na maioria dos casos se a pessoa pegar no animal, e aperta o local das suas glândulas, que é a única defesa desse sapo.

Portanto, a questão é simples: o sapo cururu só transmite doença e causa problemas se o animal for bastante perturbado, e como os sapos também são importantes para a natureza (visto que funcionam muito bem como controle de pragas), o ideal é admirar esses espécimes à distância e não incomodá-los.

Conclusão

O sapo cururu, como qualquer outro animal selvagem, possui o seu grau de risco, mas, isso não significa que ele deva ser hostilizado por isso. Ao contrário: podemos perfeitamente conviver com esse incrível espécime, de maneira harmônica, com ele, inclusive, ajudando para evitar a proliferação de pragas, entre outras coisas.

Um animal, portanto, que merece ser preservado, como qualquer outro.

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