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Traça de Bogongo: Características, Nome Científico e Fotos

A traça de Bogongo (Agrotis infusa) é uma espécie noturna de mariposa que é famosa por viajar longas distâncias durante suas migrações.

Elas fazem essas viagens duas vezes ao ano e seu lugar de morada preferido fica em uma região próxima aos Alpes da Austrália.

Essa traça pode ser vista nos estados australianos de Queensland, Western Victoria e também na parte ocidental da Austrália, especialmente entre o outono e o inverno. Por sinal, é nesse período que as larvas dessa traça saem dos ovos.

Características Gerais

Elas consomem diversos tipos de plantas para sobreviverem no inverno. Na época da primavera, essas traças viajam para o sul ou para o leste australiano, preferencialmente em locais altos como Monte Bogong, onde essas traças ficam agregadas até o outono, quando recomeçam seu processo de migração.

A traça possui o nome de Bogongo por conta do termo aborígene “bugung” (dialeto Dhudhuroa), que faz referência ao tom castanho desse inseto. Visto como um símbolo da vida selvagem australiana, essa traça era tratada como uma boa fonte de alimentação pelas tribos indígenas da Austrália. Aqueles índios sempre faziam algum tipo de festa nos locais onde esses insetos passavam.

Características da Traça de Bogongo
Características da Traça de Bogongo

Nos últimos anos, essa traça passou a invadir grandes centros australianos como Sydney e Melbourne. Isso aconteceu por conta das fortes ventanias que influenciaram sua migração primaveril.

Trajetória de Vida

Incrivelmente, as traças de bogongo adultas conseguem por até 2000 ovos. Normalmente, eles são postos no chão e nas plantas que estão próximas ao solo. Essas traças costumam fazer isso logo após concluírem suas viagens de outono. Quem estuda esses ovos costuma incubá-los por um período de 4 a 7 dias em algum laboratório. As larvas de bogongo crescem de forma lenta, com seu período de desenvolvimento acontecendo durante toda a estação mais fria do ano.

Contudo, o crescimento dessas larvas se torna mais acelerado na estação das flores, o que lhes faz atingir a fase adulta entre agosto e setembro, época bem próxima às viagens migratórias desse inseto. Adeptas da vida noturna, elas comem plantas quando estão perto do período de reprodução. Quando essas larvas entram em seus casulos (pupas), elas geram uma camada de proteção que tem entre 20 e 150 mm de espessura.

Essas traças podem ficar entre 3 e 11 semanas em seus casulos, mas isso pode variar de acordo com o ambiente onde a pupa se encontra. Os casulos possuem tonalidade acastanhada e medem aproximadamente 20 mm de comprimento. Assim que saem de suas proteções, as traças adultas começam a migrar. Como foi citado anteriormente, elas gostam do período noturno e podem se comportar de formas variadas dependendo da estação.

Na primavera, essas traças viajam para o sul, onde passam por um processo de estivação (suspensão temporária das atividades corporais) que se estende por todo o verão. Durante essa pausa, elas não fazem absolutamente nada, nem mesmo procurar alimentos. Além disso, o corpo delas não se desenvolve sexualmente nesse período. Quando chega o outono, essas mariposas voltam a migrar e, normalmente, retornam ao seu local de origem. Depois disso, elas colocam seus ovos e, por fim, morrem.

Locais de Habitação

Esse inseto possui grandes populações no sul australiano, especialmente na parte oeste da Cordilheira Australiana. Esses locais abrigam tanto as traças que migram quanto as que não fazem isso. Para diferenciar uma traça da outra é preciso analisar o comportamento delas em cada estação do ano. Quando chega à fase adulta, a traça de Bogongo espalha seus ovos por toda a Nova Gales do Sul (estado australiano). Além disso, esses ovos também são colocados na parte sul de Queensland e na região norte do estado de Vitória, ambos na Austrália.

Na primavera e no verão pós-estivação, as traças de Bogongo se encaminham para as regiões sul ou leste dos Alpes da Austrália. Ademais, elas também são vistas frequentemente nas montanhas de Bogongo e no Distrito Federal da Austrália. Contudo, essas traças também podem ser achadas em territórios longínquos como a ilha da Tasmânia e as terras neozelandesas. Esse deslocamento acontece por conta da força do vento que essa mariposa encontra durante as suas migrações.

Ovos de Traças
Ovos de Traças

Os ovos dessas traças são encontrados no solo, especialmente em locais de pastagem e de colheita, onde as larvas podem se alimentar das folhas. Esse é um dos motivos para haver tantas pragas nesses locais, pois essa traça consegue causar enorme estrago nas plantações e nos pastos.

O período que abrange a primavera e o verão é perigoso para as larvas de bogongo, pois, fora das plantações e das pastagens, elas não conseguem sobreviver por muito tempo. Isso faz com que elas se multipliquem cada vez mais nos lugares onde conseguem se alimentar. Na fase adulta, essas mariposas migram para o sul e entram em modo de estivação até que as condições climáticas estejam boas para elas novamente.

Convívio Social

Durante as viagens migratórias, essas traças costumam formar grandes grupos e podem chegar a mais de 17.000 traças por metro quadrado. Isso acontece com frequência em locais fechados que não recebem a luz do sol. As cavernas se encaixam bem nessa descrição.

As primeiras traças a chegarem às cavernas se acomodam na parte mais profunda e mais escura, usando as pernas para se apoiarem nas rochas. Os insetos que chegam depois preenchem as outras áreas da caverna, sempre buscando os locais com pouca luz solar. Por fim, as traças que aparecem tardiamente são obrigadas a se contentar com os locais da caverna que têm maior luz solar e umidade reduzida.

Para evitar que a luz atinja os seus olhos, as mariposas que chegaram mais tarde se apertam e tentam conseguir abrigo embaixo das asas daquelas que chegaram primeiro. Outra coisa que esses insetos fazem é por as suas patas de trás na parte de cima das traças que chegaram antes delas. Se amontoar dessa forma faz com que elas mantenham seus corpos úmidos.

No período da estivação, a traça de Bogongo não aceita ser incomodada. Se isso acontecer, todas elas se assustam e se dispersam para fora da caverna com enorme rapidez. Nesse meio tempo, esse grupo de insetos deixa fezes espalhadas por toda a caverna. Depois de alguns minutos, as traças voltam para a caverna e refazem o seu posicionamento.

Apesar dessa preocupação em se resguardar, existem algumas traças que se mantém ativas durante o dia e só mantém a sua estivação no período noturno. Isso acontece porque muitas dessas delas regulam as suas atividades diárias de acordo com a intensidade da luz do sol.

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