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Sintomas da Picada de Escorpião: Como o Tratamento Deve Ser ?

Os escorpiões são animais invertebrados e peçonhentos que também podem receber a denominação de alacrau ou lacrau. São considerados um dos mais antigos animais do planeta Terra.

Atualmente existem quase 2.000 espécies distribuídas ao longo do globo terrestre, em todos os continentes, com exceção da Antártica. No Brasil, já foram descritas 140 espécies.

Todas as espécies de escorpião produzem algum tipo de toxina, no entanto, apenas 25 delas podem ser mortais para o homem.

Como hábito os escorpiões podem passar o dia inteiro escondidos em locais de pouca luminosidade, frequentemente folhas, troncos, frestas ou espaços entre as pedras. Em ambientes desérticos, eles podem permanecer enterrados na areia durante o dia. Locais nos quais há muito entulho, lixo e material de construção civil são muito propícios à presença deste artrópode, contribuindo, consequentemente, com uma maior incidência de acidentes escorpiônicos.

Os acidentes escorpiônicos, também chamados de escorpionismo, aqui no Brasil detém uma relação direta com o período do ano e com a idade da vítima. Crianças e idosos representam o público mais atingido, provavelmente em decorrência da maior probabilidade de distração; assim como nos meses quentes e mais chuvosos as notificações de acidente tendem a se elevar.

Neste artigo, você conhecerá quais os sintomas da picada de escorpião e como o tratamento deve ser conduzido nos casos de quadro clínico leve, moderado e grave.

Então venha conosco e boa leitura.

Características do Escorpião

Anatomicamente, o corpo do escorpião é dividido em cefalotórax, no qual há resistentes pinças; mesossoma; e metassoma, onde existe uma estrutura denominada telson que possui um par de glândulas produtoras de veneno, assim como um aguilhão ou ferrão, que funciona inoculando este veneno nas vítimas.

O escorpião não mata as vítimas para ingeri-las, logo a função do telson e liberar uma toxina que as imobilize, de modo que sejam seguradas pela pinça e digeridas.

Os escorpiões são animais carnívoros que se alimentam de aracnídeos e insetos como os cupins, grilos e baratas. A visão é muito debilitada, no entanto, eles possuem cerdas sensoriais que os auxiliam a identificar vibrações e movimentações no seu entorno, somado a isso, eles são capazes de detectar a ‘presença química’ de outros animais.

Muitas espécies de escorpião também desenvolvem o canibalismo. Essa prática é realizada pela fêmea após a cópula com o macho.

Esses animais conseguem passar um longo período, até mesmo meses, sem se alimentar. A digestão é praticamente externa, visto que eles excretam enzimas digestivas sobre a vítima e cortam-na em pedaços, no entanto, ingerem apenas a parte líquida.

Machos e fêmeas realizam a dança do acasalamento, conectando as suas pinças umas às outras e girando. O padrão reprodutivo é ovovivíparo para a maioria das espécies, embora para poucas possa ser vivíparo, com o desenvolvimento realizado no interior de uma pequena membrana equivalente à placenta.

A maturidade sexual é alcançada após 1 ano de idade. Curiosamente, algumas espécies podem realizar a partenogênese, ou seja, a reprodução assexuada, nas quais a fêmea não precisa do macho para fecunda-la e há apenas o gameta feminino é necessário para o desenvolvimento do embrião.

Espécies de Escorpião de Relevância Médica

Entre as espécies nativas do Brasil, 3 delas despertam particular preocupação pública, são elas o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus); o escorpião-marrom (Tityus bahiensis) e o escorpião-do-nordeste (Tityus stigmurus).

O escorpião-amarelo mede entre 5 a 7 centímetros. Possui as patas e o metassoma de cor amarelada, no entanto o cefalotórax e o mesossoma possuem coloração mais escura. Se reproduz por partenogênese. Seu veneno é conhecido por ser o mais potente entre os escorpiões da América do Sul. Aqui no Brasil, responde pela maioria dos acidentes escorpiônicos. Pode ser encontrado nos estados da Bahia, Paraná, na parte Sul de Goiás e na Região Sudeste.

Escorpião-Amarelo
Escorpião-Amarelo

O escorpião-marrom também mede entre 5 a 7 centímetros e possui coloração marrom avermelhada. A reprodução ocorre de forma sexuada e sua área de distribuição envolve o Sul de Minas Gerais, além das regiões Sul e Sudeste.

Escorpião-Marrom
Escorpião-Marrom

O escorpião-do-nordeste, como o próprio nome referencia, pode ser encontrado no Nordeste. O tamanho é semelhante ao das espécies anteriores. O corpo possui coloração amarelada com uma mancha em forma de triângulo e de cor preta nas costas e no cefalotórax. No dorso, há uma faixa central bem definida, com duas faixas laterais e discretas. A reprodução também é sexuada.

Escorpião-do-Nordeste
Escorpião-do-Nordeste

Sintomas da Picada de Escorpião: Conhecendo o Quadro Clínico

As toxinas presentes no veneno do escorpião são proteínas com baixo peso molecular que atuam no sistema nervoso periférico. Também a liberação de neurotransmissores pelo sistema nervoso autônomo, influindo no funcionamento do sistema pulmonar, sistema cardiovascular e sistema digestório.

Em 2007, o SINAN (Sistema de Informação de Agravos e Notificação), órgão vinculado ao Ministério da Saúde registrou que no Brasil a maior prevalência de acidentes com animais peçonhentos teria sido ocasionada por escorpiões.

Inicialmente, o escorpionismo pode implicar em dor local e parestesia (sensação de formigamento e dormência); com o passar do tempo, a tendência é que essas sensações aumentam de intensidade. No local, também pode ocorrer eritema (vermelhidão da pele), edema (inchaço da pele), aumento da sudorese e elevação dos pêlos (piloereção).

Alguns minutos após as manifestações locais, ou em até 2 ou 3 horas, manifestam-se os sintomas sistêmicos, os quais incluem hipo ou hipertemia, arritmias cardíacas, dispneia (dificuldade para respirar), taquipnéia (respiração acelerada), edema pulmonar, hipotensão ou hipertensão arterial, diarreia, confusão mental, entre outros sintomas.

Para mensurar a letalidade do quadro clínico, é importante levar em consideração fatores como o tamanho do escorpião, a idade da vítima, a massa corporal da vítima, a quantidade de veneno inoculado, o número de picadas, e o tempo decorrido até que a vítima receba atendimento médico.

Sintomas da Picada de Escorpião: Manejo Terapêutico

Além do quadro clínico, alguns exames complementares podem ser solicitados de modo a monitorar a progressão do acometimento. Esses exames são o eletrocardiograma, ecocardiografia, radiografia de tórax e técnicas de imunodiagnóstico (tais como o teste de ELISA), útil na detecção de veneno circulante.

A terapêutica para manejo da dor é realizada através da infiltração de lidocaína a 2% sem vasoconstritor localmente onde ocorreu a picada. Outra alternativa é a administração oral de 10 mg/kg de dipirona por peso a cada 6 horas.

Nos quadros clínicos de moderado a grave, a terapêutica consiste na administração de soro antiescorpiônico (SAEEs), por via intravenosa.

Pacientes com manifestações sistêmicas, especialmente crianças, devem ter monitoramento contínuo das suas funções vitais. Nos quadros pulmonares, pode haver necessidade de realizar ventilação mecânica. Quadros de choque e insuficiência cardíaca também demandam abordagem especializada com a administração de dopamina e dobutamina em infusão contínua, dependendo da avaliação da equipe prestadora de socorro.

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Agora que você conhece os quais os sintomas caracterizam os acidentes escorpiônicos e como deve ser realizada o tatamento/atendimento, continue conosco e visite também outros artigos do site.

Até as próximas leituras.

REFERÊNCIAS

COSTA, Y. D. Infoescola. Escorpião. Disponível em: <https://www.infoescola.com/aracnideos/escorpiao/>;

Ministério da Saúde. FUNASA. Vigilância Epidemiológica. Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos. Brasília, 2001, 112 p. Disponível em: < https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/manu_peconhentos.pdf>;

GUIDOLIN, F. R.; FERRETE, B. L. S.; NISHIDA, S. M. Acidentes Sinantrópicos. Escorpiões- Importância médica e biológica. Disponível em: <https://www2.ibb.unesp.br/Museu_Escola/2_qualidade_vida_humana/Animais_domesticos_sinatropicos/escorpiao/interesse_medico_biologia.htm>;

Secretaria da Saúde. (Escorpionismo) Acidentes. Disponível em: <https://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1453>

 

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