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Mico Leão de Cara Dourada: Características, Habitat e Fotos

A espécie mico leão de cara dourada está listada como ameaçada de extinção devido a uma severa redução populacional estimada em mais de 50% nas últimas 3 gerações (21 anos) devido principalmente a altas taxas de perda de floresta na Mata Atlântica. As populações restantes são severamente fragmentadas.

Mico Leão de Cara Dourada: Características, Habitat e Fotos

O mico leão de cara dourada é um pequeno primata de 24 a 29 cm de comprimento para um peso de 0,50 a 0,70 kg. O elemento característico desta espécie é representado pela espessa juba, semelhante à de um leão, que circunda a cabeça. Este elemento distintivo está presente tanto em machos quanto em fêmeas.

O restante do pêlo é preto, exceto os membros também cobertos de pêlos amarronzados. Os membros dianteiro e traseiro têm o mesmo comprimento. Os dedos são longos e equipados com garras resistentes. Ao contrário de muitos outros primatas, as fêmeas são maiores que os machos. Sua cauda mede um pouco mais que o próprio mico, entre 30 e 40 cm.

O mico habita a floresta tropical sazonal de várzea da costa atlântica do Brasil, restinga e floresta de piaçava de areia branca, além da floresta secundária. Também pode ser visto nas plantações de cabruca, cacau sombreadas com algumas poucas árvores nativas remanescentes da floresta original.

Eles foram observados em florestas secundárias em plantações de borracha abandonadas, mas evidentemente sempre exigem florestas antigas por sua abundância de buracos de árvores, que eles usam como locais de sono, e bromélias epífitas, que são os principais locais de forrageamento.

Os micos leões de cara dourada são espécies adaptáveis, capazes de viver em florestas degradadas e secundárias, dependendo de fontes alimentares suficientes e locais de forrageamento durante todo o ano, além dos furos das árvores que eles usam como locais de sono.

Mico Leão de Cara Dourada: Ecologia da Espécie

Saguis e micos são diferenciados dos outros macacos do Novo Mundo por seu tamanho pequeno, garras modificadas em vez de unhas em todos os dígitos, exceto no dedão do pé, presença de dois em oposição a três dentes molares em ambos os lados de cada mandíbula e por a ocorrência de nascimentos gêmeos.

Eles comem frutas, flores, néctar, exsudato de plantas (gomas) e presas de animais (incluindo sapos, caracóis, lagartos, aranhas e insetos. Eles diferem de outros calitrichídeos por terem dedos e mãos compridos, o que lhes permite procurar presas com eficiência em cantos e recantos e nas bromélias de tanques epifíticos.

Os micos leões de cara dourada vivem em grupos familiares amplos, geralmente de 4 a 8 indivíduos. Quatro grupos observados tinham um tamanho médio de 6 ou 7 (variação de 5 a 8) indivíduos. Geralmente, apenas uma fêmea por grupo cria durante uma estação específica de reprodução.

Eles se reproduzem uma vez por ano. Os grupos defendem áreas domésticas de 40 a mais de 100 ha (o tamanho depende da disponibilidade e distribuição de alimentos e manchas de segundo crescimento). Um grupo estudado na Estação Experimental de Lemos Maia, Una, utilizou uma área residencial de cerca de 40 ha.

Mico Leão de Cara Dourada: Situações de Ameaça

Com registros de mais de 100 localidades onde o mico leão de cara dourada ainda ocorre na região delimitada pelo Rio de Contas, no norte, e pelo Rio Jequitinhonha, no sul, mais populações permanecem do que as outras três espécies de mico leão combinadas.

No entanto, as florestas remanescentes estão sendo destruídas a uma taxa sem precedentes na região e as populações sobreviventes são seriamente esgotadas e fragmentadas. Um aspecto importante que contribuiu para a situação mais favorável do mico leão de cara dourada é o uso tradicional e bastante difundido do sistema “cabruca” para sombrear cacaueiros.

Algumas das árvores originais do dossel são deixadas de pé, e isso permite a conectividade entre as manchas da floresta. Se bem gerenciado, isso pode ser uma importante ferramenta de gerenciamento para futuros esforços de conservação.

As ameaças aos micos leões de cara dourada vêm de transformações sócio-econômicas resultantes das dificuldades da indústria do cacau (preços baixos e epidemias de doenças), que dominaram a região nos últimos 15 anos, resultando na expansão de culturas alternativas, notadamente óleo de palma africanas e coco.

 

No oeste de sua cadeia, a floresta é cada vez mais destruída e fragmentada como resultado da criação de gado. Um estudo examinou a depressão por endogamia em populações pequenas (50 ou menos) isoladas desse mico.

Eles concluíram que reduziu a probabilidade de sobrevivência a longo prazo em cerca de um terço. Há toda razão para acreditar que a depressão por endogamia é igualmente prejudicial para as populações isoladas de mico leão de cara dourada, principalmente na metade ocidental de sua faixa, onde a fragmentação florestal é extrema.

Mico Leão de Cara Dourada: Ações de Conservação

Incluído na Lista Oficial Brasileira de Espécies Ameaçadas de Extinção, e também sobre o lista regional de espécies ameaçadas do estado de Minas Gerais, o mico leão de cara dourada está listado no Apêndice I da CITES.

A Reserva Biológica Una (18.500 ha), criada para proteger o mico leão de cara dourada, tem uma população estimada entre 400 a 450 animais, e uma estratégia-chave que norteou os esforços de conservação na última década foi a promoção da preservação das florestas adjacentes à Reserva.

Risco de Extinção do Mico Leão de Cara Dourada
Risco de Extinção do Mico Leão de Cara Dourada

Além da Reserva Biológica Una, esta espécie também ocorre no Parque Nacional Serra Lontras (16.800 ha), no Refúgio de Vida Selvagem Una (23.000 ha), na Estação Experimental Lemos Maia (495 ha) e na Estação Experimental Canavieiras (500 ha).

Existem projetos de melhoramento em cativeiro bem administrado e voltados exclusivamente para o mico leão de cara dourada, já com um bom número de resgatados. Apesar desse programa não estar necessariamente direcionado para as espécies selvagens que permanecem soltos na natureza, é voltada mais especificamente para indivíduos que foram vítimas da caça furtiva e capturados para alimentar o tráfico internacional de animais, em especial durante a década de 80. Este empreendimento virou um espaço significativo do chamado reservatório genético, garantindo mesmo com variações genéticas, a preservação do mico leão de cara dourada, enquanto os que ainda estão na natureza tentam sobreviver a degradação crescente de seu habitat natural.

Ameaçadas de Primatas
Ameaçadas de Primatas

Espécies ameaçadas de primatas nos biomas brasileiros estão atingindo estágios alarmantes nos últimos anos com as crescentes queimadas sofridas nos territórios brasileiros, crimes ambientais cada vez mais recorrentes e propositais visando interesses escusos e nem um pouco preocupados com o mal que tem causado às populações de nosso fauna brasileira. Uma situação desesperadoramente deplorável!

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