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Lista de Primatas do Brasil: Espécies, Nomes e Fotos

Os primatas (do latim primus: primeiro escalão) são um grupo de animais eutérios que fazem parte da ordem de mesmo nome. O surgimento deles aconteceu entre 55 e 85 milhões de anos atrás, eles apareceram como pequenos mamíferos terrestres e depois conseguiram se adaptar à vida nas árvores das florestas tropicais. Com o passar dos séculos, os primatas ganharam características que mostram à sua adaptação às dificuldades da vida nas florestas, o que inclui cérebros grandes, poder enxergar as cores, acuidade visual e uso hábil das mãos.

Os primatas possuem muitas variações em seus tamanhos e pesos: um lêmure, por exemplo, tem peso médio de 30 kg, enquanto o gorila do leste pesa cerca de 200 kg. Existem mais de 400 espécies dessa ordem, espalhadas em diversos tipos de classificação. À medida que mais estudos são feitos, novas espécies começam a surgir, pois, desde 2010, mais de onze espécies desse tipo foram descobertas.

Características Gerais

Os primatas se dividem em duas categorias subordinadas distintas. A primeira subordem é chamada de strepsirrhini (nariz molhado), da qual fazem parte os lêmures, os galagonídeos e os lorisídeos. Esses primatas são vistos em lugares como Índia, Sudeste Asiático e países africanos como Madagascar. A segunda subordem é a dos haplorrhini (haplorrinos).

O último desses grupos é o dos símios, do qual faz parte o ser humano. O termo “símio” vem do grego “simos”, que significa “nariz achatado”, esses grupos também incluem macacos que têm os seus narizes estreitos. Há quarenta milhões de anos, os símios africanos vieram para as terras sul-americanas e isso deu origem à ordem dos macacos do Novo Mundo, conhecida como platirrina (platyrrhini).

Os outros símios, que são chamados de catarrinos (catarrhini), se dividiam entre a subordem dos grandes símios (homimoidea) e a subordem cercopithecoidea, que se refere aos macacos que pertencem ao Velho Mundo. As espécies comuns de símios incluem os babuínos, os grandes macacos e os macacos comuns.

Comparado aos outros mamíferos, o cérebro dos primatas é relativamente grande se for analisado proporcionalmente ao corpo. Além disso, esses animais possuem uma visão mais desenvolvida do que seu olfato, algo pouco comum na maioria dos mamíferos. Essas particularidades são muito comuns em macacos e gorilas e menos comuns em loríneos (lorinae) e lêmures. Algumas espécies desses animais possuem três canais independentes que lhes ajudam a interpretar as cores.

Todo primata possui uma cauda a não ser que ele seja um ser humano. A grande maioria dos primatas também possui polegares opositores. Existem muitas diferenças físicas entre os machos e as fêmeas dos primatas, isso inclui coisas como a largura pélvica, massa muscular, tamanhos dos dentes caninos, tom dos pelos, distribuição de gordura entre outros. Eles se desenvolvem mais lentamente que os outros mamíferos, chegam à maturidade mais tarde e costumam viver mais tempo. Os primatas são capazes de viver em solidão, acasalados com um par ou em grupos lotados de indivíduos, tudo isso varia dependendo de uma espécie para a outra.

Algumas espécies primatas como os gorilas e os seres humanos preferem o ambiente terrestre ao invés de viver nas árvores. Entretanto, todos os primatas têm a capacidade física necessária para escalar as árvores. Os primatas arbóreos gostam de pular de uma árvore para outra e de balançar entre um galho e outro. Com relação à locomoção por terra, as técnicas incluem bipedalismo (andar em dois membros) e caminhar em quatro membros.

Gorila Caminhando
Gorila Caminhando

Os primatas são criaturas sociáveis e normalmente formam casais ou grupos familiares. Se não for um babuíno ou um ser humano, qualquer outro primata costuma permanecer parcialmente arborícola. Atualmente, os primatas estão habitando todos os continentes.

Interações estreitas entre humanos e primatas selvagens podem facilitar a transmissão de doenças zoonóticas (transmissível de um animal para o homem), principalmente as virais como a herpes, o sarampo, o ebola, a raiva e a hepatite. Milhares de animais primatas são utilizados em estudos científicos de todo o planeta, pois são muito parecidos com os seres humanos, fisio e psicologicamente.

Cerca de 60% dos primatas podem ser extintos. Entre as várias causas, estão o desmatamento, a fragmentação florestal e a caça de primatas para a fabricação de medicamentos e uso alimentício. Outro fator que contribui para a extinção desses animais tem a ver com a agricultura: o desmatamento das florestas tropicais em larga escala.

História dos Termos

O nome em inglês “primata” deriva do latim “primat”, que significa “primeiro”. Essa nomenclatura foi dada por Carl Linnaeus (1707-1778), pois ele considerava os primatas como a “mais alta ordem” dos animais. As espécies primatas estão organizadas em uma lista ascendente que termina nas criaturas humanas. O responsável por isso foi o primatologista Sir Wilfrid Le Gros Clark (1895-1971), que foi um dos primeiros a perceber que os primatas ficaram mais desenvolvidos com o passar do tempo.

Algumas nomenclaturas usadas para identificar grupos de primatas (lemurianos, haplorinos, prosimianos, etc) são reflexos dessa metodologia. Segundo a compreensão atual sobre a evolução desses animais, muitos grupos primatas são parafiléticos, isso quer dizer que alguns desses grupos não incluem todos os descendentes do ancestral comum desse mesmo grupo.

Ao contrário da metodologia de Clark, as classificações modernas normalmente identificam somente os grupos monofiléticos, ou seja, aqueles que incluem todos os descendentes do ancestral comum do grupo. Abaixo o cladograma mostra uma possível classificação sequencial dos primatas vivos:

  • “Prosimianos” possuem dois grupos monofiléticos (a subordem Strepsirrhini, ou lêmures, lorisídeos e aliados e também os animais da subordem Haplorhini); esse grupo é parafilético, pois exclui os simiiformes, que também são descendentes dos primatas ancestrais comuns;
  • Macacos (“monkeys” em inglês) posuem dois grupos monofiléticos, os macacos do Novo Mundo e os macacos do Velho Mundo, mas são parafiléticos porque excluem os hominóides, a superfamília Hominoidea, também descendentes do ancestral comum Simiiformes;
  • Todo o grupo dos macacos (“apes” em inglês) e dos “grandes macacos” em particular, são parafiléticos porque não têm os seres humanos em sua lista.

Com isso, os membros dos dois conjuntos de grupos e, por consequência, os seus nomes, não coincidem, o que gera problema quando os nomes científicos são relacionados aos nomes comuns das espécies. Por exemplo, a superfamília Hominoidea consiste em macacos e humanos e não há uma nomenclatura comum para todos os integrantes daquele grupo. A solução para isso foi criar um novo nome comum, que nesse caso é “hominoides” (hominídeos).

Outro modo para resolver essa questão é expandir o uso de um dos nomes tradicionais. Em 2005, o paleontologista de vertebrados Michael Benton escreveu: “Os macacos, Hominoidea, hoje incluem os gibões e o orangotango… o gorila e o chimpanzé… e os seres humanos”; essa fala mostra que Benton chamava os macacos de hominídeos (hominoides). Isso faz com que o grupo que era chamado de “macacos” agora seja chamado de “macacos não humanos”.

Professor Michae Benton
Professor Michae Benton

Desde 2005, não existe consenso no que diz respeito à aceitação ou não de nomes tradicionais para os diversos grupos de primatas, ou usar ‘novos’ nomes comuns ou adaptações de nomes antigos. Ambas as abordagens concorrentes podem ser encontradas em fontes biológicas, geralmente no mesmo trabalho e, às vezes, pelo mesmo autor.

Com isso, Benton inclui os seres humanos no grupo dos macacos e depois descreve alguns animais como “semelhantes aos macacos” para mostrar que eles não estão diretamente ligados aos seres humanos, apesar de pertencerem ao mesmo grupo de primatas.

Modo de Agir

Os primatas vivem em grupos sociáveis, mas também podem viver com uma espécie de “casamento” ou até mesmo formar um grupo com um macho e várias fêmeas. Além disso, eles são capazes de formar bandos com vários machos e várias fêmeas. O primatólogo do Reino Unido, Richard Wrangham, afirmou que a classificação dos grupos sociais primatas varia de acordo com as migrações das fêmeas desses grupos. Ele propôs quatro tipos de sistemas:

Patrifocal

É um sistema onde as fêmeas abandonam o grupo ao qual elas nasceram. Isso significa que as fêmeas presentes naquele bando não tem parentesco com os machos que ali estão. Por outro lado, os machos presentes possuem algum grau de parentesco. Esses bandos costumam ter um número reduzido de indivíduos. Os macacos que mais usam este sistema são os chimpanzés, que, por sinal, costumam se unir para defender o seu território justamente por causa de seu parentesco. Outros animais que usam esse sistema social são os muriquis e o macacos-aranha.

Matrifocal

É o grupo onde os machos deixam o grupo ao qual eles nasceram. Grupos adeptos da poliandria (uma fêmea e vários machos) e da poliginia (um macho e várias fêmeas) fazem parte desse sistema. Esses bandos costumam ter um número maior de integrantes. Normalmente, os primatas que usam esse tipo de sistema são os macacos-prego e os lêmures-de-cauda-anelada.

Monogamia

É um sistema que é formado por casais que trazem junto consigo os seus filhotes. O dever de cuidar dos pequenos e proteger o território pertence a todos os integrantes daquele bando. Os mais jovens saem do bando quando chegam à fase da adolescência. Assim como os seres humanos, a monogamia para esses grupos primatas não é garantia de fidelidade sexual. Os animais que mais usam este sistema são os gibões e, normalmente, os grupos monogâmicos possuem poucos indivíduos.

Solitário

É um sistema baseado em machos que vivem de forma isolada e independente, sempre protegendo grandes territórios que incluem várias fêmeas. É comum ver os prossímios utilizando esse sistema social. Apesar de também viverem de modo solitário, os orangotangos não tem o hábito de defender território algum.

Além dos quatro sistemas citados por Wrangham, existem outras formas de convívio social entre os primatas. Por exemplo, tanto as fêmeas quanto os machos dos bugios abandonam seus grupos quando chegam à maturidade sexual, o que faz com que os habitantes que restam naquele bando não tenham nenhum tipo de parentesco. Além dos bugios, os macacos colobos e os calitriquíneos também agem dessa forma.

Os sistemas sociais dos primatas estão ligados a três fatores ecológicos: recursos, tamanho do grupo e força dos predadores. Os balanços entre a competição e cooperação estão sempre em foco nesses grupos. Entre as tarefas cooperativas estão à catação (tirar os parasitas dos pelos do corpo dos colegas de grupo), união para se proteger dos predadores e para defender o território e o compartilhamento de comida. Esses animais usam métodos agressivos para manter as suas hierarquias.

Tipos de Primatas

Strepsirrhini (estrepsirrinas):

É uma subordem de primatas que abrange os primatas lemuriformes, que consistem nos lêmures de Madagascar, os galagonídeos (“bushbabies”), os pottos da África, e os lorisídeos da Índia e do sudeste da Ásia. Também pertencem à subordem onde ficam os primatas adapiformes extintos que cresceram durante o Eoceno na Europa, América do Norte e Ásia, mas desapareceram de grande parte do Hemisfério Norte no momento em que o clima esfriou. Às vezes, os adapiformes são referidos como “semelhantes a lêmures”, embora a diversidade de lêmures e adaptiormes não suporte essa comparação.

As estrepsirrinas são definidas pelo seu rhinarium (a ponta do focinho) “úmido” (úmido) – daí o termo coloquial, mas impreciso “nariz molhado”. Eles também possuem uma massa cerebral menor do que a dos símios de tamanho comparável, têm grandes lobos olfativos, um órgão vomeronasal para detectar feromônios e um útero bicornado com uma placenta epiteliocorial.

Em seus olhos há uma camada reflexiva para melhorar a visão noturna e em suas órbitas oculares existe um anel de osso ao redor do olho; entretanto, esses animais não possuem uma parede fina de osso atrás dele. Os primatas de estrepsirrina produzem sua própria vitamina C, enquanto os primatas haplorrinos devem obtê-la por meio suas dietas. Os animais lemuriformes se diferenciam por causa de um conjunto muito específico de dentes na parte frontal e inferior da boca.

Muitas das estrepsirrinas vivas de hoje estão ameaçadas devido à destruição do habitat, à caça de carne de animais selvagens e à captura desses animais para comércio. Tanto as estrepsirrinas vivas quanto as extintas possuem comportamentos diversos, embora todas sejam primariamente arbóreas (moram em árvores). Grande parte dos lemuriformes é noturna, enquanto grande parte dos adaptiformes é diurna. Grupos vivos e extintos se alimentavam principalmente de frutas, folhas e insetos.

Processo de Evolução

Os lêmures foram transportados para a ilha de Madagascar entre 47 e 54 milhões de anos, enquanto os lorisídeos se separaram dos galagos africanos a aproximadamente de 40 milhões de anos e posteriormente colonizaram a Ásia. Os lemuriformes, mais especificamente, os oriundos de Magagascar, são frequentemente retratados inadequadamente como exemplos de primatas “basais” ou “inferiores”.

Lêmures de Magagascar
Lêmures de Magagascar

Essas visões historicamente impediram o entendimento da evolução dos mamíferos e a evolução das características da família estrepsirrina, como sua necessidade pelo olfato, sua anatomia esquelética característica e o tamanho de sua massa cerebral, que é relativamente pequena. No caso dos lêmures, a seleção natural fez esse grupo específico de primatas se diversificar de modo significativo. Isso causou o preenchimento de uma rica variedade de nichos ecológicos, apesar desses animais terem cérebros menores e menos complexos quando comparados com os símios.

Origem dos Estrepsirrinas

A divergência entre strepsirrhines, símios e társios provavelmente se seguiu quase imediatamente após o processo de evolução dos primatas. Ainda que poucos fósseis de grupos de primatas vivos – lemuriformes, tártaros e símios – sejam conhecidos desde o início do Eoceno Médio, evidências genéticas e recentes descobertas fósseis sugerem que eles podem estar presentes durante a radiação adaptativa inicial.

A origem dos primeiros primatas dos quais os símios e társios evoluíram é um mistério. Tanto o local de origem quanto o grupo de onde emergiram são incertos. Ainda que o registro fóssil que demonstra sua radiação inicial no Hemisfério Norte seja muito detalhado, o registro fóssil dos trópicos (onde os primatas provavelmente se desenvolveram primeiro) é muito escasso, principalmente na época em que surgiram primatas e outros grandes grupos de mamíferos eutérios.

Macaco da Espécie Estrepsirrinas se Alimentando
Macaco da Espécie Estrepsirrinas se Alimentando

Na falta de fósseis tropicais detalhados, geneticistas e primatologistas usaram análises genéticas para saber qual é a relação entre as linhagens de primatas e a quantidade de tempo desde que elas divergiram. A partir desse relógio molecular, as datas de divergência das principais linhagens de primatas mostraram que os primatas evoluíram durante mais de 80 milhões de anos, quase 40 milhões de anos antes dos primeiros fósseis que foram descobertos.

Os primatas primitivos incluem espécies de corpos pequenos noturnos e diurnos, e todos eram arbóreos, com mãos e pés especialmente adaptados para movimentos em pequenos galhos. Os dapiformes de plesia do Paleoceno inicial são algumas vezes considerados “primatas arcaicos”, porque seus dentes se assemelhavam aos dos primatas primitivos e porque tinham corpos adaptados para a vida nas árvores, como um dedão do pé (hálux) divergente.

Embora os plesiadapiformes estivessem intimamente relacionados aos primatas, eles representam um grupo parafilético do qual existe a possiblidade dos primatas terem evoluído diretamente. Alguns gêneros ligados aos plesiadapiformes podem ter sido relacionados de forma mais próxima aos colugos, porém, o mais provável é que estejam mais intimamente relacionados aos primatas.

Os primeiros primatas verdadeiros (euprimidos) não aparecem em nenhum registro fóssil até o início do Eoceno (55 milhões de anos), altura em que irradiavam pelo Hemisfério Norte durante um breve período de rápido aquecimento global conhecido como Máximo Paleoceno – Eoceno. Esses primeiros primatas fosséis incluíram ordens como Cantius, Donrussellia, Altanius e Teilhardina.

Estes primeiros primatas fósseis são frequentemente divididos em dois grupos, adaptiformes e omomiformes. Ambos apareceram subitamente no registro fóssil sem formas transitórias para indicar ancestralidade, e ambos os grupos eram ricos em diversidade e estavam espalhados por todo o Eoceno.

Lêmures na Árvore
Lêmures na Árvore

O último ramo a ser desenvolvido foram os adapiformes, um grupo diverso e disseminado que cresceu durante o Eoceno (56 a 34 milhões de anos atrás) na América do Norte, Europa e Ásia. Eles sumiram de grande parte do Hemisfério Norte quando o clima esfriou: o último dos adapiformes desapareceu no final do Mioceno, há cerca de sete milhões de anos.

A reprodução na maioria das espécies de estrepsirrina tende a ser sazonal, principalmente nos lêmures. Os principais fatores que afetam a reprodução sazonal incluem a duração da estação chuvosa, a disponibilidade subsequente de alimentos e o tempo de maturação das espécies. Como outros primatas, as estrepsirrinas são criadores relativamente lentos em comparação com outros mamíferos. O período de gestação e os intervalos entre partos geralmente são longos, e os jovens se desenvolvem lentamente, como nos primatas da haplorina.

Ao contrário dos símios, algumas estrepsirrinas geram dois ou três filhotes, embora alguns produzam apenas uma única cria. Aqueles que produzem múltiplos filhotes tendem a construir ninhos para eles. Pensa-se que essas duas características sejam plesiomórficas (ancestrais) para os primatas.

Os jovens são relativamente maduros e móveis ao nascer, mas não são tão coordenados quanto os ungulados (mamíferos com cascos). O cuidado infantil da mãe é relativamente prolongado em comparação com muitos outros mamíferos e, em alguns casos, os bebês se apegam ao pelo da mãe com as mãos e os pés.

Modo de Agir (Strepsirrhines)

Aproximadamente 75% de todas as espécies estrepsirrinas são noturnas e dormem em ninhos feitos de folhas secas ou em cavidades de árvores durante período diurno. Todos os lorisídeos da África continental e da Ásia são noturnos, uma circunstância que minimiza sua competição com os primatas símios da região, que são diurnos. Os lêmures de Madagascar costumam variar mais os seus ciclos de atividade. Os lêmure-rato e os lêmures esportivos são noturnos, enquanto os lêmures de cauda anelada e a maioria de seus parentes, como os sifakas e os indri são diurnos.

No entanto, os lêmures marrons (Eulemur) possuem ciclos variáveis, o que significa que eles podem estar ativos durante o dia ou à noite, dependendo de fatores como temperatura e predação. Muitas estrepsirrinas existentes estão bem adaptadas à atividade noturna devido a seus olhos relativamente grandes; orelhas grandes e móveis; cabelos táteis sensíveis; forte olfato; e o tapetum lucidum atrás da retina. Dentre os adapiformes, a maioria é considerada diurna, com exceção de Pronycticebus e Godinotia, do Eoceno Médio da Europa, ambos com órbitas grandes que sugerem noturnidade.

Lêmures Marrons
Lêmures Marrons

A reprodução na maioria das espécies de estrepsirrina tende a ser sazonal, principalmente nos lêmures. Os principais fatores que afetam a reprodução sazonal incluem a duração da estação chuvosa, a disponibilidade subsequente de alimentos e o tempo de maturação das espécies.

Como outros primatas, as estrepsirrinas são criadores relativamente lentos em comparação com outros mamíferos. O período de gestação e os intervalos entre partos geralmente são longos, e os jovens se desenvolvem lentamente, como nos primatas da haplorina. Ao contrário dos símios, algumas estrepsirrinas produzem dois ou três filhos, embora alguns produzam apenas um único filho.

Aqueles que geram múltiplos filhotes tendem a construir ninhos para eles. Pensa-se que essas duas características sejam plesiomórficas (ancestrais) para os primatas. Os filhotes são precociais (relativamente maduros e móveis) ao nascer, mas não são tão coordenados quanto os ungulados (mamíferos com cascos). O cuidado da mãe é relativamente longo em comparação aos filhotes de outros vários mamíferos e, em alguns casos, os bebês se apegam aos pelos da mãe com as mãos e os pés.

Mesmo tendo cérebros relativamente menores quando comparados a outros primatas, os lêmures demonstraram bons níveis de inteligência técnica na hora de resolver problemas comparáveis aos testes realizados em símios. Entretanto, sua inteligência social é diferente, enfatizando frequentemente a competição dentro do grupo por cooperação, algo que ocorre devido ao fato desse animal sempre se adaptar para sobreviver em ambientes imprevisíveis.

Embora os lêmures não tenham sido vistos utilizando objetos como ferramentas na natureza, é possível treiná-los em cativeiro para que saibam usar objetos como ferramentas. Isso lhes daria uma demonstração de entendimento básico sobre a utilidade dos objetos que estão usando.

Dieta dos Strepsirrhines

Lêmures Comendo
Lêmures Comendo

Os primatas se alimentam principalmente de frutas (incluindo sementes), folhas (incluindo flores) e presas de animais (artrópodes, pequenos vertebrados e ovos). As dietas variam acentuadamente entre as espécies strepsirrhine. Como outros primatas folívoros (comem folhas), algumas estrepsirrinas podem digerir celulose e hemicelulose. Algumas estrepsirrinas, como os galagonídeos, lorisídeos delgados e angwantibos, são principalmente insetívoras.

Outras espécies, como os lêmures e os galagonídeos com garras de agulhas, são especializados em frutas, enquanto os indriídeos e os de bambu são folívoros. Muitos strepsirrhines são frugívoros (comedores de frutas) e outros, como o lêmure de cauda anelada, são onívoros, comendo uma mistura de frutas, folhas e matéria animal.

Entre os adaptiformes, o frugivório parece ter sido a dieta mais comum, principalmente para espécies de médio a grande porte, como Cantius, Pelycodus e Cercamonius. A folivoria também foi comum entre os adaptiformes de médio e grande porte, incluindo Smilodectes, Notharctus, Adapis e Leptadapis. Cúspides (pontas) afiadas nos dentes de alguns dos adaptiformes menores, como Anchomomys e Donrussellia, indicam que eles eram parcial ou principalmente insetívoros.

Jeito de Andar

As estrepsirrinas vivas são predominantemente arbóreas, com apenas o lêmure de cauda anelada gastando um tempo considerável no chão. A maioria das espécies se movimenta de forma quadrúpede (com quatro patas) nas árvores, incluindo cinco gêneros de lêmures noturnos menores: galagonídeos, indrídeos, lêmures esportivos e lêmures de bambu saltam de superfícies verticais, e os indrídeos são altamente especializados para agarrar e pular verticalmente. Lorisídeos são alpinistas lentos e deliberados.

Análises de esqueletos pós-cranianos de adaptiformes extintos sugerem uma variedade de comportamento locomotor. Os adaptiformes europeus Adapis, Paleolemur e Leptadapis compartilharam adaptações para escalada lenta como os lorises, embora possam ter sido corredores quadrúpedes como pequenos macacos do Novo Mundo.

Notharctus e Smilodectes da América do Norte e Europolemur da Europa exibem proporções de membros e superfícies articulares comparáveis ​​aos lêmures que podem agarrar e pular em superfícies verticais, mas não eram tão especializados quanto os indístides para agarrar na vertical, sugerindo que corriam ao longo dos galhos e não pulavam tanto. Os Notharctids Cantius e Pronycticebus parecem ter sido quadrúpedes arbóreos ágeis, com adaptações comparáveis ​​aos lêmures marrons.

Comunicação e Sociabilização

As estrepsirrinas noturnas têm sido tradicionalmente descritas como “solitárias”, embora esse termo não seja mais o preferido pelos pesquisadores que as estudam. Muitas são consideradas “forrageiras solitárias”, mas muitas delas exibem organização social complexa e diversificada, muitas vezes sobrepondo áreas domésticas, iniciando contato social à noite e compartilhando locais de dormir durante o dia.

Até os sistemas de acasalamento podem variar, como visto nos lêmures lanosos (avahi), que vivem em pares monogâmicos. Por causa dessa diversidade social entre esses primatas solitários, porém sociáveis e com nível de convívio social comparável ao dos símios diurnos, classificações alternativas foram propostas para organizar as tendências gregárias, dispersas ou solitárias dos lêmures.

Entre as estrepsirrinas existentes, apenas os lêmures diurnos e catemerais evoluíram para viver em grupos masculinos / femininos, comparáveis à maioria dos símios vivos. Pensa-se que esta característica social, vista em duas famílias de lêmures existentes (Indriidae e Lemuridae), tenha evoluído independentemente. O tamanho dos grupos é menor nos lêmures sociais do que nos símios e, apesar das semelhanças, as estruturas das comunidades diferem.

Lêmures da Família Indriidae
Lêmures da Família Indriidae

O domínio feminino, que é raro nos símios, é bastante comum nos lêmures. Os strepsirrhines gastam uma quantidade considerável de tempo cuidando um do outro. Os primatas lemuriformes gostam de se pentear e para isso, lambem os seus pelos e depois os penteiam com os dentes. Eles também usam sua garra para arranhar lugares que não conseguem alcançar com a boca.

Como os macacos do Novo Mundo, as estrepsirrinas dependem da marcação do perfume para grande parte de sua comunicação. Isso envolve a secreção de secreções das glândulas epidérmicas nos galhos das árvores, juntamente com a urina e as fezes. Em alguns casos, as estrepsirrinas podem marcar-se com a urina para conseguirem uns aos outros.

Posturas corporais e gestos costumam ser utilizados, embora o focinho longo, os lábios não móveis e a redução da enervação facial restrinjam o uso de expressões faciais nas estrepsirrinas. Chamadas de curto e de longo alcance e chamadas de alarme também são usadas. As espécies noturnas são mais limitadas pela falta de luz; portanto, os sistemas de comunicação desses animais os diferem das espécies diurnas, pois geralmente usam chamadas de longo alcance para reivindicar seu território.

Lêmures

Os lêmures, primatas que pertencem ao grupo Strepsirrhini e que se ramificaram de outros primatas há pelo menos de 63 milhões de anos, viveram seu processo de evolução na ilha de Madagascar por pelo menos 40 milhões de anos. Eles compartilham algumas características com os primatas mais básicos e, portanto, costumam ser confundidos com os ancestrais dos macacos e humanos modernos.

Acredita-se que uma população ancestral de lêmures tenha sido transportada inadvertidamente para a ilha em uma esteira flutuante de vegetação, embora também tenham sido propostas hipóteses para pontes terrestres e passeios pelas ilhas. O momento e o número de colonizações hipotetizadas dependem tradicionalmente das afinidades filogenéticas do aye-aye, o membro mais básico do clã do lêmure.

Evolução dos Lêmures

Os lêmures pertencem à subordem Strepsirrhini. Assim como outros primatas strepsirrhini, como lorises, pottos e galagos, esses animais compartilham características ancestrais com primatas primitivos. Nesse sentido, os lêmures são frequentemente confundidos com os primatas ancestrais; entretanto, os lêmures não deram origem a macacos, mas evoluíram de forma independente em Madagascar.

Os primatas evoluíram pela primeira vez em algum momento entre o período Cretáceo Médio e o começo do Paleoceno, no supercontinente da Laurasia ou na África. Segundo estudos do relógio molecular, o último ancestral comum de todos os primatas possui aproximadamente 79,6 milhões de anos, embora os primeiros primatas fósseis conhecidos tenham apenas entre 54 e 55 milhões de anos.

O parentesco mais próximo dos primatas está ligado aos plesiadapiformes extintos e aos colugos modernos (comum e imprecisa chamados “lêmures voadores”). Alguns dos primeiros primatas verdadeiros conhecidos são representados pelos grupos fósseis Omomyidae, Eosimiidae e Adapiformes.

A relação entre famílias conhecidas de primatas fósseis permanece incerta. Uma estimativa conservadora para a divergência de haplorines (társios, macacos e humanos) e estrepsirrinas é de 58 a 63 milhões de anos. Está emergindo um consenso que coloca os omomídeos como um grupo irmão nos társios, os eosimídeos como um grupo-tronco nos símios (haplorines não-társios) e o Djebelemur, um gênero africano que provavelmente está relacionado a um ramo asiático precoce de adaptiformes de cercamoniína, como tronco grupo para strepsirrhines modernos, incluindo lêmures.

Filhote de Lêmures
Filhote de Lêmures

Em 2009, uma publicação altamente divulgada e criticada cientificamente proclamou que um fóssil adaptiforme de 47 milhões de anos, Darwinius masillae, demonstrava traços adaptiformes e símios, tornando-o uma forma de transição entre as linhagens prosimiana e símia. Fontes da mídia erroneamente apelidaram o fóssil de “elo perdido” entre lêmures e humanos.

Pensa-se tradicionalmente que os lêmures evoluíram durante o Eoceno (55 a 37 milhões de anos) com base no registro fóssil, embora testes moleculares sugiram que essa evolução tenha sido no Paleoceno (66 a 56 milhões de anos) ou mais tarde. Até recentemente, eles pensavam ter descido diretamente do grupo diversificado de adaptiformes devido a várias características pós-cranianas compartilhadas, bem como focinhos longos e cérebros pequenos.

Embora os adaptiformes também tivessem bolhas auditivas semelhantes ao lêmure, uma característica prosimiana, eles tinham cérebros menores e focinhos mais longos que os lêmures. Existem também outras diferenças morfológicas. Ao contrário dos lêmures, os adaptiformes exibiam uma sínfise mandibular fundida (uma característica dos símios) e também possuíam quatro pré-molares, em vez de três ou dois.

Estudos comparativos do gene do citocromo b, que são frequentemente usados ​​para determinar as relações filogenéticas entre os mamíferos – particularmente entre famílias e gêneros – foram usados ​​para mostrar que os lêmures compartilham ancestralidade comum com os lorisídeos. Esta conclusão também é corroborada pelo dente estreito de estrepsirrina compartilhado, uma característica incomum que provavelmente não evoluiu duas vezes.

Se os adaptiformes fossem os ancestrais das estrepsirrinas vivas, o último ancestral comum das estrepsirrinas modernas teria que anteceder o início do Eoceno, uma visão apoiada por estudos filogenéticos moleculares de Anne D. Yoder e Ziheng Yang em 2004, que mostraram que os lêmures se separaram loriza aproximadamente 62 a 65 milhões de anos. Essas datas foram confirmadas por testes mais extensos por Julie Horvath et al. em 2008. Esses estudos moleculares também mostraram que os lemuroides se diversificaram antes dos lorisídeos modernos.

Adaptiformes
Adaptiformes

Usando um conjunto de dados mais limitado e apenas genes nucleares, outro estudo realizado em 2005 por Céline Poux et al. datou a divisão entre lêmures e lorises em 60 milhões de anos, diversificação de lêmures em 50 milhões de anos e a colonização por lêmures de Madagascar em algum lugar entre essas duas datas aproximadas. No entanto, a descoberta de 2003 de lorisoides fósseis na Depressão de Fayum, no Egito, levou a data da divergência lorisídea de volta ao Eoceno, coincidindo com as datas de divergência previstas por Yoder e Horvath.

O registro fóssil conta uma história diferente. Embora não possa mostrar a data mais antiga possível para o aparecimento de um grupo taxonômico, surgiram outras preocupações sobre essas datas de divergência muito anteriores, previstas independentemente do registro fóssil. Primeiro, os paleontologistas expressaram preocupações de que, se os primatas existem há mais de 66 milhões de anos, o primeiro terço do registro fóssil de primatas está ausente.

Outro problema é que algumas dessas datas moleculares superestimaram a divergência de outras ordens de mamíferos, como Rodentia, sugerindo que a divergência de primatas também pode ser superestimada. Uma das estrepsirrinas mais antigas conhecidas, Djebelemur, data do início do Eoceno do norte da África e carece de um dente dentado totalmente diferenciado. Com base em fósseis e outros testes genéticos, uma estimativa mais conservadora data a divergência entre lêmures e lorises para cerca de 50 a 55 milhões de anos.

Para dificultar ainda mais o enigma da ancestralidade, nenhum fóssil Eoceno ou Paleoceno terrestre foi encontrado em Madagascar, e o registro fóssil da África e da Ásia nessa época não ajuda nessa questão. O pouco de rocha fóssil existente neste vasto espaço de tempo é dominado por estratos marinhos ao longo da costa oeste. Os fósseis de lêmures mais antigos de Madagascar são na verdade subfósseis que datam do Pleistoceno Final.

Haplorrhini (haplorrinos)

Haplorrhini
Haplorrhini

É uma subordem de primatas contendo os társios e os símios (Simiiformes ou antropoides), como irmã dos Strepsirrhini (“nariz úmido”). O nome às vezes é escrito Haplorrhini. Os símios incluem catarrinas (macacos do Velho Mundo, incluindo humanos) e platirrinas (macacos do Novo Mundo).

Acredita-se que os omomídeos extintos, considerados os haplorines mais basais, estejam mais intimamente relacionados com os társios do que com outros haplorines. A relação exata ainda não está totalmente estabelecida – Williams, Kay e Kirk (2010) preferem a visão de que tártaros e símios compartilham um ancestral comum e que esse ancestral comum compartilha um ancestral comum com os omomídeos, citando evidências da análise de Bajpal et al. Em 2008; mas eles também observam duas outras possibilidades – que os társios descendem diretamente dos omomídeos, com os símios sendo uma linha separada, ou que os símios e os társios descendem dos omomídeos.

Os haplorrinos compartilham uma série de características derivadas que os distinguem dos primatas estrepirrínicos “de nariz molhado” (cujo nome grego significa “nariz curvo”), a outra subordem de primatas dos quais divergiram há 63 milhões de anos.

Os haplorrinos, incluindo tártaros, perderam a função da enzima terminal que fabrica a vitamina C, enquanto as estrepsirrinas, como a maioria das outras ordens de mamíferos, mantiveram essa enzima. Geneticamente, cinco elementos nucleares intercalados curtos são comuns a todos os haplorrinos enquanto ausentes nos strepsirrhines.

O lábio superior da haplorina, que substituiu o rhinarium ancestral encontrado nas estrepsirrinas, não está diretamente conectado ao nariz ou à gengiva, permitindo uma grande variedade de expressões faciais. A proporção de massa cérebro-corpo é significativamente maior que as estrepsirrinas, e seu principal sentido é a visão. Haplorhines têm uma placa pós-orbital, ao contrário da barra pós-orbital encontrada nas estrepsirrinas. A maioria das espécies é diurna (as exceções são os társios e os macacos noturnos).

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