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Javaporco é Fertil? Ele Pode se Reproduzir? É uma Praga?

Internautas bem intencionados, sensibilizados por postagens de filhotes de javali sendo mortos a botinadas, demostraram revolta nas redes sociais.

Influenciados pela repercussão popular do caso, deputados paulistas aprovaram uma lei que proíbe a caça do javali e do javaporco, em todo o estado.

Javaporco

Javaporco é o resultado do cruzamento do porco doméstico com o javali. Através desta hibridação os criadores acreditavam gerar uma raça, com carne menos gordurosa, e baratear os custos de manejo e produção, em virtude da rusticidade da criação deste híbrido.

Entretanto, esses animais herdaram do javali o comportamento agressivo e de trato difícil, bem diferentes dos suínos, não sendo possível sua criação e manejo nas mesmas condições,  e foram gradativamente soltos na natureza, por não ter como mantê-lo presos.

Fertilidade

O cruzamento genético, via de regra, produz um híbrido estéril, em virtude da incompatibilidade de genes (número diferente de cromossomos), no entanto há casos raros, chamados de hibridação homoploide,  de animais híbridos tornados férteis, como é o caso das fêmeas do javaporco.

Os porcos  contém 38 cromossomos no seu DNA,  os javalis contém 36 cromossomos, isto indica que embora sejam espécies diferentes, são parentes muito próximos. O genoma dos javaporcos conseguiram dividir-se em pares iguais de cromossomos e produzir células reprodutivas, se tornando fértil.

Javaporco e Filhotes
Javaporco e Filhotes

Reprodução

Parece piada mas não é – um banheiro de botequim sujo há uma semana é mais cheiroso do que o javaporco – e a fêmea (são adultas aos 7 meses), fica simplesmente apaixonada por esse “perfume” de modo que o macho alfa adulto (mais de oito anos de idade), costuma ter quase 30 fêmeas em seu harém, e em suas invasões, se encontrar uma suína “de bobeira” ele arrasta também.

O macho alfa expulsa os machos jovens (são adultos aos oito meses), que venham a ser gerados em sua “comunidade”, mas permite que ao “sair de casa” levem pelo menos duas fêmeas, pra formar novo bando. Duas semanas depois de ter parido, elas entram novamente no cio.

Se o macho alfa do bando for capturado ou morrer, os “novinhos” promovem uma orgia coletiva, com cobertura de 100 % das fêmeas. Agora é só fazer as contas:

Cada fêmea produz duas ninhadas por ano, e em cada ninhada gera entre oito e quinze filhotes,numa gestação de 110 dias e expectativa de vida acima dos dez anos.

Javaporcos se Alimentando
Javaporcos se Alimentando

Esta enorme capacidade reprodutiva desencadeou um problema gravíssimo.

As sucessivas gerações, foram se adaptando as necessidades do meio, assim os modernos javaporcos são capazes de sobreviver à queimadas, tem velocidade maior do que os cães , atravessam rios a nado, pulam muros de mais de 1,50 cm. de altura e suas presas adquiriram o formato de adagas, que perfuram o solo à até 10 cm. de profundidade.

Praga

Há registros de invasões de javalis e porcos do mato, feitos por naturalistas, há mais de cem anos, provocadas por ações humanas mal planejadas.

A importação de javalis para abate e caça, e o cruzamento de raças, que deram origem ao javaporco, tornaram-se catastróficas, porque produziram um animal rápido, forte, astuto, de comportamento destrutivo, agressivo e que se reproduz mais do que o coelho.

Caça de Javaporco
Caça de Javaporco

Em suas andanças aos bandos, com mais de 50 indivíduos, os javaporcos pisoteiam e cavucam a vegetação nativa, esse comportamento tem efeitos devastadores sobre a flora, pois: espalha as ervas daninhas, aumentando sua abrangência, e desregula a sucessão vegetal e composição de espécies, pois mata as plantas ainda jovens, antes dos processos de floração e frutificação.

Com suas recém adquiridas “presas”, reviram o solo em busca de tubérculos, pisoteiam nascentes de córregos e rios, para formar o barro onde se deitam, e invadem propriedades agrícolas destruindo lavouras de milho, de mandioca e pomares de agricultura, causando grave prejuízo ao agro-negócio. Um bando consegue destruir uma pequena área cultivada em apenas uma noite.

A fauna também sofre com esta invasão dos javaporcos, pois na falta de sua alimentação preferida, eles comem tudo que vê pela frente: répteis (como as tartarugas, cobras e lagartos), ovos de todas as espécies, aves e pequenos mamíferos (como gambás, tatus, bovinos e ovinos). Até os humanos correm perigo, pois o javaporco pode atingir os 300 kg, e como já tem desenvolvido a capacidade de comer carne, podem se tornar uma ameaça real, dada a velocidade de reprodução de indivíduos e adaptações ao meio e suas necessidades, a sua natural agressividade e a sua crescente aproximação de núcleos urbanos, registrados com maior frequência.

Com o aumento de sua população, cresce também a quantidade de agentes patogênicos ligados a eles: carrapato transmissor da febre aftosa, morcegos vampiros(que se alimentam do seu sangue) e transmitem a raiva, gripe suína, leptospirose e mais outras 50 zoonoses conhecidas e transmitidas pelos suínos, desde sempre.

Solução

O javaporco não tem um predador natural, e se tivesse, esse predador se tornaria o problema,argumentam os naturalistas. A teoria aponta a onça pintada  como o único animal de nossa fauna em condição de encará-lo, esquece!

Castração!…sem chance é muito caro e não há dados da população de javaporcos, quantos são e onde estão.

Legalizar a caça!…seria desastroso para a reputação do Brasil no cenário internacional, sendo o país signatário de importantes tratados de preservação.

Incentivar o consumo da carne do javaporco!…quem se arrisca!…Os órgãos de controle da saúde animal desencorajam seu consumo, pois não possuem inspeção.

Muito tem sido debatido em torno destas questões e há posições  bastante antagônicas e conflitantes na busca da solução.

A promulgação da lei paulista, desencadeou reações iradas entre os membros da bancada ruralista, pois os agricultores tem sido, até então as principais vítimas.Um grupo paulista conseguiu uma liminar autorizando a matança de animais, que deve obedecer as normas do IBAMA:

– Os animais abatidos devem ser enterrados ou consumidos;

– Os caçadores devem informar através de memorando a quantidade de animais abatidos.

– É proibida a venda ou transporte de partes/ou todo do animal abatido.

Para sociedades protetoras de animais, uma liberação total da caça, como proposta do ex-deputado do PMDB/SC Valdir Colato (atual diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro) que ainda tramita na casa, levaria a extinção de importantes espécies silvestres, sob a proteção do IBAMA.

Por outro lado, a bancada ruralista afirma que em dois anos estes javaporcos invadirão a Amazônia e se tornarão incontroláveis e então toda a atividade agrícola se tornará inviável.

Há consenso: é preciso controlar a reprodução dos javaporcos de forma rápida e eficiente…

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