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Importância Ecológica dos Quilópodes

Por mais que o “gosto popular”, digamos assim, não queira admitir, todo e qualquer animal possui o seu grau de importância para a natureza. Todos, sem exceção (incluindo aí aqueles que consideramos, esteticamente, repulsivos, repugnantes, e por aí vai).

Um bom exemplo disso são os chamados quilópodes, que, com certeza, você já viu por aí, mesmo que em imagens na internet. São as tão conhecidas centopeias ou lacraias, seres que causam verdadeiros calafrios em algumas pessoas, mas acredite: esses animais possuem uma importância crucial para o meio ambiente.

Mas, como esse tipo de animal consegue ter uma certa importância ecológica? Bem, vamos descobrir isso nas próximas linhas, e ainda relembrar um pouco das características desses animais.

Aspectos Gerais

Quilópodes
Quilópodes

O corpo dos quilópodes é composto apenas por cabeça e tronco, e este, por vários anéis, possuindo um par de pernas por cada segmento. A maior parte das espécies de quilópodes mede, aproximadamente, 5 cm de comprimento, mas, a centopeia da espécie Scolopendra gigantea, localizada na Amazônia, pode chegar a inacreditáveis 30 cm (com certeza, você não vai querer estar tão perto de um bicho desses).

Além disso, são animais peçonhentos, que inoculam um poderoso veneno através de suas presas. Um veneno, por sinal, que não chega a ser mortal para nós, seres humanos, mas, que consegue causar uma dor enorme no local do ataque. Porém, se a pessoa tiver alergia ao veneno dela, pode ter um choque anafilático e vir a óbito. Não é algo comum, mas, pode acontecer. Portanto, caso você já saiba que tem muita alergia, por exemplo, a picadas de vespas ou de abelhas, não é nem um pouco recomendável se aproximar de uma centopeia ou lacraia.

Todos os quilópodes, sem exceção, são carnívoros, e se alimentam, principalmente, de besouros, larvas, e outros invertebrados de corpo mole. Porém, os maiores exemplares podem comer animais do porte de uma cobra, de um roedor, ou até mesmo de um lagarto, por exemplo. Sim, esses bichos possuem um apetite voraz para vários tipos de animais diferentes, tornando a sua dieta um tanto quanto “variada”. São tão vorazes que poderíamos compará-los aos tigres das florestas tropicais.

Em se tratando de habitat natural, esses animais gostam de viver em locais escuros e úmidos. Em cidades, e principalmente nas residências, os quilópodes podem ser atraídos por acúmulo de lixo ou entulho, ou até mesmo tocos de árvore que estejam começando a ficar apodrecidos. Os hábitos desses bichos, por sinal, são totalmente noturnos, que é o momento quando saem para caçar e se reproduzir, e é justamente nesse período do dia que podem acontecer ataques involuntários a seres humanos.

Mas, afinal, em que esses animais podem auxiliar, de alguma forma, o meio ambiente onde estão localizados? Pra entender melhor essa questão, precisamos voltar ao conceito de cadeia alimentar, que é um dos estudos mais básicos quando o assunto é ecologia.

Retomando o Conceito de Cadeia Alimentar

A cadeia alimentar nada mais é do que um conjunto de processo interligados, onde os seres vivos são classificados em três categorias bem distintas: produtores, consumidores e decompositores. Ao longo desse processo, nutrientes e toda forma de energia são transferidos dos produtores para os consumidores , com o ciclo se fechando com o retorno dos nutrientes aos produtores (ação que se dá graças aos decompositores).

Ou seja, cada organismo vivo na Terra está presente nessa cadeia, e cada um desempenha uma função específica, do menor ao maior ser vivo, que, de uma forma ou de outra, possui o seu grau de importância. Incluindo aí as nossas amigas centopeias, evidentemente. E, nessa cadeia, podemos colocá-la na classe dos consumidores, que chamamos também de heterótrofos.

Por serem animais carnívoros, os quilópodes podem ser classificados como consumidores secundários ou terciários (a depender do tipo de ser vivo que se alimentem). Mas, é importante ter em mente que, independente disso, esses animais são, em essência, consumidores, e, a depender do meio ambiente em que vivam, estarão da parte intermediária da cadeia alimentar pra cima.

E, é aí que está a importância ecológica dos quilópodes: eles consomem nutrientes dos animais que se alimentam, e passam esses mesmos nutrientes para os seres que as devoram. Fazer parte desse ciclo é essencial para manter um equilíbrio natural dentro de determinado processo de determinado local.

Controle de Pragas

Porém, além de participar ativamente da cadeia alimentar, os quilópodes desempenham outro papel importante, ecologicamente falando, e este fica ainda mais claro aos nosso olhos, que é o fato deles de alimentarem de animais que podem se tornar pragas caso se reproduzam de maneira desordenada.

Quilópode Andando no Chão
Quilópode Andando no Chão

Por mais que a aparência de uma centopeia seja repugnante, sem ela (e tantos outros seres semelhantes), animais como ratos, besouros, e insetos em geral, seriam em número bem maior no meio ambiente como um todo, e nas cidades, principalmente.

Os quilópodes, portanto, fazem parte daquele seleto grupo de seres que auxiliam para que as pragas não se proliferem, o que implica dizer que matar, deliberadamente, um animal desses é contribuir para o crescimento populacional de bichos realmente indesejáveis.

O ideal mesmo é evitar contato com esse animal, preferencialmente, impedindo que ele fique na sua residência ou nas proximidades. Mas, pra isso, o ambiente precisa ser limpo, sem acúmulo de lixo ou entulho, nem com frestas abertas nas paredes ou no chão.

Assim, você o deixa em paz, evitando ter que matar um ser que, comprovadamente, desempenha importante papel no meio em que vive.

Veneno Para Fins Medicinais

Além das vantagens naturais que citamos acima a respeito do papel dos quilópodes no meio ambiente, você sabia que cientistas estão estudando a composição do veneno desses animais para poder transformá-lo em poderosos medicamentos num futuro bem próximo?

O que sabemos de concreto, até o momento, é que o veneno das lacraias são usados na medicina tradicional da China há centenas e centenas de anos. Atualmente, já foram catalogadas em torno de 500 substâncias peptídicas no veneno dos quilópodes, o que pode ser muito útil para a área farmacológica.

Quem sabe se, muito em breve, estaremos tomando comprimidos à base de centopeias, por que não? É aguardar pra ver.

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