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Desenvolvimento dos Diplópodes

Os diplópodes são uma classe de artrópodes (pertencentes ao subfilo os miriápodes) cujos membros são chamados de piolhos-de-cobra, além de outras denominações, tais como milípedes, embuá e gongolo.

Na classe dos diplópodes há cerca de 12.000 espécies, 16 ordens e até 140 famílias. Os diplópodes e milípedes são muito semelhantes, com a diferença de que os milípedes são mais curtos e tem a capacidade de enrolar o próprio corpo tal como uma bola.

Os diplópodes teriam sido um dos primeiros animais terrestres do planeta, com estimativa de primeira aparição datando do período Silúrico. O período Silúrico está compreendido entre a era Paleozóica e o éon Fanerozóico, período que equivale a aproximadamente 443 a 416 milhões de anos atrás. O período Silúrico também é caracterizado pelo aparecimento das primeiras espécies vegetais terrestres.

Alguns antepassados dos diplópodes atuais chegaram a medir 2 metros de comprimento. Acredita-se que as formas iniciais ingeriam musgos e plantas vasculares.

Quem iniciou a classificação científica destes animais foi Carl Linneus, no ano de 1758. Esta classificação teve seu seguimento através de outros zoólogos nos anos de 1802, 1840 e 2003. O termo “diplópode” foi designado no ano de 1844.

O nome diplópode deriva do grego antigo e significa “duplo pé”, fazendo alusão ao fato desses animais possuírem dois pares de patas em cada segmento corporal. São animais dentritívoros em sua maioria. A expectativa de vida varia entre 1 a 10 anos dependendo da espécie.

Neste artigo, você conhecerá um pouco mais sobre o desenvolvimento dos diplópodes e as suas principais características.

Então venha conosco e boa leitura.

Classificação Taxonômica

A classe taxonômica Diplopoda pertence ao Domínio Eukariota, Reino Animalia, Filo Arthropoda e Subfilo Miryapoda.

Características Anatômicas dos Diplópodes

O comprimento corporal destes animais pode variar de 2 milímetros até 35 centímetros de comprimento. A quantidade de segmentos corporais oscila entre 11 e 100. As cores mais comuns são castanho e preto, no entanto, algumas espécies podem possuir uma coloração muito vibrante, sinalizando que são tóxicas.

O exoesqueleto da maioria das subclasses é endurecido, no entanto, para a subclasse Penicillata, esse esqueleto é mole e não calcificado, sendo também revestido por pêlos.

A cabeça é arredondada na porção superior e aplainada na porção inferior. Há um grande par de mandíbulas posicionado à frente de uma estrutura chamada gnatoquilário.

Na cabeça também há um par único de antenas, as quais possuem de sete a oito segmentos, além de cones sensoriais nas extremidades. Não há uma finalidade cientificamente comprovada destas “micro-estruturas” sensoriais, mas, segundo hipóteses de pesquisadores da área, elas seriam responsáveis pela percepção da luminosidade e umidade do ambiente.

Nos olhos, há vários ocelos, nos quais lentas planas e simples estão posicionadas em grupamentos ou em campos oculares laterais.

Resumidamente, o corpo é formado por apenas duas divisões ou tagmas, são elas a cabeça e o tronco.

O corpo pode ser de formato aplainado ou cilíndrico, no qual há inúmeros segmentos ou metâmeros. Cada metâmero possui o seu exoesqueleto próprio formado por cinco placas quitinosas. Os nomes dessas placas quitinosas são tergito, para a placa dorsal; pleuritos, para duas placas, dispostas uma de cada lado; esternito, para a placa ventral, na qual as patas se unem.

Para algumas espécies estas placas podem estar tão profundamente fundidas que resultam na formação de um único anel cilíndrico.

As patas se unem à parte inferior do corpo e são formadas por sete segmentos. Usualmente, as patas dos machos podem ser um pouco mais compridas.

Em relação aos órgãos internos, esses animais possuem dois pares de orifícios respiratórios ou espiráculos, posicionados no ventre, em cada segmento próximo às patas. Tais espiráculos se conectam com o sistema traqueal do animal. Ao longo do corpo, se estende o coração, com uma artéria aorta acompanhando-o em comprimento. A excreção é realizada através de dois pares de túbulos malpighianos. Em relação ao trato digestivo, este é formado por um simples tubo com dois pares de glândulas salivares.

Reprodução dos Diplópodes

Reprodução dos Diplópodes
Reprodução dos Diplópodes

Tanto o macho quanto a fêmea possuem os orifícios genitais (gonóporos) posicionados na porção lateral do terceiro segmento corporal. No macho, esses orifícios podem estar acompanhados de pequenas estruturas semelhantes a um pênis. Na fêmea, os orifícios se abrem no interior da vulva.

Há a postura de 30 a 100 ovos de cada vez. Esses ovos são fertilizados no momento de sua postura, a partir do uso de esperma armazenado. Tais ovos frequentemente são depositados sobre o solo úmido ou sobre detritos orgânicos, no entanto, algumas espécies podem construir ninhos forrados com fezes ressecadas, ou ainda confeccionar casulos de seda para proteger os ovos. A maioria das espécies de diplópodes abandonam seus ovos após a postura.

Desenvolvimento dos Diplópodes

Após o nascimento, os filhotes possuem apenas 3 pares de patas; além disso, incialmente, há quatro segmentos corporais que não possuem patas. À medida que o tempo passa, são acrescentados segmentos e patas a estes animais. Muitas espécies de diplópodes podem construir câmaras no solo que o preparem para esse acréscimo. Cada mudança é considerada uma muda, e resulta no descarte de um exoesqueleto.

Na muda final, no caso dos adultos, é atingida a idade reprodutiva para a maioria das espécies. No entanto, algumas espécies ainda podem continuar trocando de mudas.

Há um fenômeno chamado de periodomorfose que ocorre com os adultos, no qual há alternância entre os estágios reprodutores e não reprodutores, com destaque para a hipotrofia dos órgãos genitais neste último.

Filhotes de Diplópodes
Filhotes de Diplópodes

Classe Diplopoda: Subclasses e Ordens

A classe dos diplópodes possui 3 subclasses. Elas são a subclasse Penicillata, composta pela ordem Polyxenida; a subclasse Arthropleuridae (atualmente extinta), composta pelas ordens Arthropleura, Eoarthropleura e Microdecemplicida; e a subclasse Chilognata, a qual se ramifica em duas infraclasses e duas subterclasses.

História Evolutiva dos Diplópodes

A nível evolutivo, há dois grupos de diplópodes atualmente extintos. Eles são o Archipolypoda e Arthropleuridae. Uma espécie em especial é considerada a mais antiga de todas. Trata-se Pneumodesmus newmani, a qual surgiu no período Silúrico.

Posteriormente, no período posterior, chamado Carbonífero, o grupo Arthropleuridae passou a abrigar os maiores invertebrados terrestre do planeta.

As grandes dimensões corporais das espécies mais antigas, em comparação com as espécies atuais, podem ser justificadas pela grande concentração de oxigênio nos períodos pré-históricos do planeta Terra. A partir do momento no qual houve redução desses níveis de oxigênio, os artrópodes se tornaram menores.

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Agora que você já conhece um pouco mais sobre os diplópodes, nas suas características anatômicas, divisão taxonômica, reprodução e desenvolvimento, continue conosco e visite também outros artigos do site.

Até as próximas leituras.

REFERÊNCIAS

REFERÊNCIAS

BARNES, R. D. (1982). Invertebrate Zoology. Philadelphia, PA: Holt-Saunders International. pp. 818–825;

SIERWALD, P; BOND, J.E. (2007). Current status of the myriapod class Diplopoda (Millipedes): Taxonomic diversity and phylogeny. Annual Review of Entomology. 52 (1): 401–420. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17163800>;

SHELLEY, R. M. (1999). Centipedes and millipedes with emphasis on North American faunaThe Kansas School Naturalist. 45 (3): 1–16. Disponível em: < https://www.emporia.edu/ksn/v45n3-march1999/>;

Wikipédia. Diplópode. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Dipl%C3%B3pode>.

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