Pelicano: Características, Alimentação e Espécies

O pelicano é uma ave aquática de grande porte conhecida pela bolsa de pele elástica que carrega sob o bico — usada para capturar peixes com precisão. São aves imponentes, com envergadura que pode superar 3 metros, e habitam lagos, rios, estuários e costas marinhas em todos os continentes, exceto a Antártica.

Classificação científica do pelicano

Reino Animalia
Filo Chordata
Classe Aves
Ordem Pelecaniformes
Família Pelecanidae
Gênero Pelecanus Linnaeus, 1758
Espécies 8 espécies reconhecidas

Características físicas do pelicano

Os pelicanos são reconhecíveis à distância pelo bico longo e pela bolsa característica. Principais características:

  • Peso: 2,7 a 15 kg, dependendo da espécie
  • Envergadura: 1,8 a 3,5 metros
  • Comprimento do corpo: 1,0 a 1,8 metros
  • Bico: 29 a 47 cm de comprimento; o mais longo entre as aves vivas
  • Bolsa gular: saco de pele distensível entre as mandíbulas inferiores; capacidade de até 13 litros
  • Pés: palmipenados — os quatro dedos são unidos por membrana
  • Plumagem: branca ou marrom-acinzentada conforme a espécie; marcações escuras nas asas

Apesar do volume, os pelicanos são nadadores ágeis e voadores eficientes. Voam em formação em V ou linha, rasantes à superfície da água, aproveitando as correntes criadas pela ave da frente.

Para que serve a bolsa do pelicano?

A bolsa gular funciona como uma rede de pesca. O pelicano mergulha o bico na água, expande a bolsa e captura o peixe junto com grandes volumes de água. Em seguida, fecha o bico, drena a água pelas laterais da mandíbula e engole apenas o peixe.

A bolsa não armazena comida — serve exclusivamente para a captura. Em dias quentes, os pelicanos também agitam a bolsa para criar circulação de ar e se refrescar.

Alimentação do pelicano

A dieta é quase exclusivamente piscívora (baseada em peixes). A técnica de pesca varia conforme a espécie:

  • Mergulho em picada (pelicano-pardo): mergulha de alturas de até 15 metros, girando o corpo ligeiramente para proteger o pescoço no impacto da água
  • Pesca cooperativa (pelicano-branco-americano): grupos formam semicírculos e batem as asas coordenadamente para conduzir cardumes para águas rasas onde a captura é mais fácil
  • Captura na superfície: outras espécies nadam e mergulham o bico diretamente

Pelicanos também roubam alimento de outras aves marinhas — comportamento chamado de cleptoparasitismo. Ocasionalmente comem anfíbios, crustáceos e invertebrados aquáticos.

Comportamento e reprodução

Pelicanos são aves altamente sociais e se reproduzem em colônias densas, às vezes com milhares de casais, geralmente em ilhas isoladas de predadores terrestres. Esse comportamento de vida coletiva é estudado em pesquisas sobre por que algumas espécies formam colônias gigantes.

Corte e nidificação

O macho seleciona o local de nidificação e realiza exibições de balanço de cabeça para atrair a fêmea. Os ninhos variam conforme a espécie: depressões no solo forradas de vegetação (no chão) ou plataformas de galhos em árvores.

A fêmea constrói o ninho com material fornecido pelo macho. A incubação dura 28 a 36 dias. Algo incomum entre as aves: os pelicanos incubam os ovos com os pés, mantendo-os aquecidos.

Desenvolvimento dos filhotes

Os filhotes nascem sem plumas e com os olhos fechados. Os pais os alimentam com peixe pré-digerido regurgitado. Com 3 meses, os jovens já voam e caçam sozinhos. Atingem a maturidade sexual entre 3 e 5 anos.

Espécies de pelicanos

O gênero Pelecanus reúne 8 espécies, distribuídas por todos os continentes habitados. O status de conservação é definido pela Lista Vermelha da IUCN:

Espécie Nome comum Distribuição Status IUCN
P. onocrotalus Pelicano-branco-do-Velho-Mundo Europa, Ásia, África Pouco preocupante
P. rufescens Pelicano-rosado África Subsaariana Pouco preocupante
P. erythrorhynchos Pelicano-branco-americano América do Norte Pouco preocupante
P. occidentalis Pelicano-pardo Américas; costa BR Pouco preocupante
P. thagus Pelicano-peruano Costa do Pacífico Sul Quase ameaçado
P. conspicillatus Pelicano-australiano Austrália, Nova Guiné Pouco preocupante
P. philippensis Pelicano-manchado Ásia do Sul Vulnerável
P. crispus Pelicano-dálmata Europa, Ásia Vulnerável

O pelicano existe no Brasil?

Sim. O Pelecanus occidentalis (pelicano-pardo) ocorre na costa brasileira. É registrado de forma esporádica ao longo do litoral, com maior frequência no Nordeste. Não forma colônias reprodutivas em território nacional — os registros são principalmente de aves em passagem ou em alimentação.

Avistamentos são mais comuns em regiões com estuários e manguezais. A espécie é monitorada por ornitólogos e pode ser identificada pela plumagem marrom-escura e pelo bico cinza-avermelhado nos adultos.

Para conhecer outras aves aquáticas registradas no Brasil, veja: Espécies de Cisnes: Lista com Tipos, Nomes e Fotos.

Conservação dos pelicanos

A maioria das espécies está classificada como “pouco preocupante” pela IUCN. Duas espécies enfrentam ameaças:

  • Pelecanus philippensis (Vulnerável): perda de habitat em zonas úmidas da Ásia do Sul e caça
  • Pelecanus crispus (Vulnerável): o maior pelicano do mundo (até 13 kg); ameaçado pela degradação de lagos e rios europeus e asiáticos

O pelicano-pardo (P. occidentalis) é um caso de sucesso de conservação. Estava listado como ameaçado nos Estados Unidos na década de 1970, após a contaminação pelo pesticida DDT causar adelgaçamento das cascas dos ovos e queda dramática na reprodução. A proibição do DDT permitiu a recuperação da espécie ao longo de três décadas.

Para entender como as aves se adaptam a diferentes condições de habitat, leia também: Aves Migratórias: Curiosidades Fascinantes.

Curiosidades sobre o pelicano

  • O pelicano-dálmata (P. crispus) é a ave aquática mais pesada do mundo, com até 13 kg e 1,8 m de comprimento
  • A bolsa gular pode conter até 13 litros de água — mais de três vezes a capacidade do estômago da ave
  • Pelicanos podem viver até 25 anos em vida silvestre
  • São uma das poucas aves em que todos os quatro dedos são unidos por membrana natatória (pelmatopenados totais)
  • Voam com o pescoço recolhido em forma de S — diferente das garças, mas similar aos pelicanos em grupos
  • A recuperação do pelicano-pardo após o DDT é considerada um dos maiores sucessos da conservação ambiental norte-americana

Perguntas frequentes sobre o pelicano

O que o pelicano come?

O pelicano se alimenta principalmente de peixes. Usa a bolsa gular para capturá-los: mergulha o bico, expande a bolsa, prende o peixe com a água, drena a água e engole o peixe inteiro. Ocasionalmente come anfíbios, crustáceos e rouba alimento de outras aves.

Para que serve a bolsa do pelicano?

A bolsa gular serve para capturar peixes. Funciona como uma rede: o pelicano a expande ao mergulhar o bico, prendendo o peixe junto com água. Depois drena a água e engole o peixe. A bolsa também é usada para refrescar o animal em dias quentes.

Qual o tamanho do pelicano?

Dependendo da espécie, o pelicano mede de 1,0 a 1,8 metros de comprimento e pesa de 2,7 a 13 kg. A envergadura varia de 1,8 a 3,5 metros. O maior é o pelicano-dálmata (Pelecanus crispus), com até 1,8 m e 13 kg.

Existe pelicano no Brasil?

Sim. O pelicano-pardo (Pelecanus occidentalis) ocorre na costa brasileira, com registros do Nordeste ao Sul. Não é uma espécie comum — aparece principalmente em estuários e manguezais costeiros, sem formação de colônias reprodutivas no país.

O pelicano é carnívoro?

Sim, o pelicano é carnívoro. Alimenta-se quase exclusivamente de peixes e, ocasionalmente, de anfíbios, crustáceos e invertebrados aquáticos.

Veja quanto tempo vivem diferentes espécies: Qual o Tempo de Vida de Cada Animal?