Aruanã: 12 Curiosidades, Espécies e Como Vive (2026)

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Aruanã é um peixe gigante da Amazônia famoso por saltar mais de 1,5 metro fora da água para apanhar insetos, aves e até pequenos primatas em galhos baixos. Esse comportamento rendeu ao bicho o apelido de “peixe-macaco”. Aqui você confere as curiosidades sobre o aruanã que mais surpreendem — das duas espécies brasileiras (prata e negra) ao motivo de o pai carregar os filhotes dentro da boca.

Resposta direta: a espécie (Osteoglossum bicirrhosum) é um peixe carnívoro de água doce que vive nas bacias amazônica e Araguaia-Tocantins, atinge até 1,2 m de comprimento e até 6 kg, salta da água para caçar e tem cuidado paterno bocal — o macho protege ovos e larvas dentro da própria boca por cerca de dois meses.

Atualizado em abril de 2026 com nomes científicos revisados, dados de comportamento de criadores e biólogos brasileiros e regras de pesca atualizadas do IBAMA e do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Peixe aruanã prateado adulto nadando em rio amazônico, com escamas grandes e brilhantes
Aruanã prateado adulto: corpo alongado e escamas com reflexos metálicos.

Ficha rápida do peixe aruanã

Antes das curiosidades, este resumo dá o panorama geral. Use como uma cola para responder rápido.

Item Aruanã prateado (Osteoglossum bicirrhosum)
Família Osteoglossidae (peixes “língua-de-osso”, isto é, com a língua dura, óssea)
Tamanho médio 70 a 90 cm
Tamanho máximo 1,0 a 1,2 m
Peso até cerca de 6 kg
Habitat rios e lagos da Amazônia (bacia amazônica e Araguaia-Tocantins)
Alimentação peixes, crustáceos, insetos, aves e pequenos vertebrados
Reprodução incubação bucal pelo macho (carrega ovos e alevinos na boca)
Expectativa de vida até 15 anos ou mais
Status IUCN não avaliada formalmente; pressão de pesca e perda de habitat preocupam pesquisadores

O que é o peixe aruanã?

É um peixe ósseo da família Osteoglossidae. O nome dessa família significa “língua-de-osso” porque o bicho tem a língua dura, áspera, que ajuda a triturar a presa contra o céu da boca. É a mesma família do pirarucu, o gigante da Amazônia (hoje classificado em uma família próxima, Arapaimidae). Em outras palavras: aruanã e pirarucu são primos.

No Brasil, duas espécies se destacam: o aruanã prateado (Osteoglossum bicirrhosum), bem mais comum, e o aruanã negro (Osteoglossum ferreirai), restrito à bacia do Rio Negro. Há ainda os parentes asiáticos do gênero Scleropages, conhecidos como aruanã-asiático ou peixe-dragão, populares no aquarismo de luxo.

12 curiosidades que você não sabia

As curiosidades a seguir aparecem do mais conhecido ao mais surpreendente. Cada uma é explicada em uma frase ou duas, sem rodeios.

  1. É chamado de “peixe-macaco” porque salta da água para apanhar presas em galhos baixos. Saltos de até 2 metros já foram documentados em rios sul-americanos.
  2. O nome vem do tupi. “Aruanã” deriva de termos tupis ligados a “peixe saltador”, e a lenda Karajá liga o peixe à origem mítica daquele povo indígena.
  3. É um pai dedicado. Após a desova, o macho coloca ovos e alevinos na boca e os mantém ali por cerca de 50 a 60 dias, sem comer direito. É a chamada incubação bucal.
  4. Respira ar atmosférico. Em rios com pouco oxigênio, o peixe sobe à superfície e engole ar, que vai para a bexiga natatória — uma espécie de pulmão auxiliar.
  5. Tem barbilhões na ponta da boca. Esses dois “bigodes” são órgãos sensoriais que detectam vibrações na água, mesmo no escuro ou na lama. Funcionam como o tato de um gato.
  6. É carnívoro voraz. Come outros peixes, camarões de água doce, insetos, aves pequenas e até filhotes de cobra ou lagartos que caem na água.
  7. Pode passar de 1 metro. Adulto chega a 1,0–1,2 m e mais de 5 kg em vida livre. Em aquário fica menor, normalmente entre 70 e 90 cm.
  8. Vive em duas grandes bacias brasileiras. A versão prateada ocorre na Amazônia e no Araguaia-Tocantins; a negra é praticamente exclusiva do Rio Negro.
  9. Tem parente asiático carríssimo. Espécies do gênero Scleropages, na Ásia, são vistas como símbolo de sorte. Exemplares “albinos” ou de cor rara já foram vendidos por dezenas de milhares de dólares no mercado internacional, reforçando a fama de “peixe-dragão”.
  10. Está sujeito a defeso no Brasil. É uma das espécies amazônicas com período de pesca proibida (defeso) entre o final do ano e março, segundo regras do IBAMA, para proteger a reprodução.
  11. Tem tamanho mínimo de captura. Pelas normas brasileiras, só pode ser pescado a partir de 50 cm de comprimento — abaixo disso, é considerado juvenil e a captura é ilegal.
  12. Aparece em festas indígenas. O povo Karajá, do Médio Araguaia, celebra anualmente a Festa do Hetohoky (ou “Festa do Aruanã”), em que máscaras representam o peixe-espírito e renovam o ciclo da comunidade.

Características físicas do peixe

O corpo é alongado e comprimido lateralmente — pense em uma “fita musculosa” deslizando dentro d’água. As escamas são grandes, lustrosas e fáceis de identificar.

Tamanho e peso

Em ambiente natural, o adulto costuma ter entre 70 e 90 cm de comprimento, podendo passar de 1 metro. O peso médio fica em torno de 2 a 4 kg, mas exemplares grandes ultrapassam os 5 kg. Em aquário, ele cresce mais devagar e raramente passa dos 90 cm.

Cores e escamas

As escamas do prateado têm aspecto metálico, com reflexos prata, dourado ou esverdeado dependendo da luz. Já o negro juvenil é escuro com listras amarelas horizontais — visual marcante que muda na fase adulta, ficando mais cinza-azulado.

Aruanã prateado nadando em água escura, mostrando o corpo alongado e a barbatana dorsal longa
O peixe é um saltador exímio: a forma alongada e a cauda forte explicam o poder de impulsão.

Boca e barbilhões

A boca é grande e voltada para cima, “como uma colher”, o que ajuda a abocanhar presas na superfície. Na ponta do queixo, dois pequenos barbilhões funcionam como sensores táteis.

Por que o aruanã salta da água?

O salto não é exibição — é tática de caça. O peixe sobe pela coluna d’água e impulsiona o corpo com uma batida forte da cauda. Saltos de 1,5 a 2 metros permitem capturar besouros grandes, gafanhotos, pequenas aves pousadas e até cobras enroscadas em ramos baixos. Em vídeos da Amazônia, é comum ver o bicho ainda no ar com a presa na boca.

Esse comportamento é tão característico que, em comunidades ribeirinhas, ele é chamado de “macaco-d’água” ou “sulamba”. Para o pescador, o salto também é a marca de que a espécie está por perto: a água “estala” e a copa baixa balança.

Reprodução: o pai carrega os filhotes na boca

A reprodução é um dos casos mais bonitos de cuidado parental entre peixes brasileiros. A desova acontece nas cheias, entre novembro e abril. A fêmea libera relativamente poucos ovos — cerca de 100 a 200 — bem grandes para um peixe desse porte.

Logo após a fertilização, o macho recolhe todos os ovos na boca. Ali eles ficam protegidos contra predadores, com circulação constante de água. Depois do nascimento, os alevinos continuam dentro da boca por mais semanas, saindo só para curtos passeios. O período total chega a 50–60 dias. Pense num pai que segura cada filhote até ele aprender a se virar — o peixe é assim, só que na água e literalmente.

Esse cuidado paterno explica em parte por que a espécie, mesmo grande e carnívora, tem populações vulneráveis: cada macho protege poucos filhotes por vez, e a perda de adultos reprodutores impacta forte a próxima geração.

Espécies de aruanã: prata, negro e asiático

É comum confundir as três variedades mais conhecidas. A tabela abaixo facilita.

Característica Aruanã prateado Aruanã negro Aruanã asiático
Nome científico Osteoglossum bicirrhosum Osteoglossum ferreirai Scleropages formosus (e outras)
Onde vive Bacia Amazônica e Araguaia-Tocantins Rio Negro e afluentes (águas pretas e ácidas) Sudeste Asiático (Indonésia, Malásia, Tailândia)
Cor adulta Prata-metálico, com reflexos verdes Cinza-azulado, com tom escuro nas nadadeiras Pode ser vermelha, dourada, verde ou prata
Filhotes Pratas com leves listras Pretos com listras amarelas vivas Variável (dourados, vermelhos)
Status de conservação Não avaliado formalmente; sobrepesca preocupa Pouco estudado, restrito a área pequena Ameaçado (Lista Vermelha IUCN, espécie protegida)

Onde o peixe vive no Brasil

A versão prateada está espalhada pela enorme rede de rios e lagos da Amazônia brasileira. Ele prefere lagos de várzea, igapós e remansos de rios — locais de água tranquila, com vegetação baixa pendurada, perfeitos para o estilo de caça por salto. Também ocorre na bacia do Araguaia-Tocantins, atravessando estados como Pará, Tocantins e Mato Grosso.

A negra vive quase só na bacia do Rio Negro, em águas escuras devido ao alto teor de matéria orgânica. Essa especialização explica por que ela é rara fora da região e tão valorizada por aquaristas. Para entender melhor o ambiente desse peixe, vale uma olhada nos biomas aquáticos brasileiros.

Status de conservação e ameaças

O aruanã prateado não consta como ameaçado na Lista Vermelha da IUCN, mas isso não significa que esteja seguro. Pesquisadores brasileiros apontam três pressões principais:

  • Sobrepesca, especialmente para captura de juvenis destinados ao mercado de aquarismo.
  • Perda de habitat com o desmatamento das margens, hidrelétricas e drenagem de lagos de várzea.
  • Tráfico de filhotes, com fiscalização ainda insuficiente em algumas rotas amazônicas.

O parente asiático (Scleropages formosus) está em situação bem mais delicada e figura na Lista Vermelha da IUCN como espécie ameaçada — é proibido comercializá-lo sem autorização internacional.

A lenda Karajá

Para o povo Karajá, do Médio Araguaia, o peixe não é “só” mais um animal: é um espírito ancestral. A lenda conta que um peixe corajoso foi até a superfície pedir a Tupã, divindade tupi-guarani, para virar gente. Depois de quase morrer fora d’água, foi transformado em homem forte e teria fundado o povo Karajá.

Esse mito se renova a cada estação do Hetohoky, festa de iniciação masculina em que dançarinos vestem máscaras representando a figura sagrada. É uma das tradições indígenas vivas mais antigas do Brasil — e mostra como fauna e cultura caminham juntas na Amazônia, assim como acontece com outros animais simbólicos da região, como a sucuri.

Posso ter aruanã em aquário no Brasil?

Pode, com regra. Filhotes nascidos em pisciculturas registradas e com nota fiscal são legalmente comercializados como peixes ornamentais. O risco é comprar de fonte irregular: a captura de juvenis silvestres na Amazônia para o aquarismo é proibida sem autorização do Ministério da Pesca e Aquicultura e do IBAMA.

Aruanã adulto de grande porte mostrando a língua óssea típica da família Osteoglossidae
Em vida livre, exemplares ultrapassam 1 metro e exigem aquários enormes em cativeiro.

Quem decide ter um exemplar em casa precisa pensar grande, literalmente. Os requisitos básicos:

  • Aquário enorme: mínimo de 600 a 1000 litros para um único exemplar adulto. Tanques menores adoecem o peixe.
  • Tampa pesada e bem vedada: a espécie pula. Se ficar destampado, ele pode acabar no chão.
  • Água quente e levemente ácida: entre 25 e 30 °C, pH entre 6,0 e 6,8.
  • Alimentação variada: camarões, peixes pequenos vivos, insetos, ração própria. Evite carne vermelha de mamíferos.
  • Compromisso de longo prazo: pode viver mais de 15 anos.

Antes de comprar, exija nota fiscal, certificado de origem e cadastro do criador. Sem isso, há grande chance de o filhote ter saído ilegalmente da Amazônia — o que financia a sobrepesca e pode resultar em multa pesada para o aquarista, conforme a Portaria IBAMA 48/2007.

Perguntas frequentes

Aruanã é o mesmo peixe que pirarucu?

Não. Os dois são parentes próximos, da mesma ordem (Osteoglossiformes), mas o pirarucu é maior, mais robusto, vive em águas calmas de várzea e pertence a outro gênero (Arapaima). O aruanã é o “primo magro e saltador”.

Aruanã pode comer humano?

Não. Apesar de carnívoro e relativamente grande, o peixe não tem porte nem dentição para atacar pessoas. Ele come peixes, insetos e pequenos vertebrados.

Qual a diferença entre prata e negro?

O prata (Osteoglossum bicirrhosum) é mais comum, ocorre em várias bacias amazônicas e tem cor metálica clara. O negro (Osteoglossum ferreirai) é restrito ao Rio Negro, tem juvenis com listras amarelas marcantes e adultos cinza-azulados.

Quanto custa um aruanã?

No mercado brasileiro de aquarismo, juvenis legalizados de prata começam em algumas centenas de reais. Espécimes adultos, raridades e o aruanã asiático podem alcançar valores muito mais altos no exterior, mas isso não se aplica ao mercado local cotidiano.

Aruanã pode ser pescado o ano todo?

Não. A pesca segue o defeso amazônico, normalmente entre o final do ano e meados de março, e exige tamanho mínimo de captura de 50 cm. Fora dessas regras, a pesca é ilegal e pode render multa do IBAMA.

Por que o macho carrega os filhotes na boca?

Para protegê-los. Como a fêmea produz poucos ovos por desova, levar os filhotes na boca aumenta muito as chances de sobrevivência da prole — uma estratégia conhecida como incubação bucal.

Conclusão

O aruanã reúne tudo que faz a Amazônia ser única: tamanho, comportamento incomum, cuidado parental, valor cultural indígena e pressão humana. Conhecer suas espécies, o papel ecológico e as regras de pesca é o primeiro passo para protegê-lo — e para tomar boas decisões caso você se interesse pelo aquarismo legal de espécies nativas.