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Mandioca Amarela é Venenosa?

Nativa da América Latina e bastante prevalente no sudoeste amazônico, a mandioca é uma planta caracterizada por suas raízes comestíveis e que, atualmente, é cultivada em várias regiões tropicais e subtropicais do planeta.

Em decorrência da grande importância da mandioca para atividades de subsistência de comunidades locais, este vegetal tem se tornado objeto de pesquisa da botânica econômica, ramo da botânica que estuda espécies vegetais de valor econômico e que podem ser empregadas para diversas aplicações.

O consumo de mandioca no Brasil é predominantemente maior no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, no entanto este vegetal está presente em todo o território nacional. Mesmo com o nosso país sendo o maior consumidor de mandioca no mundo, as folhas de mandioca são muito utilizadas como componente da dieta no continente africano, auxiliando principalmente no combate à desnutrição.

Além do maior consumidor, o Brasil também é considerado o maior produtor mundial. Por aqui são colhidos cerca de 30 % de toda mandioca consumida no mundo, o que equivale a dois milhões de hectares plantados.

A cultura da mandioca acompanhou o Brasil desde o período colonial, e além do inegável valor econômico também possui valor cultural, estando intimamente relacionada às tradições indígenas, as quais representam nossa ancestralidade.

A mandioca também pode ser chamada de macaxeira e aipim, e possui uma infinidade de variações, dentre elas a mandioca amarela (obtida através de melhoramento genético).

Neste artigo, você vai conhecer um pouco mais sobre a mandioca, especialmente sobre a variação amarela, e descobrir se ela é venenosa ou não.

Então venha conosco, e boa leitura.

Classificação Taxonômica

A mandioca pertence ao Reino Plantae, Divisão Magnoliophyta, Casse Magnoliopsida, Ordem Malpighiales, Família Euphorbiaceae, Gênero Manihot e Espécie Manihot esculenta.

Características do Pé de Mandioca

A mandioca pertence à mesma família taxonômica da mamona e da seringueira. A altura da planta varia entre 1,5 a 2,4 metros, no entanto, há registros de até 3 metros.

O caule pode apresentar coloração marrom-claro, marrom-escuro, rosa ou até mesmo prateado. As raízes possuem formato cônico e alcançam de 30 a 90 centímetros de profundidade, são revestidas por uma casca de textura áspera e cor marrom. Essas raízes são classificadas como tuberosas e consistem na porção da planta responsável por acumular amido, possuem um formato variável e o número de ramificações geralmente é entre 5 e 20.

Em relação à coloração das folhas, ela varia dependendo do estágio de desenvolvimento da planta. Plantas mais maduras apresentam folhas de cor verde, ao passo que plantas mais jovens possuem folhas variando entre os tons verde e roxo. Nas folhas, há a presença de 5 a 7 lóbulos. As flores são classificadas como unissexuadas, e o fruto se caracteriza por uma cápsula contendo 3 sementes, as quais possuem óleo.

Esta planta não é favorável ao desenvolvimento em solos encharcados, pois essa condição favorece o apodrecimento das raízes. As condições ideais preveem que o solo esteja fresco e bem drenado, com pH entre 5 e 6, arenoso ou argiloso-arenoso e, de preferência, com topografia plana.

É importante manter o controle das ervas daninhas, pois a mandioca reage facilmente à concorrência por nutrientes do solo. Além do controle de ervas-daninhas, quem lida com o plantio de mandioca deve prevenir-se contra o possível ataque de pragas, tais como a mosco-do-broto, mosca-da-fruta, broca-do-caule, além de cupins e formigas. A mandioca também pode ser suscetível à viroses e bacterioses, assim como superbrotamento e podridão-radicular.

Informação Nutricional

A mandioca possui uma grande concentração de carboidratos, em decorrência da alta concentração de amido em suas raízes, em decorrência disto é considerada um alimento altamente energético. A taxa de amido nas raízes varia entre 25 a 35 %. Quando o amido se concentra nas raízes (como no caso da mandioca, beterraba, cenoura, inhame e batata-doce), nos tubérculos (a exemplo do rabanete) e rizomas (como o gengibre), ele recebe o nome de fécula.

Por ser energética, a mandioca pode substituir alimentos como o pão, arroz e macarrão. Adicionalmente, possui moderada concentração de vitaminas do Complexo B, especialmente de Niacina (vitamina B3), a qual estimula o apetite, além de ser uma grande aliada no crescimento e desenvolvimento e na conservação da pele. A atuação das outras vitaminas do complexo também auxilia no bom funcionamento dos neurotransmissores cerebrais.

Em relação aos sais minerais, a mandioca possui Ferro, Cálcio e Fósforo. Este primeiro extremamente útil na composição sanguínea e na prevenção da anemia, enquanto que os demais são partes imprescindíveis da composição química de dentes e ossos.

Sugestões de Consumo da Mandioca

É desaconselhável o consumo da mandioca crua, em decorrência da presença do ácido cianídrico, considerado um ácido leve, porém suficiente para tornar o vegetal intragável. A dica é fritá-la ou cozinha-la antes de ingerir.

Essa acidez ou toxicidade está intimamente relacionada à variedade da espécie, à idade da planta, à forma de cultivo e às condições ambientais do solo, clima e altitude. Conforme o teor de acidez, a mandioca pode ser classificada como mansa ou brava.

A mandioca pode ser servida com café, como acompanhamento de refeições ou em preparo de pratos especiais como tapioca, tacacá, farinha e purê. Também é empregada no preparo de bebidas artesanais tais como o cauim (bebida alcoólica, obtida através da fermentação da mandioca ou do milho) e tiquira (aguardente de cor roxa, resultante da fermentação da mandioca).

Folhas e cascas de mandioca também são empregadas na forragem animal, assim como os resíduos industriais da planta também são aproveitados para o preparo de rações.

Mandioca Amarela é Venenosa?

Antes de respondermos à pergunta central deste artigo é importante reafirmar que nem todas as variáveis da mandioca possuem tonalidade branca. O Programa de Melhoramento Genético de Mandioca e Fruticultura da Embrapa já desenvolveu uma variedade de cor amarela, a qual também é conhecida com os nomes de gema de ovo, dourada e jari.

Mas essa variação de mandioca amarela é venenosa?

Mandioca Amarela Cozida
Mandioca Amarela Cozida

Na verdade não, ela deve ser consumida cozida ou frita para neutralizar o ácido cianídrico, assim como ocorre com as outras variações da espécie, mas essa coloração amarelada na verdade é decorrente da alta concentração do pigmento betacaroteno, responsável pelo crescimento e desenvolvimento dos ossos e da pele, além de ser particularmente favorável ao bom funcionamento da visão.

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB) descobriram que a mandioca amarela possui até 50 vezes mais caroteno do que as demais. Lembrando que o caroteno é uma forma inativa da Vitamina A (também conhecida como pró-vitamina), o qual é transformado após o processamento pelo fígado.

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Agora que você já conhece um pouco mais sobre a mandioca e a mandioca amarela, continue conosco e conheça outros artigos do site.

Até as próximas leituras.

REFERÊNCIAS

Correio Braziliense. Mandioca amarela tem até 50 vezes mais caroteno que a variedade comum da raiz. Disponível em: < https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2010/03/09/interna_cidadesdf,178388/mandioca-amarela-tem-ate-50-vezes-mais-caroteno-que-a-variedade-comum-da-raiz.shtml>;

Embrapa. Contando Ciência na Web. Alimentação e saúde. Disponível em: < https://www.embrapa.br/contando-ciencia/alimentacao-e-saude/-/asset_publisher/zXq9MwPJkl46/content/mandioca-amarela/1355746?inheritRedirect=false>;

GAUCHAZH VIDA. Raízes e tubérculos são ricos em nutrientes e podem fazer parte de uma dieta saudável. Disponível em: < https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2015/12/raizes-e-tuberculos-sao-ricos-em-nutrientes-e-podem-fazer-parte-de-uma-dieta-saudavel-4923173.html>;

Portal São Francisco. Mandioca. Disponível em: < https://www.portalsaofrancisco.com.br/alimentos/mandioca>;

MARTINEZ, M. Infoescola. Aipim. Disponível em: < https://www.infoescola.com/plantas/aipim/>.

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