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Vulcão Licancabur Atacama

O vulcão Licancabur está localizado no Deserto do Atacama, mais especificamente na Cordilheira de Los Andes, na divisa do Chile com a Bolívia.

É um colosso!, com mais de 5.900m, nos moldes de um estratovulcão ativo, e que abriga em seus arredores uma riqueza cultural imensa, como um antigo local para cultos sagrados dos antigos povos Incas que ocupavam aquela região por volta do séc. XIII.

Inúmeros atrativos da incrível Reserva Nacional da Fauna Andina Eduardo Avaroa ajudam a completar o interesse pela região, que ainda abriga as Lagunas Verde e Blanca e várias trilhas que levam até a imensa montanha.

Mas, sem dúvida, o grande desafio mesmo é a chamada “ascensão ao Licancabur” (a subida até o topo do vulcão), que traz inúmeras surpresas e desafios, a começar pelo preço (entre 400 e 500 dólares) e pela falta de empresas suficientemente dispostas a levar a imensa quantidade de interessados.

Ultrapassado esse desafio, ainda terá que obter os serviços de um guia, a fim de evitar topar aqui e ali com alguma mina explosiva deixada ali – como um presente do antigo regime de Agusto Pinochet –, com o objetivo de tentar conter o assédio às suas fronteiras pela Argentina, Peru e Bolívia.

Mas agora que conseguiu vencer esses desafios é só subir o Licancabur, flanando alegremente pelas suas trilhas áridas, correto? Errado! Pois ainda terá que aclimatar-se bem àquela altitude (que costuma pegar muitos de surpresa), para só então poder realizar uma subida repletas de escolhos, pedregais e trechos escarpados.

E caso ainda permaneça “vivo”, será brindado com uma das vistas mais belas e generosas de boa parte do Deserto do Atacama, a partir do vulcão Licancabur. Com direito a um dos mais belos pores-do-sol do mundo e um imenso lago em sua cratera, que permanece totalmente congelado no inverno.

Alguns dos Seus Vizinhos Mais Famosos

O vulcão Licancabur, por si só, vale o passeio até o Atacama. Mas, no entanto, ao seu lado (cerca de 13 km ao sul) está o não menos famoso vulcão Juriques – uma outra exuberância, com mais de 5.600 m – que, juntamente com Licancabur e o vulcão Laskar, protagoniza uma das mais interessantes lendas sobre vulcões que existem.

Sobre o Juriques, vale a pena abrir aqui um parêntese para caracterizá-lo. Ele é um famoso vulcão ativo, já dentro do território de San Pedro do Atacama, com uma cratera que mede quase 770m, e cuja principal característica é o fato de não ter um topo!

Ele simplesmente foi destruído devido a inúmeras erupções vulcânicas, ou, como nos conta a lenda, pelo seu irmão Licancabur, em um acesso de fúria por questões passionais.

Lendas à parte, o que se sabe mesmo é que, tanto o Juriques como o vulcão Licancabur, ajudam a tornar ainda mais singular o Atacama.

Um deserto que, por si só, já é uma celebridade no Chile – pelo fato de ser o mais quente do mundo, com temperaturas que podem chegar aos vertiginosos 40°C durante o dia e despencar para 0°C durante a noite –, como um verdadeiro desafio até para os que se consideram os mais audaciosos e corajosos aventureiros.

Vulcão Licancabur e a Lenda que Percorre o Atacama

O vulcão Licancabur é mais do que uma verdadeira referência turística no Atacama. É mais do que uma manifestação da natureza cercada por uma rica história ancestral. Ele é mais do que uma montanha com um cone quase perfeito, encimado por um dos lagos mais altos do mundo, entre outras características consideradas únicas nesse vulcão.

O Licancabur também é um dos protagonistas de uma das lendas mais surreais dentre todas as que já foram contadas acerca de um vulcão.

É a lenda de um suposto triângulo amoroso entre ele, o Juriques e o Vulcão Quimal (a amada e pivô de todo o drama). Uma curiosa narrativa, segundo os mais antigos, criada pela antiga tribo dos Licananthays, cujo pavor e respeito que possuíam pelo Licancabur atravessaram mais de 10.000 anos.

De acordo com a narrativa, o vulcão Licancabur era assumidamente apaixonado por Quimal. O problema é que esta, de certa forma, também correspondia ao assédio de Juriques (o seu irmão), que não media esforços para conquistá-la, apesar de conhecer bem a fama do seu irmão – a de um feroz e implacável combatente pelos seus interesses pessoais.

O clima de surrealidade segue inabalável nessa narrativa! Como, afinal, conceber um triângulo amoroso envolvendo três vulcões? Somente a imaginação fértil e criativa dos indígenas pode dar resposta a tal pergunta.

E a resposta vem em forma de um clímax – da mesma forma surreal – , quando Licancabur, a despeito de todos os esforços do pai de Quimal (o vetusto e lendário vulcão Laskar), decide investir contra o seu irmão Juriques, com toda a fúria que lhe é característica.

E ela foi posta em ação por meio de terríveis erupções vulcânicas e derramamentos de lava que teriam, certamente, impressionado, de forma decisiva, a imaginação dos ingênuos e suscetíveis nativos daquela comunidade em pleno Deserto do Atacama.

O Atacama se Rende ao Vulcão Licancabur

A partir de então, estava declarada a guerra entre ambos os irmãos pelo amor de Quimal!

Logo seguiram-se dias e dias de terríveis erupções, devastadores lançamentos de cinzas vulcânicas a quilômetros de altura e de fluxos piroclásticos que reduziam a pó tudo o que ousava cruzar o seu caminho.

Muito pouca resistência Juriques conseguiu opor à fúria do seu irmão Licancabur, apesar dos esforços que empenhou, também ele lançando milhões de m³ de rochas vulcânicas derretidas, gases e cinzas vulcânicas que transformaram o dia em noite naquele trecho do Atacama.

As plantações de batatas, feijões, lentilhas e abóboras foram reduzidas a nada. A quinoa, que se espalhava com a importância de um vegetal típico daquela região, simplesmente desapareceu.

O milho – a base da alimentação da tribo – não conseguiu esboçar a menor resistência diante do assédio das cinzas vulcânicas e fragmentos a temperaturas que beiravam os 600°C – em um mar de desolação que atingia toda a região.

O desfecho dessa história? Bom, uma das versões da lenda diz que o pai de Quimal, o venerável vulcão Laskar, teria acionado os poderes do “Vento do Atacama”, o Harmatan, que simplesmente decepou o cume do Juriques, em uma suposta punição por este ter tomado a Quimal sem o seu consentimento.

Enquanto a outra atribui a Licancabur o mérito de ter, ele mesmo, decepado a cabeça do seu próprio irmão, enquanto simplesmente assistia a Quimal ser condenada ao exílio (pelo seu pai) nas distantes e desoladas paragens do Deserto de Sal.

Um final melancólico, que ficou para sempre no imaginário popular da população do Atacama, mas também dos visitantes que, de longe, podem contemplar os dois vulcões (que até parecem de braços dados), lado a lado: Licancabur forte e vigoroso, com o seu cone imponente, ao lado de Juriques, triste e melancólico, com o seu cume totalmente destruído.

Enquanto uma vez por ano Quimal surge daquela terra distante, na forma de uma sombra, misteriosamente, para beijar a face de Lincancabur, agora declarado como o verdadeiro conquistador do seu coração.

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