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Grand Canyon Brasileiro

Definir aquele que seria o “Grand Canyon Brasileiro” é uma daquelas tarefas árduas e espinhosas, especialmente pelo fato de que o Brasil abriga alguns dos mais formidáveis exemplares de acidentes geográficos naturais do mundo.

Aqui está, por exemplo, o Canyon Itaimbezinho, uma “maravilha da natureza”, incrustada bem na Serra Gaúcha, com os seus quase 6.000 km de extensão, alguns trechos com até 2.000 metros de profundidade e paredões com mais de 700m de altura.

Mas isso sem contar a própria beleza da sua estrutura, formada por rochas cujas tonalidades, refletidas pelo sol de um final de tarde, a transformam em uma verdadeira obra de arte.

Mas e o que dizer do Canyon Fortaleza? – com os seus paredões que até lembram antigas “fortalezas” medievais. E o Jaguariaíva, no Paraná – um dos 10 maiores do mundo? E o Canyon do Rio São Jorge, o Josafaz, o Churriado, entre vários outros que, juntos, ajudam a compor esse tão famoso, rico e vasto relevo brasileiro?

Difícil, não é mesmo? Mas, no entanto, a proposta desse artigo é revelar, da forma mais objetiva possível, aquele que pode ser considerado o verdadeiro Grand Canyon Brasileiro!

E, nesse caso, optamos por ficar com aquele que é simplesmente o 6º maior canyon do mundo, com mais de 30km de extensão – uma obra prima da natureza, produzida pelo Rio Iapó, bem no meio dos Campos Gerais, entre as cidades de Tibagi e Castro, a 200km da capital do Paraná, Curitiba.

É o vertiginoso Canyon Guartelá! Um portento da natureza! Com paredões com até 120m de largura e 70 m de altura que, do alto, parecem serpentear os Campos Gerais Paranaenses.

E que, se ainda não bastasse, abrigam inúmeras cachoeiras, cascatas, fendas, grutas, corredeiras, além de uma flora e fauna bastante características, que fazem parte do Parque Estadual do Guartelá – um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil.

As Principais Características do “Grand Canyon Brasileiro”

O canyon Guartelá é uma imensa “garganta” ou “canhão” – como preferem alguns estudiosos -, produto do trabalho de milhares de anos do Rio Iapó.

Este, por sua vez, aproveitou-se de uma constituição geológica adequada para o seu trabalho, produzida pelas diversas alterações geológicas e climáticas pelas quais passou, a partir da Era Mesozoica, esse atual trecho hoje conhecido como Campos Gerais do Paraná.

Ele apresenta um tipo de vegetação bem diferente do que a que se encontra, por exemplo, no lado oposto dessa região – no litoral e na Serra do Mar Paranaense, com o seu exuberante trecho de Mata Atlântica -, mas igualmente bonita e bastante variada.

A região onde fica o canyon Guartelá (o Grand Canyon Brasileiro) ficou mesmo foi com a beleza e a exuberância de trechos escarpados, com imensos paredões e desfiladeiros.

Ficou com extensos vales profundos e com formações rochosas entremeadas por grutas, fendas e cadeias de montanhas, que surgem diante dos olhos dos visitantes assim que se dissipa a densa bruma que cobre a região ao alvorecer.

Mas as atrações do Guartelá não se resumem a isso. Há dentro do Parque Estadual do Guartelá uma importante reserva ambiental, fundada no início dos anos 90, com o objetivo de proteger as suas inúmeras quedas d’água, cascatas, cachoeiras, mananciais, grutas, fendas, cavernas, inscrições e desenhos rupestres.

Além de uma flora e fauna constituídas por belíssimos exemplares de cactos, ipês-amarelos, samambaias, cambuís, copaíbas, ervas-mates, orquídeas, bromélias, entre outras espécies.

Que competem em beleza e exotismo com as variedades de capivaras, bugios, lobos-guarás, suçuaranas, jacus, etc. Ou com a originalidade do quiri-quri, dos pica-pau-do-campo, do gavião-real, do urubu-rei, do gavião-pombo, da siriema, entre várias outras espécies selvagens, impossíveis de serem elencadas em tão poucas linhas.

Guartelá: Um Significado Bastante Original

Entre as várias curiosidades que cercam o “Grand Canyon Brasileiro”, está a origem do seu nome: Guartelá.

Na verdade, esse é o nome da comunidade onde está incrustado o canyon; e que, por sua vez, recebeu esse nome também de forma bastante curiosa.

A tradição diz que, por volta do séc. XVIII, a região ainda era habitada por inúmeras comunidades indígenas – supostamente Guaranis, Caingangues e Guaianás. Estes possuíam o hábito, nada incomum, de caçar na região –  como é típico de um indígena que se preze.

O problema é que, segundo os historiadores, enquanto os índios viviam os seus hábitos e costumes, o “Homem Branco”, por sua vez, começava a povoar a região, trazendo as suas famílias, os seus negócios e, inclusive, gado. Muito gado! Gado a perder de vista!

Para os indígenas – que ainda não estavam lá muito inteirados com o que representava uma “propriedade privada” –, aquilo era tão somente uma “miraculosa” multiplicação de caça, que agora estava lá, à vontade, apenas esperando por quem quer que a tomasse para si.

Bom, o resultado disso parece bastante óbvio: um terrível confronto, como o prenúncio de muitos outros! Mas que, como muitos conflitos, teve lá os seus momentos, digamos, bastante sui generis.

E um destes foi o aviso que um dos fazendeiros supostamente teria dado a um outro acerca dos possíveis desdobramentos daquele confronto: “Guarda-te lá, que aqui fico bem!”, foi a única recomendação que lhe ocorreu naquele momento.

Estava, pois, escolhido o nome que teria a cidade: “Guarda-te lá” ou “Guartelá” – como uma “homenagem” à única palavra de consolo que ocorreu ao fazendeiro para enviar para o seu desconsolado amigo.

O Que Irá Encontrar no “Grand Canyon Brasileiro?”

Uma das principais atrações do canyon Guartelá são, sem dúvida, as suas trilhas. São mais de 11 km de uma incursão pelas entranhas do “Grand Canyon Brasileiro”, que não se recusa a exibir toda a sua beleza e formidáveis encantos.

Com temperaturas que variam entre 16°C e 30°C (no verão) e 6°C e 21°C (no inverno), as aventuras tornam-se bastante agradáveis (com um grau médio de dificuldade), mas que não deixam de exigir a contratação de um guia local, que geralmente está disponível no parque.

No caminho, descortinam-se as belas paisagens da região dos Campos Gerais do Paraná. Como a Cachoeira da Ponte da Pedra – de cujo topo é possível contemplar todo o esplendor do Rio Iapó.

 Cachoeira da Ponte da Pedra
Cachoeira da Ponte da Pedra

Nos paredões estão registros, em forma de inscrições rupestres, da passagem dos antigos habitantes locais que povoaram a região há 7 ou 8 mil anos.

Os chamados “Panelões” são uma atração à parte – são espécies de “banheiras” aquecidas naturalmente a 25 ou 30°C; e que, supostamente, teriam incríveis poderes curativos.

No percurso, se tiver sorte, ainda poderá observar, correndo bem à sua frente, um curioso exemplar de uma siriema ou de um bugio, ou quem sabe de uma suçuarana ou de um lobo-guará, ou até mesmo um curioso gavião-pombo a espreitar alguma vítima distraída, a qual possa tornar sua presa.

Enquanto as variedades de cactos, orquídeas e bromélias não deixam esquecer que ali há uma comovente luta pela sobrevivência, em um dos mais belos e exóticos recortes da natureza selvagem do sul do país.

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