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Autoecologia, Sinecologia e Demoecologia

Autoecologia, Sinecologia e Demoecologia são espécies de prolongamentos ou desdobramentos da Ecologia. É uma tentativa de fazer com que essa ciência – de acordo com o pensamento de cientistas como o alemão Ernst Haenckel – desenvolva melhores ferramentas para lidar com as suas inúmeras controvérsias.

Já que a Ecologia tem como objetivo investigar, determinar e estudar as relações entre os indivíduos de um ecossistema (e entre estes e o ambiente ao seu redor), é importante que as minúcias dessas relações sejam identificadas corretamente, para o bem do equilíbrio da vida na terra – que é a garantia de que essa vida seja possível para as gerações futuras.

Quando o botânico e cientista suíço Carl Joseph Schroter descobriu que não seria possível analisar tais relações apenas de um ponto de vista, a Ecologia já recebia a contribuição de vários ramos da ciência, como a anatomia, a genética, a antropologia, a biologia, a fisiologia, entre outras. Mas tais áreas do conhecimento ainda não podiam produzir os resultados específicos que ele imaginava.

Carl Joseph Schroter
Carl Joseph Schroter

Elas não tinham a capacidade, por exemplo, de explicar, com exatidão, como pequenas alterações de um ecossistema foram determinantes para dar as características de um continente inteiro.

E nem mesmo até que ponto o agronegócio pode causar grandes alterações em um ecossistema, ou mesmo produzir as particularidades de determinadas comunidades dentro dela.

Para destrinchar tais pormenores, seria preciso que a Ecologia se desdobrasse em outros ramos. E tais ramos hoje recebem o nome de Autoecologia, Sinecologia e Demoecologia. Ciências que possuem algumas características que serão devidamente descritas a seguir.

1.Autoecologia

Em um ecossistema, os indivíduos mantêm relações harmônicas e desarmônicas (como o mutualismo, predatismo, comensalismo, etc), mas também trocam energia entre eles (por meio da Cadeia Alimentar, em que um indivíduo alimenta-se de outro e, nessa troca, dá e recebe energia – mas também matéria.

Não demorou para que se percebesse, portanto, a necessidade de elaborar uma ciência que só se preocupasse com as nuances e minúcias desse tipo específico de relação. E a ciência criada com tal objetivo recebeu o nome de Autoecologia.

Sabemos que já existe uma corrente que prega que as relações dos indivíduos de um ecossistema já é tarefa basilar da Ecologia. No entanto, era preciso que houvesse uma concentração integral de forças somente nessa interação entre os seres (a despeito de supostas interferências do “meio”), pois muitas delas independem do meio; e são, na verdade, próprias da organização morfológica e fisiológica dos seres vivos.

O 3º Congresso Internacional de Botânica, realizado em 2010, foi o ponto de partida para a concretização desse conceito, quando uma comunidade de cientistas decidiram que seria preciso concentrar forças na produção de estudos mais pormenorizados sobre como fatores fisiológicos e morfológicos levam os indivíduos a interagirem entre si.

E é o que faz a Autoecologia, que entende que os seres vivos são, em boa medida, o resultado de características específicas que definem as suas espécies. E que tais características recebem do meio as informações necessárias para se perpetuarem, na mesma proporção que também concedem ao meio informações que lhe dá a sua característica.

2.Sinecologia

No ramo da Ecologia existe também uma extensão que trata, basicamente, de comunidades de seres vivos. Essas comunidades são formadas por espécies diferentes, que convivem em um trecho de um ecossistema, como em uma lagoa, por exemplo; ou numa pradaria; na região de um vulcão; em um savana, entre outros ecossistemas.

Essas espécies mantêm as suas interações. Entre elas há troca de matéria e energia por meio da Cadeia Alimentar. As relações ecológicas de protocooperação, parasitismo, predatismo, entre outras, também ocorrem normalmente. E ainda desenvolvem-se alterações provocadas por deslocamentos de espécies, extinção de outras, etc.

Para esses casos, a Sinecologia, diferentemente da Autoecologia e da Demoecologia, lançará mão de estudos e gráficos capazes de analisar, por exemplo, a abundância desses indivíduos que formam comunidades.

Mas também acontece de um conjunto de espécies vegetais contribuir para a existência de algumas espécies animais; e essa inter-relação também irá determinar a importância de cada uma dentro de um bioma.

Se, para a Ecologia, um ecossistema deverá ser tratado como um “todo” – um organismo vivo dotado de movimentos que lhe são próprios –, para a Sinecologia, o conjunto de plantas e de animais de uma lagoa, por exemplo, poderá dar informações bastante pontuais, e que talvez escapassem em uma análise mais ampla.

Agora sabemos que dentro de uma savana existem diversas populações (que formam uma comunidade). E que essas populações podem conectar-se umas às outras por meio de migrações. Logo, é preciso que exista uma ciência como a Sinecologia, capaz de analisar esses movimentos efetuados por uma população de seres de espécies diferentes, e que interagem dentro de um espaço definido.

3.Demoecologia

Por fim, um termo também conhecido como “Ecologia das Populações”, e que teve as suas bases esboçadas pela primeira vez em 1972.

À época, o professor emérito do Departamento de Zoologia da Universidade da Colúmbia Britânica, C.J.Krebs, concluiu que também seria preciso estudar e analisar como as relações entre os seres vivos são determinantes para que seja maior ou menor as populações de um determinado ecossistema.

Agora, juntava-se à Autoecologia e à Sinecologia a Demoecologia. E se a Demografia elabora estudos para avaliar como os movimentos populacionais dos seres humanos estão relacionados com os mais diversos fatores, a Demoecologia também faz isso, só que o seu campo de estudo serão os fatores ligados ao aumento ou diminuição de determinadas comunidades de seres vivos, incluindo plantas e animais.

Os atuais avanços dessa ciência descobriram, por exemplo, que as atuais alterações globais do clima, o avanço do agronegócio, a poluição de mananciais, entre outros fatores, funcionam como uma espécie de arma discreta, lenta e silenciosa de destruição em massa de inúmeras comunidades de seres vivos.

E tal conclusão vai ao encontro do pensamento de Begon (2007), segundo o qual não há como dissociar a inter-relação entre os seres vivos da sua abundância ou escassez em uma determinada região. E que também a relação destes com um meio ambiente degradado pode, sim, resultar na sua completa extinção – como aliás vem ocorrendo há décadas.

Logo, é preciso entender, de acordo com o que propõe a Demoecologia, que um grupo de indivíduos de um trecho de Mata Atlântica, por exemplo (que interagem entre si e entre o meio), formará um ecossistema. E que a harmonia desse ecossistema depende de fatores “não-vivos” (abióticos), como a terra, e vivos (bióticos), como os próprios seres.

E é aí que entra a importância da Demoecologia, como forma de explicar por que uma determinada região desolada pode ser o resultado de um desequilíbrio específico nessa relação. E como, por meio de determinadas correções, é possível evitar que ocorra a extinção de tais comunidades.

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