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Serpentes Marinhas Gigantes

Você caro leitor, ao ouvir o termo “serpentes marinhas gigantes” pensa particularmente no quê?

Provavelmente nos monstros mitológicos, presentes nas histórias dos grandes navegadores da Idade Antiga e Idade Média.

Textos antigos como o livro a “Odisseia”, entre outros escritos (inclusive cartas marítimas e mapas) relatam a presença dessas criaturas, colocando em dúvida se são obra ou não do imaginário popular. Uma coisa é certa: o medo do desconhecido, associado à forte mentalidade religiosa da época favorecia o surgimento desses mitos.

A famosa história do monstro do lago Ness (ou monstro de Loch Ness) , na verdade era uma serpente (com semelhanças a um braquiossauro) que, segundo a lenda, teria sido avistada por mais de uma pessoa na região da Escócia. Porém, essa ‘serpente’ teria preferência por água doce.

Atualmente, no local há uma estátua em “homenagem” ao famoso monstro. A repercussão da lenda foi tão grande que o governo escocês precisou desmenti-la publicamente.

Há uma vertente de estudos chamada de criptozoologia que busca investigar a existência de animais lendários e mitológicos.  No entanto, ela é considerada como uma pseudociência por basear-se em histórias contadas.

Lendas à parte, o assunto deste artigo é outro. Trata-se de serpentes reais, catalogadas pela ciência.

Ao todo, 57 serpentes marinhas pertencentes à subfamília Hydrophiinae são conhecidas atualmente, e os estudos continuam.

Como tudo na natureza, conhecer um pouco mais sobre esses répteis é algo fascinante.

Então, fique conosco e desfrute da leitura.

Características Gerais das Serpentes Marinhas

Por mais incrível que a idéia pareça, as serpentes marinhas (Hydrophiinae) são bem mais peçonhentas que as serpentes terrestres.

O veneno inoculado por elas é extremamente letal. Os efeitos gerados incluem ação miotóxica e insuficiência renal. Uma única gota é capaz de matar até 3 pessoas. Dados espantosos, não concordam?

No entanto, apesar da letalidade do veneno, as serpentes marinhas não costumam atacar seres humanos, sendo consideradas pouco agressivas para a nossa espécie. Dificilmente, usam a peçonha como defesa. Preferem utilizar o veneno para matar as suas presas, ou seja, peixes e animais marinhos pequenos.

Características Anatômicas Diferenciadoras das Serpentes Marinhas Gigantes

Anatomicamente, os ofídios marinhos têm a cauda achatada nas laterais e menos escamas na região do ventre (também conhecida como Ventralia). Esse número reduzido de escamas está diretamente relacionado à ausência da necessidade de rastejarem. No entanto, a espécie Lauticauda é a única exceção a essa característica, devido a sua capacidade de mover-se também em ambientes terrestres.

Serpente Gigante da Família Lauticauda
Serpente Gigante da Família Lauticauda

Por habitarem espaços com concentração salina elevada, esses ofídios apresentam uma glândula localizada abaixo da língua, responsável por excretar o excesso de sal.

Além disso, o pulmão direito desses répteis pode prolongar-se até a cauda. E incrivelmente, as serpentes marinhas podem alcançar uma profundidade de até 180 metros.

O tamanho varia conforme a espécie e sexo. As grandes campeãs em comprimento são as espécies Hydrophis spiralis e Hydrophis cyanocintus. Essas realmente são consideradas serpentes marinhas gigantes, pois podem atingir a extensão de até 2,75 metros.

Serpente Gigante da Família Hydrophis Cyanocintus
Serpente Gigante da Família Hydrophis Cyanocintus

Encontrar um animal desses, durante algum mergulho, seria assustador.

No entanto, o comprimento médio das outras serpentes varia entre 1,2 a 1,4 metros.

Ação Tóxica do Veneno

Como já foi citado, as serpentes marinhas tem preferência por uma alimentação a base de peixes.

O veneno liberado por esses ofídios pode ser incolor ou amarelo viscoso, com uma concentração elevada de neurotoxinas de ação paralisante. O principal componente do veneno é uma substância conhecida como Neurotomin, que pode causar morte através de paralisia respiratória ou cardíaca. Porém, para que as picadas tenham consequências letais, é preciso que o veneno entre na ferida; o que nem sempre acontece em um meio aquático.

Como o alvo alimentício dessas serpentes são os peixes, a liberação de uma quantidade pequena de veneno é suficiente para afetar as vítimas.

Se algum ser humano for envenenado por esses ofídios, pode levar de 30 minutos até algumas horas para a manifestação dos primeiros sintomas. A dormência inicia-se nas extremidades, principalmente pernas e línguas. Há ataques de pânico, náuseas e vômitos.

A paralisia pode ser contínua, e em sentido ascendente. Ao atingir os músculos abdominais e o peito, o diafragma também fica prejudicado, comprometendo a capacidade de respirar.

Geralmente, a maioria das mortes humanas (nos casos em que não há atendimento médico) ocorre entre 8 a 24 horas após a picada. Em outras casos, elas podem ocorrer em até 3 dias após o incidente.

O atendimento médico para os casos de envenenamento não envolve apenas a administração de soro antiofídico, mas, muitas vezes, também intubação e ventilação mecânica.

Quais Serpentes Marinhas são Consideradas as mais Venenosas ?

O ranking de campeãs da peçonha é liderado pela serpente marinha Dubois (Aypysurus duboissi), encontrada na costa da Austrália, e nos arquipélagos de Nova Caledônia e Papua Nova Guiné.

Serpente Marinha Dubois
Serpente Marinha Dubois

Outras posições são ocupadas pela Serpente do Mar de Barriga Amarela, Serpente Marinha de Péron, Serpente Marinha Chinesa (ou Krait do mar) e Serpente Marinha de Bico.

A Serpente Marinha de Péron destaca-se por ser a único ofídio marinho com presença de espinhos na cabeça, por isso, também é chamada de Serpente do Mar com Chifres.

Serpente Marinha de Péron
Serpente Marinha de Péron

Concentração Geográfica das Serpentes Marinhas

Serpentes marinhas gigantes, ou não, são comuns nos Oceanos Índico e Pacífico. É importante não confundir com cobras de água-doce, a exemplo da Sucuri, encontradas em território amazônico.

A maior concentração das serpentes marinhas está associada à região do Indo-Pacífico, abrangendo áreas próximas aos países da Nova Guiné, Indonésia e Norte da Austrália.

Uma espécie em particular já foi encontrada na costa dos continentes da África e América. Trata-se da serpente do mar de plaquetas, que, inclusive, já foi descoberta pertinho de nós, no Canal do Panamá.  Embora, que a maioria destes ofídios não apresente adaptabilidade às águas do Oceano Atlântico, outras espécies também já foram encontradas em países mais próximos.

E no Brasil? Há alguma evidência da existência de serpentes marinhas?

Aqui em nossas terras, a quantidade de cobras aquáticas é grande, porém elas são de água doce.

No entanto, no dia 7 de Dezembro de 1905, dois zoólogos pertencentes à Zoological Society of London, registraram a presença de uma serpente marinha a 28 Km da foz do rio Paraíba, no nordeste do Brasil.

Os pesquisadores estavam realizando uma expedição, quando avistaram algo semelhante a uma nadadeira para fora da água, ao aproximaram-se, o animal ergueu a cabeça, e eles perceberam que assemelhava-se à cabeça de uma grande tartaruga. Mas, afirmaram não tratar-se de uma tartaruga, pois o animal apresentava movimentos de ondulação bem característicos.

Apesar da dúvida, e sem outras evidências, o relato foi publicado em periódicos científicos e no livro de um dos pesquisadores.

Desde então, a presença de serpentes marinhas na costa brasileira permanece como uma grande interrogação. A confirmação oficial só será realizada, se alguma espécie for fotografada, filmada ou encontrada morta na praia. Até, que isso não aconteça, podemos considerar ‘provisoriamente’ que não temos esses ofídios por aqui.

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Até as próximas leituras.

 

REFERÊNCIAS

Cobras e serpentes. Serpentes do mar. Disponível em: <https://cobrasserpentes.blogspot.com/p/serpente-do-mar.html>;

DENDLE, P. Cryptozoology in the Medieval and Modern Worlds. Folklore, 117 (2), p. 190-206, 2006;

OLMOS, F. Histórias de biólogos e serpentes marinhas de verdade. 2013. Disponível em: <https://www.oeco.org.br/blogs/olhar-naturalista/26909-historias-de-biologos-e-serpentes-marinhas-de-verdade/>;

MCGECKO, M. Cobra marinha de bandas (Laticauda colubrina- Hydros Colubrinos). Disponível em: <http://www.wesapiens.org/pt/file/1768250/full_screen_media/2/Anilhas+Krait+%C3%A9>.

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