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Agroecossistema Sustentável

De forma bastante simplória e resumida podemos definir Agroecossistema Sustentável como sendo um ecossistema (com todas as suas características) ocupado pelo homem para fins de instalação de uma determinada cultura.

Esse ecossistema será alterado sensivelmente, por meio da introdução de novas espécies, aplicações de fertilizantes, irrigação, entre outras práticas típicas do setor agropastoril.

Só que, nesse caso, um agroecossistema difere da agricultura tradicional por tentar imitar, ao máximo, as características de um ecossistema natural, inclusive com a elaboração de uma Cadeia Alimentar.

Mas isso não é tarefa fácil! De acordo com Gliessman (2001), a dependência do uso de determinados insumos (como os fertilizantes) é um dos principais fatores a impedir a concretização de uma agricultura sustentável.

E é justamente com base neles que a agricultura tradicional vem se apoiando ao longo de séculos, com grave comprometimento da existência dos recursos naturais para as gerações futuras.

Alguns dados mais recentes revelam que de 2016 para cá mais de 162mil hectares da Amazônia foram simplesmente reduzidos a pó em benefício do agronegócio; e o problema disso, segundo os ambientalistas, é que a destruição de um determinado ecossistema significa um desequilíbrio incomensurável na troca de energia e de matéria entre os seres (e no caso das trocas de energia, estas são irrecuperáveis).

Para atender a demanda cada vez maior por alimentos (e pelo conforto proporcionado pelos recursos naturais), o homem termina por alterar, drasticamente, a estrutura dos ecossistemas naturais, com a introdução de novas espécies, uso de agrotóxicos, alteração das características do solo, água, ar, entre outras modificações impossíveis de serem revertidas.

É um verdadeiro desafio determinar os limites do progresso, equilibrar a extração de recursos com a sua preservação, encontrar melhores formas de aproveitar-se de um ecossistema já pronto, entre outros desafios que são típicos dos dias atuais.

E como mais uma tentativa de minimizar esses transtornos, surgem projetos como o chamado Agroecossistema Sustentável, que, como o nome sugere, tem como objetivo incentivar os produtores a manter ao máximo as características de um determinado ecossistema, mesmo que ele esteja sendo explorado para fins comerciais.

Os Desafios do Agroecossistema Sustentável

Só bem recentemente começou a existir no ambiente agropastoril a consciência de que sempre se está lidando, dentro desse segmento, com algum tipo de ecossistema.

Em uma lavoura de bananas, verduras, leguminosas, hortaliças, entre outras variedades, estão lá também diversas comunidades de seres vivos.

Estará lá a aparentemente insignificante comunidades de Lumbricinas (as populares minhocas), que servirão de alimento para diversas espécies de aves. Assim como também estará lá a matéria orgânica produzida por essas mesmas minhocas, que será a fonte de vida para esses vegetais acima citados.

Estes vegetais, por sua vez, servirão de alimento para as barulhentas Cicadoideas (espécies de cigarras) ou para comunidades de agradáveis e silenciosas Danaus plexippus (as borboletas-monarcas), entre outras espécies que, sem jamais nos darmos conta, estão lá, nesse momento, competindo com a agropecuária pelo espaço necessário para as suas sobrevivências.

Por isso, um Agroecossistema Sustentável, ao invés de fechar os olhos para esse contingente de realidades que dependem, necessariamente, de determinado meio (com todos os fatores bióticos e abióticos que o compõem), procura, ao contrário, utilizar tais comunidades ao seu favor.

Ele poderá, por exemplo, utilizar-se de diversas espécies de insetos como pesticidas naturais. Uma lavoura de banana, por exemplo, não precisará, necessariamente, de uma adubagem artificial – diversos tipos de adubagens naturais já estão à distância das mãos de qualquer produtor nos mais longínquos rincões desse planeta.

Principais Características de um Agroecossistema Sustentável

Agroecossistema Sustentável
Agroecossistema Sustentável

Para que um projeto de Agroecossistema Sustentável possa ser classificado como exitoso, é preciso que ele atenda a cinco características básicas: Estabilidade, Produtividade, Sustentabilidade, Equidade e Autonomia.

A Estabilidade tem a ver com a garantia de que a produtividade será mantida mesmo na ocorrência, por exemplo, de alterações climáticas significativas.

A Produtividade diz respeito a uma quantidade satisfatória de espécies produzidas com um determinado investimento.

Já a Sustentabilidade trata da capacidade de uma determinada lavoura de produzir sem comprometer os recursos naturais para as próximas gerações.

A Equidade nada mais significa do que a distribuição dos frutos da produção a um maior número possível de indivíduos.

E, por fim, a Autonomia! Esta é a segurança de que uma cultura poderá caminhar com as próprias pernas, sem necessariamente depender de subsídios ou demais incentivos artificiais que mascarem uma possível improdutividade.

O Agroecossistema Sustentável também caracteriza-se por uma presença bem menor (ou discreta) de organismos vivos, em comparação com os ecossistemas naturais. As espécies animais e vegetais que dominam um agroecossistema geralmente são introduzidas de forma artificial.

E uma outra característica desse tipo de projeto, é que homens, animais, tecnologias e combustíveis poderão, tranquilamente, juntar-se a ele para fins de ganho ou aumento da produtividade.

Como se vê, trata-se de um projeto complexo, no qual, por exemplo, os fluxos de matéria e de energia (que ocorrem quando um animal alimenta-se de outro) ocorrerão quase que de forma artificial.

Nesse projeto, os seres humanos deverão ser atendidos em suas necessidades de alimentação e conforto; e, para tal, um fluxo de energia produtiva de alguma forma entrará em choque com os fluxos de energia e de matéria entre os seres vivos existentes nesse meio.

E somente por meio do pleno conhecimento sobre o seu funcionamento, é que se pode garantir a convivência verdadeiramente saudável entre a produção agrícola e um determinado ecossistema, que a cerca, muitas vezes, de forma bastante vigorosa.

As Vantagens do Agroecossistema Sustentável

Um Agroecossistema Sustentável deverá conseguir, também, ampliar as capacidades de um determinado ecossistema.

Como se sabe, uma comunidade de seres bióticos e abióticos só consegue produzir o suficiente para a sua existência.

Sol, água, solo, oxigênio, entre outros recursos naturais, não são suficientes para produzir mais do que aquilo que é suficiente para um ecossistema sobreviver.

Portanto, no caso de um Agroecossistema Sustentável, o homem deverá incumbir-se de injetar um aporte extra de energia, por meio dos mais diversos tipos de insumos capazes de fazer com que haja cada vez mais produtividade e lucro.

E nesse jogo de interesses, um agroecossistema poderá ser a garantia da potencialização dos recursos naturais – a extração de um potencial que não se imaginava que ele tivesse –, como a que ocorre quando se utiliza, por exemplo, painéis solares que potencializam a energia vinda diretamente do sol. Ou mesmo quando se utiliza determinadas espécies de insetos como ferramentas naturais de controle de pragas.

Mas também quando se utiliza a água de forma racional, promove a reciclagem do lixo (e o seu uso como adubagem natural) e a manipulação genética (como forma de incentivar uma seleção “natural”).

Além de outras ações que são formas de, digamos, rearranjar um ecossistema, introduzindo nele novos elementos e ajudando a natureza a ampliar as suas possibilidades. Para que, no final, haja a garantia da produtividade e da manutenção dos recursos naturais para as gerações futuras.

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