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Projeto Quagga

Esse projeto que ainda é pouco conhecido pela comunidade brasileira, e até mesmo mundial, tem uma enorme importância para o meio ambiente como um todo.

O Projeto Quagga tem como função trazer uma subespécie de Zebras de mesmo nome de volta a vida, após anos em extinção. Um projeto tão grande que dura a mais de 30 anos e que já trouxe resultados positivos e impressionantes para toda a comunidade científica.

O Que é o Projeto Quagga?

Esse projeto se trata basicamente de uma tentativa de reverter a extinção da subespécie da Zebra-das-Planícies, Equus quagga quagga, chamada popularmente de somente Quagga.

Fundada por Reinhold Rau, o projeto é realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Cape Town na própria África do Sul, local origem do quagga. Tudo começou quando em 1955, Lutz Heck, um biólogo, sugeriu cruzamentos seletivos entre Zebras-das-planícies para ter um animal parecido com a subespécie quagga. Isso gerou dúvidas e curiosidades de muitos outros biólogos e cientistas, até que em 1971, Reinhold visitou múltiplos museus na Europa toda para examinar e aprender sobre espécimes quagga.

A análise das amostras de DNA trouxe resultados inesperados. O que antes achava que era uma espécie diferente e separada, descobriram que o quagga na verdade era geneticamente igual a zebra. Com isso, foi proposto e descoberto que a única diferença das outras zebras para o quagga era a ausência de listras.

Reinhold Rau
Reinhold Rau

Então na década de 80 finalmente surgiu o Projeto Quagga para trazer de volta essa espécie extinta há tanto tempo. Reinhold e todo seu time dedicariam a partir daquele dia, o resto de suas vidas em um projeto de extrema importância, e que traria muitos benefícios e resultados.

Sobre a Espécie Quagga

A Equus quagga quagga antes de extinguir, habitava assim como suas parentes zebras, a África do Sul. De forma maior e mais notória no Cabo e na região de Orange, ela foi extinta ainda no século 19, mais especificamente em 1872 quando foi visto o último exemplar da espécie. Entretanto, havia ainda alguns poucos animais ao redor do mundo em zoológicos, que foram lentamente morrendo, não dando tempo de procriação. A última fêmea em cativeiro morreu em 1883, acabando assim com toda sua espécie, que havia se iniciado entre 120 a 290 mil anos atrás.

Sua extinção tem como principal motivo a caça pelos colonos Boer. Eles os caçavam para obter sua carne e pele, pela sobrevivência para alimentar-se e agasalhar-se. Mas também caçavam e se tornaram inimigos das quaggas, para ter terras com função de pastagem. Para isso, era preciso exterminar com todas as espécies selvagens, incluindo as zebras.

Elas pesavam em torno de 350 kg e mediam 1,30 metros, sendo consideradas de porte médio comparado a algumas outras espécies de zebras. Entretanto, o que chamava a atenção e as diferenciavam de todas as outras espécies e subespécies eram sua pelagem. Suas patas, barriga e região traseira eram sem nenhuma ou quase nenhuma listra. No lugar somente estava a cor do pelo que ficava entre o branco e marrom. Suas listras ficavam somente no pescoço e parte do tronco, e tinham a cor amarelada.

Membros do Comitê do Projeto Quagga Com Reinhold Rau a Direita
Membros do Comitê do Projeto Quagga Com Reinhold Rau a Direita

Seu comportamento também era mais dócil que muitas outras zebras, entretanto, não deixavam de ser animais selvagens e basicamente impossíveis de domesticação. Não há indícios de que tentaram domestica-las, entretanto, por serem parecidas com outras zebras que passaram pela experiência e teste de domesticação, é de se imaginar que também não dariam certo.

Você também pode ler mais sobre Zebras e suas curiosidades aqui: Curiosidades sobre zebras

Como Funciona o Projeto?

Pela espécie Quagga ser o único animal extinto no mundo em que há uma amostra completa de DNA, isso permitiu que cientistas as estudassem para encontrar uma forma de traze-las de volta. Antigamente, achava-se que elas eram de outra espécie, mas a descoberta a partir da análise do DNA delas, mostrou que são apenas uma subespécie da Zebra-das-Planícies.

Essa descoberta feita entre os anos 70 e 80 iniciou o Projeto Quagga, que busca trazer de volta a espécie a partir de reprodução seletiva. Esse processo é fundamentalmente reproduções entre espécies de Zebras-das-Planícies que possuem poucas listras. O projeto tem mais de 50 animais, e está na tentativa há 30 anos de encontrar uma zebra que expresse as mesmas características da quagga original.

Para Que Existe o Projeto Quagga?

A extinção de animais, principalmente por culpa do homem, é sempre uma coisa ruim. Podemos achar que um simples animal extinto não faça diferença na nossa vida, mas tudo que é retirado acaba tendo um impacto na vida do ser humano, seja diretamente ou indiretamente.

Mosaico com as Espécies de Zebras Quagga
Mosaico com as Espécies de Zebras Quagga

Esse projeto traz uma das espécies de Zebras que nós exterminamos, então é uma forma de tentarmos nos redimir, além de voltar animais tão importantes de volta para a natureza. O meio ambiente e ecossistemas do mundo dependem que cada animal que ali estejam façam seu papel, e não é uma boa retirar qualquer espécie dele.

Resultados do Projeto Quagga

Apesar da demora, após 100 anos desde a extinção da espécie quagga, os cientistas conseguiram traze-la de volta. O projeto completou 30 anos quando a equipe conseguiu, enfim, trazer o animal igual ao quagga original.

Após cinco gerações de tentativas, nasceu o primeiro quagga que é igual ao original. A cada geração que nascia, as características do quagga iam se manifestando mais e mais até chegar em um totalmente igual. Além disso, ele não é infértil, como muitos animais que são trazidos a vida depois de sua extinção, o que é de grande importância para a espécie.

O Último Quaga é Exibido Empalhado no Museu de História Natural de Leiden
O Último Quaga é Exibido Empalhado no Museu de História Natural de Leiden

Um dos cientistas da equipe afirma que não utilizam de nenhuma engenharia genética, apenas o acasalamento de parecidos com os quaggas. A ideia agora que nasceu o primeiro da espécie, é manter o projeto até criar um rebanho que foi batizado de Rau-quagga e coloca-los novamente na natureza onde costumavam viver no século 19.

De fato, um marco muito importante para cientistas e ativistas. Esperamos que esses animais consigam sobreviver e voltar a ter uma linhagem longa e duradoura, sem nenhuma interferência humana.

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