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Leopardo Nebuloso de Taiwan

O leopardo-nebuloso-de-taiwan era um felino natural de trechos da exuberante cadeia de montanhas do Himalaia. Eles espalhavam-se pelo sudeste asiático (Filipinas, Laos, Cingapura, Mianmar, Tailândia, Vietnã, Camboja, Timor-Leste, entre outros países), até alcançarem os bosques e matas fechadas da China.

Um exemplar do Neofelis nebulosa (seu nome científico) ou Leopardo-nebuloso, ou mesmo “pantera-nebulosa”, com também era conhecido, chega a pesar entre 14 e 24kg e a medir entre 82 cm e 1,2 m de comprimento.

Eles têm um corpo relativamente avantajado, pele entre o marrom-claro e o acastanhado, com detalhes semelhantes a manchas escuras ou “nebulosas”, que lhes dão o seu nome científico.

Dono das maiores presas já registradas entre um felino (cerca de 5cm), o leopardo-nebuloso é uma “força da natureza”, reconhecidamente ágil, flexível e sagaz, capaz de avistar uma presa a uma distância inacessível à maioria dos mamíferos.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), que desde meados dos anos 80 os classifica como “vulneráveis”, já trabalha com a hipótese de que os leopardos-nebulosos-de-taiwan estejam extintos.

De uma população de quase 10.000 indivíduos em 2008, só o que restou mesmo foi um melancólico exemplar empalhado no Museu Nacional de Taiwan – mais um exemplo de quão danosa pode ser essa relação entre o homem e o meio ambiente.

O Habitat do Leopardo-Nebuloso-de-Taiwan

Essa espécie distribuía-se essencialmente por territórios do sudeste asiático. Regiões como Filipinas, Vietnã, Camboja, Laos,  praticamente todo o território chinês, a parte oriental do Himalaia e trechos do território nepalês e da Índia, são algumas das regiões onde eles podiam ser facilmente encontrados.

Os leopardos caracterizam-se por serem animais solitários e com hábitos noturnos – e esse é um dos motivos, por exemplo, para que se tivesse tão poucas informações sobre os seus costumes.

As florestas tropicais dessas regiões citadas (preferencialmente acima de 2.000m de altitude) são ambientes com os quais eles tinham maior afinidade.

Mas também não era nada incomum encontrar, vez outra, um exemplar de um leopardo-nebuloso-de-taiwan compondo a paisagem de pântanos, brejos, matas ciliares, mangues, prados, campos, entre outras regiões semelhantes, desde que pudessem ali encontrar as suas presas favoritas, geralmente veados, alces, renas, macacos, pássaros, javalis, roedores, entre outros mamíferos de médio porte.

Sobre as suas características particulares, chama a atenção também o fato de serem espécies afeitas a um ambiente arborícola – eles, inclusive, costumam caçar as suas presas no topo de grandes árvores.

Leopardo-Nebuloso-de-Taiwan Na Árvore
Leopardo-Nebuloso-de-Taiwan Na Árvore

Os leopardos-nebulosos foram uma das vítimas do progresso incentivado nos últimos 25 anos, que exige cada vez mais o desmatamento como forma de abrir espaços para novas culturas, em meio a um agronegócio que a cada dia se impõe com mais força. Além disso, a fúria dos traficantes de animais silvestres tem, como se sabe, um potencial devastador incalculável para essas espécies.

No caso dos leopardos-nebulosos-de-taiwan, o que contribuiu bastante para a sua extinção foi, entre outras coisas, a excelente qualidade da sua pele, dentes, presas, ossos e carne, geralmente utilizados na indústria de vestuário, na medicina tradicional asiática, para a gastronomia, ou mesmo para a criação como animais de estimação.

Como essa Espécie se Reproduz?

O leopardo-nebuloso-de-taiwan é uma daquelas espécies envoltas em bastante mistério. Apesar de contarem a alguns milhares entre 2006 e 2008, quase que de forma miraculosa eles simplesmente desapareceram do continente asiático.

Sobre o seu processo reprodutivo, o que se sabe é que a partir dos 180 dias de vida eles atingem a plenitude das suas características biológicas, inclusive a sua inconfundível pelagem entre o castanho e o marro-claro, com manchas mais escuras, semelhantes a “nebulosas” (nuvens) que espalham-se pelo seu corpo.

Aos 11 meses eles já apresentam as suas características de caçadores, pois já estão aptos a seguir as suas vidas por conta própria. Mas a maturidade sexual só chega mesmo a partir dos 2 anos de idade, quando surge o período de cio, e é hora de trabalhar pela perpetuação da espécie.

Por serem uma espécie, digamos, misteriosa e de hábitos pouco conhecidos, não é fácil descrever o seu processo reprodutivo. Mas o que se pode dizer é que as fêmeas dão à luz 3 ou 4 filhotes, que nascem pesando entre 150 e 200g, após cerca de 3 meses de gestação.

Em condições normais, eles podem viver até os 11 ou 12 anos de idade, mas podem viver um pouco mais em cativeiro, desde que sejam submetidos a condições ideais de alimentação e higiene.

A Extinção dos Leopardos-Nebulosos-de-Taiwan

Diferentemente do que o seu nome nos faz pensar, de acordo com os cientistas os leopardos-nebulosos não são parentes do Panthera pardus (o leopardo). Eles seriam, na verdade, espécies intermediárias entre as grandes e pequenas espécies da família Felidae.

Chamam a atenção algumas das suas principais características, como uma visão aguçada e a habilidade única para caçar no topo de imensas árvores – inclusive mantendo-se habilidosamente de ponta-cabeça, graças à resistência das suas poderosas presas, que agarram-se às árvores semelhantes a enormes ganchos.

A sua cauda, que pode ter, algumas vezes, o mesmo comprimento do seu corpo, costuma funcionar como uma ferramenta de equilíbrio – e bastante eficiente, já que lhe permite descer das árvores como se fora um roedor.

Mas, apesar de tamanhos predicados, tudo indica que seja o “fim da linha” para os leopardos-nebulosos-de-taiwan.

De acordo com uma publicação feita na revista Oryx (sobre preservação ambiental), após 13 anos de exaustivas buscas por um exemplar dessa espécie em trechos do Parque Nacional Taroko (em Taiwan), um grupo de pesquisadores de uma associação entre os Estados Unidos e Taiwan anunciou que nenhum exemplar foi encontrado.

Parque Nacional Taroko
Parque Nacional Taroko

Isso significa a possibilidade de que o animal já faça parte de um triste grupo de animais em extinção no planeta.

Há alguns anos, técnicos do Instituto de Conservação Biológica de Smithsonian, em Virgínia, nos EUA, alertou para o fato de que o avanço do desmatamento, associado à caça ilegal dessas espécies, seriam determinantes para a sua extinção.

E, ao que tudo indica, apesar da esperança de alguns pesquisadores, foi o que ocorreu, para a frustração de uma imensa comunidade que luta, ao redor do mundo, pela preservação dos ecossistemas que compõem o planeta.

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