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Jararaquinha-do-Campo

A jararaquinha-do-campo é uma típica exemplar da família Colubridae, mais especificamente da subfamília Dipsadinae. É uma espécie típica da América do Sul e Central. Ela caracteriza-se por uma imensa e variada comunidade, capaz de abranger, desde espécies não peçonhentas até aquelas cujas dentições são opistóglifas.

Na dentição opistóglifa as presas com canalículos para a inoculação de substâncias venenosas ficam no fundo da boca. Além disso, essa substância expelida não passa de uma espécie de “saliva tóxica”, cujas propriedades são mais digestivas do que propriamente mortíferas.

Estima-se que em toda a América do Sul e Central existam entre 700 e 800 espécies da jararaquinha-do-campo (Leimadophis almadensis) — isso quando se leva em consideração as variedades encontradas nas Índias Ocidentais, por exemplo. Lá existem parentes próximas da subfamília Xenodontinae, que gozam das mesmas características das Dipsadinae.

Existem trabalhos sérios cuja conclusão é a de que famílias como a Diadophis, Carphophis, Heterodon, Farancia, entre outras, na verdade compõem a mesma família. A diferença é que elas geralmente são encontradas na América do Norte.

Esse contingente, tal é a sua diversidade, possivelmente faria aumentar, ainda mais, a quantidade de espécies semelhantes às jararaquinhas-do-campo.

Jararaquinha do Campo na Mão de Uma Pesquisadora
Jararaquinha do Campo na Mão de Uma Pesquisadora

Porém, o que se sabe mesmo é que, de certa forma, todas são oriundas do mesmo berço: o berço da imensa família Colubridae. Uma família que caracteriza-se pela pouca agressividade, baixa ocorrência de animais peçonhentos, ampla distribuição pelo continente americano, convívio relativamente saudável com os seres humanos, entre outras características.

As Características da Jararaquinha-do-Campo?

A Leimadophis almadensis é uma espécies ágil, que dá preferência ao ambiente terrestre, é bastante inofensiva, dificilmente ultrapassa os 70cm, é típica de campos abertos, vastas extensões de terra, entre outras particularidades.

Uma curiosidade sobre essa espécie é que, ao ser importunada, ela rapidamente achata todo o seu corpo, com o objetivo de parecer maior e mais ameaçadora do que realmente é.

Imagem de um Cobra Jararaquinha-do-Campo
Imagem de um Cobra Jararaquinha-do-Campo

Elas ainda utilizam a oportuna técnica de enrolar-se sobre o próprio corpo e, com a cabeça submersa, aguarda, ansiosamente, na esperança de que o invasor se afaste e ela não tenha que empreender uma luta exaustiva e, muitas vezes, desvantajosa.

A jararaquinha-do-campo, com algumas exceções, possui um tom de pele entre o castanho e o castanho-escuro, detalhes em preto sobre o dorso, um tom de roxo na sua cavidade oral, poucos dentes (curtos e sem canalículos para inoculação de veneno) e o ventre vermelho.— Essa última, uma característica que a faz receber o não menos sugestivo apelido de “jararaca-de-barriga-vermelha” em algumas regiões do Brasil.

Para completar as suas principais características, ela ainda apresenta uma cauda curta, corpo bastante delgado (que pode fazê-la ser confundida com um galho de árvore ou cipó), porte mediano, um riscado preto na parte posterior da cabeça, além de uma incrível agilidade no solo (uma das suas marcas registradas).

Quanto ao seu apelido, o que se diz é que ele tem muito a ver com algumas das suas técnicas de sobrevivência, especialmente alguns traços físicos (especialmente a sua cor), que a tornam, à primeira vista, bastante parecida com a jararaca autêntica.

Como Elas se Reproduzem?

Não existe uma literatura abrangente acerca do processo de reprodução das jararaquinhas-do-campo. Só o que se sabe mesmo é que, por exemplo, do ponto de vista do dimorfismo sexual, elas apresentam a curiosa característica de que as fêmeas são, em geral, maiores do que os machos.

A jararaquinha-do-campo prefere trechos de vegetação como as da Mata Atlântica (no Brasil) e de outras vegetações com as mesmas características no Uruguai, Paraguai, Argentina, Peru, Equador, entre outros países da América do Sul.

É nessas regiões que ocorre, entre os meses de setembro e novembro, o período da reprodução da Leimadophis adensis. E entre os meses de abril e maio, a fêmea começa a pôr os seus ovos (entre 8 e 14), que eclodirão por volta de 28 dias.

Quais são os Hábitos Alimentares da Jararaquinha-do-Campo

As jararaquinhas-do-campo, como já dissemos, pertencem à imensa família das Colubridae, especificamente da subfamília Dipsadinae.

Logo, elas apresentam-se como uma espécie bastante “generalista”. Isso significa dizer que possuem um paladar variado, capaz de aceitar as mais diversas espécies diferentes, e, em muitos casos, até mesmo outras espécies de serpentes.

Entre outras características dessa família, podemos destacar o fato de apresentar espécies com portes e tamanhos bastante variados (os indivíduos podem atingir entre 20cm até 2m de comprimento); a mesma desenvoltura na terra, na água, no subsolo e ate mesmo na copa das árvores; uma baixa agressividade; além da quase inexistência de veneno.

Elas também não utilizam a técnica da constrição (esmagamento das suas vítimas) como uma técnica de captura; demonstram facilidade para o convívio próximo aos seres humanos; servem, muitas vezes, como excelentes ferramentas para o controle de pragas, entre outras peculiaridades próprias dessa família.

Jararaquinha se Alimentando
Jararaquinha se Alimentando

Portanto, os hábitos alimentares das jararaquinhas-do-campo naturalmente inclinam-se para uma dieta à base de pequenos roedores, sapos, rãs, pequenos lagartos, filhotes de aves, ovos, lesmas, moluscos, entre outras espécies com constituição física menos robusta e que lhes ofereçam pouca resistência durante a caça.

A Realidade das Espécies Brasileiras

A realidade das espécies de serpentes brasileiras não é nada agradável. Dados do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) estimam que algumas variedades de cobras brasileiras perderam até 80% dos espaços que costumavam ocupar entre os anos 70 e 80.

Entre os fatores preponderantes para essa realidade, estão os avanaços inquestionáveis do setor agrícola e da urbanização das cidades, que levam ao desmatamento e à perda irreparável dos seus habitats.

E algumas dessas vítimas do avanço da civilização são as inofensivas jararaquinhas-do-campo que, assim como as outras mais de 390 espécies de serpentes brasileiras, vêm sendo devastadas por conta da desagregação de inúmeros biomas, como a Mata Atlântica, por exemplo.

O problema é que esse tipo de vegetação vem se tornando, a cada ano que passa, mais fragmentada, reduzida apenas a pequenos trechos e, como consequência, vem perdendo a sua capacidade de abrigar as mais diversas espécies dessa riquíssima fauna brasileira.

Por sorte, já existem iniciativas como a do campus Fernando Costa, da USP (Pirassununga). De acordo com os seus idealizadores, o objetivo do projeto é, por meio da sua instalação em trechos já existentes de Mata Atlântica e Cerrado (o que eles chamam de “áreas de transição”), “ oferecer características e biodiversidades particulares.”

Deste modo, “a fauna e a flora do ambiente acabam enriquecendo como um todo”, e espécies como as jararaquinhas-do-campo, por exemplo, poderão encontrar o espaço ideal para perpetuarem-se e contribuírem, ao seu modo, para o equilíbrio natural do planeta.

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