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Jararacuçu do Papo Amarelo

Diferentemente do que o seu nome pode levar a crer, a jararacuçu do papo amarelo não pertence à família da temível Bothrops jararacussu Lacerda — uma das armas mais letais da natureza.

Ela é tão somente a singela Drymarchon corais ou “papa-pinto”, uma espécie da imensa família Colubridae, facilmente reconhecível pela sua característica cor marrom com uma faixa amarela no ventre.

Essa espécie é muito comum em brejos, pântanos e áreas de charco, onde possa encontrar algumas das suas refeições preferidas: filhotes de aves, ovos, pequenas cobras, sapos, rãs, entre outras espécies de pequeno porte.

A região sudeste dos EUA — especificamente os estados de Kentucky, Alabama Carolina do Norte, Arkansas, Carolina do Sul, Geórgia e Flórida, com suas imensas planícies costeiras — é o berço da Drymarchon corais. No entanto, em muitas dessas regiões, só existem mesmo vestígios da sua presença.

Nessas paragens, a nossa jararacuçu do papo amarelo é conhecida como a curiosa “indigo snake”, uma serpente não-peçonhenta, afeita a regiões alagadiças e cujo paladar limita-se a espécies bastante inferiores na escala da evolução.

Na verdade, dadas as suas preferências alimentares, o apelido de “papa-pinto” encaixa-se bem em diversos países da América do Sul e Central, como: Brasil, Venezuela, México, Equador, Honduras, El Salvador, Argentina, Trinidad e Tobago, Belize, Peru, entre outros.

A Dieta da Jararacuçu do Papo Amarelo

Como uma típica representante da família Colubridae, a jararacuçu do papo amarelo é uma das que não possuem veneno, ou melhor, possuem uma dentição opistóglifa, que caracteriza-se pela inexistência de presas dianteiras com canalículos capazes de inocular veneno.

No seu caso, apenas a dentição anterior possui esses pequenos canalículos, mas, além de não serem suficientes para a inoculação de veneno, a substância expelida é praticamente inofensiva.

Por isso mesmo, animais com constituição biológica mais complexa não fazem parte da sua dieta; a sua preferência vai para os pequenos anfíbios, filhotes de aves, ovos, pequenos lagartos e outras espécies de serpentes menores.

Mas elas também não dispensam outras espécies que porventura possam compor a sua dieta — uma dieta típica de uma serpente “generalista”, ou seja, capaz de alimentar-se das mais diversas espécies existentes na natureza, desde que, obviamente, possua uma estrutura física simples.

Jararacuçu do Papo Amarelo Espreitando

Por não possuir peçonha e muito menos dispor de uma estrutura musculoesquelética capaz de lhe permitir utilizar a técnica da constrição (esmagamento das vítimas), a saída para a jararacuçu do papo amarelo é mesmo a disposição para sair à caça desses animais.

E como técnica de captura, ela simplesmente aguarda que as suas presas estejam a uma distância não superior a 20cm, aplica-lhes um bote certeiro, e as engole ainda vivas — isso quando não opta por esperar, pacientemente, a ação de uma substância digestiva presente em sua saliva, capaz de neutralizar a vítima em questão de minutos.

Características Dessa Espécie

Apesar de não ser venenosa, a Drymarchon corais possui um tamanho bastante considerável (pode atingir até 2m de comprimento).

Essa sua característica costuma dar a impressão de que se trata de um animal bem mais perigoso do que realmente é.

Como forma de contribuir, ainda mais, para sustentar essa impressão, ela possui a curiosa técnica de dilatar a região do corpo que faz limite com a sua cabeça, o que, ao que tudo indica, funciona como uma forma de espantar os seus predadores naturais.

Completam essas técnicas de defesa, um agito vigoroso da cauda, um sibilo bastante ameaçador e uma bela mordida no intruso — nesse último caso, quando todas as outras técnicas se mostraram ineficazes.

A jararacuçu do papo amarelo possui hábitos diurnos. As manhãs são reservadas para o forrageamento (caça de alimentos na natureza) — uma árdua missão, às vezes frustrante, mas para a qual ela pode contar com uma visão privilegiadíssima e uma sensibilidade sem igual para a presença de uma refeição a alguns metros de distância.

Seu tom de pele é extremamente variado, porém quase sempre com mesclas de cores em preto -brilhante, azul e castanho. Ela é coberta por escamas dorsais lisas, além de uma faixa amarela em seu ventre, que ajuda a completar as suas principais características físicas.

Habitat

A Drymarchon corais geralmente escolhe regiões caracterizadas por vegetação de restinga, cerrados, florestas, bosques e pradarias. Mas também regiões alagadiças, pântanos, brejos, margens de rios e canais.

Em situações de desmatamento, é muito comum que elas abriguem-se em tocas de esquilos, tartarugas, tocas de caranguejo, tatu, marsupiais e na base das árvores.

Abrigo de Cobra Jararacuçu do Papo Amarelo
Abrigo de Cobra Jararacuçu do Papo Amarelo

Na América do Norte, as tocas de arganazes e marmotas são esconderijos bastante apreciados por elas, e onde geralmente caçam as suas presas — quando não são capturadas por estudiosos ou mesmo por predadores.

Com a característica típica de uma espécie solitária, as jararacuçus do papo amarelo podem ser encontradas em um espaço de até 10 milhões de m², onde lutam, bravamente, pela demarcação do seu território e pela posse das fêmeas.

Como se Reproduz a Jararacuçu do Papo Amarelo?

As espécies que vivem na América do Sul geralmente dão preferência a regiões de florestas, matas e cerrados. No Brasil, especificamente, os trechos de Mata Atlântica da Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, entre outras regiões que ainda acolham essa lendária vegetação, costumam abrigar muitas delas.

Mas também os pampas gaúchos, o cerrado de Mina Gerais e algumas regiões do Pantanal mato-grossense, são locais adequados para o seu desenvolvimento.

Não há uma literatura abrangente acerca do comportamento reprodutivo dessa espécie. A dificuldade de encontrá-la talvez seja o principal motivo da escassez de informações sobre esse processo.

Só o que se sabe mesmo é que a jararacuçu do papo amarelo é um animal ovíparo. Isso significa que ela se reproduz por meio da postura de ovos, geralmente nos períodos de estiagem.

Nesses locais, elas costumam colocar entre 15 e 20 ovos, entre maio e agosto, para eclodirem após 90 dias.

O período escolhido pela “mãe natureza” para a eclosão dos filhotes são os períodos mais chuvosos de cada uma dessas regiões. E de acordo com pesquisadores, o motivo dessa preferência tem a ver com a facilidade que terão os recém-nascidos de alimentarem-se nesse período.

Filhote Jararacuçu do Papo Amarelo
Filhote Jararacuçu do Papo Amarelo

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