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Cobra Surucucu Preta

A cor amarelo-dourado com detalhes pretos da cobra surucucu é facilmente reconhecida em praticamente todos os estados do norte do país.

Ela é a “Dona da Noite”, de acordo com uma curiosa lenda das tribos dos Mawés, cujo relato diz que após a criação do mundo ficou faltando a noite para completar o esplendor da criação. A saída encontrada pelo jovem Uánham foi tentar convencer a misteriosa surucucu a presentear a humanidade com a noite — da qual ela era soberana.

Após muitas tentativas, o jovem Uánham finalmente conseguiu convencê-la, ao presenteá-la , talvez com uma certa ingenuidade, com o terrível veneno que ela ainda não possuía.

Essa é apenas uma das inúmeras lendas que cercam a figura enigmática da Lachesis muta, a maior cobra venenosa da América do Sul, também conhecida como pico-de-jaca, surucucu-do-brejo, surucucu-de-fogo, surucutinga, entre outras denominações.

O seu habitat natural é nas florestas densas da região norte (especialmente a Floresta Amazônica), como as do Para, Acre, Rondônia, etc.

Cobra Surucucu Fotografada Entre as Folhas da Mata
Cobra Surucucu Fotografada Entre as Folhas da Mata

Mas também o pantanal Mato-grossense, trechos de Mata-Atlântica da Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais são ambientes onde podem ser encontradas essa força da natureza, que pode chegar a até 3m de comprimento quando adulta.

Os períodos de desmatamentos, como os que são realizados para a construção de empreendimentos públicos e imobiliários, são os que permitem, com mais facilidade, presenciar algumas das mais exuberantes variedades dessa espécie.

Porém, não se enganem! Toda essa exuberância esconde uma agressividade incomparável! — na verdade uma das mais impressionantes entre as espécies típicas do continente americano.

A Tradicional Cobra Surucucu Dourada com Listras Pretas

Em 1776, o zoólogo e botânico sueco, Carl Linnaeus, descreveu, pela primeira vez, uma variedade típica da América do Sul: a Lachesis Muta.

Ele havia descoberto uma das espécies mais venenosas do continente, e, por isso mesmo, a denominou de Crotalus Mutus (ou “Cascavel Silenciosa”), pelo fato de ela ter quase todas as características dessa outra fera, porém com a única diferença de que a sua cauda, apesar de executar os mesmos movimentos, não emitiam nenhum som através de chocalhos.

Já o nome “surucucu” (ao que tudo indica) pode ser traduzido na língua tupi como “aquela que morde muito” — uma clara referência à uma das suas características mais marcantes.

No norte do país ela é a temível surucucu. Mas também é a não menos perigosa mapepire grande, em Trinidade e Tobago. Na Venezuela, é a assustadora cuaima. Enquanto na Colômbia é a misteriosa e enigmática “verrugosa”. No entanto, denominações à parte, o que se sabe é que em praticamente todas essas regiões as cores douradas e pretas da cobra surucucu é o seu verdadeiro cartão de visitas.

E em todas elas as suas características são basicamente as mesmas: Possuem entre 2 e 3 m de comprimento, um potencial de extrema agressividade, é mais afeita ao ambiente noturno, é essencialmente carnívora, além de ser uma das que mais são envoltas em lendas e mistérios, típicos dos povos indígenas com os quais elas tiveram os seus primeiros contatos.

Características da Cobra Surucucu

A cor amarelo-dourado com losangos pretos da cobra surucucu é o seu cartão de visitas. Mas em algumas regiões elas podem apresentar um amarelo mais claro, esverdeado ou até castanho.

Uma dentição solenóglifa (com canalículos em suas imensas presas para inoculação de veneno) e que se escondem quando ela mantém a boca fechada, uma calda semelhante à das cascavéis (mas sem chocalhos), cabeça triangular e um corpo avantajado, completam as suas principais características físicas.

As surucucus, semelhantemente a outras espécies, possuem o que se chamam “fossetas loreais” — uma espécie de sensor típico das cobras venenosas, caracterizado por dois furinhos entre os olhos e a boca, com os quais ela consegue perceber (através do calor) a presença de uma presa ou de predadores .

Estudos mais aprofundados sobre a personalidade dessa espécie concluíram que a sua agressividade está mais relacionada a um instinto de defesa, geralmente arrefecido com a sua domesticação.

A surucucu é uma espécie essencialmente carnívora. Ratos, aves, sapos, preás e demais mamíferos de pequeno porte, estão entre as suas presas favoritas.

Quando são caçados à noite, estes mamíferos não conseguem oferecer a menor resistência à Lachesis muta, muito por conta da sua incomparável sensibilidade à presença de qualquer ser vivo à sua volta.

A surucucu é um animal ovíparo. Isso que dizer que se reproduz por meio da postura de ovos, entre 15 e 20 a cada ninhada, e que dão origem a filhotes com cerca de 45cm.

A cor dourada com losangos pretos da cobra surucucu ainda funciona como um excelente fator de camuflagem, especialmente quando está no solo, onde pode, facilmente, confundir-se com as folhas secas que se espalham pelo chão.

O Potencial de Agressividade da Surucucu

O potencial de agressividade da surucucu, de tão famoso, já faz parte do referencial folclórico de inúmeras regiões brasileiras.

Tanto é assim que o seu nome científico, “Lachesis”, é uma referência a uma das três deusas gregas do Destino — o que diz bem sobre a influência quase mágica da sua presença no quotidiano das mais diversas tribos indígenas.

Na verdade, em algumas regiões, como o nordeste, por exemplo, o nome “pico-de-jaca” é praticamente sinônimo de cobra peçonhenta.

A sua picada é considerada uma das armas mais letais da natureza, pois é capaz de injetar uma considerável dose de neurotoxina com efeitos hemorrágicos, proteolíticos (inflamatório) e coagulantes (que compromete a coagulação sanguínea).

O resultado são uma série de sintomas muito semelhantes aos do terrível veneno botrópico. Entre os quais: dor local intensa, inchaço considerável, equimose, bolhas, isquemia, sangue na urina e nas gengivas, etc.

E que podem evoluir, caso não sejam rapidamente controlados por meio da aplicação de um antídoto, para um quadro de hipo e hipertensão arterial, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia, diminuição dos batimentos cardíacos, sudorese, e, até mesmo, um quadro grave de insuficiência renal.

A boa notícia é que, devido ao fato de não serem habituadas às áreas urbanas, o seu contato só se dá mesmo em regiões de mata densa, típicas das zonas rurais. O que faz com que os riscos de acidentes limitem-se às incursões nessas áreas, e sempre que, de alguma forma, invadimos a privacidade do seu ambiente natural.

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