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Cobra Siri Malha de Fogo

A cobra siri ou surucucu malha de fogo é um dos nomes da temida surucucu-pico-de-jaca, que também pode ser a sururucutinga, a cobra-topete, surucucu, entre outras várias denominações que elas recebem nesses inúmeros recantos que compõem esse imenso Brasil.

O seu nome científico é Lachesis muta, um exemplar da assustadora família Viperidae, que ainda nos presenteou com espécies como as cascavéis, víboras, jararacas, além dessa força da natureza, considerada a maior cobra peçonhenta das Américas, capaz de atingir os inacreditáveis 4,5 metros de comprimento.

O seu nome “pico de jaca” é uma referência à textura das sua pele, com escamas que a tornam semelhante à casca de uma jaca.

Essa é a denominação mais comum na Bahia e na Amazônia, onde você também poderá surpreender-se ao vê-la ser denominada de cobra siri ou surucucu malha de fogo, cospe-fogo, apaga-fogo, entre outras alcunhas semelhantes, como uma referência à sua suposta aversão ao fogo.

No Pantanal, ela é simplesmente a surucucu-do-pantanal. Nas zonas florestais, a surucucu-do-mato-virgem. Para o acreano ela é tão somente uma cascavel, entre outras infinitas variedades.

O Habitat da Cobra Siri ou Surucucu Malha de Fogo

A cobra surucucu malha de fogo aprecia as densas florestas da Amazônia, mas também trechos do que ainda resta de Mata Atlântica na Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro, entre várias outras regiões, onde elas possam encontrar uma mata fechada e vigorosa para fazer dela o seu habitat.

Também no Espírito Santo há registros da presença desse animal em trechos de Mata Atlântica e de Araucárias. Na fronteira que o separa com o estado de Minas Gerais (no Vale do Rio Doce), ela também está lá, agora sob o pseudônimo de surucutinga – porém com a mesma ferocidade que lhe é tão peculiar.

Hábitos Alimentares

A dieta da cobra siri ou surucucu malha de fogo é a típica de uma fera da natureza, capaz de devorar em segundos diversos tipos de roedores, anfíbios, aves, ovos, lagartos, entre outros animais de pequeno porte.

Um par de fossetas loreais lhe permitem identificar, através do calor, a presença de uma presa a vários metros de distância. E por meio dessa espécie de “sentido”, ela sai à caça, geralmente à noite, de forma insidiosa, até avistar uma vítima alheia ao perigo que a cerca.

Um bote certeiro e violentíssimo conclui a ação, e não permite à presa opor-lhe a menor resistência – mesmo porque a sua poderosa toxina a imobiliza em segundos, tornando-a uma refeição rápida e bastante suculenta.

Como se Reproduz a Cobra Siri ouSurucucu Malha de Fogo?

Essa espécie é um animal ovíparo, ou seja, gera filhotes por meio da postura de ovos, entre 15 e 20 a cada ninhada, após um período de incubação de até 80 dias. Esse período reprodutivo ocorre entre a primavera e o verão.

Tudo indica que a malha de fogo seja a única ovípara dessa família Viperidae, capaz de gerar uma quantidade surpreendente de filhotes, que são protegidos ferozmente durante a incubação, até surgirem para a vida medindo entre 40 e 60 cm de comprimento.

Quanto a essa ferocidade como defesa, o que se diz é que ela é a única cobra peçonhenta que prefere o bote, como forma de ataque, ao invés da fuga.

Mas não sem antes posicionar-se, ameaçadoramente, na forma de um “S” – olhos nos olhos do seu oponente -, completando esse seu ritual de intimidação com batidas vigorosas da sua cauda no chão, até que o invasor renda-se à sua superioridade.

Principais Características Dessa Espécie

Essa é uma espécie tipicamente noturna, afeita ao trânsito na terra, onde a sua coloração a torna quase um prolongamento do solo por onde desliza.

Sua dentição é própria de uma fera peçonhenta. Ela é solenóglifa. Isso quer dizer que possui duas enormes presas em destaque na parte da frente da sua boca, semelhante a um par de seringas, com canalículos por onde escorrem o terrível veneno altamente devastador.

A cobra siri ou surucucu malha de fogo ainda possui fossetas loreais (entre a narina e um dos olhos), que são dois pequenos orifícios estrategicamente revestidos por uma membrana altamente sensível às variações de temperatura ao seu redor.

Fisicamente, ela possui uma cor entre o amarelo-ouro e o amarelo-pardo, com losangos negros; e geralmente medem entre 2,5 e 4,5 m.

Cobra Siri com a Lígua de Fora
Cobra Siri com a Lígua de Fora

Apesar do seu potencial agressivo, os seus ataques não representam mais do que 2% de todos os ataques de cobras peçonhentas no Brasil, muito por conta da sua característica de habitar regiões com pouca ou quase nenhuma presença de seres humanos.

Elas não possuem aquele chocalho típico das cascáveis, mas, curiosamente, também tem o hábito de chacoalhar ou bater a cauda no solo, aproveitando-se da sua estrutura queratinizada que lhe confere uma resistência maior ao choque.

Em cativeiro o seu comportamento, de certa forma, desmente essa fama de agressividade – o que leva a crer que ela é, na verdade, mais um instinto de defesa ao perceber o seu território sendo invadido. – Uma reação, aliás, totalmente natural entre as espécies selvagens.

Mas quando esse ataque ocorre, temos aí um grande problema! pois a ação inflamatória, hemorrágica, neurotóxica e coagulante do veneno injetado leva a sintomas quase imediatos.

E tais sintomas geralmente surgem na forma de inchaço do local, queda na pressão arterial, dor intensa e aguda, alterações da frequência cardíaca e da visão – sintomas que podem evoluir para um quadro grave de falência múltipla dos órgãos.

O Veneno da Surucucu Malha de Fogo

O veneno da cobra siri ou surucucu malha de fogo é uma verdadeira “arma de guerra”, que produz ações inflamatórias, coagulantes, neurotóxicas e hemorrágicas.

Semelhantemente ao “acidente botrópico”, a injeção dessa substância leva a sintomas bastante comprometedores, como: edemas, equimoses, sangue na gengivas e na urina, isquemia, dor local, etc.

Que podem evoluir para casos graves de distúrbios renais, hepáticos, cardiovasculares, entre outros transtornos que, ao final, podem tirar a vida de um indivíduo em questão de horas.

Há casos em que os transtornos mais graves são precedidos por sintomas intermediários, como: náuseas, vômitos, queda da pressão arterial, suor excessivo, diarreia, dor abdominal, entre outras complicações, que geralmente ocorrem devido à demora na administração do soro antilaquético.

No caso de acidentes com uma cobra surucucu malha de fogo, a recomendação é a mesma que é dada para todos os casos de acidentes com animais peçonhentos: Mantê-lo deitado, oferecer-lhe água sempre que solicitar e não pôr em prática nenhum tipo de medida caseira.

Até que possa levar o paciente até o posto de saúde mais próximo (se possível com o animal responsável pelo acidente), para que lhe seja administrado o soro antilaquético.

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