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Cobra Jararacuçu é Venenosa?

Que a cobra jararacuçu é venenosa não restam dúvidas. Mas como, afinal de contas, diferenciar, com o máximo de segurança possível, as que são das que não são?

O comum é utilizarmos a velha fórmula de observar a sua cabeça (triangular para as venenosas) na esperança de que, em uma situação de emergência, possamos manter a calma.

No entanto, o que os especialistas afirmam é que essa não é uma forma segura de identificação. Na verdade, outras partes do seu corpo, como caudas, pupilas, estruturas, escamas, entre outras características, devem ser levadas em consideração.

Uma característica importante, por exemplo, é um pequeno orifício bem entre os olhos e as narinas, que costumam diferenciar com quase 99% de eficácia ambos os tipos.

Cobra Jararacuçu Enrolada
Cobra Jararacuçu Enrolada

Esse local é chamado de “fosseta lacrimal”, que, basicamente, funciona como um órgão sensorial das cobras peçonhentas, através do qual elas conseguem perceber, mesmo à distância, a presença de um perigo ou mesmo de uma presa. Isso porque ele é formado por determinadas células capazes de detectar o calor (até mesmo em suas mínimas variações) a uma distância de vários metros.

Fosseta Lacrimal
Fosseta Lacrimal

Todas as serpentes venenosas, inclusive a cobra jararacuçu, possuem esses orifícios (com exceção da cobra coral), bem como outras características, como, por exemplo, o hábito de caçar em incursões noturnas; atacar (ao invés de fugir) sempre que são ameaçadas; utilizar sempre a estratégia de se enrolar a fim de dar o “bote”, entre outras características que as diferenciam.

 

A boa notícia é que a peçonha não exatamente define uma serpente. No Brasil, por exemplo, de cerca de 390 espécies, não mais do que 15% são consideradas peçonhentas (apesar de muitas serem violentas).

Especificamente as do gêneros Bothrops, Lachesis e Crotalus, mais especificamente ainda, as espécies Viperidae e Elapidae, são aquelas com as quais devemos ter maiores cuidados, pois, de maneira alguma, desejaríamos cruzar com uma dessas espécies em uma mata fechada durante a noite.

Quais as Características da Jararacuçu?

O nome científico da jararacuçu é Bothrops jararacussu, mais as suas denominações são tantas quantas são as infinitas paragens que compõem esse exuberante cenário natural do Brasil.

Elas podem ser conhecidas como jararacuçu, jararaca, jararaca-do-rabobranco, urutu-cruzeira, surucucu, caiçara, entre outras inúmeras denominações.

As Viperidae existem em cerca de 20 espécies, com tons que vão desde o preto, passando pelo amarronzado, algumas variações de castanhos-claros, e com linhas bastante características em seu dorso (geralmente em formato de Y ou V).

Sem esquecer das suas inconfundíveis “fossas lacrimais”, que são uma das indicações de que a cobra jararacuçu é venenosa, e de que você tem à sua frente um perfeito exemplar de uma espécie peçonhenta, que está entre as mais temidas e agressivas do país.

Ao serem recolhidas para testes, exibem uma dentição bastante singular. Eles geralmente são poucos e discretos, mas o problema está, justamente, nas terríveis presas responsáveis por inocular o veneneno. Estas são bem mais extensas, e semelhantes a agulhas de seringas, que se projetam aterradoramente para a frente na hora do ataque.

Mas a grande ameça atual dessa espécie, é o fato de adapatar-se com certa desenvoltura aos centros urbanos, pois, apesar de ser típica de lavouras e matas densas e úmidas, costumam adaptar-se muito bem às regiões periféricas, muito por conta da considerável presença de roedores.

A noite é o momento em que elas sentem-se mais à vontade! É nesse período do dia que geralmente saem para caçar, utilizando-se do veneno botrópico como a sua principal arma durante o ataque.

Como Age o Veneno da Cobra Jararacuçu?

Após inoculado, o veneno botrópico possui ação coagulante, proteolítica e hemorrágica em poucas horas, atuando, decisivamente, para o comprometimento do fator x e da protrombina — uma espécie de proteína que permite a correta coagulação do sangue.

Na “ação coagulante”, a hemotoxina compromete exatamente essa correta coagulação sanguínea. Na “proteolítica”, o resultado são dores intensas, inflamação do local, inchaço, vermelhidão, entre outras consequências.

Já na “ação hemorrágica”, também há a dificuldade de coagulação sanguínea, mas também a trombocitopenia, ou, simplesmente, a queda brusca de plaquetas no sangue, associada a uma forte agressão ao tecido basal dos capilares.

Como toda cobra venenosa, a jararacuçu, ao atacar um indivíduo, imediatamente inocula a sua neurotoxina, que logo leva a manifestações como: inchaço ou edema no local; dor intensa, e que alastra-se pela região periférica da picada; além das marcas visíveis das presas, geralmente como pequenos pontos.

Ainda equimoses (“sangue pisado”) no local; bolhas; pele necrosada, entre outros sintomas, que podem evoluir, caso não sejam tratados no menor espaço de tempo possível.

Com a evolução do quadro, o paciente ainda pode apresentar sangue na urina, nos vômitos, nas gengivas, inflamações em possíveis feridas em outros locais do corpo, sangramento uterino (em mulheres grávidas), sudorese, pressão baixa, náuseas, vômitos, calafrios, entre outros sintomas típicos.

Quais as Consequências do Veneno da Cobra Jararacuçu?

Uma das consequências imediatas do veneno da cobra jararacuçu, é o comprometimento da função dos rins, muito por conta de uma obstrução dessa região por microtrombos, que se depositam nos capilares, impedindo a correta irrigação do órgão.

Desidratação, queda da pressão arterial e aumento dos batimentos cardíacos, também são consequências bastante comuns nesses casos, assim como o “choque hemorrágico”, como resultado de uma grave hemorragia, da liberaçao de substâncias vasodilatadoras no organismo, entre outras causas, extensamente registrada nos manuais de medicina.

Infecções secundárias e abcessos também fazem parte da gama de transtornos que podem acometer um indivíduo atacado por uma dessas espécies de serpentes. Geralmente são causadas por micro-organismos do tipo gram-negativos e anaeróbios, que se desenvolvem em 15 a 20% dos casos.

Esse é o resultado da “ação proteolítica” da hemotoxina injetada, que cria as condições ideais para o surgimento desses agentes oriundos, na maioria das vezes, do próprio ferimento, da boca da serpente, de substâncias aplicadas sem qualquer critério sobre o ferimento, entre outras causas.

A chamda “Síndrome Compartimental” também é uma das consequências. Após o ataque, a substância pode causar um quadro de hipotensão (pressão baixa), que impede o adequado fornecimento de sangue para os músculos e nervos, resultando em uma sensação de cãibras, dor, formigamento, cianose (pele arroxeada), queimação, coceira, entre outros sintomas.

Homem Picado por Cobra Jararacuçu
Homem Picado por Cobra Jararacuçu

Porém todas essas consequências são evitadas quando o atendimento ocorre de forma rápida e eficiente. E felizmente, também no Brasil, já existem antídotos para praticamente todas as espécies de animais peçonhentos, principalmente para o veneno da temível jararacuçu, uma das cobras mais venenosas da fauna brasileira, e responsável por cerca de 90% de todos os casos de ocorrências desse tipo.

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