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Carcará do Cerrado

Você Conhece o Carcará do Cerrado?

É uma ave muito bela, com características peculiares e está distribuída em campos abertos, no cerrado, em pastos, é encontrado principalmente em zonas rurais. Está em várias regiões do Brasil, principalmente no Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, além do de também estar no Sul da América do Sul, em regiões da Argentina e do Uruguai.

É considerada uma ave Falconiforme, está presente na família Falconidae, onde estão presentes também as diversas espécies de gaviões. Não é à toa o Carcará também ser conhecido como Gavião-Carcará, ele possui características semelhantes aos membros da sua família, desde o bico, a plumagem, o tamanho até a alimentação.

Carcará do Cerrado: Características

Sua plumagem é constituída majoritariamente pela coloração preta, com leves tons de marrom escuro, exceto sua cabeça que é branca e o seu pescoço, o qual é constituído por listras que variam entre branco e preto; já o seu bico, suas longas patas e garras são amarelados.

O tamanho de cada individuo varia entre 53 a 56 centímetros e sua envergadura chega a alcançar os incríveis 120 centímetros. Em relação ao peso, existem variações entre os machos e fêmeas, onde as fêmeas são ligeiramente mais pesadas que os machos, pesam em torno de 900 a 950 gramas, e os machos pesam em torno de 800 a 850 gramas.

Nos períodos de reprodução, eles tendem a buscar as árvores mais altas para nidificarem. Fazem buscas de galhos, gravetos e barro para erguer seu ninho. Eles botam de 2 a 4 ovos por período reprodutivo, estes que possuem coloração avermelhada com mancha marrom. Neste período, o vermelho presente na sua face, ganha tons de amarelo, de acordo com o grau de excitação. O período de incubação dura em média de 27 a 30 dias.

Eles têm um estilo de vida solitário, dificilmente andam em bandos; mesmo que já tenham sido avistados bandos de Carcarás atacando presas em conjunto, são raríssimos. Eles se unem justamente no período reprodutivo, mas em pares, para poderem nidificar e criar seus filhotes.

O Carcará é uma ave muito característica do cerrado, da caatinga e do sertão brasileiro. Tão presente nestas áreas, que já foi até nome de uma musica que fazia referencia ao povo nordestino.

Carcará e a MPB

O compositor e músico João do Valle compôs uma bela canção com o nome da ave, que ganhou o público e ficou conhecida através da belíssima voz da artista brasileira Maria Bethânia . É uma musica interessantíssima, pois nela conseguimos observar algumas características do carcará, sua alimentação, algumas características fisiológicas e seus hábitos.

O compositor escreveu está canção, não em homenagem ao pássaro que habita o sertão nordestino, mas sim as pessoas que ali habitavam e passavam necessidades; então tiveram que migrar em busca de trabalho e melhores condições de vida. A canção faz referencia ao sofrimento do povo nordestino, que teve que deixar sua terra natal para poder buscar novas oportunidades de vida em outros Estados. Na musica ela diz como o animal precisa se revirar para conseguir seu alimento; o caracará está muito presente no sertão nordestino.

A artista refere-se ao animal como batalhador, guerreiro e que não desiste nunca, como o povo nordestino. Essa canção encantou a todos na época da ditadura militar, foi lançada em 1965, um ano após o golpe militar.  Vamos conferir alguns trechos da linda canção de Maria Bethânia, para que possamos analisar algumas características do Carcará.

Quando Maria Bethânia, no refrão de sua canção, cita: “Carcará! Pega, mata e come. Carcará! Num vai morrer de fome. Carcará! Mais coragem do que homem. Carcará! Pega, mata e come!” descreve alguns hábitos do pássaro, que é considerado um dos pássaros que se alimentam com mais facilidade, pois sua alimentação é muito versátil, ele come desde invertebrados, peixes, aranhas, cobras, polpas de frutas, ovos até filhotes de outros animais e ainda carniça; isso se deve ao fato dele possuir um sistema digestivo poderoso, capaz de protegê-lo e eliminar as toxinas que fazem mal ao seu organismo;

João do Vale, Compositor da Música Carcará
João do Vale, Compositor da Música Carcará

Em outro trecho, quando ela canta: “Carcará… Quando vê roça queimada, Sai voando, cantando. Vai fazer sua caçada… Como inté cobra queimada. Descreve também outro habito dos Carcarás, que é o de encontrar suas presas em meio às decorrentes queimadas.

Já em outro trecho, que é importante destacarmos, ela diz: Carcará é malvado, é valentão. É a águia lá do meu sertão. Os burregos novinhos num pode andá… Ele puxa o bico inté mata.” Para quem não sabe burrego é a novilha, são as crias de ovinos (ovelhas) e caprinos (cabras), que acabaram de nascer; o carcará fica a espera, na melhor oportunidade, ele as captura e dá uma sequencia de bicadas no pescoço do animal para que facilite o processo de captura.

Outro trecho que podemos destacar é: “Lá no sertão… é um bicho que avoa que nem avião, é um pássaro malvado, tem o bico volteado que nem gavião” ela descreve algumas características do Carcará. Seu bico é entortado, de coloração amarelada e alaranjada e cita também o seu voo, que é bastante característico da ave, são exímios planadores; e, devido às duas manchas brancas que ele possui na ponta de suas asas fica fácil distingui-lo das outras aves.

Canto do Carcará do Cerrado e o Allopreening

A ave é ótima com a voz também, ela a utiliza para expressar-se e para se comunicar com outros pássaros. O canto do Carcará é caracterizado por fazer sons como: “Rak-Rak-Ráa”; e se formos analisar a entonação e o sentido do som emitido parece que ele está falando “Carcará”, e deste canto é que surge o seu nome.

São aves curiosas, se alimentam com muita facilidade e praticam o allopreening. O allopreening consiste em um comportamento de determinadas espécies, que tem o costume de fazer uma “limpeza” em outra espécie de animal; isso ainda ocorre entre os indivíduos da mesma espécie, com a finalidade de remover parasitas, estabelecer um melhor convívio e respeitar o nível de hierarquia presente entre eles. Essa ação ocorre muito entre os Urubus e os Carcarás, que podem ser vistos misturados em outros bandos, “limpando” seus colegas e restabelecendo um convívio adequado para ambas as espécies.

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